4. METODOLOJİ VE ANALİZLER 1 Örneklem Alma
4.3. Model Tahminlemes
Experiências anteriores de cooperação e seus limites
A realização das entrevistas revelou que alguns participantes já haviam tido experiências e cooperação anteriores ao Cooperar para Competir. No geral, as experiências tiveram dois pontos em comum – a cooperação tinha o objetivo de realizar a compra conjunta de materiais, e a tentativa de cooperação fracassou.
Em um das experiências, a idéia era estabelecer uma cooperação para a compra de materiais entre as empresas de um mesmo grupo. Assim, por tratar-se de um mesmo dono, a idéia inicial era que seria fácil e simples realizar conjuntamente a compra de materiais para essas empresas. No entanto, segundo o S1, o que se verificou foi uma situação diferente:
“Foram dois anos pelo menos de briga, de discussões, de tal, e tinha coisas que uma planta falava assim: ‘Não, esse item eu vou comprar aqui, eu não vou mandar para aqueles caras lá’”.
Em outra experiência, um grupo de empresários, sem a intermediação de uma instituição, reuniu-se com o propósito de tentar começar uma cooperativa de compra de
materiais. Neste grupo a cooperação também não vingou, e não se chegou a fazer nenhuma compra conjunta. Nas palavras do S2:
“Se reuniram por muito tempo, discutiram, fez o papel, mas não foi posto em prática.” Em suma, essas experiências anteriores de cooperação, relatadas por alguns participantes, apresentaram limites que não foram transpostos, seja em virtude de suas condições, da forma como foram pensadas ou até mesmo estruturadas. Na experiência de S1, o limite fica mais claro por ter se tratado da falta de cooperação dentro do mesmo grupo de empresa:
“Tinha discussões do tipo... ‘Pô, segredo, o cara....’ .Pô! Mas é segredo técnico entre empresas do mesmo grupo, é absurdo!“
No caso da cooperativa de compra, as barreiras não transpostas foram de outra ordem e pode-se ter uma idéia de natureza na seguinte fala do S2:
“Porque começou assim: talvez na parte.... eh... eh... de... ah, tem que alugar um prédio, aí ia ficar mais caro não sei para quem, ia ter que rachar, não era todo mundo que ia rachar, aí começou aquela... como que ia fazer para... quem ia comprar os materiais, depois como que ia receber de alguém, talvez se a pessoa desse problema... então, parece, começou sem confiabilidade e sem um plano diretor.”
Considerando-se todos os elementos dessas experiências, outras duas similaridades, além das que foram acima mencionadas, podem ser identificadas. Uma das semelhanças está relacionada ao fator comum dos limites das tentativas de cooperação e conseqüentes fracassos. Tal fator é a não existência de vínculos de confiança anteriores às tentativas de cooperação entre os indivíduos envolvidos. A outra semelhança são os impactos que a vivência de tais experiências tiveram nos participantes. Eles, dadas suas experiências prévias com tentativas de cooperação, já vinham com certo conceito sobre cooperação e como era cooperar. Na fala do S1, esse impacto é assim relatado:
“Eu nunca desestimulei ninguém, mas eu já trazia uma experiência do grupo Klabin, que mostrava que esse negócio de falar assim: “Vamos comprar juntos”, não é tão fácil.”
Formação religiosa e política
As experiências religiosa e política de alguns entrevistados são determinantes na sua formação, permeando não só o âmbito social e pessoal de suas vidas, mas também o profissional. O que se verificou foi que essas experiências impactavam diretamente na forma desses participantes conduzirem e até criarem suas empresas.
Em um caso específico, a escolha política estava associada ao fato do participante já ter sido funcionário antes de se tornar empresário. Essa associação é explicitada pela seguinte fala do S2:
“Petista... pelo fato... de ser assim: estar sempre buscando a revolução, sempre buscando melhorias, sempre combate desde o início, que eu era funcionário. Aí, depois, virei empresário...”
