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2.2. Yaşam Doyumu

2.2.2. Yasam Doyumu Kuramları

2.2.2.5. Yargı Kuramları

Para construir o marco teórico-metodológico da compreensão sobre a relação entre modernização agrícola, mulheres camponesas, trabalho e ambiente pretendemos organizar um método de investigação que leve em conta o diálogo de saberes acadêmico e empírico para a construção dos olhares de ambiente e de trabalho das mulheres camponesas. Por isso, optamos por uma perspectiva metodológica de natureza dialética e histórica, considerando o permanente processo de transformação do saber, da dinâmica e dialética da vida.

Nossa pesquisa pretende conhecer aspectos de uma realidade que não está dada ou acabada, mas se encontra em movimento dinâmico. Assim, a construção desse entendimento se dará em diálogo com os conhecimentos

trazidos pelas mulheres como sujeitos do processo, saberes construídos em seu cotidiano e nas inter-relações produzidas na vivência camponesa, ou seja, um conhecimento produzido sobre e pelas mulheres enquanto sujeitos da pesquisa. Igualmente, nossa pesquisa opta por um “fazer ciência” com consciência de seu papel, potencialidades, limites e incertezas.

A partir da crítica ao paradigma dominante de ciência e pesquisa pautada na razão e simplificação, conscientes de sua ineficiência em abordar problemas complexos, optamos pela pesquisa qualitativa, definida por Santin Esteban como:

Um campo interdisciplinar, transdisciplinar e, às vezes, contradisciplinar. Atravessa as Ciências Sociais, Humanas e Físicas. É multiparadigmática, onde as pessoas que a praticam são sensíveis a um valor de um enfoque multimétodo. O campo da pesquisa qualitativa é inerentemente político, atuando por meio de múltiplas posições éticas e políticas. (SANTIN ESTEBAN, 2010, p. 125)

Apresentamos como eixo norteador a abordagem do conhecimento enquanto resultado da articulação entre o campo teórico e o campo empírico. Para tanto, utilizaremos a pesquisa participativa, a qual estabelece relações comunicativas com as pessoas ou grupos da situação investigada, em que pesquisadores participam do contexto investigado, identificam-se com valores e comportamentos (THIOLLENT, 1986).

A escolha de tal abordagem se deu em função de considerar e trabalhar com a vivência, a experiência e o cotidiano de vida das mulheres camponesas, assim como pelo desejo de estabelecer “estreitos vínculos com o grupo dos sujeitos pesquisados e integrar-se ao contexto social, ao ponto de colocar-se sob seu ponto de vista e ter sensibilidade para sua lógica e para sua cultura”. (MINAYO, 2008, p. 277). Observa-se que essa abordagem está em consonância com o conceito de ecologia de saberes de Boaventura de Souza Santos, que traz na sua essência a ideia de que

Não basta somente reunirmos todo o conhecimento científico produzido pela ciência moderna, mas construirmos um verdadeiro diálogo entre as vozes que emergem dos territórios e que nos trazem informações que não estão nas grandes bases de dados oficiais. Tudo isso trabalhado em conjunto com os grupos acadêmicos locais, engajados na realização de uma ciência capaz de valorizar essas experiências, construindo um conhecimento com grande potencial de transformar esse mundo. (SANTOS: in DOSSIÊ ABRASCO, 2013, p. 15)

Acrescentamos nesse percurso investigativo as metodologias feministas como fundamento de nossa pesquisa por pretendermos resgatar

experiências “de e com mulheres”. Narvaz e Koller explicitam que nas pesquisas feministas são muito utilizadas as abordagens qualitativas, tais como as narrativas, a pesquisa-ação, os grupos focais, os estudos de caso, as histórias de vida e o método autobiográfico, dentre outras. De acordo com as autoras, a investigação feminista envolve todo um complexo processo que se inicia com o delineamento dos diferentes métodos a serem utilizados na pesquisa.

As metodologias feministas assumem o caráter intrínseco das abordagens críticas (Guba & Lincoln, 1994), tendo como objetivo comum a mudança social, o resgate da experiência feminina, o uso de análises e de linguagens não sexistas (Eichler, 1988) e o empoderamento dos grupos oprimidos, em especial das mulheres. A pesquisa feminista tem especial preocupação com o lugar do/a investigador/a na relação com os/as participantes e com o impacto da investigação nos/as participantes da pesquisa. Na investigação feminista, a relação desigual de poder entre o/a investigador/a e o/a investigado/a é trabalhada de forma a que a perspectiva do/a último/a seja validada e reconhecida como fundamental, considerando-se os/as participantes especialistas das suas próprias experiências. (NARVAZ & KOLLER, 2010 p. 651)

Dessa forma, trata-se de um estudo comprometido e engajado, no intuito de contribuir para desvendar situações ocultadas e compreender a complexidade da realidade, estabelecendo conexões entre a categoria gênero e outros campos do conhecimento.

Além do mais, as epistemologias feministas entendem que o conhecimento é sempre situado, posicionando-se contra a objetividade e a neutralidade características da ciência positivista androcêntrica (KELLER, 1985; HARDING, 1986). Nesse sentido, pretendemos manter um olhar sensível, comprometido e rigoroso na percepção dessas mulheres e suas realidades históricas.

Os entrecruzamentos das histórias vividas pelas mulheres para compreender o hoje, e nos lançar pistas sobre o futuro é fundamental na nossa análise sobre a modernização agrícola. Por isso, consideramos que os elementos da história oral contribuirão para essa questão sobretudo pelo olhar da interdisciplinaridade que ela carrega.

Para Alberti (1989, p.41), é relevante o fato da história oral não pertencer a um campo estrito do conhecimento, sendo que “sua especificidade está no próprio fato de se prestar a diversas abordagens, de se mover num terreno pluridisciplinar”.

