1. NECDET EKİCİ’NİN HAYATI, ÖYKÜLERİ VE ÖYKÜCÜLÜĞÜ
2.5. YASAK AŞK
A história de São Carlos tem início em 1831, com a demarcação da Sesmaria do Pinhal e sua fundação data de 4 de novembro de 1857. Esse período foi marcado pela principal atividade econômica que perdurou até as duas primeiras décadas do século XX – a lavoura cafeeira. Em 1865, foi elevada à categoria de vila, e a Câmara Municipal foi empossada. Em 1874, a vila contava com 6.897 habitantes e destacava-se na região pelo seu rápido crescimento e importância regional. Em 1880, passou de vila à cidade, e a chegada da ferrovia, na região sul da cidade, em 1884, propiciou um sistema eficiente para escoar a produção para o porto de Santos, o que resultou num
121 grande impulso ao desenvolvimento da sua economia. Em 1886, com uma população de 16.104 habitantes, a cidade já possuía ampla infraestrutura urbana (IBGE, 2010).
Segundo Nosella e Buffa, no final do século XIX, ―o café tornara São Carlos uma das cidades mais prósperas de São Paulo‖ (2002, p. 30). Esse desenvolvimento econômico ancorou a necessidade de trabalhadores e profissionais. Como resultado, ao longo dos anos, foram criadas instituições escolares próprias para atender aos filhos da elite.
Para Nosella e Buffa (1997), a Escola Profissional (1932) trouxe a dualidade do sistema escolar, pois eram reconhecidamente distintos seus objetivos e clientela, própria para formar trabalhadores especializados, e ainda representava o trabalho manual como princípio pedagógico. Até então havia na cidade a Escola Normal – a escola para os filhos da elite. A partir de 1932, o ensino profissional se constituiu um importante ramo da escolarização do município, refletindo, portanto, na criação do parque industrial paulista.
Em consonância com esse contexto, nas últimas décadas do século XIX, ocorreu o fenômeno social que mais influenciou a região central de São Paulo: a imigração. São Carlos recebeu alemães e italianos, e o município foi considerado um dos principais polos atrativos de imigrantes do estado (Prefeitura de São Carlos, 2010a).
Nas décadas de 1930 a 1960 o setor industrial se desenvolveu de forma relevante, instalou-se grande quantidade de empresas pequenas e médias, fornecedoras de produtos e serviços80. A expansão industrial de São Carlos, deste período, pode ser compreendida basicamente por três etapas.
a primeira, até os anos 40, de arranque inicial do processo de industrialização, de definição dos rumos a serem tomados pela dinâmica econômica do município; a segunda, da segunda metade dos anos 40 aos anos 60, de ajustes e reajustes dos movimentos econômicos locais, com relação às transformações estruturais que se
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Na década de 1940, a população operária de São Carlos corresponde a 0,7% do estado, constituindo a nona posição dos municípios mais industrializados de São Paulo (Fernandez e Côrtes, 1999).
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operavam em todo o contexto do estado; e a terceira, a partir do final dos anos 60, de retomada do desenvolvimento industrial com base em uma nova estruturação da divisão territorial do trabalho no Estado de São Paulo (Devescovi, 1987, p. 138-141).
O processo de industrialização advindo da crise cafeeira em São Carlos se distingue de outros municípios do estado, pois, a expansão da economia de caráter urbano industrial pouco se apoiou na estrutura produtiva rural. ―A elite agrária local é então ‗destronada‘, perdendo o poder econômico e o poder político‖ (Dozena, 2001, p. 53-54).
A nova elite que se compõe qualifica São Carlos como um meio concentrador de técnicas, na medida em que estimulava a instalação das indústrias e incitava o desenvolvimento de serviços e infraestrutura urbana. A influência política de grandes empresários resultou na criação de grandes Instituições de Ensino Superior públicas na cidade.81 Na segunda metade do século XX, a cidade recebe um grande impulso para o seu desenvolvimento tecnológico e educacional com a implantação, em abril de 1953, da Escola de Engenharia de São Carlos, vinculada à Universidade de São Paulo (USP), e, na década de 70, com a criação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). (Prefeitura de São Carlos, 2010b).
