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A SEC origina a NBC e a BC, sendo estas duas caracterizadas como correntes superficiais de contorno oeste do Atlântico Sul (Figura 9).

A costa nordeste do Brasil recebe a influência direta da NBC, adentrando a plataforma continental no sentido oeste/noroeste margeando a costa. Na porção 3°S (correspondente a costa do CE) a morfologia da costa nordestina tem um padrão leste-oeste, justamente onde a NBC é mais intensa alcançando velocidades acima de 1,1m s-1 durante a

intensificação dos ventos alísios de leste durante o inverno austral (ITCZ mais ao norte do Equador). As médias anuais são próximas a 0,6-0,8m s-1 (PETERSON & STRAMMA, 1991;

STRAMMA, 1999; MARIN, 2009). Embora o Ceará possua vários estuários, estes são pequenos e pouco volumosos, ocorrendo eventos sazonais de oligotrofia ao longo do ano, além, de parcelas de hipersalinidade, intensificadas pelas elevadas temperaturas e o intenso padrão eólico (DIAS et al., 2013).

Uma característica já comentada é que a maioria do transporte de água pela SEC é enviada ao hemisfério sul pela NBC, e uma pequena parte alimenta a incipiente BC próximo a 10°S. A corrente superficial BC se intensifica com a movimentação geostrófica do giro sul, margeando a costa do sudeste e sul brasileiro na direção sul. Nas latitudes correspondentes a Região dos Lagos no litoral carioca, ocorre uma quebra na morfologia da costa compreendo os municípios de Arraial do Cabo e Cabo Frio, latitudes próximas a 20,5°S. Nestas latitudes a costa tem sentido leste-oeste e a velocidade da corrente se mantém acelerada com 0,5-0,6m s-1

(PETERSON & STRAMMA, 1991). De acordo com o diagrama TS (temperatura e salinidade), as águas transportadas pela BC são enquadradas como água Tropical - TW (Tropical Water), perfil típico do Atlântico Sul da superfície até 100m de profundidade, aproximadamente. Em Arraial do Cabo, ocorre o fenômeno da ressurgência costeira, aflorando águas de fundo, como a água central do Atlântico Sul - SACW (South Atlantic Central Water), que geralmente estaria abaixo dos 200-350m (DIAS et al., 2013). A SACW é

resultado do encontro da corrente superficial sentido sul BC com a Contra Corrente de Fundo das Maldivas - MC (Maldivas Current) (PETERSON & STRAMMA, 1991; STRAMMA, 1999). A ressurgência costeira é um fenômeno importante aos processos ecológicos marinhos, pois disponibiliza os nutrientes retrabalhados que estão aprisionados abaixo da termoclina. Os processos de ressurgência costeira são determinados pela morfologia costeira, a topografia de fundo e os campos de vento (COELHO-SOUZA et al., 2017). No caso de AC, a ressurgência costeira é muito sensível às mudanças do vento que acompanham duas estações perfeitamente definidas: uma temporada primavera-verão, com o estabelecimento de anticiclones marinhos tropicais com campos de ventos predominantes de E-NE, favoráveis a ressurgência. E uma temporada outono-inverno, com a passagem de frentes polares, com ventos sul promovem a subsidência de massas da água superficiais quentes, aprofundando a picnoclina (COELHO- SOUZA et al., 2017; LESSA et al., 2017).

