BÖLGENİN GENEL JEOLOJİSİ
3.6 Bölgenin Jeolojik Gelişimi
Veremos, a seguir, como ocorre, em nossos dados, as negociações e o gerenciamento de conflitos. Utilizando-se do discurso argumentativo, as partes orientam-se e mostram-se interessadas na manutenção do rapport (harmonia) da relação, através de estratégias que visam à atenuação / minimização de atos tidos como ameaçadores de face.
Entendemos o discurso argumentativo como aquele no qual, através de argumentos, desenvolve-se uma negociação entre os participantes, negociação essa destinada a resolver os conflitos advindos de opiniões divergentes.
Excerto 1 (diálogo 1):
Neste segmento do diálogo 1 ocorre (linhas 1-64), uma situação conflituosa onde o rapport é gerenciado através da evitação de conflito ou de desacordo, das perguntas e dos pedidos de esclarecimento e do oferecimento de razões ou explicações.
O segmento em questão segue com o tema do anterior, ensino de alemão por parte de Marta. Nele ocorre (linhas 1-64), uma situação conflituosa que foi gerada por um ressentimento de Teresa para com sua amiga Marta. Esse ressentimento deve-se ao fato de Tereza descobrir que Marta está dando aulas de alemão para outra pessoa, porém havia deixado de dar aulas para ela. Veremos como se dá o gerenciamento dessa situação de conflito, isto é, como ele é posteriormente minimizado / atenuado pelos interlocutores, como conseqüência do interesse das partes na manutenção do
rapport da relação.
01 02
Tereza -Yo creía--- que vos habías dejado la enseñanza del alemán.
03 04 05 06 07 08 09 10 11 12
Marta -Pero--- es que yo no puedo decir que enseñe alemán, me da vergüenza. Tanto, que esta chica me dice: "i Pero Marta, qué lecciones largas, pero qué barbaridad! Pero no me cobra más que... eh... lo que me ha cobrado el año pasado por una hora." "No, hija", le digo yo. Son lecciones muy poco académicas, en las que yo recurro al diccionario, y en las que yo consulto la gramática en presencia de ella. Pero yo creo que ella prefiere--- que haga así un trabajo de sinceridad--- y no que me presentara como una gran profesora no siéndolo.
13 14
Tereza -¿Y por qué te has olvidado de una de tus alumnas--- que has dejado completamente a un lado?
15 16
Marta -Porque es una vaga que se la pasa viajando. Y cuando viene acá--- se lo pasa paseando...
17 18 19
Tereza -Como definición me parece muy bonito, porque está escrito en tono de soneto, con ritmo de soneto, pero no responde a la verdad.
20 Marta -Yo creo que sí. Tengo… tengo otra amiga ... 21
22
Tereza -Yo, mirá, creo francamente que no te interesaba, porque si no...
23 Marta -No, es que... 24
25
Tereza -Vos no sabés el beneficio moral--- que a mí me hace una lección de alemán.
26 27
Marta -Pero es que todas vienen a mí por beneficio moral; porque esta chica me decía: "Me hace falta..."
28 Tereza -No, ella va por necesidad también. 29
30 31
Marta -No no, porque esos pi... ahora tiene este trabajo nuevo, pero el año pasado me decía: "Me hace falta el alemán y me hace falta M. R."--- El beneficio moral... moral... 32
33
Tereza –Yo creí que no te interesaba o que no tenías tiempo, que no querías hacerlo. 34 35 36 37 38 39
Marta -Este año he tenido un año terrible de luchas internas--- ya sabés a quién me refiero--- Y tengo pendiente--- otra clase de alemán, pero quién sabe si se llega a realizar, porque Georgina tenía idea de ir a Alemania, y entonces quería--- uno o dos meses antes de ir a Alemania -- conversar conmigo un poco en alemán.
40 Tereza -¿Pero sabe un poco Georgina? 41
42 43
Marta -Sí, ella se recibió de maestra hace aiíos --en el Consejo de Mujeres, pero no lo ha cultivado y nunca lo ha sache... lo ha sabido como yo.
44 Tereza -Ah, bueno! Es más fácil. 45
46
Marta -Pero--- conmigo, conversando, lo hubiera refrescado eso que sabía.