Esse fenômeno esteve em consonância com o contexto político e econômico que ocorria no Brasil. Afinal, após 1945 se acentuou e se constituiu a sociedade urbano-industrial no Brasil, parte como resultado da política de massas em prol do desenvolvimento econômico travada por Getúlio Vargas82. Para Ianni (1986), o
movimento migratório interno, no sentido dos centros urbanos e industriais, intensificou-se a partir de 1945. Esse processo ocorreu, de um lado pelo próprio
81 Ver: Lima, Luiz Cruz. Novo espaço da produção: os tecnopolos. Dissertação de Mestrado, Programa de
Pós-Graduação em Geografia, Universidade de São Paulo, 1994.
82 Durante o período de 1930-1934, Getúlio Vargas foi chefe do Governo Provisório; de 1934-1937, foi
presidente da República, do Governo Constitucional, eleito pela Assembleia Nacional Constituinte de 1934 e ainda de 1937-1945, enquanto durou o Estado Novoimplantado após um golpe de estado. Em 1951, ele foi eleito por voto direto e governou novamente o Brasil como presidente da República, por três anos e meio, quando cometeu suicídio.
123 crescimento de urbanização e industrialização das cidades e, por outro, pelas mudanças no setor produtivo ―expansão das técnicas capitalistas no campo, o que produz desemprego e a expulsão de uma parte dos trabalhadores‖ (p. 58).
Durante a ditadura, nas décadas de 1960 e 1970, assistiu-se no país a um processo de recessão seguido do ―milagre econômico brasileiro‖83, que no estado de
São Paulo intensificou o trabalho da indústria metropolitana: a estrutura industrial do estado começou a se distribuir espacialmente, de forma gradativa e sempre seguindo os eixos viários, dando margem a um processo de relativa descentralização/desconcentração espacial da indústria.
São Carlos se beneficiou do II Plano Nacional de Desenvolvimento – PND, instalado em 1973 pelo governo Geisel84. Devido ao processo de descentralização
espacial da indústria, que levou maior investimento para o interior do estado de São Paulo, além da concentração do capital em determinados setores industriais e do comércio de mercadorias. Entre os anos de 1970 e 1975, a produção industrial de São Carlos se expandiu em ―253,5% contra 155,35% no conjunto do estado e contra um crescimento de 110,5% na produção industrial do município na década de 60‖ (Devescovi, 1985, p.142).
O II PND foi uma medida adotada pelo governo ditatorial devido ao choque do petróleo de 1973-74, que elevou substancialmente não só os preços do petróleo e de seus derivados, mas também de matérias-primas, bens intermediários e bens de capital, em consequência do próprio processo de saturação da produção interna vislumbrada pelo modelo político e econômico que resultaram no ―milagre‖. O II PND pretendia implantar um conjunto ambicioso de projetos de bens de consumo e
83 Houve importante crescimento econômico com base na expansão acelerada de bens de consumo
duráveis, que também se mostrou saturado pouco tempo depois, além disso, parte desse ―milagre‖ se deu pelo endividamento propulsionado pela liquidez do mercado financeiro internacional que oferecia empréstimos abundantes a taxas de juros baixas (Gaspari, 2004).
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A gestão presidencial de Ernesto Geisel ocorreu entre os anos de 1974 e 1979, parte do regime ditatorial no Brasil de 1964-1985.
124 insumos básicos, porém projetava taxas de crescimento do produto interno bruto mais modestas, o que implicava uma discreta desaceleração da economia (Mantega, 1997) ou uma política de distensão (Gaspari, 2004).
