Mal ortaklığı rejiminde olağan yönetim dışında kalan konularda eşler,
YARARLANILAN KAYNAKLAR
Para Schopenhauer, se fôssemos um puro sujeito cognoscente destituído de corpo, jamais buscaríamos ou encontraríamos o significado do mundo como representação, nunca transitaríamos dele para o que ele é além de objeto. Entretanto, antes de tudo, somos
indivíduos, e um indivíduo é constituído do sujeito que toma um corpo enquanto objeto imediato:
[o sujeito] ele mesmo se enraíza neste mundo, encontra-se nele como indivíduo [Individuum], isto é, seu conhecimento, sustentáculo condicionante do mundo inteiro como representação, é no todo intermediado por um corpo [Leib], cujas afecções, como se mostrou, são para o entendimento o ponto de partida da intuição do mundo. Este corpo é para o puro sujeito que conhece enquanto tal uma representação como qualquer outra, um objeto entre objetos. (SCHOPENHAUER, 2005b, p. 156, grifo do autor).
Por isso, Schopenhauer faz aquela afirmação. Se fôssemos um sujeito puro, conheceríamos os movimentos do corpo tanto quanto as mudanças dos outros objetos intuitivos. Dessarte, veríamos as ações corporais seguirem de motivos com a mesma necessidade expressa por uma lei natural, exatamente como vemos as mudanças materiais que ocorrem por causas ou estímulos, e denominaríamos a essência daquelas manifestações corporais de força, qualidade ou caráter oculto. Porém, não sendo assim, somos indivíduos e temos uma introvisão do corpo, dando o nome de vontade à coisa que atribui significado aos seus movimentos, ou seja, por dentro, vemos a essência de, pelo menos, uma representação intuitiva.
Schopenhauer (2005b, p. 157-159) observa que todo ato da vontade aparece, simultaneamente, como um movimento do corpo. Esse movimento e o ato da vontade não são dois objetos relacionados pela lei causal, mas estão numa relação de númeno para fenômeno: a ação corporal não passa do querer do sujeito volitivo que torna-se objeto na intuição empírica. Só na reflexão, em abstrato, querer e agir são diferentes. Dessa forma, é possível ponderar sobre o que fazer ou querer em outro tempo: esses pensamentos não são atos da vontade propriamente ditos, mas propósitos cambiáveis da razão.
Sendo assim, e dado que toda ação sobre o corpo também é um ato imediato sobre à vontade – chamado de dor, se a contraria, e de prazer, se lhe é conforme24 –, Schopenhauer
deduz que corpo e vontade são a mesma coisa conhecida sob duas maneiras distintas pelos indivíduos. Por uma via, na intuição empírica do entendimento, ela aparece como a representação do corpo propriamente dito, quando esse se relaciona com os outros objetos e se submete às leis que os governam. Por outra, ela é apreendida como vontade, quando se tem
24 É preciso salientar que dor e prazer não são representações, “mas afecções imediatas da vontade
em seu fenômeno, o corpo, vale dizer, um querer ou não-querer impositivo e instantâneo sofrido por ele.” (SCHOPENHAUER, 2005b, p. 158). Por outro lado, as afecções dos sentidos que não estimulam a vontade devem ser consideradas representações. Elas fornecem os primeiros dados ao entendimento, de onde ele deriva a intuição empírica. Quando nos aprofundamos no conceito de representação intuitiva, nomeamo-las representações internas.
dela uma consciência imediata, na qual o sujeito cognoscente identifica-se com o volitivo, ou seja, na qual ela é compreendida através de uma intelecção que não está completamente sob a forma representativa, na qual o sujeito contrapõe-se totalmente ao objeto.
Por tudo isso, Schopenhauer pensa que a vontade é a coisa-em-si do corpo e se antes, do ponto de vista objetivo da representação, o corpo foi denominado objeto imediato, agora, desse ponto de vista subjetivo e individual pelo qual percebemos a vontade, é preciso que o designemos de “objetidade da vontade [Objektität des Willens]” (SCHOPENHAUER, 2005b, p. 157, grifo do autor), neologismo seu.
Todavia, cabe-nos ressaltar que, não obstante a vontade tenha, enquanto coisa-em-si do corpo, uma precedência ontológica relativamente a ele, o corpo possui uma primazia gnoseológica: ele é requisito necessário para o conhecimento da vontade; sem ele, seríamos puros sujeitos destituídos de qualquer volição. Por conseguinte, mesmo imediata, a cognição da vontade não é aparte do corpo: conhecemo-la apenas em seus atos isolados no tempo, que é a forma a priori da consciência de qualquer objeto, inclusive o corpo.
Por fim, acerca do tema corpo-vontade, cumpre salientar ainda que, conforme nos diz Schopenhauer (2005b, p. 159-160), a identidade que abordamos somente pode ser evidenciada, elevada da consciência imediata ao saber da razão, do conhecimento in concreto ao in abstracto, pois, por ser de um cunho tão direto, ela nunca pode ser deduzida mediante outro conhecimento. Devido a esse fator, trata-se de uma cognição cuja verdade é impossível de ser incluída nas quatro espécies delimitadas anteriormente: a lógica, empírica, metafísica e metalógica. Nas palavras do autor:
agora a verdade não é, como nos outros casos, a referência de uma representação abstrata a uma outra representação, ou à forma necessária do representar intuitivo e abstrato, mas é a referência de um juízo à relação que uma representação intuitiva, o corpo, tem com algo que absolutamente não é representação, mas toto genere diferente dela, a saber: vontade. Gostaria, por conta disso, de destacar essa verdade de todas as demais e denominá-la verdade filosófica [por excelência]. (SCHOPENHAUER, 2005b, p. 160, grifo do autor).
Quando discursamos acerca das representações subjetivas, vimos que o sujeito volitivo coincide com o cognitivo e dissemos que, do ponto de vista da representação, essa identidade é inexplicável. Agora, individualmente, observamos que o corpo é a representação intuitiva da vontade, a objetivação do sujeito volitivo, e que esse não se liga ao corpo como um objeto remete-se a outro através da lei causal, mas relaciona-se por identidade. Desse modo, ao igualarmos, em certa medida, o sujeito cognoscente ao volitivo, e esse ao corpo intuído
empiricamente, voltamos da quarta classe de objetos abrangidos pelo princípio de razão à primeira classe. Portanto, na filosofia schopenhaueriana, as representações intuitivas que compõem o mundo devem ter sua essência clarificada pela representação subjetiva, e a lei de causalidade pela de motivação. Sobre isso, falemos agora.