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Os factores emocionais que, eventualmente, condicionam os mecanismos psicológicos da resposta sexual e que constituem o estímulo iniciador da excitação sexual e/ou erec- ção ou da manutenção das mesmas, não podem ser negligenciados (Kreuter, Sullivan & Siösteen, 1996). Porém, aparentemente, a eficácia destes factores depende, não apenas das memórias existentes, mas também da integridade das vias de condução descenden- tes (Foote, 2003).

Os estímulos erógenos podem ter uma origem periférica (visual, auditiva, olfactiva, sen- sitiva), ou encefálica, que resulta, no caso dos homens, numa erecção por activação do centro simpático torácico-lombar (T10-L2), posteriormente mantida pela actividade reflexa sagrada (S2-S4). Assim, uma erecção normal pode ser desencadeada por qual- quer dos mecanismos (reflexo ou psicogénico), havendo, no entanto, necessidade de integridade dos dois centros e das respectivas conexões neurológicas para assegurar uma erecção de qualidade para permitir uma relação sexual (Elliot, 2003).

Na sequência de uma lesão medular o distúrbio eréctil vai ser consequência directa das áreas deixadas inactivas. A destruição do centro Sagrado (S2-S4) ou das vias de condu- ção aferentes ou eferentes vai afectar a possibilidade de obter uma erecção por estimu- lação reflexa, assim como a participação deste arco reflexo numa erecção de origem psicogénica (Gomes, Vendeira & Reis, 2003; Utida et al., 2005).

No entanto, para o género masculino, a obtenção da erecção é tão necessária para permi- tir o coito como para satisfazer o Ego e perspectivar uma vida, incluindo a actividade sexual e todas as suas envolventes e consequências. Porém, a obtenção da erecção (psi- cogénica ou reflexa) pode não bastar para o coito, uma vez que é necessário manter uma rigidez suficiente e duradoura(Anderson et al., 2007). A sua qualidade está, nestes ca- sos, condicionada pelo nível e pela extensão da lesão (Lindsey, 1993; M. Alexander & C. Alexander, 2006).

De acordo com M. Alexander e C. Alexander (2006) em homens com lesões sagradas completas não estão descritas respostas erécteis à estimulação táctil e, habitualmente, a sensibilidade está ausente. Alguma tumefacção e erecção ocasional são encontradas através de estímulos psicológicos. Neste caso a resposta cerebral atinge os segmentos intactos T10-T12. A partir desses segmentos as fibras simpáticas conduzem as mensa- gens aos corpos cavernosos do pénis. A tumefacção observada é, frequentemente, de curta duração. Vestígios de fluido seminal podem aparecer na glande e a tumefacção geralmente regride. A explicação neurológica não é clara, mas como os segmentos T10- T12 e L1-L2 estão aparentemente relacionados, a interacção dos dois eventos não é sur- preendente (Courtois, Charvier, Leriche, Côté & Lemieux, 2009).

Nas mulheres com lesões sagradas completas, a habitual sensação genital não é obser- vada. A estimulação psicológica não parece ser suficiente para produzir visíveis modifi- cações na vulva ou na vagina, embora a capacidade de acomodar o pénis no acto do coito não esteja comprometida. A vagina permanece húmida mesmo sem estimulação e o tónus muscular pré-lesão é mantido (Foote, 2003). Habitualmente, não existe descri- ção de orgasmo (Sodré & Faro, 2008). Sipski, Alexander, Gomez-Marin, Grossbard e Rosen (2005) experimentaram a estimulação vibratória genital nas mulheres com lesão medular com o objectivo de testar a resposta sexual através deste método, porém não

obtiveram resultados estatisticamente significativos, quando comparados com a estimu- lação manual do clítoris.

Segundo Szasz (1991), nos homens com lesões completas acima de T11, não se verifi- ca, habitualmente, sensibilidade genital ao toque e às carícias. Porém, podem ocorrer erecções bastante satisfatórias em resposta a qualquer estímulo físico directamente na zona genital. Esta reacção é um reflexo natural, envolvendo a desinibição do arco refle- xo que liga o pénis aos segmentos intactos. Este autor prossegue dizendo que estes es- tímulos podem não estar directamente relacionados com questões de ordem sexual, por exemplo, durante a higiene podem ocorrer erecções reflexas, que podem durar de pou- cos segundos a diversos minutos. Ramos e Samsó, (2004) referem que a erecção reflexa não sofre alterações com a idade ou com o tempo decorrido pós lesão, no entanto pode ser impedida por efeitos secundários a determinada medicação, por complicações uroló- gicas e por espasmos musculares.

As mulheres com lesões completas acima de T11 também não referem sensibilidade genital. Contudo, a estimulação genital pode dar origem à tumefacção dos tecidos dos lábios e do clítoris. A lubrificação e o tónus vaginal podem ser mantidos, porém o or- gasmo não é descrito (Sodré & Faro, 2008).

Nas lesões completas entre os níveis neurológicos T12 e S1 tanto a sensibilidade geni- tal, como a capacidade de sentir orgasmo e de ejacular, não são observadas nos homens. Contudo podem experimentar uma ligeira tumefacção peniana através de estimulação psicológica e toque directo. Não existe coordenação entre estas reacções e as erecções são insatisfatórias, quer na sua consistência, quer na duração. Pode ocorrer alguma li- bertação de fluido seminal. A explicação para a ocorrência desta reacção reflexa é en- contrada na disponibilidade que os segmentos sagrados e acima de T12 possuem para originar respostas independentes (Utida et al., 2005).

Em relação às mulheres com lesões completas entre T12 e S1 verifica-se a ausência de sensibilidade na área genital, sendo que, ainda que haja estimulação psicológica, a vagi- na não sofre alterações visíveis. As observações clínicas apontam para reacções seme-

lhantes às lesões completas do segmento sagrado. Não existe descrição de orgasmo (So- dré & Faro, 2008).

Nas lesões incompletas os efeitos dos componentes psicológicos e genitais da resposta sexual estão intrinsecamente ligados com o dano das vias e estruturas celulares requeri- das. Por exemplo, nas lesões centrais a resposta sexual poderá ser íntegra. Se a lesão for uma hemissecção da medula (síndrome de Brown-Sequard), algumas respostas poderão estar intactas, enquanto outras apresentam dificuldades. Se a lesão parcial envolver a área dorsolateral ou ventrolateral, escassas manifestações sensitivas e motoras podem dar origem a uma resposta (M. Alexander & C. Alexander, 2006

Tanto homens, como mulheres com lesão medular referiram ter vivenciado sensações de orgasmo durante o sono (Comarr, Cressy & Letch, 1983; Money, Miralles & Ehrhardt, 1982). No entanto, de acordo com estes autores, ambos os sexos, com diversos níveis de lesão, referem que através de estímulos activos na área genital, experimentaram sensa- ções crescentes de prazer no baixo abdómen e na área da bexiga e na zona inguinal, seguidas de decréscimo gradual dessas sensações. Outros descrevem sensações simila- res em consequência de carícias na nuca, pescoço, ouvidos ou outras áreas que previa- mente não tinham sido exploradas.

Benzer Belgeler