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BÖLGENİN GENEL JEOLOJİSİ

3.5 Yapısal Jeoloji ve Tektonizma

4.1 Situando conversa entre amigos e familiares

Nesta seção, definimos, em termos gerais, as características prototípicas da conversa, com base em Albelda (2004) e, na seqüência, apontamos as especificidades do espanhol coloquial tal como Briz (1996) as define.

Uma conversa, segundo Briz (1998), se define como um conjunto sucessivo e alternante de turnos de fala ocupados por diferentes falantes. A não predeterminação de tal alternância é sua característica distintiva frente a outros discursos dialogais (por exemplo, um debate, uma diálogo livre, manifestações nas quais dita alternância de turno está predeterminada), o que não significa que a tomada ou cessão de turno não fiquem submetidas, em último extremo, a certos princípios ou convenções socioculturais. Portanto, desde esse ponto de vista social, a conversa se ordena e progride através de unidades chamadas de turnos e da alternância de turnos.

Segundo Albelda (2004, p. 110-113), o espanhol coloquial que reflete um tipo de registro de fala é usado, prototipicamente, em conversas mantidas em situações comunicativas informais. Um registro é uma modalidade de uso determinada pelo contexto comunicativo. Existem registros formais e informais e, entre eles, não há uma linha divisória e, sim, um continuum de traços que permite identificar registros intermediários.

Com relação ao registro informal ou coloquial, ainda segundo Albelda, os traços que o definem se encaixam perfeitamente na modalidade discursiva da conversa, de maneira que, habitualmente, a conversa adota o registro coloquial sendo, por esse motivo, o modo discursivo prototípico do coloquial.

A conversa é uma modalidade discursiva que se caracteriza, preponderantemente, por interlocuções em presença (face a face), imediatas, com tomadas de turno não predeterminadas, dinâmicas e cooperativas. A essas características, Albelda acrescenta aquelas próprias do registro coloquial. Para ela, a caracterização global da conversa coloquial, em linhas gerais, pode ser assim definida:

1) Características ou traços situacionais:

• relação de igualdade (social e funcional) entre os interlocutores; • relação vivencial de proximidade entre os interlocutores;

• marco de interação familiar, cotidiano; • temática não especializada.

2) Características ou traços discursivos: • finalidade interpessoal;

• tom informal;

• ausência de planejamento prévio; • tomada de turno não predeterminada; • dinamismo, presença de tensão dialógica.

Segundo Briz (1996, p. 29-30), o espanhol coloquial possui as seguintes características:

(i) É um registro, nível de fala, um uso determinado pela situação, pelas circunstâncias da comunicação.

(ii) Não é domínio de uma classe social, mas, sim, tal e qual como é entendido aqui, caracteriza as realizações de todos os falantes de uma língua. É certo que é o único registro que dominam os falantes de nível sociocultural baixo, meio-baixo, porém em absoluto é exclusivo deles.

(iii) Não é uniforme, nem homogêneo, já que varia segundo as características dialetais e sócio-dialetais dos usuários.

(iv) Reflete um sistema de expressão que, mais que simplificação do registro formal ou do uso escrito, parece ser a continuação e desenvolvimento do modo pragmático da comunicação humana.

(v) Além de ser oral, pode refletir-se ou manifestar-se no texto escrito.

(vi) Aparece em vários tipos de discurso, se bem que é na conversa, como uso mais autêntico da linguagem, onde também mais autenticamente se manifesta esta modalidade lingüística tornando-se, portanto, o lugar mais adequado para iniciar seu estudo.

4.2 Situando polidez positiva e rapport no contexto de nosso corpus

Neste item, apresentamos uma breve revisão das noções relevantes de polidez positiva e de rapport em que sustentamos nossa matriz analítica e elencamos os recursos lingüístico-discursivos que, em princípio, poderiam ocorrer em nosso corpus.

Como já dito anteriormente, a polidez positiva pode ser definida como estratégias utilizadas na fala em interação, que visam azeitar as relações sociais através

do reforço da imagem do outro. Ela é producionista, isto é, produz atos polidos, efetua FFAs (atos lijonseiros da face, face flattering acts).

Nossas expectativas quanto às respostas fornecidas pela análise podem ser assim detalhadas:

Em situações sociais de familiaridade, parâmetro social básico dos usos lingüísticos do espanhol coloquial, os atos de polidez positiva objetivam o fim social, no sentido de que visam a fortalecer a imagem do outro, que supõe, por sua parte, o fortalecimento das relações sociais.

O tipo de situação em jogo determina a natureza da polidez, que pode ser entendida de dois modos: como norma social de comportamento e como estratégia conversacional.

Em contextos informais de situações de familiaridade, tal como se configura no nosso corpus, a polidez atua como estratégia conversacional e, para isso, contribuem os atos de reforço da imagem social positiva do self e do outro. Há dois de modos de se reforçar a face (= atos de polidez valorizante) dos interlocutores: diretamente, através de FFAs que reforçam a imagem positiva do interlocutor, satisfazendo seus desejos de aprovação e, indiretamente, através de acordo com o feito ou dito pelo outro.

As contribuições comunicativas de cada participante se redefinem no intercâmbio com seu interlocutor ao longo da conversa, uma vez que a polidez é, em última instância, uma função da avaliação do ouvinte.

