Lógica do pensamento antes do programa Cooperar
De modo geral, os empresários, antes de sua participação no programa Cooperar para Competir, apresentavam uma determinada lógica de pensamento segundo a qual eles pensavam e agiam nas situações que os cercavam. A despeito das particularidades de cada empresário, determinadas por suas vivências pessoais, todos eles tinham uma lógica voltada para a obtenção de resultados e solução de problemas de curto prazo. Isto fica explícito nas falas dos S7 e S1:
“... porque você fica mais focado às vezes, em resultado.” (S7)
22 O Dr. Lair Ribeiro é médico cardiologista, radicado nos Estados Unidos por 17 anos, que desenvolveu o
Sintonia I, um programa prático, cuja finalidade é a harmonização e a integração da pessoa com os seus aspectos físico, mental, emocional e espiritual, para potencializar ao máximo e melhorar o desenvolvimento de suas relações pessoais e profissionais. Informações retiradas do website <www.lairribeiro.com.br>. Acesso em 26 de fevereiro, 2011.
“Em março de 2004 éramos nós e o mercado e o vento pela frente. Um bocado de dívida pra ser paga, um... eu com a minha família, ele com a família dele, tínhamos que alimentar; e mais os nossos funcionários e o custo da empresa e tudo o mais. Mas enfrentamos, num... 2004, nós vendemos aí... iniciamos em março, um média de 100 pares de sapatos pro dia, nós vendemos, produzimos e faturamos.” (S1)
O S5 fala dessa lógica comum a todos nos seguintes termos:
“... quando a gente estuda, faz parte duma classe, a gente sempre tem os projetos eh… feito assim de forma cartesiana...”
Observamos que alguns empresários, por terem se graduado em um curso das ciências exatas, davam uma grande ênfase para a obtenção de resultados. Supomos que isto se deve, na maioria das vezes, ao lidarem com questões tanto profissionais, como pessoais, ao fato de desenvolverem um raciocínio coerente e objetivo a partir dos elementos apresentados por uma dada situação. Esta coerência de raciocínio pode ser identificada em diferentes formas de manifestação: através da linearidade narrativa, do encadeamento lógico dos eventos ou através da capacidade do sujeito de articular eventos e fatos.
Também se identificou casos em que a lógica do empresário era pautada por um saber prático e não teórico. Na fala do S3, esta lógica pode ser entendida pela relação que ele faz entre a atividade de trabalhar e a de estudar:
“... acho que a minha busca de arrumar um emprego, a trabalhar, até porque eu gostava de fazer algo, sempre fui uma pessoa ativa, né, eu considero, é… fez eu distanciar dos estudos...”
Assim, devido a essa lógica, esses empresários, antes de participarem do programa, estabeleciam um compromisso maior com suas empresas, seus negócios, do que com uma atividade destinada ao aprendizado e desenvolvimento teóricos.
Havia ainda empresários que, apesar de pensarem dentro de uma lógica voltada para o resultado, buscavam resultados que também abrangiam o aspecto social e não só o profissional e pessoal. Um desses casos é o do empresário que entende a questão do servir, de ajudar o próximo como uma ação que gera resultados para a sociedade. Tal lógica é explicitada na fala do S5 em:
“Eu acho também que é muito gostoso servir. Eu tenho, acho, isso em mim e gosto de tratar com as pessoas, e gosto de ver pessoas servindo, né? Eu acho eu isso acaba motivando a sociedade que a gente vive.”
Os empresários vinculados ao APL calçadista de Birigui, ao serem convidados a participar do Programa Cooperar para Competir ministrado pelos professores Marcio e Brandão da EAESP - Fundação Getulio Vargas, reagiram de maneiras diversas ao convite. Variava da estranheza para a curiosidade ou interesse dependendo do ângulo em que era visto. Ao vincular o convite com o fato de ser mais um treinamento oferecido pelo APL, segundo o S1, sua reação teria sido:
“‘É uma atividade do APL, então temos que participar, temos que ir lá’.”
