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Güdük Bilimsel Mirasın Kurbanı Olarak Recep Sessiz Ev‟in cücesi olan Recep, Selahattin‟in hizmetçisinden

Szasz (1989) apresenta diversas formas na elaboração de uma análise sistematizada acerca dos sujeitos com deficiência física, de forma a avaliar as componentes sexuais envolvidas, com o objectivo de se proceceder a um plano de intervenção detalhado e individualizado. Seguidamente, apresentamos as sugestões dadas pelo autor, reunidas em duas épocas distintas (1989 e 1991), fruto das investigações que elaborou.

Avaliação da história:

O objectivo é permitir que os sujeitos e eventuais parceiros expliquem o que observam e experimentam nas diversas áreas da sexualidade e que diferenças encontram, compara- tivamente com as suas práticas prévias à ocorrência da lesão. A avaliação começa com a biografia. A idade é uma variável importante, dado que influencia em grande parte o desempenho sexual. O estado civil identifica o outro como significativo na sua vida. Outras variáveis como a educação, a ocupação, a religião e as doenças anteriores à le- são, explicam o contexto em que o sujeito vive e fornecem dados úteis ao desenho da intervenção.

O quadro seguinte (Quadro 3) pretende sistematizar a importância da colheita de infor- mações utéis ao desenho da intervenção:

Quadro 3

Significância da colheita de informação para o sucesso da intervenção, adaptado de Szasz (1991).

Tipo de informação Significância da colheita da informação

Idade A idade avançada pode ser prejudicial ao desempenho sexual Estado cívil Explica o contexto em que o sujeito vive e o comprometimento

relacional

Ocupação e educação Pode indicar o nível de capacidade do sujeito para aceder e com- preender às informações

Maternidade/paternidade Indica a fertilidade passada e a capacidade de ser mãe/pai Crenças religiosas Pode advertir acerca das expectativas ou de crenças inadequadas Níveis de humor Reflecte o estado emocional

Natureza da deficiência Fornece informações acerca do tipo e nível de lesão Medicação Pode haver influência a nível sexual

Práticas sexuais passadas As experiências satisfatórias anteriores podem ser a base para recomeçar uma nova sexualidade

Grau de energia O desejo sexual está, muitas vezes, dependente do grau de ener- gia do sujeito

Avaliação da resposta sexual:

Conhecer o nível da lesão não fornece detalhes conclusivos acerca da resposta sexual. As observações dos sujeitos são importantes veículos para entender o potencial existen- te. Os exames físicos, bem como exames complementares de diagnóstico e as experiên- cias em estimulação, são factores necessários à determinação do nível de resposta sexu- al nos lesionados medulares. As informações pretendidas centram-se na capacidade de erecção, ejaculação, orgasmo, lubrificação e sensibilidade genital (Forsythe & Hor- sewell, 2006).

Segundo Szasz (1991), a extensão da resposta peniana deve ser medida pelas descrições do sujeito, tendo como referência uma escala de 0 a 10. De 0 a 2 é considerado sem res- posta eréctil, ou seja flacidez completa. De 3 a 4 revela algum tumefação, porém per- manece flácido e flexível e a glande é capaz de tocar nos testículos. De 5 a 6 apresenta tumefação, flexível, mas a glande já não consegue tocar nos testículos. De 7 a 8 o pénis está firme, mas não completamente rígido. Por fim, de 9 a 10 apresenta uma erecção completa. É importante apurar o que precede à sua tumefacção, quanto tempo dura e o que acontece que possa causar a sua perda. Relativamente à lubrificação vaginal, esta

não deverá funcionar como um preditor de resposta sexual, dado que as lesionadas me- dulares, por razões ainda desconhecidas, mantêm intacta esta capacidade.

Avaliação do desejo sexual:

Existem diversas formas de avaliar o interesse ou desinteresse sexual. Uma das formas é questionar os sujeitos acerca do seu próprio desejo e do desejo que sente pelo parceiro. Indicadores do desejo pessoal passam por observar factores relacionados com a fre- quência da masturbação e com pensamentos e fantasias sexuais ao longo do dia. O nível de interesse manifestado pelo parceiro é investigado através do levantamento da quanti- dade de relações sexuais existentes nas duas ou três semanas prévias à avaliação, com- parando os resultados com níveis de interesse no passado (Szasz, 1989).

