Os assuntos analisados nesta seção tratam da função, formação e experiência do responsável pelo DP, das atividades adotadas para a capacitação do PDP, da formação das pessoas envolvidas com o PDP, da situação atual das pessoas envolvidas com o PDP, das principais disfunções das pessoas comprometidas com o DP e o treinamento e qualificação dessas pessoas que se dedicam ao PDP.
Dentre os profissionais envolvidos com o PDP, as empresas analisadas indicaram que existem entre esses colaboradores, funcionários com formação de 1º grau completo (18 empresas), 2º grau completo (40 empresas) e incompleto (4 empresas), e também curso técnico completo (7 empresas). Isto quer dizer que, dentre os seus vários profissionais envolvidos com o PDP, a maioria das empresas afirmaram ter em sua equipe empregados com formação de níveis fundamental e médio.
Há empresas que apontaram que também existem profissionais formados em grau superior (37) e especialização (7), em que os cursos mais significativos e importantes para o PDP são as formações em administração e técnico superior em produção moveleira. O que realmente pode-se ver é que existe nas empresas estudadas uma grande mistura de profissionais com formação em nível médio e superior.
A capacitação e qualificação dos comprometidos com o PDP se dão além da aquisição de conhecimentos explícitos e sistematizados, por meio de treinamentos, formação superior e técnica, participação em palestras, cursos e congressos, que são pouco freqüentemente usados, mas mediante também de conhecimentos implícitos e da experiência prática que os colaboradores vão captando no dia a dia do trabalho, que são os mais utilizados.
Conclui-se que as empresas analisadas indicaram que a avaliação técnica da situação atual de seus funcionários que atuam no PDP, diante das propriedades conhecimento técnico, conhecimento gerencial, criatividade e inovação e qualificação profissional, possuem situação retratada de uma forma geral muito mais pela intensidade forte do que regular, notando-se um certo positivismo das indústrias pesquisadas em relação às questões avaliadas.
Como já dito anteriormente, no capitulo 4 na página 150, grande parte dos profissionais que atuam no PDP das empresas estudadas possuem formação técnica e principalmente superior em cursos de administração e economia, que são graduações que proporcionam ao formado uma visão mais geral, justificando o conhecimento gerencial ter levado em termos de intensidade a avaliação forte, que auxiliam no melhor gerenciamento desse processo de negócios, para que se torne eficiente e eficaz.
As principais disfunções em relação às pessoas envolvidas com o PDP são analisadas pelo fato de as empresas estudadas serem pequenas empresas e estas, de acordo com embasamento teórico, possuem escassez em recursos, inclusive de recursos humanos, e também porque, como mostrado anteriormente, os colaboradores comprometidos com o DP das indústrias estudadas são profissionais que não possuem funções ou formações mais especializadas. E essas disfunções podem ser vistas no gráfico 5.5.
Gráfico 5.5: Principais disfunções em relação às pessoas envolvidas no PDP.
[(SB Q15) / Intensidade: 1- Não Encontrada; 2- Fraco; 3- Regular; 4- Forte; 5-Muito Forte) / B15.a (Comportamento pessoal das pessoas envolvidas), B15.b (Relacionamento humano das pessoas envolvidas), B15.c (Resistência a mudanças das pessoas envolvidas), B15.d (Motivação das pessoas envolvidas pelo responsável), B15.e (Nível de autoridade para tomar decisões das pessoas envolvidas), B15.f (Estímulo à comunicação das pessoas envolvidas pelo responsável), B15.g (Resolução de conflitos pelo responsável), B15.h (Estilo de liderança do responsável), B15.i (Conhecimento técnico das pessoas envolvidas), B15.j (Utilização inapropriada de ferramentas técnicas das pessoas envolvidas), B15.k (Conhecimento gerencial do responsável pela gestão), B15.l (Uso inapropriado de ferramentas gerenciais pelo responsável), B15.m (Comunicação das pessoas envolvidas)].
Fonte: Elaborado pelo autor.
As subvariáveis B15.c (médias de intensidade 1,96721 e 1,07962) e B15.e (médias de intensidade de 1,60656 e 1,08442) são elementos que mais foram apontados pelas empresas em relação às disfunções dos funcionários que realizam atividades de DP, por isso destacaram-se por serem bastante heterogêneas em relação às outras. A primeira refere-se à resistência a mudanças das pessoas envolvidas, e isso, para o processo de desenvolvimento de produto, pode ser muito prejudicial, já que esse processo de negócio deve estar em constante aperfeiçoamento e melhoria contínua, e para tal deve existir mudança de comportamento, para os funcionários agirem como transformadores e renovadores desse processo, que é inovativo e
Cluster
B15.e B15.h B15.d B15.c B15.i B15.j B15.k B15.g B15.m B15.l B15.f B15.b B15.a 2 4 6 8 10 12 14 16 18
criativo. Também foram analisadas outras disfunções encontradas nas empresas em relação às pessoas envolvidas com o processo de desenvolvimento de produtos. Essa análise pode ser vista no gráfico 5.5.