Ao serem feitas considerações a respeito dos professores da EAESP - Fundação Getulio Vargas, havia uma demonstração de respeito, de interesse, mas, principalmente de expectativa em relação a como seria esse treinamento. Por parte de alguns empresários, a expectativa era a de que o Marcio e o Brandão exerceriam a função de fontes de ensinamento empresarial. Esta expectativa pode ser percebida no que o S1 teria falado em suas considerações a respeito dos professores:
“‘Pô, é um cara da Fundação Getulio Vargas, esse cara deve saber bastante. Esse nego vem ensinar a gente bastante coisa’.”
Outros empresários consideraram como uma oportunidade para ter contato com pessoas detentoras de um conhecimento ao mesmo tempo prático e teórico sobre o meio empresarial. No entanto, apesar de esta ser a expectativa deles, fica claro pela fala do S4 que eles teriam de participar para saberem como seria:
“Quando eu soube que o Marcio e o Brandão estavam ministrando essa… esse encontro de troca de inteligência, eu sempre procurando uma inteligência, né, eu, sempre procurando uma inteligência para ser mais fácil, né, o Business Intelligence, alguma coisa assim, eu falei: ‘eu vou lá participar para ver como é que é’.”
O próprio nome do programa, Cooperar para Competir, impactou os empresários de Birigui. Percebia-se que para eles era estranho falar de cooperação e de competição como idéias complementares e a questão imediata que surgia, segundo o S1, era:
“‘Cooperar pra Competir...? Do que que esses caras vão falar?’”
Passado o impacto inicial, a novidade desta associação de idéias, além de ser levada em consideração, era sentida ao mesmo tempo como prazerosa e preocupante. O prazer estaria relacionado à perspectiva que eles, empresários da indústria calçadista, pudessem cooperar entre si; enquanto que a preocupação estaria associada à intensa competição nessa indústria e a impossibilidade do surgimento de uma cooperação entre empresários e empresas. Estas considerações são explicitadas nas seguintes palavras do S1:
“... eu acho no início, para mim, quando fui informado de que iríamos ter uma parte do do do projeto que iria se chamar Cooperar para Competir já foi um pouco novidade. Eu recebi a notícia com prazer e com preocupação. Com prazer porque eu acho que esse é um caminho muito bom. Eu sempre acreditei nisso, desde muito tempo. Ééé, mas
preocupado, porque é a vivência que eu tinha na comunidade me mostrava que nós temos uma cultura ainda fechada.”
Os empresários foram impactados não somente pelo convite e pelas informações que este continha, mas também pelos primeiros encontros do Cooperar para Competir. Nestes, os participantes começaram a entender como seria o treinamento, qual seria sua lógica. Assim, a primeira percepção que eles tiveram foi a de que os professores Marcio e o Brandão não estavam ali com o intuito de falar ou ensinar, mas sim de conduzir. Eram eles, empresários, quem deveriam falar, e o “aprendizado” de cada um seria determinado pela sua capacidade de perceber a importância do que era falado e discutido.
Pôde-se observar que essa percepção aumentava à medida que os participantes relacionavam o que eles vivenciavam nos encontros com o seu dia-a-dia. Em um primeiro momento, tal relação era feita através da percepção da utilidade prática para as experiências que tinham ali, principalmente no que se referia às suas empresas. Em um segundo momento, a vivência no programa passava a ser relacionada com o lado pessoal; e, segundo os empresários, isso acontecia pelo fato do professor Brandão não considerá- los somente como empresa, mas também como indivíduos integrantes desta. Esta forma do professor Brandão se relacionar com eles está presente na fala do S9:
“Além de ser empresa, o que eu sou, a minha particularidade. Eu colocar para fora os meus anseios, né, e fazer parte de um, vamos dizer, uma organização, mas eu sou particularidade também, né, dentro de toda a organização.”
