2.3. Yaratıcılık ve Hayal Gücü
2.3.1. Yaratıcı Düşünme Aşamaları
Aos 27 dias do mês de fevereiro de 1921, os amigos Osvaldo Guimarães da Silva, Renato Monteiro de Souza e João Francisco Ferreira reunidos na praça central da cidade, Coronel Pedro Osório, visando aproveitar os festejos do carnaval local criaram um cordão carnavalesco, o qual denominaram Fica Ahí P’ra Ir Dizendo, por iniciativa de Osvaldo, o qual indicou também as cores que identificariam o grupo – azul e branco. Logo se somaram a iniciativa outros homens, os quais levaram para o desfile daquele
147 A memória local considera que o clube Chove Não Molha tivesse como clube padrinho, costume de
então, o Clube Diamantinos, o qual era freqüentado pela elite branca pelotense. Infelizmente, os documentos que dispomos para era pesquisa não nos auxiliaram nesse sentido, encontramos apenas a indicação de que era comum a troca de ofícios entre estes clubes, porém, sem acesso ao conteúdo dos ofícios nos falta argumentos para corroborar ou contrapor essa visão. A história oral não foi aqui utilizada em virtude da falta de tempo para trabalhamos com esta fonte tão rica.
ano o referido cordão. A partir desta primeira demonstração pública, outras pessoas se interessaram pelo grupo, os quais seguiram mantendo atividades que visavam o encontro de pessoas negras da cidade. No momento, vigorava a prática de impedirem os negros de frequentarem alguns locais, como por exemplo, os dedicados à sociabilidade. Seguindo o exemplo dos outros clubes voltados aos negros na cidade, surgia um novo clube, o qual teve na sua primeira diretoria os seguintes cargos e respectivos associados:
Presidente: Lino Ribeiro Vice-presidente: Renato Souza
Primeiro-secretário: Osvaldo Guimarães da Silva Segundo-secretário: Edgar Silva
Primeiro orador: Antenor Vieira Segundo orador: Joaquim Rollo
Primeiro porta-estandarte: João Brizolara Diretor Musical: Antonio Ramos
Diretores: Felisberto Cuica, Mário Porto, Antero Rodrigues, Jorge Barcelos e José da Silva. (Histórico oficial do Clube Cultural Fica Ahí P’ra Ir Dizendo) É possível que o clube Fica Ahí tenha surgido de uma dissidência do clube
Chove Não Molha, ao atentarmos para os membros que estiveram atuantes nos anos
iniciais de ambas associações, encontramos dois nomes em comum – Antenor Vieira e Joaquim Rolo. Antenor esteve entre os fundadores de ambos os clubes enquanto que Joaquim Rolo foi membro do Chove Não Molha e esteve na primeira diretoria do Fica
Ahí. Esta possibilidade de dissidência auxilia na compreensão do surgimento de dois
clubes, os quais inicialmente nasceram com o mesmo ideal, construir um local em que os negros locais pudessem encontrarem-se com os seus sem o temor de passarem por uma série de constrangimentos de ordem racial. O Fica Ahí, no entanto, diferenciou-se dos demais clubes negros locais ao colocar em prática um controle sistemático quanto aos seus sócios, atentava principalmente, para a cor destes, apresentava em suas atas de diretoria inúmeras discussões quanto à cor dos pretendentes a sócios, os quais deveriam ser reconhecidamente membros das comunidade negra local, somado a preocupação com a moralidade, não apenas na sede, mas nos diferentes aspectos da vida destes. No período abrangido por esta pesquisa, o clube ocupou três sedes, as quais eram alugadas, todas localizadas nos limites do centro da cidade. A primeira situava-se na Rua Félix da Cunha, 815, na década de 1920 o clube transferiu-se para uma rua próxima, Cassiano do Nascimento próximo à Rua Gonçalves Chaves e na década de 1930, mais precisamente em 1935, o clube voltou a se localizar na Rua Félix da Cunha, 774.
A organização do clube era rígida, e definida através de eleições anuais, realizadas em assembléia geral. Podiam almejar aos cargos apenas homens. Os cargos
presentes na primeira diretoria foram acrescentados na década de 1930, para quando encontrou-se as funções de tesoureiro, secretário, comissão de contas, conselho consultivo, procurador, zelador e diretores do mês. Estes eram em número de 12, sendo um responsável pelas atividades de cada mês. Alguns membros apenas se revezavam nas funções exercidas, enquanto que outros se mantinham nas mesmas funções, como por exemplo, Joaquim Rollo Sobrinho, o qual esteve na primeira diretoria e em 1938 foi encontrado exercendo a mesma função, orador. O acréscimo nas funções diretivas da associação foi significativo da organização que o mesmo alcançou na década de 1930. Porém, se mantinha uma diretoria com recorte de gênero, visto que para todas as funções os nomes correspondentes eram de homens.
Na década de 1930 a estrutura organizativa do clube pouco se alterou, no entanto, destacamos que as mulheres embora não exercendo funções diretivas, encontravam-se presentes na organização e fiscalização das festas, através da Comissão
de senhoras. A passagem a seguir foi significativa da estrutura fechada mantida pelo
clube. O sócio fundador e orador, Joaquim Rollo em reunião no ano de 1940, nos forneceu ainda indícios do papel desempenhado pela comissão de senhoras:
Trata-se do baile e tira-se comissão de mulheres e de diretoria para encaminhar. [...] um diretor propôs que não se faça convites especiais, pois só podem ir sócios mesmo e isso só encarece. Deve-se ter é cartõezinhos para diretoras, as quais serão entregues a senhorinhas ou senhoras escolhidas, o que foi aprovado. Joaquim Rollo Sobrinho [...] sugeriu que se nomeie comissão de senhoras para fiscalizar o toalete, o comportamento das senhoritas nas diversas dependências do clube, no café, etc, o que todo mundo achou que seria de grande utilidade para o clube (LADCFA, nº. 180 23/10/1940).
A passagem corroborou ainda com a perspectiva de que o Fica Ahí desenvolvia um controle maior sobre suas associadas, evidenciando a busca por um padrão moral próprio da sociedade cristã. O clube conferia assim um papel de inferioridade às mulheres, as quais estavam excluídas dos cargos diretivos. O clube negro, nesse sentido, reproduzia a percepção de gênero da sociedade aferindo um papel periférico à
mulher148. Destacamos, no entanto, que esta percepção se configura uma prática comum
148 Essa perspectiva aparece nas atas e nos permite inferir que o Fica Ahí reproduzia a concepção de
Gênero da época, enquanto que os clubes Depois da Chuva e Chove Não Molha eram mais igualitários e, nesse sentido, menos vinculado a valores tradicionais. Não nos foi possível aprofundar a questão de gênero em função do tempo e espaço necessário para tal, campo a ser explorado em pesquisas futuras. Realizamos no próximo capítulo, no entanto, uma pequena análise nesse sentido, porém, atentando principalmente para o controle moralista exercido por este clube que o diferencia dos demais clubes locais e nos permite classificá-lo enquanto um clube composto pela elite negra local.
entre as associações negras locais, como destacou Domingues (2008) ao analisar as associações negras paulistas com destaque para as mulheres envolvidas na Frente Negra
Brasileira. Na próxima imagem, visualizamos a orquestra do Fica Ahí, em 1930, a qual
era a responsável pelo desfile do cordão, nesta tivemos a presença masculina em totalidade.
Imagem 5- Membros da orquestra do Cordão do Fica Ahí (1930) (Acervo pessoal de Enilda Chagas).