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2. KURAMSAL TEMELLER

2.5. Yapılandırmacı Yaklaşımda Fen ve Teknoloji Öğretimi

Aproximadamente até ao séc. XVIII a infância não é vista como uma fase com caraterísticas próprias, sendo as crianças vistas como adultos em miniatura. Posteriormente, no séc. XIX, Charles Darwin, segundo a sua perspetiva evolucionista, alerta para a pertinência dos estudos sobre a infância, sendo esta etapa, a partir de então, vista de outra forma, ganhando um significado cada vez mais importante no ciclo de vida humano.

Devido à sua ambiguidade social, a definição do conceito de infância não é inteiramente clara e objetiva, mas de acordo com Tavares et al. (2007) sabe-se que o contributo da mesma no ciclo do desenvolvimento é essencial pelas relevantes aquisições nesta etapa a nível físico, cognitivo e social.

Seguidamente será feita uma abordagem a caraterísticas físicas, psicológicas e sociais específicas, relativamente à fase da infância que diz respeito ao período pré – escolar.

O período pré – escolar: dos 2 aos 6 anos de idade

Ao longo deste período o desenvolvimento dá-se a um ritmo consideravelmente acelerado. A criança, nesta fase adquire mais capacidades e informação, passando por mudanças significativas na forma como pensa e age. Exemplo disso são as diferenças entre uma criança com cinco anos e uma com dois. A primeira possui uma linguagem mais fluente que a segunda, um pensamento com caraterísticas distintas e uma autonomia já afirmada, ao contrário da segunda que está no início da afirmação da sua autonomia.

Este é um período em que a maioria das crianças passa grande parte do tempo a brincar, adquirindo novas capacidades, ideias e valores indispensáveis para o seu desenvolvimento, sendo difícil imaginar uma criança nesta fase sossegada, com um pensamento lógico e completamente coerente ou a agir realisticamente.

O desenvolvimento físico

Ao longo deste período verificam-se mudanças no tamanho, proporção e forma corporais. Dá-se uma evolução significativa e gradual na motricidade fina e grossa, permitindo à criança com cinco anos realizar atividades com mais flexibilidade e rigor, sendo importante esta dispor de uma orientação frequente. Também se verifica um rápido desenvolvimento cerebral que possibilita a capacidade de uma aprendizagem mais complexa e do aperfeiçoamento da motricidade fina e grossa, sendo assim que a criança, conforme cresce responde rapidamente a vários estímulos, tendo a capacidade de controlar o impacto dessas respostas.

O desenvolvimento cognitivo

O desenvolvimento cognitivo tem início antes do nascimento e evolui ao longo do período pré – escolar, sendo que:

Nesta fase, a criança é dotada de um pensamento mágico, imaginativo e metafórico, e este expressa-se através das contínuas brincadeiras de faz de conta, do amigo invisível, da crença irrefutável no Pai Natal, nos príncipes, princesas, fadas e gnomos e noutro sem número de personagens e fantasias (Tavares et al., 2007, p. 52).

A natureza do pensamento mágico e egocêntrico da criança nesta fase foi durante muito tempo compreendida à luz das conceções cognitivistas defendidas por Piaget que denominou este período por estádio pré – operatório, em que as crianças ainda não desenvolveram o uso de princípios lógicos do pensamento.

A teoria de Vygotsky também aborda o desenvolvimento cognitivo nesta faixa etária. Defende-se que as crianças, desde cedo, são ativos aprendizes dotados de uma curiosidade fascinante, num mundo de desafios e fantasia, mas Vygotsky vai mais além e defende que as crianças são sujeitos ativos nas suas aprendizagens, mas que não o fazem sozinhas, sendo fundamental a presença dos adultos para o seu processo de aprendizagem, pois a criança desenvolve o pensamento sob uma orientação e motivação externa integrada num contexto social carregado de experiências a serem realizadas.

A par com a evolução do desenvolvimento cognitivo da criança, dá-se também uma grande evolução do desenvolvimento da linguagem. Facilmente a criança atribui um significado para cada palavra aprendida e apresenta uma relevante evolução na compreensão das formas gramaticais mais básicas, embora as aplique muitas vezes desadequadamente.

O desenvolvimento psicossocial

Ao longo do período pré – escolar, a criança adquire uma consciência e compreensão cada vez maior de si própria, bem como do seu lugar e função no contexto social em que se insere, aprendendo regras e normas sociais e também significados culturais desse mesmo contexto.

É entre os dois e os seis anos que se dá o maior desenvolvimento no que respeita à socialização da criança, sendo este um processo complexo com altos e baixos nas relações interpessoais estabelecidas e nos efeitos associados às situações vivenciadas.

Várias teorias têm vindo a estudar o desenvolvimento psicossocial da criança, em particular. Erickson foi um dos autores que o fez, considerando que esse desenvolvimento dá- se através de estádios que ele designou por “crise”. A crise psicossocial entre os três e os seis anos é a de iniciativa vs culpa, em que se constrói a identidade pessoal e cultural que é alvo de intensas emoções que as crianças devem aprender a integrar na estrutura da própria personalidade.

Já Freud considera que as crianças neste período se encontram no estádio fálico, que é a fase em que estas demonstram interesse nas diferenças entre os sexos e em que surge uma atração dos meninos pela mãe e das meninas pelo pai, sendo que a forma como esta situação é resolvida influencia a vida afetiva futura. Por volta dos cinco anos a criança já possui a sua

identidade de género, sabendo que é rapaz ou rapariga e identificando essa caraterística nos outros, sendo a biologia e a sociedade fatores que influenciam o desenvolvimento e a construção desta identidade.

Tal como refere Tavares et al. (2007) “as crianças crescem e desenvolvem-se num contexto familiar e social específico. O controlo exercido pelos pais e restantes agentes educativos, bem como as técnicas básicas da disciplina, afetam o desenvolvimento psicossocial das crianças” (p. 57).

Na sociedade atual existe um fator importante inerente à influência do desenvolvimento social em crianças no período pré – escolar, que é a televisão, visto que estas assistem diariamente a aproximadamente 2h a 3h. Todos sabemos que este instrumento pode ser desvantajoso pelo conteúdo transmitido não aconselhável para crianças nesta idade, mas também pode ser benéfico, já que, segundo algumas investigações determinados conteúdos promovem comportamentos pró – sociais e o desenvolvimento de tarefas e competências escolares. Assim, é importante a presença e atenção dos adultos que acompanham a criança, numa atitude de supervisão dos programas a que a criança assiste.