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As características construtivas, chamadas de secundárias por Carlo (2008), juntamente com as características tipológicas, são responsáveis pelo desempenho termo-energético das edificações e, portanto, também devem ser levantadas de forma dirigida ao estudo da eficiência energética.

São diversas as metodologias existentes para a coleta de dados construtivos relacionados à eficiência energética, com destaque para aquela utilizada pelo governo dos EUA para o levantamento e construção dos bancos de dados sobre edificações comerciais (CBECS - Commercial Buildings Energy Comsumption Survey) e residenciais (RECS - Residential Energy Comsumption Survey). As informações coletadas através de visitas in loco, questionários e entrevistas (junto a moradores e fornecedores de energia elétrica) referentes a milhares de edificações nos EUA relacionam-se às características edilícias (localização, dimensões e ano de construção) e aos padrões de uso e consumo de energia (ocupação, áreas

Figura 16 - Exemplos de pavimentos tipo com quatro e três habitações.

submetidas ao condicionamento térmico, equipamentos, uso de energia elétrica e de outras fontes) (CARLO E TOCCOLINI, 2005).

Os bancos de dados CBESC e RECS foram utilizados por diversos autores, entre eles Huang et al (1991) e Huang e Franconi (1999), para o desenvolvimento de protótipos de edificações, através do tratamento estatístico de seus dados. Esta metodologia tornou-se base para inúmeras outras, a exemplo daquela desenvolvida por Carlo e Toccolini (2005) para a formulação de protótipos de edificações residenciais e comerciais brasileiras.

Para a elaboração dos protótipos residenciais, as autoras utilizaram os protótipos que haviam sido elaborados por Tavares (2003) com base da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílio (PNAD, 2002), modificando-os a partir dos dados da Pesquisa de Posse de Eletrodomésticos e Hábitos de Uso em edificações residenciais (SINPHA, 1999).

Naquele estudo foram analisados os seguintes parâmetros: dimensões; número de pavimentos; percentual de abertura das fachadas; transmitância e absortância das paredes e coberturas; características dos elementos translúcidos; ocupação; densidade de carga interna; padrões de uso; características do sistemas de condicionamento artificial.

Com base na avaliação estatística destes parâmetros foram definidos quatro protótipos para edificações residenciais brasileiras, de acordo com a tipologia (unifamiliar ou multifamiliar) e com a renda média familiar. O protótipo unifamiliar de baixa renda possui dois quartos, e o de média renda possui três quartos. Os protótipos multifamiliares possuem quatro unidades habitacionais por pavimento, sendo que o primeiro possui cinco pavimentos e dois quartos por unidade e o segundo possui sete pavimentos e três quartos por unidade (CARLO E TOCCOLINI, 2005).

Observa-se que os protótipos construídos pelas autoras sintetizam dados relacionados às diversas regiões do Brasil, não refletindo, portanto, características regionais específicas. Considerando que a diversidade climática do Brasil demanda soluções construtivas distintas (Lamberts et al, 2004), pode-se afirmar que tal abordagem generalizante não resulta em protótipos a partir dos quais possam ser estudadas alterações de parâmetros de forma aplicada às especificidades das diversas localidades.

Santana (2006) corrobora ao afirmar que a caracterização construtiva, no que diz respeito à eficiência energética, deve deter-se à realidade construtiva local, tendo em vista que, embora haja uma tendência de padronização na arquitetura pós- moderna, sobretudo nos edifícios verticalizados, existem especificidades inerentes às culturas construtivas e mercadológicas locais que inviabilizam generalizações tanto para a identificação de características ou tipologias predominantes, quanto para a proposição de soluções mais adequadas para cada realidade climática.

Para a elaboração de protótipos de edificações comerciais, as autoras utilizaram dados preexistentes relacionados às cidades de Salvador (CARLO et al, 2003) e Recife (CARLO et al, 2004), além de dados coletados em São Paulo e Florianópolis através de entrevistas, levantamentos fotográficos e levantamentos in

loco, tendo em vista que à época não havia dados de pesquisas governamentais

disponíveis sobre este setor.

As características analisadas foram a forma, a altura, a porcentagem de áreas de aberturas, o sombreamento destas e os padrões de uso de energia. Os protótipos foram definidos de acordo com a atividade comercial (escritórios, hotéis, restaurantes, supermercados, lojas, escolas e hospitais) e também se referentes à realidade brasileira.

A pesquisa de Carlo e Toccolini (2005) consiste na primeira etapa da elaboração da regulamentação brasileira e, portanto, serviram de base para diversos estudos realizados posteriormente sobre a identificação de tipologias e construção de protótipos de edificações relacionados ao consumo de energia, a exemplo da pesquisa desenvolvida por Santana (2006) sobre edifícios de escritórios na cidade de Florianópolis.

Para identificar as tipologias mais representativas do universo de estudo a autora adotou a delimitação geográfica do centro de Florianópolis, obtendo junto à Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos (SUSP) o número de edifícios de escritórios existente. Foram considerados para o estudo apenas os edifícios de escritórios particulares com mais de cinco pavimentos (SANTANA, 2006).

Por tratar de tipologias relacionadas a uma realidade local e da análise da influência de parâmetros construtivos no consumo de energia destas, o estudo de Santana se mostra mais detalhado que aquele desenvolvido por Carlo e Toccolini (2005). As informações foram levantadas através dos registros da SUSP e de visitas

relação à localização, profissionais responsáveis, ano de início de ocupação, número de pavimentos, forma, dimensões, áreas, orientações, área de janela por fachada, sistemas de aberturas, materiais utilizados e elementos de proteção solar, entre outros (SANTANA, 2006).

No total, Santana (2006) analisou trinta e cinco edifícios de escritórios, cujas características mais recorrentes deram origem a alguns protótipos. Estes modelos foram então analisados através de simulações termo-energéticas, bem como diversas modificações em seus parâmetros construtivos, de forma a identificar as soluções construtivas mais adequadas para as tipologias estudadas na realidade climática de Florianópolis, partindo da cultura construtiva do local.

Benzer Belgeler