Neste momento, quando eles começaram a fazer essas relações e ao mesmo tempo, passaram a se envolver mais com o que era proposto no Cooperar para Competir, notou-se que outros participantes foram negativamente impactados com a questão dos dias e horários em que os encontros eram realizados. As queixas era várias, como o fato de a empresa deles ainda ser muito pequenas e eles terem de fazer tudo nela, não restando tempo para os encontros, o problema da carga horária ser muito extensa, até os encontros serem realizados nos fins de semana. Em vista deste impacto negativo, alguns participantes abandonaram o programa; contudo, apesar da pouca participação deles, percebe-se através da seguinte fala do S6 que os empresários que abandonaram presenciaram as relações construídas pelos demais participantes que permaneceram. “Mas a parte que eu mais participei na época do início, foi a parte dos planejamentos que a gente não planejava como planejou, até várias pessoas comentaram que se tivesse feito isso há 20-30 anos atrás hoje seria uma outra realidade de vida e da própria empresa deles”
Aqueles que continuaram participando dos encontros passaram a perceber que os encontros possibilitavam não somente que eles agregassem novos conhecimentos às suas vivências profissionais e pessoais, mas também um espaço onde eles podiam, segundo um dos participantes, fortalecer suas redes de contatos através da proximidade que os encontros proporcionavam com empresários que eles, ou não conheciam, ou conheciam, mas tinham um relacionamento superficial. Isto, associado aos debates que os professores suscitavam no grupo participante, como os debates relacionados ao diferencial dos produtos deles, fazia com que os empresários refletissem e trocassem informações entre
eles a fim de chegarem a um consenso sobre a questão debatida. Ou seja, eles percebiam que podiam dividir, compartilhar. Esse processo é assim relatado pelo S3 e complementado pelo S1:
“Então, vai começando a dar um alinhamento, porque...vai refletindo sobre aquilo. Às vezes a experiência de um, o erro de outro, o acerto, isso daí foi levando acho que com bastante propriedade.” (S3)
“Nós podemos dividir. O mercado é assim.” (S1)
Essa troca, segundo as seguintes palavras do S1, o debate também contribuía para o crescimento deles.
“Então... agora, se eu tiver oportunidade de trocar idéias com... sobre o que eu estou vendo com alguém que não está vendo pela primeira vez, que é o caso, né, que já viu algumas vezes e que já viveu então o meu crescimento vai ser muito maior.”
A profundidade das discussões que tal processo possibilitou e os resultados que juntos eles passaram a produzir surpreendeu os participantes. Com isso, não só o envolvimento deles aumentou, mas também aumentou o comprometimento com o Cooperar para Competir. Este impacto do programa fica evidente pelo relato a seguir, feito pelo S4:
“E esses encontros para mim começou… começaram a ser muito importantes e eu comecei a abrir mão de uma série de coisas. Até no último…, no penúltimo encontro que nós tivemos, eu tinha uma viagem marcada aos Estados Unidos. E no primeiro dia eu falei, “oh, gente, eu vou participar só hoje, tal…”. Mas a coisa me envolveu tanto… que eu tinha que ir no outro dia a São Paulo, eu fui… eu terminei o treinamento, fui até Rio Preto, dormi lá em Rio Preto, acordei de madrugada, peguei o avião, fui a São Paulo, daí fui para os Estados Unidos, né… tamanho o envolvimento que eu estava ahn… em cima do que se falava nesses grupos.”
Lógica do pensamento após o programa Cooperar
Os empresários, em seus relatos, referem-se a uma mudança de forma de pensar associada à exposição que eles faziam de si mesmos nos encontros. Depois do impacto inicial ocasionado pelo programa, e, mais especificamente, pelo professor Brandão, os empresários passaram a participar mais ativamente nos encontros, trocando idéias, defendendo opiniões, enfim, se expondo. A partir desta dinâmica, os participantes começaram a notar a relação entre mudança de pensamento e exposição:
“... interessante, enquanto você fica mais extrovertido você passa a ser mais introspectivo, porque você passa a pensar mais até as coisas que você vai falar.” (S1)
Assim, percebeu-se que era necessário se abrir, se expor, confiar no outro e que somente desta forma era possível uma nova introspecção, e que nessa introspecção vão ocorrer as mudanças na forma de pensar e de entender as situações. Isso posto, entende-se porque, após a participação no programa Cooperar para Competir, a lógica segundo a qual os empresários pensavam suas vidas nos âmbitos pessoal, profissional e social, alterou-se.