A noção de construção de rapport (rapport-building) é um termo guarda- chuva, que abriga uma gama de estratégias, que possibilitam aproximação e envolvimento, e podem incluir trocas de language play, isto é, atividades criativas não associadas com a comunicação fática como esta tem sido tradicionalmente concebida, mas que envolvem modelagem de formas lingüísticas, criação de realidades alternativas e uso social para gerar intimidade ou conflito. Atividades de language play (comportamentos provocadores ou brincalhões, piadas, jogos lingüísticos com nomes e outros tipos de jogos de palavras) são atividades que, do mesmo modo que small

talk ou comunicação fática, parecem estar orientadas para metas que

envolvem relacionamento, embora também possam servir a outras metas. A comunicação fática é um tipo de conversa interacional utilizada na negociação do rapport positivo, que faculta o estabelecimento e a manutenção de relações amigáveis, através de formas convencionalizadas ou de usos individualizados e criativos da linguagem.

Dentre os principais recursos lingüístico-discursivos usados no espanhol de Buenos Aires para construir rapport, esperamos encontrar em nossos dados:

• uso exagerado da adjetivação (que expressa maior afetividade);

• uso de formas de tratamento, em especial de vocativos (diminutivos, apelidos, etc., demonstrando carinho e relações afetivas);

• construções conjuntas e colaborativas da fala;

• reivindicação de acordo através da busca de consenso; • estratégias de language play;

• elogios;

• estratégia de modéstia;

• perguntas ou solicitação de esclarecimento (demonstrando interesse); • explicações (ou razões) dadas ao interlocutor;

• repetição do enunciado (em parte ou na totalidade) do interlocutor; • diminutivos, expresssando afetividade;

• interrupção colaborativa;

• emprego dos verbos performativos, como creer e parecer relativizando a opinião do falante, além de fórmulas estereotipadas e expressões modalizadoras, como para mí, a

lo mejor, no sé, yo que sé, oye, hombre, mujer, ¿no?, ¿entiendes?, ¿¡qué quieres que te diga? empregadas com função minimizadora.

4.3 Situando o comportamento e o modo lingüístico do argentino

Nesta seção, ilustramos alguns aspectos de polidez relativos ao comportamento e à codificação lingüística do argentino, em confronto com outros padrões culturais diferentes.

Partimos do princípio de que a polidez não é exercida em todos os lugares da mesma maneira, nem nas mesmas circunstâncias. Logo, trata-se de se determinar se ela se reduz ou não em todos os lugares a um conjunto de estratégias de deferência / valorização da imagem e de respeito ao território do outro. Como fenômeno variável, a hipótese de uma teoria universal do uso polido da linguagem é posta em xeque ao se tentar aplicá-la em diferentes tipos de sociedade e de cultura.

Nessa perspectiva, a proposta de Haverkate (1994) de diferenciar culturas de aproximação e culturas de distanciamento é um ponto de partida importante para se entender o uso distinto de estratégias polidas. Assim, por exemplo, o fato de não se utilizar gentilezas ou de sempre se agradecer é algo explicável e natural em uma cultura de distanciamento, assim como o é o fato de as gentilezas serem freqüentes e de se considerar inadequado estar sempre agradecendo em uma cultura que tenda à aproximação.

A polidez não se modaliza nem se entende igual nas distintas línguas e culturas, de maneira que, tampouco, é estranho que, para um espanhol, o agradecimento ao estilo holandês seja excessivo, exagerado, ou vice-versa, que um holandês não entenda uma forma tão freqüente da polidez espanhola, como as gentilezas.

Briz (2004) entende que tal distinção proposta por Haverkate (op.cit.) entre culturas de aproximação e culturas de distanciamento, assim como a proposta de Bravo

(cf. 1999, p. 169; 2002, p. 144-115), segundo a qual um dos conteúdos fundamentais da imagem de autonomia espanhola é a expressão de auto-afirmação, são fundamentais para se para entender o uso distinto de estratégias polidas em diferentes culturas.

Ainda na visão de Briz, os conteúdos culturais de privacidade da cultura anglo- saxã e de confiança da cultura espanhola, além de codificarem a polidez, constituem filtros que permitem explicar diferentes interpretações do polido e dos mecanismos lingüísticos empregados. Esses “ideomas” polidos, característicos de cada cultura ou grupo social, inclusive de cada indivíduo, tornam prioritária a proteção de certas imagens próprias ou alheias e, por isso, predeterminam ou favorecem a conveniência de se atenuar (ou de se valorizar), em maior ou menor medida, certos temas ou tópicos considerados mais socialmente conflitivos. Uma conversação polêmica geralmente favorece a presença de atenuantes polidos, principalmente se as imagens ficam comprometidas.

Já segundo Markus e Kitayama (1991), pessoas de diferentes culturas têm construções marcadamente diferentes do self e do outro, variando também a forma como se dão as relações de interdependência entre eles. Para eles, as culturas se diferenciam em coletivistas e individualistas, categorização esta que equivale às chamadas culturas de aproximação e de distanciamento propostas por Haverkate (op. cit.).

Para esses autores, as ditas culturas coletivistas insistem na relação fundamental entre os indivíduos, sendo enfatizada a forma como as pessoas se adequam e mantêm uma relação harmoniosa entre si. Já as culturas individualistas valorizam a forma como o indivíduo descobre / expressa seus atributos internos singulares e se identificam com a perspectiva ocidental do self. As culturas da América do Norte e da Europa Ocidental são exemplos dessa cultura individualista.

Uma outra forma de se denominar essas diferentes concepções de self seria a de tratá-las como construções interdependentes (culturas coletivistas) e independentes (culturas individualistas) de self.

As diferenças entre construção independente e interdependente de self são ilustradas no quadro a seguir, através de um quadro contrastivo:

CARACTERÍSTICA

Benzer Belgeler