Nesse contexto, destacam-se dois aspectos concernentes aos impactos do processo de industrialização sobre a dinâmica de urbanização do estado de São Paulo: 1) a intensificação da diferenciação entre cidades e regiões na divisão territorial do trabalho: a região compreendida pelo eixo Ribeirão Preto-Campinas constituiu-se como uma das mais dinâmicas, no sentido da inserção no processo de industrialização e do desenvolvimento do setor agrário, com grande capacidade de absorção de mão de obra e, consequentemente, grande atratividade de contingentes populacionais. Por
outro lado, áreas a oeste do estado sofreram grande esvaziamento do campo sem a contrapartida do desenvolvimento urbano-industrial presente na região centro-leste; 2) a ampliação dos espaços periféricos das cidades inseridas nessas regiões mais dinâmicas, simultaneamente ao processo de deslocamento industrial para o interior do estado e das mudanças tanto na estrutura agrária como nas relações de trabalho na agricultura, o processo de urbanização desses municípios se pautou pelo acirramento das ―contradições urbanas‖, a partir do agravamento da pobreza nas cidades. Já nos primeiros anos da década de 1970, São Carlos sentiu a repercussão desse processo (Devescovi, 1987).
Realmente, o crescimento industrial e a decadência da cafeicultura não foram suficientes para enfraquecer todas as atividades agropecuárias em São Carlos. Ocorreu que as atividades pecuárias se destacaram com a produção leiteira. O município, em 1970, chegou a ―ser uma das maiores bacias leiteiras do Estado‖ (Devescovi, 1985, p. 168). Segundo a autora, esse processo se desenvolveu em paralelo com outras cidades da região, cuja produção de cana-de-açúcar substituiu a cafeeira.
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São Carlos, na década de 70, já possuía 317 estabelecimentos da indústria de transformação e empregava 7.158 pessoas, o que correspondia a 15,15% do emprego industrial regional, atrás apenas dos municípios de Ribeirão Preto e Araraquara. Na década de 80, o número de estabelecimentos industriais de transformação sobe para 332, o que representa um ligeiro acréscimo. Já o número de pessoas empregadas cresce 2,2 vezes, o que representa 15.914 pessoas. O município concentra, nesta década, 15% do emprego industrial regional mantendo sua posição em relação à década anterior (Oliveira, 2002, p. 34).
São Carlos se destaca entre as cidades médias do interior paulista e se configura como uma das cidades mais desenvolvidas pelo seu significativo parque industrial, com muitas empresas – multinacionais e voltadas para a tecnologia de ponta. A ―capital da tecnologia‖ 85, como é denominada oficialmente pela prefeitura da
cidade, apresenta grande concentração de mão de obra profissional especializada – com alta titulação86. Esse fato está associado à presença da Universidade de São Paulo – USP e da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.
Reforçando o caráter de polo de desenvolvimento científico e tecnológico, possui a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, que mantém dois centros de atividades instalados na cidade: o Centro de Pesquisa de Pecuária do Sudeste e o Centro Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Instrumentação Agropecuária, produzindo tecnologia de ponta nas áreas de melhoramento genético bovino e de desenvolvimento de equipamentos agropecuários. Instituída desde 1984, a Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos – ParqTec é outro ponto de destaque, trata-se de uma organização não governamental sem fins lucrativos, que tem o objetivo de gerenciar e promover o desenvolvimento do polo tecnológico de São Carlos, a partir da transferência de tecnologia das universidades e centros de
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O Projeto de Lei 6.532/09, apresentado pelo deputado Lobbe Neto (PSDB-SP), concede ao município de São Carlos o título de capital nacional de tecnologia. O PL já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em 14 de julho de 2010 e a proposta está sendo encaminhada para aprovação no Senado.