Uma das principais mudanças identificadas foi quanto à lógica de pensamento voltada à obtenção de resultados, a qual caracterizava todos os empresários participantes do Programa. Com os encontros e as discussões realizadas, os empresários, em um primeiro momento, perceberam a importância do papel desempenhado pelos funcionários de sua empresa, e que, sem a colaboração deles (os funcionários), não haveria empresa. Assim, não era suficiente que os empresários mudassem sua forma de pensar com o Cooperar para Competir, também era preciso que seus funcionários entendessem, avaliassem e acompanhassem essa mudança.
Posteriormente, veio o entendimento sobre as conexões entre os departamentos de suas empresas, e como estes eram intimamente interligados e interdependentes. A seguir foram estabelecidos elos entre a indústria calçadista e as demais instituições locais, como o SESI de Birigui; e, simultaneamente, a consciência de sua função social em uma cidade dependente da atividade por eles exercida. Em síntese, os empresários que continuaram no programa até o fim passaram a pensar sistemicamente a realidade que os rodeava. As falas de dois entrevistados são exemplares nesse sentido:
“Tudo acaba sendo interligado.” (S7)
“Tanta coisa que a gente tem que entender para fazer um par de sapato... tem que entender pessoa, tem que entender de sentimentos, tem que entender de maquinário, você tem que entender de processos, você tem que entender de produtividade, você tem que entender de rendimento. Você... Porque é uma indústria, não tem como, isso tudo faz parte, né?” (S3)
Outra mudança de lógica observada foi relacionada ao pensamento de curto prazo. Durante o programa, os participantes foram se conscientizando das conseqüências negativas de se pensar sempre no curto prazo e dos benefícios de se pensar a médio e longo prazo. Segundo o relato deles, a vivência no Cooperar para Competir os ajudaram na prática do pensamento a médio e longo prazo. O S1 descreve essa prática:
“Vamos retomar, vamos, vamos ver se eu tô indo no caminho, eh, eh que a gente está querendo ir. Ou se as nossas atividades tão efetivamente voltadas pra essa direção. As minhas atividades, o meu, meu posicionamento está me levando, né, pra essa posição? E isso veio das atividades do Cooperar pra Competir.”
Identificou-se também uma mudança de relação com a questão do estudo naqueles empresários cuja lógica era pautada por um saber prático. Antes do programa, somente a atividade do trabalho tinha sentido e importância. No entanto, os debates realizados nos encontros possibilitaram a reflexão aprofundada sobre os negócios. Assim, os empresários passaram a entender que suas empresas não eram somente prédios,
máquinas, matéria-prima e trabalhadores; e que, para que elas pudessem se desenvolver, eles deveriam buscar também um saber teórico. Dentro dessa construção, desse entendimento, a atividade de estudar passou a fazer sentido e ter importância. Nas palavras do S3:
“A partir do momento que eu tive a empresa, né, como eu tinha a empresa, o principal é que eu tinha que me capacitar. Então, aí veio a intenção… de buscar conhecimento, de estudar, para dizer, aquilo que eu não… não fazia é porque não tinha um sentido. A partir dum ponto que eu gostei daquilo, começou a ter sentido eu estudar também.”
Ainda se observou uma mudança de lógica de pensamento que implicou em uma mudança de postura, de “atitude” em relação às situações da vidas. Tal mudança foi relacionada ao comportamento reativo que os empresários apresentavam antes do programa, ou seja, frente a um problema, eles apenas reagiam, tomando medidas para solucioná-lo, ao invés de tentar ativamente entender a causa desse problema, para então pensar na melhor solução, ou seja, ser proativo. Em função dessa mudança de lógica oriunda do programa, o S4 deixa clara a importância de ser proativo:
“[...] Brandão, quanto o Márcio, eles deixaram bem claro para quem soube interpretar, certo, que você não pode ser uma pessoa reativa. Porque se você reagir a tudo que vai acontecer na sua vida, você… você não vai estar no centro, você não vai estar no comando do que você vai estar fazendo.”
