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3. YALIN ÜRETİM

3.1 Yalın Üretimin Gelişimi

Neste trabalho a coleta de dados foi utilizada para configurar a pesquisa de campo, elemento que segundo Lakatos pode ser compreendido como:

Aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou, ainda, de descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles (LAKATOS, 2010.p.168).

Como técnica de coleta dos dados foi aplicado um questionário (entregue mediante a aprovação do conselho de ética) juntamente com um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido15 aos sujeitos da pesquisa que fizeram parte da amostra.

A aplicação ocorreu nos seguintes participantes: um(a) coordenador(a) do ministério infantil, um professor(a) de Escola Dominical infantil e o(a) pastor(a) da Igreja. Foram três igrejas que participaram da pesquisa, uma em São Bernardo do Campo, uma em Santo André e uma em São Caetano do Sul, todas do estado de São Paulo.

Apresentaremos a seguir os dados coletados na pesquisa. Nos momentos em que aparecer os(as) participantes, estes, serão indicados através de números para manter suas

15

identidades, por exemplo, P.1; P.2 e assim por diante, como assegurado no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Na descrição dos participantes, conforme observado na tabela abaixo, 70% deles na época de aplicação do questionário, tinham mais de 40 anos de idade:

Participante Idade P.1 50 anos P.2 48 anos P.3 47 anos P.4 28 anos P.5 48 anos P.6 34 anos P.7 56 anos P.8 53 anos P.9 43 anos

Tabela 1. Descrição dos participantes da pesquisa

Ao serem questionados(as) sobre o tempo de permanência na igreja, tiveram duas respostas nos questionários: 22% dos(as) participantes estão na Igreja Metodista de cinco a dez anos e sua maioria, 78% , há mais de 20 anos, como visualizamos no gráfico abaixo:

Além da maioria dos participantes serem membros da Igreja Metodista há mais de vinte anos, 45% deles também atuam no Ministério de Educação Cristã há mais de 20 anos:

Gráfico 2. Tempo de atuação dos participante na Igreja Metodista, no Ministério de Educação Cristã

O gráfico acima revela uma importante informação para a problematização do modo como estes educadores abordam ou concebem o tema da educação sexual, seja para nos questionarmos como em tanto tempo, por alguns, nunca foi abordado o tema em sala de aula, ou pelo fato do desconhecimento de materiais editados pela instituição sobre sexualidade, dados que observaremos mais abaixo.

Nas igrejas pesquisadas, apenas uma não tem sua sala de ED para criança dividida por faixa etária (justificado por conta do número pequeno de alunos), fato também relevante ao compreendermos que a partir de então, não há justificativas para ter receios quanto a ter crianças pequenas, que talvez não compreendam o que vem sendo falado, misturado com crianças maiores, que já poderiam ter outras abordagens sobre a sexualidade, este foi um dado utilizado por alguns(as) participantes como justificativa para não trabalhar em sala de aula sobre a sexualidade humana.

Quando nos referimos às estratégias utilizadas por estes educadores para transmitir as informações na Escola Dominical para crianças, foi possível observar que a maioria usa os materiais editados pela Igreja Metodista, conforme observado no gráfico abaixo:

Gráfico 3: Estratégia utilizada para transmitir as informações para às crianças na ED

Apesar de 56% dos participantes utilizar o material editado pela igreja, quando foram questionados(as) se tinham algum conhecimento e contato sobre algum material editado pela Igreja Metodista com o tema da sexualidade infantil, 56% não tinha conhecimento e nem contato; 22 % relatam que ouviram falar, mas também não tiveram contato. Os que tiveram contato, 22%, também não utilizaram o material, pois relatam não ter uma abordagem para trabalhar com a criança. Ou seja, nenhum dos participantes desta pesquisa utilizou em algum momento um material editado pela igreja Metodista sobre sexualidade, lembrando, a maioria dos(as) participantes tinham mais de 20 anos no Ministério de Educação Cristã.

Como citado anteriormente, nos documentos pesquisados sobre educação e sexualidade publicados pela Igreja Metodista, foi encontrado a “Carta Pastoral do Colégio Episcopal sobre sexualidade” de 1997 e “Afetividade e Sexualidade”, de 1998, ambos que falam sobre a sexualidade humana, sem uma abordagem didática específica de trabalho voltada para crianças, como relatam alguns participantes que tiveram contato com o material, mas com descrições e relatos coerentes sobre a sexualidade humana, que poderiam de certa forma, auxiliar na compreensão de como a instituição em questão percebe a sexualidade e sua relação com a igreja.

Gráfico 4: O participante teve contato com algum material editado pela Igreja Metodista que trabalhasse com o tema da sexualidade infantil?

Mesmo não tendo contato, seja talvez por dificuldades em receber o material em suas comunidades, ou pela própria dificuldade e ate mesmo interesse do educador(a) em ir atrás ou adquirir materiais em busca de novas informações sobre o que a instituição tem publicado, eles(as) revelam no questionário que muitos possuem conhecimentos a respeito do tema:

Gráfico 5 : Conhecimento a respeito do tema da “sexualidade humana”

A partir deste dado, de que possuem conhecimento sobre do que se trata a sexualidade e alguns julgam ter conhecimentos suficientes sobre o tema, levanto o

questionamento de que já que possuem conhecimentos, porque não é procurado outros meios de informações, outros tipos de materiais, editoras etc., para utilizarem? Será pela importância/relevância dada a temática?