47 Tereza -¿Y tenés tiempo para dar alguna clase de alemán? 48 49 50 51 52 53 54
Marta -Mirá, si viene la obligación--- yo hago el tiempo y en realidad me viene bien; pero vos sabés el problema que yo tengo en casa. Vos sabés que a mí--- la muchacha me tiene enloquecida con sus imprevistos, con sus --agachadas--- con miles de cosas que no sé cómo definir --- y que no es como tener una empleada cualquiera por lo que tiene la chiquita.
55 Tereza -Bueno.
56 Marta -Y que está en juego la felicidad de esa criatura. 57
58
Tereza -Yo comprendo; por ese motivo te he respetado y no te las he pedido, pero me hubiera hecho bien porque me
59 levanta- - - y además porque... 60 Marta -Te levanta de la cama.
61 Tereza -No puedo decirte...
62 Marta -Te levanta de la cama, ¿no? 63
64
Tereza -No, no me levanta de la cama: me levanta el ánimo, que 65
66
Marta -Bueno, pero si es así, decí, yo creía que--estabas--- llena de obligaciones sociales.
67 68 69
Tereza -Sí, tengo obligaciones; pero, como vos decís, el tiempo puede hacerse de alguna forma. Siempre un hueco hay. 70
71
Marta -Mhm. Bueno, yo también puedo hacer un hueco. Sobre todo a la mañana.
72 73
Tereza -¡Espléndido! Ahora, mi alemán es muy deficiente, eso es lo malo.
74 75 76
Marta -Yo no le veo. Yo encuentro --- que el ja... que... que entre vos y la otra chiquilina --- hay una diferencia abismal.
77 Tereza -¿En qué sentido? 78 79 80 81 82 83 84 85 86
Marta -Lo que vos sabés --- lo has estudiado---
académicamente, conscientemente --- y la pregunta tuya es precisa--- esta chica--- es
inteligente, es rápida, pero es un poco haragana--- y no ha estudiado--- como vos. Cuando vos--- decís que un sustantivo, en ese
caso corresponde en dativo o en acusativo, yo pienso: "Tiene razón porque lo debe de haber estudiado." ¿Entendés?
87 88
Tereza -Bueno, yo te propondría--- que hiciéramos las lecciones que pudiéramos.
89 90
Marta -Claro, como ha sido siempre- - - el día que te conviene. 91
92 93
Tereza -Como ha sido siempre; porque--- es un pequeño bagaje, es un bagaje muy corto, muy diminuto, muy insignificante. 94 Marta -Sí.
95 96
Tereza -Pero--- por lo menos permite- - - moverse—elementalmente. 97 Marta -Claro.
98 99 100
Tereza -Y como siempre pienso hacer un viaje en Alemania--- y me hace un bien moral también, podríamos tomar esos libros de historia.
101 Marta -Mirá, me parecería muy divertido. 102 Tereza -Son divertidísimos.
No segmento acima ocorre um mal-entendido entre as interlocutoras, que pode ser classificado como um conflito de pressuposições ou inferências equivocadas realizadas por cada uma das interlocutoras. Este segmento pode ser sub-dividido em duas partes. Na primeira (linhas 1-64) há a pressuposição equivocada por parte de Tereza, que pensa que a amiga não quer ou não pode mais dar aulas de alemão para ela.
Note-se que, logo após o início do segmento de fala conflituoso, ocorrem duas orientações distintas, uma por parte de Tereza, que se orienta no sentido de questionamento de rapport, e outra por parte de Marta, que está orientada para a manutenção do rapport da relação. Todas as ações de Tereza na parte inicial do segmento acima (até a linha 39) estão ameaçando as relações sociais harmoniosas entre ela e sua interlocutora Marta.
Esse segmento inicia-se com Tereza fazendo uma ameaça à face positiva de sua amiga Marta, ao dizer que “Yo creía – que habías dejado la enseñanza del alemán.” (linhas 1-2), o que Marta passará a responder com estratégias de proteção de face, através de justificativas ou pseudo-estratégias de modéstia como, por exemplo, “Pero
– es que yo no puedo decir que enseñe alemán, me dá vergüenza.” (linhas 3-4) , que
minimizam, atenuam seu ato.
Tereza, porém, continua a ameaçar a face positiva de sua amiga, dizendo: “Y
por qué te has olvidado de una de tus alumnas – que has dejado completamente a un lado?” (linhas 13-14), ao que Marta, recorrendo novamente a justificativas, afirma:
“Porque es una vaga que se la pasa viajando. Y cuando viene acá – se lo pasa
paseando…” (linhas 15-16).
