BÖLÜM 1: KURAMSAL ÇERÇEVE
1.3. Yaşlılara Verilen Sosyal Hizmetler
1.3.1. Yatılı Bakım Hizmetleri
Conjunto de Garagens, escritórios e lojas. Área construída: 19.280m2 - 23 Pavimentos
localização Praça das Bandeiras, São Paulo
material Projeto Executivo, 1968-69/ Projeto de reforma, 1979
fonte Arquivo S. Candia
O edifício Joelma, como “Ponto Focal” visto a partir da Avenida Anhangabaú. fonte: arquivo S. Candia
O Joelma é uma coisa muito difícil, um pentágono esquisito, é uma espécie de tri- ângulo. Tinha que ter uma garagem em baixo, dois prédios de escritórios em 1.500 metros quadrados de terreno. É um problema extremamente difícil, mas acho que foi razoavelmente bem resolvido, principalmente porque ele tem um pouco daquilo que eu gostaria que fosse minha arquitetura. E também porque acho que aí reencontrei – não é que reencontrei o Brasil -, i z uma síntese daquilo que acho que tem de ser arquitetura brasileira, com as coisas todas que eu li, sobre as quais conversei, que eu vi nos Estados Unidos, na Inglaterra, com aquelas bolsas, com aqueles prêmios e tudo o mais que eu não contei.1
O edifício Joelma caracteriza-se pela acomodação de um conjunto complexo de ga- ragens, escritórios e lojas com uma área que excede em 15 vezes a superfície do seu terreno.2
Situado em uma esquina de grande importância simbólica na área central da cida- de, encerrando a frente Sudoeste do recinto do vale Anhangabaú, o edifício pontua o desfecho da avenida 9 de Julho junto à praça das Bandeiras, no encontro das vertentes sul do sistema “Y” de avenidas proposto por Prestes Maia. O terreno dei ne-se pelo encontro oblíquo entre a avenida 9 de Julho e a rua Santo Antônio, formando um triân-
1 CANDIA, Salvador. Arquitetura e desenvolvimento nacional - depoimentos de arquitetos paulistas. São Paulo: Pini/IAB- SP, 1979
2 O edifício Joelma abriga aproximadamente 7.000m2 de escritórios, 8.000m2 de garagens, 1.300 m2 de lojas e acessos, servidos por um núcleo de circulação vertical de 3000 m2, perfazendo 19.300 m2 implantados sobre um terreno de 1.300 m2.
N
0 20m
EDIFÍCIO JOELMA PLANTA DE SITUAÇÃO
gulo incompleto com desnível suave de aproximadamente 4 metros em direção ao vale do córrego Saracura, situado sob a avenida.
O edifício é dividido em duas partes funcionais autônomas: os escritórios estão dis- postos em uma dupla torre de quinze andares que ocupa a frente do terreno, marcando a esquina. O estacionamento desdobra-se em rampas helicoidais sucessivas até o sétimo pavimento, conformando o embasamento do edifício. Enquanto a torre se destaca dos vizinhos e faz frente ao Anhangabaú, o embasamento ocupa todo o perímetro do lote e dá continuidade às construções vizinhas.
à direita: Edifício Joelma, São Paulo. Salvador Candia, 1968. fonte: arquivo S. Candia página anterior: desenho realizado sobre bases diversas.
Embasamento: o problema das garagens
O programa das garagens urbanas havia sido objeto de estudo por Rino Levi nas déca- das anteriores, tendo sido proposto como problema didático aos seus alunos da FAU USP em 1955.3 Anos depois, como professor no Mackenzie, Candia viria a empregar o
mesmo programa como tema de rel exão aos seus alunos.4
A solução das rampas do Joelma é análoga ao projeto da Garagem Copana (1956), de Levi.5 Um sistema semelhante de garagens helicoidais, constituindo o embasamento
de um edifício vertical de programa misto fora também empregado no célebre conjunto de “Marina City” em Chicago (1959), pelo ex-aluno da Bauhaus Bertrand Goldberg.6
Este edifício tornou-se um modelo de ocupação das áreas centrais de cidades norte- americanas por um determinado período após a sua construção.