Razões da desistência do Cooperar
O programa Cooperar para Competir era destinado somente aos micro e pequenos empresários do setor calçadista, de forma que era necessário que os participantes tivessem uma postura de empresários durante o programa. No entanto, o que se observou foi que nem todos os participantes adotavam tal postura e que essa foi uma das razões para que alguns empresários desistissem do Cooperar para Competir. Essa razão verificou-se principalmente naqueles que desistiram do programa ainda no início.
O fato de alguns empresários considerarem o Cooperar para Competir como uma aula, com matérias a serem ensinada e os professores Marcio e o Brandão como professores e não facilitadores, caracteriza uma postura incompatível com a proposta do programa. Neste contexto, alguns empresários adotavam a postura de um estudante em sala de aula, que estaria sempre sendo testado e com receio de uma reprovação. O seguinte trecho da fala S8 é significativa:
“De um modo geral, bem grosso modo, eu gostei do curso, o professor é muito bom, a didática é muito boa, ele chama o pessoal para a aula, assim, em termos de... Você não consegue ficar disperso. Ele fala dum jeito assim que você está sempre ligado no curso dele. Agora, com relação à matéria assim, não está... não me vem nada na cabeça...”
Outra razão que levou alguns empresários à desistência do programa foi o fato de eles só serem capazes de pensar suas vidas e seus negócios dentro de um prazo extremamente curto. Todos os empresários iniciaram o programa como uma lógica de pensar o curto prazo, no entanto, percebeu-se que, ao passo que alguns conseguiam ter uma breve perspectiva de futuro, outros ficavam limitados às circunstâncias presentes e imediatas. Um exemplo dessa limitação é a fala do S6:
“A minha empresa ela vive o dia a dia e a minha vida vive o dia a dia.”
A partir disso, pode-se notar que a questão do horário e dias da semana em que o programa era realizado, a extensão da carga horária e o fato desses empresários alegarem terem pequenas empresas, nas quais são os responsáveis por tudo, decorrem dessa lógica voltada às situações presentes. Dessa forma, os empresários teriam desistido do Cooperar para Competir porque a participação deles naqueles horários e dias, e durante aquele período de tempo, os impossibilitaria de estarem em suas empresas resolvendo os problemas imediatos. Isto é claro nos seguintes trechos da fala do S6:
“... a dificuldade maior seria essa carga horária, foi meio complicado para mim mesmo. É... Como eu falei, você, na empresa, eu praticamente faço tudo ali, né, então chegava nesse horário para mim era difícil... Pegava a semana inteira, tinha que ir no sábado, normalmente no sábado a fábrica trabalha.”
“Então, muitos sábados eu não consegui ir, porque eu tinha que trabalhar, eu teria que estar na empresa, né? Porque a minha parte é a parte produtiva, né? Eu tomo conta da parte produtiva da fábrica. Então, teve essa dificuldade.”
Observou-se nas falas do S6 e do S9 a ênfase que era dada à questão de os encontros serem realizados nos fins de semana e como isso foi crucial para a desistência deles:
“Sábado para mim é super complicado. Eu, não tem um sábado que eu não trabalho. Minha empresa... sábado que não vai trabalhar seria agora, nessa fase mais difícil, dos picos do calçado. Mas a fase de produtividade mesmo, que é de agosto até dezembro, para mim, de sábado é impossível, eu praticamente vou todo sábado para trabalhar na empresa. Até o pessoal fala... mas você pode... minha fábrica é pequena, eu não tenho gerente, não tenho nada, eu toco minha fábrica, eu tenho que pôr minha fábrica para