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5. ARAġTIRMA BULGULARI

5.1 Aspen HYSYS ile Yapılan ÇalıĢmalar

5.1.1 YatıĢkın durum sonuçları

O início da análise da questão remete à Grécia Antiga, o berço da civilização ocidental, porquanto Enrique Dussel vê nesse período o desvio originário de fundamento que conduziu o Ocidente a uma história de exclusão, vitimação e, pois, injustiça.

Há dois problemas fundamentais em relação ao pensamento grego antigo. O primeiro refere-se à fundamentação da prática sócio-política em que somente os homens adultos gregos livres podiam participar da vida política, enquanto as demais pessoas eram tolhidas desse direito. Podemos dividir essa questão em duas fases.

A primeira fase, a partir do século VII a.C., quando surgem alguns pensadores que buscam explicar a natureza a partir da razão, sem recorrer aos deuses mitológicos. São os chamados filósofos da natureza, destacando-se nesse cenário Parmênides e Heráclito, ainda que desde Tales e Anaximandro ou mesmo Homero e Hesíodo, já se possa encontrar o questionamento filosófico. É um caminhar do pensamento grego que se livra, aos poucos, das concepções míticas, das opiniões do vulgo, para chegar à questão principal, o

63 ser, do ponto de vista estritamente racional. O grego Parmênides de Eléia, que viveu na primeira metade do séc. V a.C., é um dos principais pensadores que nortearam o pensamento grego, o qual influencia, até hoje, a Filosofia Ocidental. De seus escritos, restaram apenas fragmentos, mas suficientes para enraizar a clássica concepção de que “Tudo é uno” (fragmento 50), o “Ser é, o Não-Ser não é” e “ser e pensar são a mesma coisa” (fragmentos 6 e 3 respectivamente).

Mediante a identidade entre “ser” e “pensar”, estabelece-se, por conseqüência, a idéia de que somente “é” o homem que “pensa”, os demais “não são”. Assim os gregos assumem o fundamento teórico para a práxis de exclusão política de estrangeiros, escravos, mulheres e crianças, considerando que somente os homens adultos gregos livres são “pensantes”, enquanto os estrangeiros, as mulheres e as crianças são considerandos “não-pensantes”. É a partir desse modo de pensar e viver que se começa a sedimentar o estado de injustiça, considerando a importância da Grécia em relação aos povos não- gregos daquela época.

A segunda fase pode ser considerada principalmente com Sócrates, Platão e Aristóteles. Inicialmente, com a concepção de que o verdadeiro ser é o

eidos, Platão desfaz a unidade do Ser da maneira como pensada pelos pré-

socráticos, e o homem passou a ser considerado como “alma” que habita um “corpo”. Porém, mantém a concepção de unidade, então deslocada para o

eidos, tido por ele como o verdadeiro Ser.

Para Platão, igualmente, a alma do mundo é mais antiga que o corpo; a alma não nasceu, é imortal, eterna. O nascimento empírico é uma queda num corpo, que é seu cárcere. (EL 34).

E se para Parmênides o Ser é presença, com Platão a questão passa a ter relação com a visibilidade ou não-visibilidade, considerando, ainda, que a

desocultação do ser somente seria possível pela idéia.

A desocultação do ser será mera exatitude, e a com-preensão do

lógos em relação ao ser é agora considerada como idéia (que vem de eidos = o visto, percebido). (DHE 29).

Com a posição adotada por Platão, estabelece-se, então, a desvalorização da presença, da concretude. Mais ainda, essa concepção

64 atinge o valor da vida terrestre, sempre enaltecida nas civilizações anteriores à grega, visto que a vida terrestre está calcada nas coisas fenomênicas, ao passo que para Platão a verdade absoluta está no ideal e não nas coisas aparentes. O ser deveria ser alcançado apenas pela idéia e não pela presença fenomênica. O real, para Platão é o ideal, enquanto as coisas vistas são apenas aparências. Seguindo nesse raciocínio, Platão entendeu o Mal como ignorância do Bem, ou do Ser, o que o levou à separação entre Metafísica e Ética, devendo a primeira tratar dessa transcendência enquanto a segunda, da vida prática:

Prosseguindo-se por este caminho chegar-se-ia a separar a metafísica da ética, por uma parte, e o mundo ontológico do empírico, por outro. Nesta interpretação têm caído inumeráveis platônicos da história. (DHE 30).

Aristóteles reafirma a posição grega de exclusão, porquanto ainda que o

Ser deva ser buscado a partir da phýsis e nela encontrado, somente pelo lógos

será possível alcançá-lo, o que o insere no mesmo plano de Platão em relação a essa questão.

