2.4. Türkçe’de Yabancılaşma ve Sebepler
2.4.1. Yabancı Dille Eğitim
O Estado liberal, obviamente, é fruto do pensamento liberal discutido nos últimos cinco séculos, que teria suas bases nas teses de John Locke, considerado o pai do liberalismo, cujo pensamento e ideias estão expressos na sua obra “Dois tratados do governo civil”, publicada no final do século XVII.
O Estado moderno repudia as bases da filosofia política liberal e pretende ser, embora sem atitudes paternalistas, “a providência do seu povo”, no sentido de assumir para si certas funções essenciais ligadas à vida e ao desenvolvimento do país e dos indivíduos que a compõem25.
Para os liberais, o Estado existe em razão do ser humano, não o ser humano em razão do Estado. A instituição Estado não é um fim, mas somente um meio para o autodesenvolvimento do ser humano.
24CAPPELLETTI, Mauro. Acesso à justiça. Tradução Elen Gracie Northfleet.Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris editor, 1988.
25CINTRA, Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do
Dessa forma, quanto menor fosse a interferência do Estado na vida dos cidadãos e maior o seu grau de liberdade, maiores e melhores seriam as condições de seu desenvolvimento.
Segundo Norberto Bobbio, o liberalismo é uma determinada concepção de Estado, segundo o qual este tem poderes e funções limitados. Assim, o estado social seria o avesso daquele estado liberal e nele o Estado, visando ao bem-estar social, teria poderes ilimitados.
A concepção privatista enxerga o processo como um vínculo de interesse das partes que devem, por isso, ter plena autonomia para atuar.
Essa visão fruto do paradigma liberal, considera o processo “coisa das partes” e o concebe de maneira individualista com foco precípuo em direitos patrimoniais, e onde o juiz deve intervir, minimamente, e não deve suprir eventuais omissões dos litigantes – que devem arcar com as consequências dela decorrentes, sob pena de ser considerado parcial.
Nesse sistema predomina o princípio dispositivo, podendo as partes dispor do processo da mesma forma que podem dispor da relação material com base na autonomia que pauta o Direito Privado: como unicamente o interesse das partes está em causa, ela tem liberdade ilimitada para dirigir o processo “como melhor lhes convier”.
O juiz tem um papel passivo face ao absoluto império da vontade das partes e dessa perspectiva é impensável que determine a realização de provas de ofício mormente quando essa atividade envolver fatos trazidos exclusivamente pelos litigantes porque tal atuação representa quebra da necessária imparcialidade já que o juiz estaria realizando atividade próprias destas26.
O liberalismo floresceu em toda a Europa no período compreendido entre os séculos XVII e XIX. Na Alemanha, a Idade de Ouro aconteceu entre o fim do século XVIII e início do século XIX e essa época ficou imortalizada na obra de Humboldt, considerada uma das mais essenciais de toda a tradição liberal27, chamada “Ideias para uma tentativa de Precisar os Limites da Ação do Estado”.
Essa obra, segundo Roberto Del Claro, é da maior importância para o processo civil brasileiro porque trata com primazia da relação entre juiz e partes, questão que toca em quase todos os pontos do Direito Processual e da teoria processual, já que o correto
26TARTUCE, Fernanda. Igualdade e vulnerabilidade no processo civil. Rio de Janeiro: Forense, 2012. p.115- 116.
27 DEL CLARO, Roberto. Direção material do processo. Tese apresentada à Faculdade de direito da USP para obtenção do título de Doutor em Direito. São Paulo: 2009. p.16.
balanceamento entre ação e inércia judicial é assunto que ainda está longe de um consenso, que, como afirma o autor, talvez nunca seja atingido.
Segundo Alessandra Mello:
Apósa 2.ª Guerra Mundial, a derrocada de regimes políticos totalitários, o enfraquecimento do positivismo jurídico, as novas reflexões acerca do Direito, de sua função social e forma de sua interpretação se fizeram necessárias. Já não se acredita que a lei ou o texto frio da Constituição garantirão, no plano da realidade, o estabelecimento de uma sociedade livre, justa e solidária”.