Avaliação das capacidades motoras:

Neste caso a avaliação prende-se com o levantamento das necessidades motoras envol- vidas na actividade sexual, porém a natureza íntima das relações sexuais usualmente opõe-se a descrições exaustivas de pormenores, como o tocar, abraçar, acariciar, beijar e introdução e retirada do pénis do canal vaginal. No entanto, outras questões podem ser abordadas, como as transferências da cadeira para a cama, o controlo dos espasmos e os preparativos higiénicos adequados à actividade. Na avaliação deve estar presente a pos- sibilidade de elaborar mentalmente as necessidades do sujeito e orientar alternativas para uma mobilidade mais eficaz (Szasz, 1989; Szasz, 1991).

Avaliação do controlo de esfíncteres:

A maior parte desta avaliação é feita durante o exame físico. Os sujeitos podem referir ansiedade perante eventuais perdas, dado que, segundo Valtonen et al. (2006), quando não existe controlo dos esfíncteres, a satisfação sexual encontra-se comprometida. Já Anderson et al. (2007) consideram que a recuperação da vida sexual é um dos factores prioritários para a qualidade de vida de um indivíduo com uma lesão medular e o con- trolo de esfíncteres não é um impedimento para reiniciar a vida sexual. Porém, Oh, Shin, Paik, Yoo e Ku (2006) apresentam uma elevada incidência de depressão major em indivíduos com bexiga neurogénica secundária à lesão medular.

Avaliação da capacidade fértil:

Questionar acerca da intenção real de serem pais não tem como pretensão dissuadir o casal do seu desejo, mas sim clarificar sentimentos e propósitos, elucidar e orientar. Durante a avaliação o casal deve ser convidado a visualizar-se durante a gravidez, o parto, o período pós-natal e os primeiros anos de educação do filho (Szasz, 1989; Szasz, 1991). Outras questões de ordem biofisiológica devem ser avaliadas de acordo com as características da lesão medular.

Avaliação do comportamento sexual:

Neste caso especifico a avaliação do comportamento sexual refere-se mais à forma co- mo o sujeito se envolve e se mantém nos relacionamentos e apenas inclui o acto sexual como um detalhe desse comportamento. Dado que a habilidade de seduzir é estabeleci- da durante o período da adolescência e solidificada com o passar dos anos, o passado do sujeito pode ser relevante para a avaliação. Contudo, a inexperiência pode conduzir à intimidação perante o início de um novo relacionamento.

Avaliação da auto-imagem sexual:

Maior (1988) e Szasz (1991) referem que as duas maiores áreas de interesse para a ava- liação da auto-imagem sexual são: a) a própria avaliação que o sujeito faz das suas ca- pacidades e competências nas diferentes áreas sexuais anteriormente abordadas e b) que crenças determinam o significado de perdas e ganhos na sua sexualidade, ou seja, quão significativa poderá ser a impossibilidade do coito, ou quão significativo poderá ser o aumento do seu envolvimento em dar prazer ao parceiro.

No quadro seguinte (Quadro 4) encontram-se, resumidamente, as áreas que, de acordo com Maior (1988) e Szasz (1991), devem ser passíveis de serem avaliadas:

Quadro 4

Áreas da função sexual e problemas relacionados, adaptado de Maior (1988) e Szasz (1991).

Área Função expectável Problema

Resposta sexual Sensação genital Alterada; ausente Homens:

Área Função expectável Problema

Orgasmo percebido Retardado; reduzido; ausente Mulheres:

Lubrificação Diminuída; ausente Acomodação vaginal Reduzida; dolorosa

Orgasmo percebido Retardado; reduzido; ausente

Fertilidade Homens:

Ejaculação Retrógrada; ausente

Motilidade de espermatozóides Número reduzido; ausente Mulheres: Aspectos físicos da gravidez Funções motoras Abraçar, agarrar e outros actos sexu-

ais

Dificuldade ou incapacidade de lidar com actos sexuais que envolvam movimentos motores Esfíncteres Controlo de esfíncteres durante o

acto sexual

Incontinência; emissão de ga- zes; odores desagradáveis Relacionamentos Encontrar parceiro; manter o parceiro Socialização inadequada; sedu-

ção inadequada

Comportamento sexual Comportamento inadequado ou inapropriado

Auto percepção sexual Percepção de si como atraente sexu- almente

Ansiedade com o desempenho Interesse sexual Desejo e motivação para experiências

sexuais

Reduzido; ausente

Cerca de duas décadas mais tarde, o Consortium for Spinal Cord Medicine (2010) re- comenda que seja colhida uma história exaustiva, bem como uma avaliação detalhada da vida sexual dos indivíduos com lesão medular, o mais cedo possível, durante o pro- cesso de reabilitação.

Benzer Belgeler