Para Aristóteles há transmissão ou causação formal (trans- formação) (um movimento “horizontal” dentro da espécie eterna). O Estagirita reuniu em um só horizonte (o mundo da percepção sensível) a presença do ser; porém não por isso desejou reduzir ao ser unicamente ao nível eidético. O ser como para os pré-socráticos e Platão é o

permanente, a presença do presente (em última análise, a ousía), o

alcançado exatamente pelo logos. (DHE 32).

A Ética aristotélica, distinta da metafísica, por sua vez, consagra-se como uma teoria da eudaimonía, isto é, que tem como fim último a felicidade do homem. Mas a felicidade, para Aristóteles, encerra a idéia de “boa vida”, a qual, considerando-se que a eudaimonía é própria do espírito, remete a idéia de felicidade à vida contemplativa; vida essa que somente poderá ser alcançada pelos gregos, surgindo daí, então, o “direito” de escravizar os “bárbaros”. É de se ressaltar, aqui, que a Ética aristotélica, embora pretenda um princípio universal - “vida boa” -, encerra-se no regionalismo grego, um mundo particular e restrito.

65 Esta suprema “vida boa” só podia ser vivida na pólis grega, porque os bárbaros, os asiáticos ou os escravos não eram humanos em sentido estrito. É uma ética material ontológica..., mas ainda regional, particular. Define uma vida boa com pretensão de universalidade, mas cai num particularismo convencional que deverá ser superado. (EL 125).

Assim confirma-se a sociedade grega, com todas as suas virtudes, mas calcada na visão totalitária, encerrada em si mesma, sem abertura para o diferente, preocupada com uma “justiça” formal, em que cabe ao homem a obrigação fundamental de obedecer à ordem estatal tendo em vista o fim de não quebrar a ordem. Isso explica, de certo modo, a idéia do homem grego como o único ser pensante e de todos os estrangeiros como “objetos” para servir ao grego. E não bastasse tal distinção, distinguem mesmo os cônjuges varões dos demais gregos, constituindo os primeiros os únicos “pensantes”, enquanto mulheres e crianças, apenas serviam para propiciar o alcance dos fins desejados. Com o fundamento unívoco fortalece-se o éthos grego, dominador, escravista e flagrantemente injusto, posto que o Outro, o dis-tinto não tem sequer o status de cidadão e daí não poderá, mesmo, possuir qualquer direito:

Para Aristóteles, o grande filósofo da época clássica, de uma formação social escravista autocentrada, o grego e o homem; não o é o bárbaro europeu porque lhe falta habilidade, como também não o é o asiático, porque lhe falta força e caráter; também não são homens os escravos; as mulheres o são ás meias e a criança o é em potência. Homem é o varão livre das polis da Hélade. (FL 11).

O segundo problema está no sentido de lógos para os gregos. Esse termo, que abriga a com-preensão do Ser, constitui-se no fundamento maior de todo o sistema helênico tendo em vista a concepção de unidade do Ser. Isso porque no sentido grego, esse termo significa, radicalmente, co-letar, re-unir,

de-finir, como, aliás, bem retoma o grande filósofo Heidegger em Ser e Tempo.

Daí, surge a grande fundação do pensamento totalitário grego regido inicialmente pelo pensamento parmenidiano, porquanto a com-preensão do Ser encerrava re-união, co-leta, isto é, um fechamento hermético, sem abertura para o Outro.

66 No entanto, considerando o correspondente hebraico, dabar, percebe- se que o termo ganha um sentido muito diferente.

Mas a palavra Lógos traduz ao grego o termo hebraico dabar, que inversamente significa: dizer, falar, dialogar, revelar e ao mesmo tempo coisa, algo, ente. Lógos é unívoco. Dabar é Aná-logo. (MFL 199).

Para a totalidade grega, lógos traduz perfeitamente o sentido de unidade do Ser e a exclusão do di-ferente. Por outro lado, considerando o sentido hebraico, encontramos fundamentalmente a idéia do Outro, do dis-tinto 14.

Enquanto prevalecer o entendimento grego, é evidente que nenhuma ética encontrará sustentação teórica suficiente para estabelecer uma proteção justa ao Outro, pois estará fundada numa concepção que desde o ponto de partida é fechada ao Outro e por isso leva inexoravelmente à injustiça.

Dussel vai além do ponto originário a que a maioria dos filósofos europeus se refere, e procede, então, à de-struição da ética ocidental desde o seu maior fundamento, o Lógos grego, para a partir daí, lançar a proposta de uma ética de libertação que dê ensejo à realização da Justiça tendo como escopo não a totalidade do Eu, mas a necessidade do Outro.

Benzer Belgeler