2.2.1 Costa do CE

O Ceará é fortemente influenciado pelos processos de deslocamento da ITCZ, sendo os ventos intensificados nos meses de agosto a outubro quando a ITCZ está a norte do Equador (MAIA et al., 2005). E com rajadas de ventos mais amenas nos meses de março a abril, quando a ITCZ está sob o Equador (JIMENEZ et al., 1999; MAIA et al., 2005). Pereira (2012) relata valores médios mensais de ventos (a 10m do solo) variando de 2,9 m/s no período de março a abril, com direção ESE (112,5º) e no período de agosto a outubro, mais seco, com ventos circulando a 6,1 m/s com direção predominante a SE (135º). Portanto, o clima regional, incluindo a variação sazonal das chuvas, é regulado pela ITCZ. Os fenômenos do El Niño influenciam na magnitude do deslocamento da ITCZ sobre o continente, promovendo seca na região e o aumento da SST na costa do NE (KAYANO et al., 2009). E as condições de La Niña promovem condições chuvosas (MARENGO et al., 2017). A costa cearense é marcada por um forte regime de precipitação sazonal, com dois períodos bem definidos. O clima é semi-árido tropical, e é influenciado por processos oceânicos e atmosféricos que determinam a distribuição de precipitação (MARENGO et al., 2017). Um período chuvoso se estende de Janeiro a junho, e um período seco de julho a dezembro. O litoral cearense apresenta resquícios de Mata Atlântica, sendo os tabuleiros pré-litorâneos caracterizados pela vegetação composta, predominantemente, por manguezais e restingas em coberturas de dunas e savanas (MORO et al., 2011).

O município de São Gonçalo do Amarante/CE abriga o maior porto offshore do Brasil, o Porto do Pecém. Apresenta uma planície praial tipicamente contornada por extensões de dunas cobertas por restinga esparsa, com clima predominante tropical atlântico. O Porto do Pecém é um terminal portuário distante 40Km a noroeste de Fortaleza (capital cearense). A Marinha do Brasil iniciou os estudos ecobatimétricos em 1995, e em 2002 foi completamente inaugurado. É o porto do NE com o menor tempo de trânsito entre o Brasil, os

Estados Unidos e a Europa, média de 7 dias para chegar ao destino, funciona como um dos atrativos para conquistar os armadores e impulsionar as exportações brasileiras.

O clima típico de Paracuru/CE é tropical semiúmido e uma paisagem praial de restinga recortada por recifes de arenitos expostos, que formam piscinas naturais nas bordas. Está distante 70Km a noroeste de Fortaleza.

Já Icapuí/CE dista 165Km em linha reta a sudeste de Fortaleza, sendo o município mais oriental do estado do Ceará e o ponto de amostragem mais seco, com clima típico semi- árido e falésias (tabuleiros litorâneos de arenitos) com recifes expostos. A vegetação é variada com restinga e caatinga.

2.2.2. Arraial do Cabo

Arraial do cabo/RJ está em uma porção de terra avançada para dentro do mar em relação à costa adjacente, extremamente recortado e com características de circulação de água bem específicas e variantes ao longo das estações do ano, com influencia da ressurgência costeira (COELHO-SOUZA et al., 2017; LESSA et al., 2017). É um município da Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro distando 120Km da capital carioca.Com uma baixa média pluviométrica, é considerado de clima tropical litorâneo com muito vento e pouca chuva. Possui pequenas ilhotas no entorno das enseadas. A vegetação original é de mata atlântica, com característicos costões rochosos interrompendo as faixas de areias, resultando praias com uma estreita faixa de areia.

As informações geográficas acima foram obtidas através site público disponível pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, no portal cidades, clima e vegetação (IBGE, 2018).

Figura 9. Representação das correntes superficiais (linha escura) e sub-superficiais (linha tracejada) no perfil agrupado de 0-150m na zona equatorial e tropical do Atlântico Sul (PETERSON & STRAMMA, 1991; BUB & BROWN, 1996; BOURLÈS et al., 1999; STRAMMA, 1999; FRATANTONI & GLICKSON, 2002; TCHAMABI et al., 2017). A intensidade das correntes está de acordo com a espessura da linha. Os termos abreviados são: NEC - Corrente Superficial Equatorial Norte; NECC - Contra Corrente Superficial Equatorial Norte; NEUC - Contra Corrente Sub-Superficial Equatorial Norte; EUC - Contra Corrente Sub- Superficial Equatorial; SEC - Corrente Superficial Equatorial Sul; SECC - Contra Corrente Superficial Equatorial Sul; SEUC - Contra Corrente Sub-Superficial equatorial Sul; SAC - Corrente Superficial do Atlântico Sul. Os giros do Atlântico Sul estão em destaque, com os sentidos representados. O perfil de profundidade e direção das correntes está em evidência na porção inferior direita do mapa (PETERSON & STRAMMA, 1991; STRAMMA, 1999). Fonte: o próprio autor.

Benzer Belgeler