Em relação a B15.e, nomeada de nível de autoridade para tomar decisões em relação às pessoas envolvidas com o PDP, advém do fato de que as empresas analisadas sejam MPEs, e apesar de terem uma estrutura multifuncional flexível, não possuem funções especializadas muito definidas, mesmo que tenha sido apontada a função comercial, administrativa e de produção como destaques, todavia muitos colaboradores dessas áreas acabam realizando diversas outras atividades funcionais, não ligadas aos seus departamentos, e se sobrecarregam com outras tarefas. E além do mais, o processo decisório também é dificultoso, pois as empresas analisadas centralizam praticamente a coordenação e a decisão final do PDP aos administradores e seus proprietários, prejudicando o nível de autoridade para tomar decisões em relação às pessoas envolvidas com o PDP.
E as outras subvariáveis restantes (B15.a, B15.b, B15.d, B15.f, B15.g e B15.h), que também pertencem à dimensão organizacional do PDP, não tiveram evidência, ou seja, apresentaram intensidade de dificuldade muito fraca, além de que em alguns casos foram apontadas como inexistentes.
Em relação às principais atividades relacionadas à capacitação, de forma geral, que estão sendo adotadas pelas empresas estudadas no último ano, são apresentadas pelo gráfico 5.6 na página 183. O grupo de subvariáveis B11.d aquisições de ferramentas (intensidade 2,59016 e 1,35864), B11.e aquisições de equipamentos (1,98361 e 1,31011), B11.j que se trata de criação de um departamento de desenvolvimento de produtos (1,57377 e 1,32236) e B11.r nomeada de experiência prática (1,60656 e 1,42920) são elementos que mais se destacaram em termos de operacionalização de capacitação para o PDP, sendo bastante heterogêneas.
O amparo de instituições de apoio, a ajuda de entidades representativas e o apoio de universidades e escolas técnicas são consideradas pelas empresas estudadas uma capacitação pouco freqüentemente usada. Acredita-se, por outro lado, que essas entidades poderiam auxiliar nas competências e capacitações das empresas que possuem dificuldades internas, em que poderiam ter a possibilidade de supri-las de forma externa. O grupo de variáveis B11.c, B11.n e B11.o são homogêneas e possuem o mesmo nível de resposta, já que são pouco freqüentemente usados e na maior parte nem são empregadas.
As variáves B11.f e B11.g também são homogêneas entre si, já que são alternativas pouco usadas, apesar da indústria de móveis adquirir inovações mediante a
participação de terceiros, em termos de aquisições de máquinas e equipamentos. O mesmo acontece com a compra de software e outras tecnologias mais direcionadas para o PDP, pois elas possuem certas dificuldades em termos de capitais para investir nessas tecnologias, já que também sofrem de carência de profissionais especializados para atuarem com os softwares e outras tecnologias que poderiam ser incorporadas na empresa.
Como as empresas analisadas possuem poucos profissionais para atuarem nas atividades e tarefas do processo de desenvolvimento de produtos, fica difícil para elas liberarem tais colaboradores para participarem de eventos que envolvem esse processo de negócio.
Gráfico 5.6: Principais atividades relacionadas à capacitação para o DP adotadas.
Cluster B11.r B11.j B11.p B11.i B11.h B11.m B11.l B11.g B11.f B11.o B11.n B11.c B11.d B11.k B11.q B11.e B11.b B11.a 0 5 10 15 20 25
[(SB Q11) / Intensidade: 1- Não usada; 2- Pouco Frequentemente Usada; 3- Frequentemente Usada; 4- Muito Frequentemente Usada; 5-Sempre Usada) / B11.a (treinamento), B11.b (contratação de novos
funcionários), B11.c (convênios com instituições de pesquisa), B11.d (aquisições de ferramentas), B11.e (aquisições de equipamentos), B11.f (aquisições de software), B11.g (aquisições de tecnologia), B11.h (amparo de instituições de apoio), B11.i (ajuda de entidades representativas), B11.j (criação de um departamento de desenvolvimento de produtos), B11.k (campanhas de conscientização internas), B11.l (palestras), B11.m (cursos), B11.n (incentivo à participação em encontros e congressos), B11.o (diversificação de vários tipos de profissionais), B11.p (apoio de universidades e escolas técnicas), B11.q (estímulo aos estudos), B11.r (pela experiência prática)]
Fonte: Elaborado pelo autor.
Direcionando para uma capacitação mais sistemática, quando empregado, o treinamento é uma das formas de capacitação dos envolvidos com o PDP. Entretanto observa- se que mais da metade das empresas não empregam nenhum treinamento e qualificação das
pessoas envolvidas com o PDP. As empresas alegam não ter necessidade, já que basta a experiência prática.