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A Tabela 6.1 apresenta as atividades identificadas no processo de estimativa rea- lizado nas organizações estudadas no estudo de campo (E1) e no estudo de caso (E2).

Tabela 6.1 – Atividades de Estimativa

Atividade Fonte

Realização da Estimativa E1 e E2

Comparação e Validação das Estimativas E1 e E2 Monitoramento e Calibragem da Estimativa E1 e E2 Atualização da Base Histórica e Aprendizagem E1

1. Realização da Estimativa: atividade onde a estimativa de esforço é efetivamente cal- culada, com base no tamanho do projeto e demais parâmetros que possam impactar nas horas a serem gastas. Esta atividade inclui a seleção da(s) técnicas(s) de es- timativa e o levantamento dos dados necessários para a aplicação da(s) técnica(s) empregada(s) pela organização.

2. Comparação e Validação: esta atividade é realizada por organizações onde mais de uma técnica de estimativa é aplicada. Neste momento, os valores estimados são revisados por especialistas e/ou combinados em fórmulas estatísticas, para gerar o valor de estimativa de esforço do projeto ou do módulo do projeto a ser estimado. 3. Monitoramento e Calibragem das Estimativas: consiste no acompanhamento do pro-

jeto para identificação e tratamento de desvios e/ou riscos de desvios em relação ao que foi estimado, de maneira que o projeto se mantenha dentro do planejado ou, caso seja inevitável replanejar, que isto seja feito de maneira formal.

4. Atualização da Base Histórica e Aprendizagem: todas as organizações estudadas mantêm registro dos dados históricos de estimativa e acompanhamento do projeto, embora apenas a organização D mantenha esta base de maneira estruturada e utilize este conhecimento para melhorar o processo de estimativa.

6.2 Desafios

Os desafios foram classificados de acordo com as categorias identificadas na aná- lise dos dados do estudo de campo inicial e do estudo de caso. A Tabela 6.2 apresenta a síntese dos desafios encontrados.

Em relação ao sistema legado, os desafios estão relacionados com a qualidade e complexidade do código-fonte legado (D01) (D02). Isto prejudica a realização das esti- mativas, pois quanto menor a qualidade e maior a complexidade, mais difícil a análise do código-legado para a extração dos dados necessários para a aplicação das técnicas de estimativa, além de afetar o valor das mesmas. Ademais, tem-se como desafio a falta de documentação ou a má documentação do sistema (D03)(D04), esta situação retira a van- tagem do responsável pela estimativa em ter todas as (ou a maioria das) características do sistema identificadas, sem que se tenha que realizar elicitação de requisitos ou aná- lise do sistema legado, além de elevar o esforço para realização do projeto com tarefas de engenharia reversa.

Os clientes são fatores chave para o desenvolvimento do projeto, quando eles não se envolvem ou não tem clareza da solução que almejam, tornam mais difícil para a equipe do projeto desenvolver esta solução, a começar pela realização das estimativas

Categoria ID Desafio Fonte

Sistema

D01 Qualidade do código-fonte legado E1 e E2 D02 Complexidade do código-fonte legado E1 e E2

D03 Falta de documentação E1 e E2

D04 Má qualidade da documentação E2

Cliente

D05 Cliente não participativo E2

D06 Interfere nas estimativas E2

D07 Questionamento da técnica de estimativa E1 e E2 D08 Subestimação da complexidade do projeto E1 e E2 Equipe

D09 Falta de conhecimento nas tecnologias do sistema

alvo E2

D10 Falta de conhecimento no negócio E2 D11 Falta de conhecimento nas tecnologias do sistema le-

gado E2

D12 Falta de conhecimento do sistema E2 D13 Falta de experiência na realização de estimativas E1

Projeto

D14 Escopo mal definido E2

D15 Acréscimo de muitas funcionalidades novas em rela-

ção ao sistema legado E2

D16 Falta de tempo para realizar a estimativa E1 e E2 D17 Estimar esforço para a fase de engenharia reversa E1 D18 Falta de dados para realizar a estimativa E1

