4. BULGULAR
4.7. Tane verimi…
O setor apresenta alguns potenciais de desenvolvimento, entre eles destaca-se o uso do bagaço da cana e demais resíduos já citados, que podem ser usados para co-geração de energia, além do fato de que diversas novas tecnologias de produção e comercialização de etanol a partir da utilização do bagaço estão sendo desenvolvidas em todo o mundo e poderão atingir estágio comercial nos próximos anos.
Segundo informações do site ProCana (2009) o mercado brasileiro de etanol apresentou um crescimento nos últimos anos, e a partir deste crescimento, a maior produtora de petróleo do País, a Petrobrás, iniciou um plano de negócios na área de biocombustíveis em 2009, com projeção até o ano de 2013. A primeira parceria foi acordada pela empresa com a usina Itarumã, em Goiás.
A previsão, segundo ProCana (2009) é de que até 2013, cerca de 1,9 bilhões de litros de etanol sejam exportados pelas usinas da Petrobras e 1,8 bilhão de litros dirigidos ao mercado interno. Mais 200 milhões de litros serão produzidos pela companhia na Colômbia.
De acordo com a União da Indústria de cana-de-açúcar – UNICA (2009), o índice de mecanização da colheita nos canaviais brasileiros ficou estacionado em 30% durante dez anos, entre 1997 e 2007. De lá para cá, o índice atual de mecanização nos 6,8 milhões de hectares de canaviais do País já é de 38%, mas alguns fabricantes acreditam que exista um potencial para chegar este índice a 75%. Para elevar este índice de mecanização da colheita para 75% seriam necessárias a instalação de mais 1,2 mil unidades produtivas.
Entre as diversas diretrizes, conforme UNICA (2009) destaca-se aquela que antecipa os prazos legais para o fim da colheita da cana-de-açúcar com o uso prévio do fogo nas áreas cultivadas pelas usinas. Essa prática agrícola, denominada “queima controlada da palha da cana” é necessária para a sua colheita manual, sem o emprego de máquinas. O governo do estado de São Paulo, dentre os produtores do Brasil, é um dos únicos que já dispõe de instrumentos legais para evitar a queima.
Além da queima controlada da palha de cana, o Protocolo dispõe sobre outros temas de enorme relevância, como: conservação do solo e dos recursos hídricos, proteção de matas ciliares, recuperação de nascentes, redução de emissões atmosféricas e cuidados no uso de defensivos agrícolas, UNICA (2009).
Sob diversos pontos de vista, o etanol brasileiro de cana-de-açúcar é produzido de maneira sustentável, nos aspectos sociais, econômicos e ambientais, representando atualmente a melhor e mais avançada opção existente no mundo para produção de biocombustíveis em larga escala. A União da Indústria de cana-de-açúcar (2009) cita algumas perspectivas de desenvolvimento para o setor nos próximos anos:
a) Balanço Energético: o balanço energético do etanol brasileiro (energia contida no combustível em comparação com a energia fóssil usada para produzi-lo) é de aproximadamente de 9.3, cerca de quatro vezes melhor que o etanol de beterraba e trigo e quase cinco vezes superior ao etanol produzido de milho.
b) Gases de Efeito Estufa: segundo diversas estimativas, calculadas com base na análise de ciclo de vida do produto, o etanol brasileiro, produzido de cana-de- açúcar, reduz as emissões de gases de efeito estufa em mais de 80% em substituição à gasolina.
c) Produtividade: o etanol brasileiro apresenta a maior produtividade em litros por hectares quando comparado às demais alternativas. Enquanto o etanol de cana brasileiro produz cerca de 6.800 litros por hectare, o de beterraba europeu não ultrapassa 5.500 litros por hectare e o milho americano aproximadamente 3.100 litros por hectare. Além das implicações diretas nos custos de produção do etanol,
a produtividade em litros por hectares também é um importante fator relacionado à crescente escassez de recursos para produção de alimentos e energia.
Além destas vantagens comparativas entre a cana-de-açúcar brasileira com demais fontes alternativas de energia, de acordo com UNICA (2009) existem ainda outros diferenciais que podem ser obtidos a partir de melhores práticas agrícolas e ambientais da cana-de-açúcar brasileira, como:
• Consumo de Fertilizantes: a utilização de fertilizantes na cultura de cana-de-açúcar no Brasil é baixa, aproximadamente 0.425 toneladas por hectare, enquanto que o cultivo da soja utiliza aproximadamente 0.650 toneladas por hectare. Isto se deve principalmente à utilização de resíduos industriais da produção do etanol e açúcar, como a vinhaça e a torta de filtro, como fertilizantes orgânicos. Além disso, o uso da palha da cana deixada sobre o solo após a colheita, principalmente nas áreas mecanizadas, vem a aperfeiçoar todo este processo em termos de reciclagem de nutrientes e proteção do solo.
• Consumo de Defensivos: o uso de inseticidas na cana-de-açúcar no Brasil é baixo e o de fungicidas é praticamente nulo. As principais pragas da cana são combatidas através do controle biológico de pragas e com a seleção de variedades resistentes, em grandes programas de melhoramento genético.
• Perdas de Solo: a cultura da cana no Brasil é reconhecida hoje por apresentar relativamente pequena perda de solo (cerca de 12.4 toneladas por hectare). Esta situação continua melhorando com o aumento da colheita sem queima da palha de cana e com técnicas de preparo reduzido, levando a perdas e valores muito baixos, comparáveis ao plantio direto em culturas anuais.
• Uso de Água: a cana-de-açúcar no Brasil praticamente não é irrigada. As necessidades hídricas, na fase agrícola, são sanadas naturalmente pelo regime de chuvas das regiões produtoras, principalmente no Centro-Sul do país, e complementadas pela aplicação da vinhaça em processo chamado de fertirrigação. Os níveis de captação e lançamento de água para uso industrial têm sido reduzidos substancialmente nos últimos anos, de cerca de cinco metros cúbicos por tonelada para cerca de um metro cúbico por tonelada processada.
• Auto-suficiência Energética: toda energia utilizada no processo industrial da produção de etanol e açúcar no Brasil é gerada dentro das próprias usinas a partir da queima do bagaço da cana. Este processo, chamado de co-geração, consiste na
produção simultânea de energia térmica e energia elétrica a partir do uso de biomassa, capaz de suprir as necessidades da usina e prover energia excedente para a rede pública de energia elétrica.
A cultura da cana-de-açúcar no Brasil apresenta várias vantagens sobre as demais fontes de bioenergia: menor utilização de fertilizantes e de defensivos agrícolas, além de co- geração de energia para o funcionamento da usina. Estas são algumas razões para o setor merecer os crescentes investimentos.