Em função disso, a criação da empresa desse participante ocorreu nos moldes de sua posição política, de busca de melhorias e combate ao padrão vigente – ele e outros onze petistas, em sua maioria ex-funcionários, criaram uma empresa comunitária, cooperativa; em que a idéia inicial era não haver funcionários, apenas associados. Posteriormente tal sociedade foi sendo desfeita, perdendo sua identidade original, do mesmo modo que o Partido dos Trabalhadores também foi mudando, sofrendo alterações em sua essência. Assim, percebe-se um paralelo entre a trajetória política e profissional desse empresário; e, mesmo após as mudanças apontadas, o paralelo continua existindo, uma vez que se percebe ainda uma identificação dos objetivos profissionais com a proposta política. Tal identificação foi assim descrita na fala do S2:
“Eu acho que hoje, pelo PT ser democrático, eu acho que veio... passar a régua nisso tudo. Porque tem um lado petista que ainda... que tem alguém que é meio... Mas todo segmento tem os que é mais travado, mais fechado e tem... quer dizer, como o PT hoje, a ponta dele, o que define, é a democracia. Então, veio para ver, sim, que tem espaço para tudo, desde que seja... tenha coerência, tenha entendimento, tenha... cumpra seus deveres, então tudo, tem... tem espaço para tudo, no mesmo... todos os segmentos no mesmo lugar. A gente vê que tem espaço. Dentro das suas normas.”
O que se verifica é uma busca pela inserção profissional do participante na realidade empresarial calçadista de Birigui pautada pelos princípios democráticos que S2 acredita reger o seu partido político.
Ainda considerando este caso particular, a criação da empresa por doze indivíduos tem também uma conotação de cunho religioso. A analogia está nos doze apóstolos de Jesus que tinham a missão de pregar a palavra divina. Esta relação é feita pelo S2 na fala: “E esses 12... veio também devido... a gente era do grupo de jovens e a gente fazia muitos estudos bíblicos, essas coisas de 12 apóstolos, não sei o que, que eles conviviam juntos... E devido a isso a gente... resolveu juntar esses 12, que eram os 12 colegas, 12 do grupo de jovens, 12 amigos até de escola e falamos: ‘vamos montar uma coisa’.”
Experiência política e religiosa foi vivenciada de forma similar por dois entrevistados, sendo que um deles participa ativamente das atividades religiosas. Isso enfatiza a importância desses aspectos na visão de mundo e de negócio dos sujeitos, como fica evidente em:
“Ter religião é fundamental, né, independente de qual seja, tem que ter, você tem que acreditar que alguma coisa, senão você não tem objetivo nenhum, não tem em que se
apoiar. Então... acho que a religião é fundamental. Independente até de... do profissional. Eu acho que primeiro a religião ajuda muito.”
Em outro caso, a forma do participante pensar a sua relação com outro, dentro e fora da empresa, foi profundamente influenciada pela experiência religiosa que este teve. A duas principais questões que impactaram a forma de pensar desse entrevistado foram a do servir e a do amor ao próximo. Em relação à questão do servir, o entrevistado apresenta não só reflexões sobre a importância de servir ao outro, mas também sobre os limites que tal serviço deve ter e as conseqüências de sua infração. Segue trechos dessas reflexões do S5:
“...eu aprendi que eu nunca devo servir de forma que a pessoa só precise receber: o que que eu quero dizer? Muitas vezes a gente faz algo por alguém além daquilo que nós devemos fazer. Entendeu? Então, eu tenho esse cuidado. De um serviço que não seja algo além do que a pessoa precise receber para que ela mesma possa ter um auto- estímulo para continuar.”
“É um serviço sempre de... poder prestar um serviço que estimule as pessoas a continuar, a melhorar, a de repente, se sentirem dispostas a servir também porque viu que aquele serviço proporcionou algo de bom para a pessoa. Então, ela pode proporcionar algo de bom para a vida do outro também. Então, eu tenho o serviço sempre nesse âmbito [...]”
Em relação à questão do amor ao próximo, percebe-se a interpretação que o participante faz do segundo mandamento bíblico – “Amar ao próximo como a si mesmo”. Para ele, o próximo deve ser amado exatamente na mesma proporção em que o sujeito ama a si próprio, e nunca para além dessa proporção. Com isso, fica evidente que não só a questão do servir tem limite, como também a do amor ao próximo. O fato de se estabelecer limites ser tão importante para o entrevistado fica claro em:
“... a experiência de tentar fazer o bem a qualquer custo e ver que as pessoas não saíram do lugar e muitas vezes retrocederam.” (S5)
Esta lógica de pensamento e ação estruturada a partir de uma experiência religiosa, como já mencionado, permeia todos os âmbitos da vida do sujeito. Profissionalmente, o impacto disso foi:
“... na empresa, de repente oferecendo uma condição para além daquela que os nossos colaboradores deveriam receber. Então, muitas vezes você cria um estado de exceção dentro da empresa. Esse estado de exceção nunca traz benefícios porque você criou algo além do que a pessoa tinha suporte para receber. Foi ruim. Normalmente você vai perder esse funcionário, normalmente ele vai te trazer outros problemas, transtornos”
Outro ponto interessante que se observa é que, devida à experiência que o entrevistado teve, ele entende os empresários como indivíduos que, por terem condições, devem ajudar àqueles que necessitam de apoio, suporte; e isto inclui tanto seus
funcionários, e outras pessoas da comunidade, como outros empresários, mesmo estes sendo seus concorrentes.