Tereza lança mão da estratégia da indiretividade, através de duas artimanhas: ocultamento do nome da pessoa que seria beneficiária das aulas de alemão (“una de tus
alumnas”, no caso, ela mesma) e utilização do formato de pergunta. O que na verdade
Tereza faz é uma cobrança atenuada (pela indiretividade), pois a amiga está dando aula para outra pessoa e não está mais dando aula para ela.
É fundamental observar-se que o gerenciamento das relações interpessoais é feito de formas distintas por Tereza e Marta. Com relação à Tereza, no sentido de questionamento de rapport e por sua amiga Marta, cujas asserções são sempre orientadas pela escolha de estratégias de atenuação / minimização, no sentido de manutenção de rapport.
A continuação (linhas 17-19), Tereza responde sem utilizar-se de qualquer tipo de atenuação e chega a valer-se de ironia (ou mesmo de deboche) para contestar o que disse Marta em sua defesa: “Como definición me parece muy bonito, porque está
escrito en tono de soneto, con ritmo de soneto, pero no responde a la verdad.”. Com
isso ela diz não acreditar no que sua amiga falou (“...o que você diz não é verdade”), em mais uma ameaça à face de sua interlocutora. Marta recusa e diz, em sua defesa, que está dizendo a verdade: “Yo creo que sí.” (linha 20).
Spencer-Oatey afirma que causar deliberadamente a perda de face das pessoas é uma maneira de orientar-se no sentido de questionamento de rapport, e é a estratégia que Tereza vem seguindo até o momento. Os motivos que levam uma pessoa a questionar rapport são vários. No exemplo em questão (após a descoberta das aulas que Marta ministra para outra pessoa e não mais para ela), o motivo que leva Tereza a seguir a orientação de questionamento de rapport pode ser o questionamento da própria amizade existente entre ela e Marta.
Segue-se um segmento (linhas 21-31) no qual Tereza continua ameaçando a face positiva de sua interlocutora. Esta se orienta, uma vez mais, pela manutenção do
rapport (harmonia) da relação, como pode verificar através das estratégias de atenuação
utilizadas por esta última (estratégia de dar justificativas e/ou explicações):
21 22
Tereza -Yo, mirá, creo francamente que no te interesaba, porque si no...
23 Marta -No, es que... 24
25
Tereza -Vos no sabés el beneficio moral--- que a mí me hace una lección de alemán.
26 27
Marta -Pero es que todas vienen a mí por beneficio moral; porque esta chica me decía: "Me hace falta..."
28 Tereza -No, ella va por necesidad también. 29
30 31
Marta -No no, porque esos pi... ahora tiene este trabajo nuevo, pero el año pasado me decía: "Me hace falta el alemán y me hace falta M. R."--- El beneficio moral... moral...
Tereza (linhas 21-22) reafirma sua opinião (dada anteriormente na linha 1), e o faz de uma forma não atenuada pois, apesar da utilização do verbo parentético8 creer, que deveria funcionar como instrumento atenuador, esse recurso é perdido pelo efeito do advérbio francamente, usado em seguida. Marta (linha 23) faz uma tentativa interrompida de explicação e Tereza (linhas 24-25) passa a expor a sua amiga o motivo pelo qual ela necessita tanto das aulas de alemão e, por isso, estar tão aborrecida (o que
8 Segundo Fraser (1980), verbos e advérbios parentéticos (do tipo acho, creio, provavelmente, etc.), reduzem o comprometimento resultante da enunciação, funcionando, assim, como instrumentos atenuadores da força ilocucionária dos enunciados.
se deduz do fato de ela não estar atenuando suas asserções) com o fato: as aulas são um benefício moral para ela.
A descrição de Bravo (2003) para confiança – confiança interpessoal não requer que se compartilhem os desejos do interlocutor, nem que se aprovem suas características de personalidade, senão que se o aceite assim tal qual ele é, embora se o critique “abertamente” e se discorde daquilo que ele pensa (também “abertamente”) – é o que, em nosso entender, faz com que Marta aceite as várias críticas e questionamentos a sua pessoa feitos por sua amiga Tereza e, ao longo de todo esse segmento de fala, prossiga em sua orientação de manutenção de rapport.