D19 Tamanho do projeto E1

D20 Complexidade do projeto de Reengenharia E2 D21 Falta de ferramentas de apoio à estimativa E1 e E2 D22 Falta de similaridade entre projetos E1 D23 Fator de aceleração não disponível em tempos de

execução E2

D24 Gestão de riscos E2

Organização

D25 Processo burocrático E2

D26 Implantação/manutenção de modelo de qualidade E2 D27 Pressão de outros setores da organização E2

(D05). O cliente pode ainda desejar interferir sobre as técnicas utilizadas para derivar a esti- mativa, querendo obter detalhes de seu funcionamento, para justificar os valores estimados (D06)(D07). Também em relação à realização da estimativa, o cliente pode tentar interferir nos valores estimados, tentando diminuí-los, por achar que o projeto é mais simples (D08). Essa subestimação acontece em todos os tipos de projeto de desenvolvimento, mas em reengenharia tem o agravante de o cliente já conhecer o sistema legado e achar que o fato de ele estar sendo "somente"renovado, não acarreta em tanto esforço.

Desenvolvimento de software é uma atividade orientada à pessoas, logo, a equipe é um fator determinante para o sucesso do mesmo. Assim, problemas ou dificuldades en- frentadas na equipe podem ter grande impacto no esforço a ser gasto em um projeto. Falta de conhecimento do negócio, da tecnologia envolvidas (tanto do sistema legado quanto do

sistema alvo), ou até mesmo a falta de experiência na utilização das técnicas de estimativas empregadas, podem onerar significativamente este processo (D09) à (D13).

Em relação aos fatores do projeto de reengenharia que impactam nas estimativas, o maior problema é causado por escopo mal definido (D14) ou que sofre grandes alterações, como acréscimos de muitas funcionalidades novas em relação as existentes no sistema le- gado (D15). Este desafio é agravado pela falta de tempo para realizar as estimativas (D16), principalmente se elas forem realizadas na fase inicial do projeto, onde tenha que se estimar esforço para as atividades de análise, como a engenharia reversa (D17). Essa pressa na realização das estimativas faz com que a coleta de dados não seja feita adequadamente (o que gera a falta de dados) (D18), principalmente se o tamanho do projeto for grande (D19) e a complexidade da reengenharia a ser realizada for elevada (D20). Fatores que contor- nariam esse problema como a existência de ferramentas para realização da estimativa ou de projetos similares anteriores para basear as previsões, podem não estar disponíveis no projeto (D21)(D22). Já em tempo de acompanhamento das estimativas, os valores esti- mados podem sofrer grandes desvios se tiver sido considerado algum fator de aceleração (como uma ferramenta para automatizar a engenharia reversa) que se prove ineficiente ou não esteja disponível (D23). Finalmente, em relação ao projeto, tem-se como desafio a gestão dos riscos relacionados as estimativas. Estes riscos podem ser negligenciados em tempo de realização da estimativa com o objetivo de atender uma demanda do cliente, por exemplo (geralmente para diminuir os custos), mas podem vir a causar problemas durante o andamento do projeto, como desvios nos valores estimados (D24).

Por fim, os desafios relacionados a organização de modo geral estão ligados, prin- cipalmente, com a burocracia do processo (de reengenharia), que muitas vezes não é le- vada em consideração no momento da realização das estimativas, mas posteriormente pode vir a desencadear desvios nos valores estimados (D25). Dentre as atividades que são estimadas podem estar aquelas relacionadas a implantação ou manutenção de um modelo de qualidade, como reuniões, elaboração de documentos, dentre outras (D26). Além disso, os responsáveis pela realização da estimativa devem lidar com a pressão de outras áreas da organização, que interferem na estimativa afim de atingir objetivos de negócios, como o fechamento do contrato do projeto, por exemplo (D27).

A Figura 6.1 apresenta a consolidação dos desafios encontrados e suas relações com as categorias identificadas no estudo.