Nesse sentido, a história oral é

“[...] um método de pesquisa (histórica, antropológica, sociológica,...) que privilegia a realização de entrevistas com pessoas que participaram de, ou testemunharam acontecimentos, conjunturas, visões de mundo, como forma de se aproximar do objeto de estudo. Trata-se de estudar acontecimentos históricos, instituições, grupos sociais, categorias profissionais, movimentos, etc.”. (ALBERTI, 1989. p.52)

De acordo com Debert, a história oral é expressa mediante duas possibilidades que a história de vida proporciona. A primeira é a “produção de uma nova documentação”, em que há a oportunidade de incorporar à literatura a versão que “os oprimidos e desprivilegiados têm dos grandes e dos pequenos acontecimentos” (DEBERT, 1988, p. 304). A segunda perspectiva é o estabelecimento de um diálogo entre pesquisador e o sujeito da pesquisa, onde é possível alcançar um ponto de interseção no qual ambos possam compartilhar algo novo, que se apresenta pela primeira vez ao analista e se reapresenta ao sujeito, através de sua memória.

Cabe a nosso ver aqui uma distinção. Para Queiroz (1988), a história oral engloba tudo que é narrado oralmente, seja uma história pessoal, de grupo, real ou mítica. A história de vida é o relato do sujeito sobre sua existência, através do qual ele ou ela reconstitui os acontecimentos do qual vivenciou. E esse relato é feito através de depoimentos em que o sujeito da pesquisa decide o que vai relatar, enquanto o pesquisador se mantém na medida do possível, na escuta. (QUEIROZ, 1988 p. 19-21)

Alberti ensina que a história oral, não é um fim em si mesma, mas sim um meio de conhecimento em que é preciso haver questões e perguntas que justifiquem o desenvolvimento de uma investigação. Contudo, afirma a autora, “em se tratando de uma forma de recuperação do passado conforme concebido pelos que o viveram, é fundamental que tal abordagem seja efetivamente relevante para a investigação que se pretende realizar” (2005, p. 30). E reafirma:

Deve ser importante, diante do tema e das questões que o pesquisador se coloca, estudar as versões que os entrevistados fornecem acerca do objeto de análise. Ou mais precisamente: tais versões devem ser, elas mesmas, objeto de análise. Assim, uma pesquisa de história oral pressupõe sempre a pertinência da pergunta como os entrevistados viam e vêem o tema em questão?': Ou: O que a narrativa dos que viveram ou presenciaram o tema pode informar sobre o lugar que aquele tema ocupava (e ocupa) no contexto histórico e cultural dado?" (ALBERTI, 2005, p. 31)

Pretendemos assim, buscar ferramentas que nos permitam adentrar na compreensão acerca do vivido, do aprendido e do significado que as mulheres dão e que abrangem o universo da inter-relação trabalho e ambiente a partir de suas histórias de vida. Na busca por construir as trilhas e as formas que servissem de base para nossa investigação no decorrer da pesquisa, optamos em utilizar algumas ferramentas que mais se adéquem à dinâmica da pesquisa. Por isso nossa escolha pelas técnicas de questionário, entrevistas semiabertas, diário de campo e a observação participante.

A Observação participante: é considerada parte essencial do trabalho de campo na pesquisa qualitativa. Segundo Minayo, “sua importância é de tal ordem que alguns estudiosos a tomam não apenas como estratégia no conjunto da investigação, mas como método em si mesmo, para compreensão da realidade”. (1993, p. 134).

Por isso ela tem uma relevância no nosso trabalho, pois nos permitiu adentrar nas nuances e nas dinâmicas das relações sociais presentes na realidade das mulheres em seus territórios e nos levou a partilhar do cotidiano. Experimentando, como nos explica Brandão que “a observação participante, que obriga à partilha da vida do/com o outro e que nos envolve e faz se completarem estratégias (ou técnicas, se quiserem) de coleta de dados, como registro etnográfico em diários de campo, a entrevista, a história de vida, a exegese do visto e do ouvido [...]” (BRANDÃO, 2003, p.293).

Conforme salienta Goldman o que a proposta de observação participante de Malinowski promove é a abertura de espaço para que as populações falem ao invés de serem interrogadas pelo pesquisador. (GOLDMAN, 2003, p.458). E para isso é imprescindível a proximidade com o território para que possamos nos aproximar das situações em que as relações ocorrem no cotidiano das Comunidades.

Outra técnica que utilizamos foram as entrevistas semi-abertas que são utilizadas como instrumento para coleta de história de vida, quando a coleta “busca dar mais profundidade às suas reflexões” (MINAYO, 2007, p. 262). No nosso caso realizamos as entrevistas com as 12 mulheres integrantes da pesquisa, e uma agente de saúde para coleta de informações sobre o trabalho das mulheres que ela acompanha.

Também sentimos a necessidade de aplicação de um questionário com todas as mulheres envolvidas na pesquisa com o objetivo de organizar as informações de caráter quantitativas contendo informações tais como: nome, idade, número de filhos, escolaridade, documentação, cadastro da terra, situação sindical, etnia, estado conjugal, tipo de trabalho que desenvolve atividades produtivas, atividades domésticas, lazer e cultura.

E como instrumentos de registro utilizamos o caderno de campo, a fotografia e o áudio para captar pormenores da realidade pesquisada sobre as dimensões ambientais, sociais, culturais, do trabalho e aspectos do modo de vida das comunidades e das mulheres envolvidas na pesquisa. Na nossa compreensão, essas técnicas e instrumentos foram essenciais para o registro do vivido e do sentido durante todo o processo da pesquisa.

Benzer Belgeler