Tereza afirma que Marta sabia de suas necessidades pessoais, isto é, do benefício moral que as aulas de alemão dão a ela (linhas 24-25). Porém Marta recusa e diz, para salvaguardar a sua face, que todas as alunas a procuram com esse argumento, isto é: ”-Pero es que todas vienen a mí por beneficio moral; porque esta chica me
decía: "Me hace falta..." (linhas 26-27), ao que Tereza responde, não aceitando a
explicação de Marta: “-No, ella va por necesidad también.” (linha 28), em referência ao emprego de vendedora que a aluna de Marta ocupa, e no qual ela necessita falar alemão. Tereza opta novamente pela ação despreferida de discordância do interlocutor, e novamente o faz sem atenuação.
Marta (linhas 29-31) pondera que a aluna “ahora tiene este trabajo nuevo”, porém no ano anterior ela também pedia as aulas de alemão alegando o beneficio moral que fariam a ela (ela utiliza a conjunção pero, que indica contraposição entre a idéia inicial e a que a sucede). Marta, em mais uma tentativa de salvar a sua face, utiliza-se da estratégia de oferecer razões ou explicações a sua interlocutora.
Note-se que o assunto, polêmico, foi gerado por um mal-entendido ocorrido anteriormente entre as partes. Isso pode ser deduzido especialmente nas falas transcritas abaixo (linhas 21-22 e 65-66):
21 22
Tereza -Yo, mirá, creo francamente que no te interesaba, porque si no...
65 66
Marta ueno, pero si es así, decí, yo creía que--estabas--- llena de obligaciones sociales.
Pode-se observar que Tereza pensava que à Marta não interessava mais dar aulas de alemão e Marta pensava que sua amiga estava muito ocupada, cheia de obrigações sociais e não tinha mais tempo para estudar alemão.
Marta, dando continuidade a sua estratégia de evitação de conflito, dá explicações à Tereza (linhas 34-39), informando sobre seus problemas e sobre a existência de outra amiga sua que também deseja ter aulas de alemão, porém ela ainda não atendeu a esse pedido:
34 35 36 37 38 39
Marta -Este año he tenido un año terrible de luchas internas-- - ya sabés a quién me refiero--- Y tengo pendiente--- otra clase de alemán, pero quién sabe si se llega a realizar, porque Georgina tenía idea de ir a Alemania, y entonces quería--- uno o dos meses antes de ir a
Alemania --conversar conmigo un poco en alemán.
A continuação, Tereza muda sua orientação e parece aceitar as explicações de Marta, atenuando suas asserções e fazendo perguntas sobre Georgina (amiga de Marta), o que mostra seu interesse na narrativa de Marta e na manutenção do rapport (linhas 40, 44 e 47). Em seguida, Marta dá novamente explicações à Tereza (linhas 48-54 e 56):
40 Tereza -¿Pero sabe un poco Georgina? 41
42 43
Marta -Sí, ella se recibió de maestra hace aiíos --en el Consejo de Mujeres, pero no lo ha cultivado y nunca lo ha sache... lo ha sabido como yo.
44 Tereza -Ah, bueno! Es más fácil. 45
46
Marta -Pero--- conmigo, conversando, lo hubiera refrescado eso que sabía.
47 Tereza -¿Y tenés tiempo para dar alguna clase de alemán? 48 49 50 51 52 53 54
Marta -Mirá, si viene la obligación--- yo hago el tiempo y en realidad me viene bien; pero vos sabés el problema que yo tengo en casa. Vos sabés que a mí--- la muchacha me tiene enloquecida con sus imprevistos, con sus --agachadas--- con miles de cosas que no sé cómo definir --- y que no es como tener una empleada cualquiera por lo que tiene la chiquita.
55 Tereza -Bueno.
56 Marta -Y que está en juego la felicidad de esa criatura.
Segue-se um segmento de construção colaborativa da fala (linhas 57-62), no qual Tereza começa por dizer que entende os motivos de sua interlocutora, mas expõe que as aulas fariam bem a sua pessoa, sendo interrompida duas vezes por Marta, que
tenta antecipar o que ela vai dizer, numa forma de manifestação de acordo e cooperação.
57 58 59
Tereza -Yo comprendo; por ese motivo te he respetado y no te las he pedido, pero me hubiera hecho bien porque me levanta- - - y además porque...
60 Marta -Te levanta de la cama. 61 Tereza -No puedo decirte...
62 Marta -Te levanta de la cama, ¿no? 63
64
Tereza -No, no me levanta de la cama: me levanta el ánimo, que es más importante.