No Joelma as garagens são dispostas em um conjunto trapezoidal de rampas e pata- mares sucessivos, perfazendo um embasamento funcionalmente autônomo em relação ao restante do edifício, com uma prumada de circulação vertical independente. Duas passagens de acesso distintas, uma para automóveis e outra de pedestres, atravessam os pavimentos térreos do edifício de uma face a outra, vencendo o desnível de quatro metros existente entre a rua Santo Antônio e a avenida 9 de Julho. As lojas ocupam todo o perímetro restante da fachada junto às calçadas.
3 Ver Capítulo II
4 LOTUFO, Vitor. Depoimento prestado ao autor em 4-12-2008. 5 ANELLI (2001. p. 194)
6 Bertrand Goldberg’s speech about Marina City presented at the seminar on “Architectural Aspects of Edmonton Civic Centre Plan,” Edmonton, Alberta, Canada. September 27, 1959, Disponível em: <http://www. marina city\Marina City, Chicago - Bertand Goldberg.mht> . Acesso em: 28 maio 2007.
acima:
Conjunto “Marina City”, Chicago Bertrand Goldberg, 1959. fonte: idem (nota de rodapé) em baixo:
Edifício Joelma, Estudo do acesso sob o embasamento. fonte: arquivo S. Candia
página anterior:
Edifício Joelma, São Paulo.
Planta do Mezanino sobre o pavimento de acesso. Notar a rampa de acesso de automóveis e a galeria para pedestres que dão acesso às duas ruas.
N
10m 0
EDIFÍCIO JOELMA
PLANTA DO ESTACIONAMENTO (7 PAV.)
av. 9 de Julho
N
10m 0
EDIFÍCIO JOELMA
PLANTA DO PAVIMENTO TIPO
av. 9 de Julho
acima:
Edifício Joelma, São Paulo. Salvador Candia, 1968. Estudo para a fachada. fonte: arquivo S. Candia. à esquerda:
Edifício Joelma, São Paulo. Salvador Candia, 1968. Estudo para a fachada fonte: arquivo S. Candia.
Duas torres solidárias
Duas torres de 15 pavimentos de escritórios se acomodam na proa do terreno e são servidas por uma única prumada de circulação vertical e de áreas de apoio (copas, sanitários e depósitos). A geometria destes volumes se destaca dos lotes vizinhos, constituindo um elemento autônomo que pontua o desfecho da quadra perante à praça, em cumprimento às diretrizes urbanísticas sugeridas por Prestes Maia para o arremate dos pontos focais estabelecidos pelos grandes eixos viários. Nas palavras de Salvador Candia:
Os desenhos destacam as dii culdades de relacionar níveis, acessos, espaços de esta- cionamento e trabalho, estrutura e um detalhamento delicado a i m de harmonizar os volumes diversos em funções e formas através de uma “unidade expressiva” compatí- vel com o ponto focal da Praça das Bandeiras.7
O desenho das plantas adota os ângulos de 45° e 135° existentes na i gura trape- zoidal do lote. A geometria resultante, associada ao ritmo dos quebra-sóis verticais modulados a 2.70 metros, proporciona um volume que varia radicalmente a partir da mudança do ponto de vista do observador. O vazio criado entre a torre de escritórios e os edifícios vizinhos é parcialmente encerrado pelas faces angulares do novo edifício, criando situações inesperadas para o observador em movimento a partir da avenida 9 de Julho.
7 CANDIA, Salvador. Curriculum Vitae e Obras Executadas, São Paulo, Arquivo Salvador Candia, [1980] acima:
Edifício Joelma, São Paulo. Salvador Candia, 1968. fonte: arquivo S. Candia.
Montagem fotográfica feita a partir da filmagens originais exibidas em: JOELMA 230 ANDAR
Direção: Clery Cunha, São Paulo, 1980. DVD (80mim.).