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45 Journal de Constantinople, 23 Eylül

4.2. Yangın Sonrası Planlamalar ve Uygulamalar

O estudo da estrutura social formada pelos vínculos entre atores da comunidade de Capuava, entendida como a rede da comunidade, foi realizado a partir dos resultados obtidos no trabalho empírico por meio da metodologia de análise de redes sociais. Como se observou no capítulo 2, nesse cenário social relacionava-se não só moradores, mas também funcionários da Prefeitura, políticos e representantes de organizações sociais, envolvidos nas atividades do poder local e nos eventos sociais, registrados antes e depois da intervenção do SAMI.

A análise da rede e o estudo de sua transformação ao longo do tempo foram organizados em dois capítulos de acordo com o período de estudo. Neste capítulo, apresentam-se os resultados da análise dos padrões de interação social entre os atores da comunidade observados no período que antecedeu à intensa ação do poder local em Capuava.

Para colocar a discussão na perspectiva apropriada, este capítulo desenvolve-se em duas etapas. Primeiro apresentam-se as definições e escolhas analíticas, os critérios na aplicação da metodologia de redes sociais; o método de coleta a estratégia de estudo dos dados e, finalmente, as medidas usadas para detectar as características gerais da rede, identificar os atores principais e os papéis que eles desempenham.

Em seguida, analisa-se o padrão de vinculação entre atores da comunidade de Capuava no primeiro período, antes da intervenção do SAMI, constatando-se que aquela rede social se organizava em torno de duas áreas: uma, constituída sobretudo por atores da comissão de moradores que se organizou para reivindicar serviços básicos, e outra menos densa constituída por atores da Pastoral que atuava em Capuava. Em outras palavras, esses grupos constituíam os grupos sociais de referência, como foi mencionado na análise dos relatos do capítulo 2.

Posteriormente, é apresentada a análise das medidas de centralidade a partir das quais foi observado que nesse período houve um fluxo maior de informação em Capuava devido ao fato de que os políticos, agentes da Prefeitura, e representantes do MDDF passaram a fazer parte do cenário social.

Como esses atores externos ao núcleo estavam em contato mais estreito com o líder da comissão, e também com os atores da Pastoral, a rede revelou-se fortemente hierarquizada, tendo como ator mais ativo do ponto de vista relacional ao líder, que tinha um acesso diferenciado às informações e podia controlar seu fluxo entre áreas da rede. Por isso, nesse período, um número reduzido de atores tinha vantagens estruturais que outorgava acesso a capital social, criando uma forte dependência dos outros atores e da população em geral para acessar as informações que esses obtinham por meio de seus contatos.

3.1 APLICAÇAO DA ANÁLISE DE REDES NA COMUNIDADE DE CAPUAVA

Para efeito de análise, a comunidade de Capuava foi vista como um cenário social em que se relacionam não só moradores do núcleo54, mas também funcionários da Prefeitura, políticos e representantes de organizações e sociais, envolvidos em atividades de implantação e implementação do SAMI, e nos eventos sociais e participativos registrados, de tal forma que essa rede social estende-se para além das relações entre moradores do núcleo de Capuava.

A fim de observar como os vínculos mudaram por influência da ação da política do governo local, foi feito um estudo recompondo dois pontos no tempo para observar a dinâmica das relações sociais. Assim, foram definidos dois tempos: o Tempo1(T1) iniciou- se com as primeiras formas de organização entre os moradores da comunidade para reivindicar serviços básicos e estende-se até a votação do projeto de urbanização no Orçamento Participativo de 1997. O Tempo2 (T2) teve início com as reuniões entre a Prefeitura e os moradores para apresentar o SAMI e o projeto de urbanização, seguidas do começo das atividades do programa em 2001. Comparando-se o cenário social antes e depois da intervenção do SAMI, foram encontradas diferenças relevantes.

A cada um desses períodos, foram associados os eventos (mobilizações, eleições políticas, reuniões, congressos), que envolveram atores da comunidade, e as atividades desenvolvidas pela Prefeitura, que foram analisadas no capítulo 2 a partir das entrevistas com os informantes da comunidade. Também foram associados a cada um dos tempos os

54 Como já foi especificado no capítulo anterior, a área de Capuava foi chamada de “núcleo” em função da nomeação dada pelos agentes da Prefeitura após o início da urbanização (núcleo habitacional). Porém, nas entrevistas – como se observa nas citações – alguns moradores de Capuava ainda denominam essa área de “favela”.

atores e seus vínculos, registrados em duas matrizes de dados, cuja análise e cujos

resultados se apresentam neste capítulo e no capítulo 4.

A partir da comparação temporal dessas atividades e eventos, assim como dos vínculos, foi realizada a análise da relação entre a intensa ação promovida pelo SAMI e a transformação da estrutura social.

O processo de coleta de dados para a construção da rede da comunidade iniciou-se junto ao pessoal da equipe local de urbanização e a uma liderança do núcleo de Capuava, a quem foi pedida informação sobre pessoas que tivessem uma trajetória importante na comunidade, seja pelas atividades das quais participa ou tenha participado, seja pelo tempo de moradia e envolvimento em atividades comunitárias55. A partir dessas informações, foi elaborada a primeira lista de atores da comunidade, constituída por esses informantes; pelos agentes comunitários de saúde (PACS) e do programa Sementinha, ambos incluídos no SAMI; por lideranças; por representantes da Pastoral, e por moradores antigos. Assim, com o uso da técnica bola de neve, após dezoito entrevistas, registraram-se os vínculos e atores da comunidade para elaborar a rede social.

As sessões de entrevista organizaram-se em duas partes. Na primeira, os moradores responderam perguntas sobre o tempo de moradia ou de atuação em Capuava, e sobre o trabalho ou as atividades que tinham realizado na comunidade. Em seguida, pediu-se que indicassem os eventos relevantes e atividades da Prefeitura no T1 e no T2, descrevendo seu envolvimento com algum desses eventos ou atividades. A segunda parte foi dedicada à coleta dos dados sobre os vínculos dos atores para a construção das matrizes de dados e sobre sua eventual filiação organizacional ou partidária.

As matrizes correspondem aos dois períodos de estudo. Com essa informação organizada, foi possível elaborar a visualização dos sociogramas da rede no T1 e no T2 e aplicar as medidas para sua análise56. Primeiro ingressaram-se dados binários (1 para a existência de vínculo entre o par de atores, 0 para a ausência) a fim de observar apenas a presença das relações entre os atores da rede. Em seguida, criaram-se outras matrizes por

55 No anexo 2, foi pormenorizada a metodologia usada para coletar os dados que permitiram a construção da rede de capuava no T1 e no T2

56 O registro dos dados das matrizes e a operação desses dados realizaram-se por meio do programa

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