Por dois turnos seguidos (linhas 60 e 62) Marta oferece o complemento “Te
levanta de la cama”, sendo, na segunda vez, corrigida por Tereza, que responde
fazendo a correção: “-No, no me levanta de la cama: me levanta el ánimo, que es más
importante. . “ (linhas 63-64).
Esse segmento de construção colaborativa (linhas 57-64) não é bem sucedido, uma vez que a pressuposição feita por Marta sobre o motivo de as aulas de alemão fazerem bem a sua amiga Tereza não correspondiam à realidade. Ao dizer “pero me
hubiera hecho bien porque me levanta…” (linha 58), Tereza não queria dizer, como
pressupôs Marta, que as aulas a levantariam da cama, mas sim que “... me levanta el
ánimo, que es más importante.” (linha 63-64). Pode-se dizer que o ocorrido foi uma
pressuposição de conhecimento compartilhado que estava equivocada.
Tereza, porém, ao recusar o complemento dado por sua amiga (que ela decodifica em seu sentido literal, isto é, levantar-se da cama para ir à aula) pode também ter-se equivocado, uma vez que sua interlocutora poderia estar falando em sentido metafórico.
Na segunda parte desse segmento (linhas 65-71) é a falante Marta quem se equivoca (linhas 65-66), ao pensar que Tereza estava muito ocupada e não queria mais ter aulas com ela.
65 66
Marta -Bueno, pero si es así, decí, yo creía que--estabas--- llena de obligaciones sociales.
67 68 69
Tereza -Sí, tengo obligaciones; pero, como vos decís, el tiempo puede hacerse de alguna forma. Siempre un hueco hay. 70
71
Marta -Mhm. Bueno, yo también puedo hacer un hueco. Sobre todo a la mañana.
Tereza, então, tenta desfazer o equívoco, fazendo o devido reparo, porém de forma atenuada. Primeiramente ela afirma: “Sí, tengo obligaciones;” (linha 67), para, em seguida, iniciar uma ressalva com a conjunção pero. Em seguida ela faz uma afirmação (“el tiempo puede hacerse de alguna forma”), porém imputa essa afirmação a sua interlocutora (“como vos decís”), como uma maneira de dizer que, embora tenha muitos compromissos, ela concorda com sua amiga, isto é, que há uma maneira de conciliar as duas coisas.
Tem início a superação do conflito: a partir da linha 65 tem início a resolução do conflito, com Marta (linhas 70-71) orientando-se no sentido de chegar a um acordo com sua interlocutora. Tereza ratifica o acordo proposto (linhas 72-73), inclusive fazendo uso da estratégia de adjetivação (“Espléndido!”), porém avisa à Marta que elas terão um problema, devido ao fato de o seu alemão ser deficiente (estratégia de modéstia ou de auto-depreciação).
65 66
Marta -Bueno, pero si es así, decí, yo creía que-- estabas--- llena de obligaciones sociales. 67
68 69
Tereza -Sí, tengo obligaciones; pero, como vos decís, el tiempo puede hacerse de alguna forma. Siempre un hueco hay. 70
71
Marta -Mhm. Bueno, yo también puedo hacer un hueco. Sobre todo a la mañana.
72 73
Tereza -¡Espléndido! Ahora, mi alemán es muy deficiente, eso es lo malo. (estratégia de modéstia ou de auto-depreciação)
Desse segmento em diante passam a predominar, por parte de Marta, as estratégias destinadas à maximização de rapport, sobretudo os elogios seguidos de argumentos (linhas 74-76 e 78-86). Nota-se também uma mudança na orientação de
rapport por parte de Tereza, que passa a orientar-se no sentido de manutenção de rapport.
Marta recusa a afirmação de Tereza, dizendo que entre ela e sua outra aluna existe uma diferença abismal, diferença essa que se deve ao fato de ela já haver estudado alemão academicamente, de forma consciente. Essa estratégia utilizada por Marta é uma estratégia de polidez positiva (ou modo de reforçar a imagem do outro) direta, que satisfaz os desejos de aprovação do outro através do uso de elogios.
74 75 76
Marta -Yo no le veo. Yo encuentro --- que el ja... que... que entre vos y la otra chiquilina --- hay una diferencia abismal. (elogio)
77 Tereza En qué sentido?