O gráfico abaixo mostra como os(as) participantes percebem a igreja como espaço ou não para a discussão do tema:

Gráfico 6: A igreja é um espaço relevante para trabalhar o tema?

Apenas 11% dos(as) participantes não tem opinião formada, mas 89% acredita que a igreja é espaço para discussão do tema e acha relevante. Dado que se mostra contraditório ao verificarmos que quando questionados(as) se já trabalharam em sala de aula, a resposta foi de 67% relatando que nunca trabalhou; os que relatam que sim, 11%, dizem que trabalharam com medo de estarem abordando o assunto de forma errada e apenas 22% trabalharam o tema com segurança:

Gráfico 7: Trabalho com o tema da sexualidade em sala de aula

O fato de muitos nunca terem trabalhado o tema com as crianças, quando questionados se sabiam se era abordado por outros(as) educadores nas ED’s, 56% dos participantes responderam que esporadicamente o tema era abordado, 11% disseram que não era abordado e 33 % não sabia dizer se o tema era abordado ou não:

Gráfico 8: O tema da sexualidade é abordado nas ED das crianças?

Quanto a abordagem do mesmo nas ED’s dos adultos, 45% relataram que esporadicamente o tema era abordado, 44% não sabiam responder e 11% não responderam:

Gráfico 9: O tema da sexualidade sendo abordado nas ED dos adultos?

Os 44% de participantes que não sabiam responder se o tema era abordado nas ED’s dos adultos e os 33% que não sabiam se era abordado nas ED’s de crianças, nos faz levantar a hipótese de que talvez ainda não esteja sendo percebida a importância e a valorização em termos este assunto incluso nas lições/aulas que estão sendo transmitidas.

Ao serem questionados(as) como achavam que poderia ser realizado um trabalho voltado para a educação sexual na igreja, eles(as) trazem alguns relatos descritos na tabela abaixo. Apenas dois participantes não relataram e um disse não saber como trabalhar o tema:

Participante Como realizar um trabalho voltado para a educação sexual na igreja?

P.1 “Inicialmente, dialogando com os pais acerca da necessidade e importância deste trabalho e desenvolvê-lo de forma criativa e lúdica”

P.2 Não respondeu

P.3 “Ainda não sei, pois não pesquisei sobre o tema”

P.4 “Tenho ideia, mas acredito que este tema tenha que estar amadurecido e bem preparado, para não “aguçar” ao invés de orientar. É importante salientar que cada realidade dirigirá a melhor forma de abordar o tema” P.5 “Começar com formação e capacitação da liderança sobre a temática. O

buscar informações, conceitos de outras áreas (saúde) para ajudar na formação religiosa”

P.6 “A sexualidade é inerente ao ser humano, assim considero que este trabalho deve ser realizado da mesma forma como os outros assuntos: nas aulas, em debates, com abertura para discussões. No caso das crianças, também através de historias, brincadeiras, debates, etc”

P.7 Não respondeu

P.8 “Sim. Primeiro: entendendo a importância do tema. Segundo: tendo bons materiais de pesquisa. Terceiro: escuta sensível para perceber as necessidades prioritárias dos grupos distintos existentes na comunidade de fé. Quarto: preparando aulas interessantes sem os ranços dos tabus que carregamos conosco”

P.9 “Com foco na afetividade”

Tabela 2. O trabalho da sexualidade na igreja, como realizar?

Ao responderem se haviam relatos ou experiências por parte dos(as) participantes, algo vivenciado na igreja que tratasse de temas referentes à sexualidade e a infância, apenas dois participantes relataram que haviam passado por experiências do tipo.

Como verificamos nos dados coletados ao longo da pesquisa de campo, todos os que participaram desta pesquisa relatam terem conhecimentos sobre o tema da sexualidade e ao responderem se achavam que o tema poderia ser incluído com mais frequência, todos responderam que sim. Muitos desconhecem materiais editados pela instituição e mesmo os que conhecem o material, relatam não terem utilizado para trabalhar na ED sobre sexualidade por não acharem que tinha uma abordagem específica para a criança.

Alguns dados possivelmente têm a ver com as dificuldades existentes para se trabalhar com o tema da sexualidade infantil. Os (as) participantes relataram dificuldades em relação aos pais e professores para lidar com os pré-conceitos dos mesmos; algumas resistências em abordar o tema por parte da igreja, assim como, dificuldades por conta da falta de conhecimentos de alguns professores(as). Todos os participantes relataram que sentem a falta de orientações por parte da instituição e também que precisam de materiais adequados e educadores capacitados para o trabalho com a temática.

Tendo exposto acima os dados da pesquisa de campo, e apreendido das práticas locais do modo como algumas Igrejas Metodistas nas cidades de São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Santo André, pelos relatos dos participantes, efetivam suas orientações em suas escolas dominicais em relação à sexualidade infantil, e tendo percebido algumas dificuldades em relação a formação de educadores(as) e falta de materiais para trabalhar com o tema, surgiram assim uma série de elementos para problematizarmos.

Tentando alcançar os desafios que esta temática solicita, no próximo capítulo, proponho alguns caminhos pastorais e educativos, buscando indicar algumas perspectivas.