86 Um de cada 180 habitantes da cidade tem título de doutor. No Brasil, a razão é de 1 para 5.423
habitantes. Além disso, São Carlos possui um dos maiores índices de registro de patentes do país. São 14,5 patentes por 100 mil habitantes a cada ano, quase cinco vezes a média nacional (3,2) (Carta Capital, 2010).
126 pesquisas para as empresas. No cadastro anual de empresas, em 2008, São Carlos ocupou a 23.ª posição entre os 645 municípios do estado de São Paulo, com maior número de empresas (64.448), perdendo apenas para cidades com portes bem maiores87.
O município, comparado aos demais do estado de São Paulo, destaca-se como uma cidade próspera com elevados índices financeiros e bons índices sociais. Em 2000, o seu Índice de Desenvolvimento Humano – IDH88 foi de 0,841, considerado alto,
elevou o município ao 17.º no ranking dos municípios com melhores índices no estado de São Paulo, cujo IDH foi de 0,814 (Seade, 2010).
Nos mapas a seguir verifica-se a que o Produto Interno Bruto – PIB per capita do município (Figura 4) foi de 16.441, logo, enquadra-se nos mais altos percentuais. Já em relação à pobreza e desigualdade, verifica-se que o Índice de Gini89 (Figura 5) está
numa posição mediana, com 0,41, e a Incidência de Pobreza (Figura 6) está concentrada em 12,08%, comparativamente baixa em relação ao estado de São Paulo, cuja média é de 26,6%. As despesas orçamentárias do município (Figura 7) também estão concentradas entre as mais altas do Estado.
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Listagem dos municípios com maior número de empresas cadastradas no Estado de São Paulo: São Paulo, Campinas, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Barueri, São José dos Campos, Santo André, Ribeirão Preto, Sorocaba, Santos, Jundiaí, Osasco, São José do Rio Preto, Piracicaba, São Caetano do Sul, Diadema, Bauru, Taubaté, Mogi das Cruzes, Americana, Franca, Limeira e São Carlos (IBGE, 2008).
88 O IDH é calculado utilizando como critérios indicadores de educação, longevidade e renda. Os valores
de IDH até 0,499 são considerados baixo, entre 0,500 e 0,799 são considerados de médio desenvolvimento humano e IDH superior a 0,800 é considerado alto. Para a avaliação da dimensão educação, são considerados: a taxa de alfabetização de pessoas acima de 15 anos de idade com peso dois, e a taxa bruta de frequência à escola, com peso um. O segundo indicador é o resultado da somatória de pessoas, independentemente da idade, que frequentam os cursos fundamental, secundário e superior dividido pela população na faixa etária de 7 a 22 anos da localidade. Para a avaliação da dimensão longevidade, o IDH municipal considera a esperança de vida ao nascer. Para a avaliação da renda utiliza- se PIB per capita, esse cálculo é feito a partir do questionário expandido do Censo (IBGE, 2011).
89 O Índice de Gini é uma medida de concentração ou desigualdade comumente utilizada na análise da
distribuição de renda. Numericamente, varia de "0 a 1", em que o zero corresponde à completa igualdade de renda, e 1 corresponde à completa desigualdade. A média no estado de São Paulo em 2010 foi de 0,45 (IBGE Estados, 2010).
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São Carlos
Mapas da cidade de São Carlos em comparação a demais municípios do estado (SP)
Figura 4 – Produto Interno Bruto dos Municípios
(PIB per capita, valores em reais 2007)
Figura 5 – Pobreza e Desigualdade dos Municípios
(Índice de Gini - 2003)
Figura 6 – Pobreza e Desigualdade dos Municípios
(Incidência da Pobreza % - 2003)
Figura 7 - Finanças Públicas dos Municípios
(Despesas orçamentárias em reais– 2008)
Figura 4) Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais.
Figura 5 e 6) Fontes: IBGE, Censo Demográfico 2000 e Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF 2002/200390.
Figura 7) Fontes: Ministério da Fazenda, Secretaria do Tesouro Nacional, Registros Administrativos 2008.