Segundo Fernanda Tartuce, ao verificar-se a transição do liberalismo individualista para o Estado Social de Direito, a participação do Poder público na vida social foi incrementada. Isso porque, segundo Barbosa Moreira, no plano processual isso repercutiu intensificando a atividade do juiz, cuja imagem já não podia retratar “o arquétipo do observador distante e impassível da luta entre as partes, simples fiscal incumbido de vigiar- lhes o comportamento, para assegurar a observância das regras do jogo e, no fim proclamar o vencedor28.
Essa concepção estava expressa no pensamento de Franz Klein, autor do Código de Processo civil austríaco:
O processo só pode ser racional e corresponder à concepção moderna de Estado se a proteção jurídica significa desde o início do processo a atribuição de poderes ao juiz para que este contribua para isso não só com relação ao ato de julgar. Basta, para tanto, que se canalizem as forças do juiz ao seu serviço, da mesma forma que ocorre com outras forças do Estado, do Direito, do Bem Público e da Paz Social.
Ao magistrado foram atribuídos largos poderes de condução material do processo para garantir seu desenvolvimento rápido e regular na busca da vontade material, características que vieram a influenciar outras codificações processuais em outros países.
A partir da segunda metade do século XIX a importância assumida pela Constituição, ao lado das modificações ocorridas no âmbito do Estado, farão com que o processo civil, antes fundado na ampla liberdade das partes frente ao juiz e na necessidade de mera subsunção legal no ato de decidir, passe a constituir-se em um espaço, conformado por direitos fundamentais, profícuo à participação política, no qual juiz e partes deixam de ser
28TARTUCE, Fernanda. Igualdade e vulnerabilidade no processo civil. Rio de Janeiro: Forense, 2012. p.116- 117.
antagonistas para indagar-se como seria possível realizar os valores idealizados nos textos normativos de forma que estes pudessem ser efetivamente experimentados pelas sociedades29.
É preciso, portanto, que o desenvolvimento da força normativa da Constituição dependa, como assevera Konrad Hesse30, da prática por todos que participam da vida constitucional (governantes e governados), os quais, dotados de consciência jurídica para interpretar as normas constitucionais, construirão um caminho adequado para concretizá-las diante de situações da realidade.
Em síntese, para que esses ideais se tornem realidade, é necessário um juiz que não seja passivo, mas capaz de interpretar e criar o direito, o que exige, como assevera Cappelletti, um certo grau de discricionariedade31.
Para o mestre, em um contexto de legislação com finalidade social, própria das sociedades modernas, essa discricionariedade ganha ainda mais evidência, já que a legislação social não se limita a descrever o certo e o errado ou a permitir ou proibir32·. O ideal da estrita separação dos poderes teve como consequência um Judiciário perigosamente débil e confinado, em consequência dos conflitos “privados”.
Por tais razões, conclui Cappelletti que compete aos juízes escolher entre permanecer fiéis à concepção tradicional, típica do século XIX, dos limites da função jurisdicional ou elevar-se ao nível dos outros poderes, tornar-se o terceiro gigante, capaz de controlar o legislador mastodonte e o leviatanesco administrador.
Nesse contexto, ressalta-se a necessidade de um juiz dotado de maior poderes. Alguns doutrinadores vislumbram nessa posição apenas o que convencionaram chamar de autoritarismo processual e essa polêmica, de per si, renderia um tratado.
29 SCALABRIN, Felipe. O processo civil no Estado Democrático de Direito na superação do modelo de
processo do Estado Liberal: da garantia do devido processo legal ao direito fundamental ao processo justo e democrático. Disponível em: http://www.dfj.inf.br/Arquivos/PDF_Livre/14_Dout_Nacional_7.pdf.Acesso em: 26 ago. 2013.
30HESSE, Konrad. A força normativa da Constituição. Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris Editor, 1991. p.19-20.
31 Alguns doutrinadores defendem que essa construção nada mais foi do que um viés do autoritarismo que se instalou.
32CAPPELLETTI, Mauro. Juízes legisladores? Tradução Carlos Alberto Alvaro de Oliveira. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris editor, 1999. p.23.
Para nós interessa apenas analisar a dinâmica que conduziu ao atual estágio processo moderno onde o interesse em jogo é tanto das partes como do juiz, e da sociedade em cujo nome atua33.
Nesse sentido, todos agem, visando o escopo de cumprir os desígnios máximos da pacificação social e onde “o juiz, operando pela sociedade como um todo, tem até mesmo interesse público maior na boa atuação jurisdicional e na justiça e efetividade do provimento com que se compõe o litígio”34.