Apesar das especificidades de cada caso em relação aos impactos que a experiência política e religiosa produziu nos participantes, há um ponto convergente das reflexões que tais experiências proporcionaram – a questão da liberdade. A seguinte fala do S2 explicita como ele pôde pensar a questão da liberdade.
“... independente de hoje, de repente, é PT. Hoje... não. Tipo Lula. É outro caminho que ele vai? Ele levou o PT a chegar nisso daí, ser... ter coerência, ter uma... liberdade de expressão... liberdade de... abriu caminhos...”
O S5 segue por outro caminho para pensar essa questão, o qual é descrito pelos trechos que se seguem.
“Eu sou cristão, mas eu não gosto de religião.”
“Eu… eu gosto do cristianismo à medida que a gente tenha liberdade.”
“Então, eu creio nesse cristianismo, onde você tenha a bíblia como manual, e você não dependa da interpretação alheia para que você viva aqueles conceitos...”
“Então, eu faço parte de uma comunidade local, ... mas a igreja tem essa visão contemporânea, entendeu, de bem-estar e de levar as pessoas a refletirem ; mas não impor dogmas.”
Problemas de saúde
Observou-se que alguns participantes apresentaram problemas de saúde durante a sua trajetória. Os entrevistados que passaram por esse tipo de experiência, que vivenciaram a angústia da identificação de um problema de saúde, que lidaram com os impactos e conseqüências de um tratamento, que eventualmente tiveram de fazer alterações de antigos hábitos, percebem que mudaram a sua forma de pensar.
Um desses entrevistados era fumante e havia começado a apresentar uma constante falta de ar. Precisamente no dia em que ele resolve procurar um médico para falar sobre o problema, foi diagnosticado no momento da consulta que ele estava tendo um infarto. Ele foi informado que tinha um problema denominado angina instável, nesse caso caracterizado por um leve entupimento não constante das artérias. Ao perguntar ao médico sobre as conseqüências de essa angina ser estável, a resposta que recebeu foi: “‘Aí o senhor reza, porque aí morre’.” (S1)
No mesmo dia, ele foi mandado para a UTI onde ficou internado por aproximadamente três dias. No quarto dia, foi feito um cateterismo, e, no quinto, o sujeito
foi informado da necessidade de uma cirurgia para colocar três pontes de safena, uma vez que o stend seria suficiente, visto que o caso dele era já grave e não inicial. Em virtude de toda essa situação, o entrevistado teve que modificar alguns hábitos como parar de fumar. Em relação aos hábitos alimentares não houve muitas modificações; ao passo que, em relação às caminhadas que lhe foram prescritas, ele teve mais dificuldade para fazer.
Outro caso, também de problema físico, foi o de um participante que, durante um momento de crise pessoal, quando desfizera um relacionamento de dez anos e refletia sobre sua vida e suas possibilidades, teve o seu tendão de Aquiles rompido. Foi necessária uma cirurgia e, após a realização desta, o entrevistado teve uma infecção hospitalar e foi transferido para o hospital de uma cidade vizinha maior. Nesta, seu tendão necrosou e houve a necessidade do implante de uma prótese. O sujeito ficou noventa dias de cama após a cirurgia e, durante o período pós-cirúrgico, ele enfrentou diversas dificuldades. É importante ressaltar que durante este tempo em que esteve de cama no hospital, ele ouviu falar, pela primeira vez, do Dr. Lair Ribeiro22.
“Nesses 90 dias de cama eu comecei a assistir muita televisão à tarde e eu conheci uma pessoa na televisão que tinha acabado de chegar no Brasil, que é um médico brasileiro que foi para os Estados Unidos, né, trabalhou e se formou em Harvard e voltou ahn… com uma ciência, ou uma técnica, ou uma maneira de… de explicar que a gente é, como a gente é, através da neurolinguística, né, que tudo que você conseguiria e tal… que foi o Dr. Lair Ribeiro.” (S4)