2. GENEL BĠLGĠLER
2.1. YaĢlanma ve Fizyolojik DeğiĢiklikler
2.1.2. YaĢlı Bireylerde OluĢan Farmakokinetik DeğiĢiklikler
Foram constantes nas páginas deste jornal, notícias cujo foco eram “casos de discriminações raciais”, cometidos individualmente. O jornal acompanhou, deu repercussão, de modo a selecionar vozes da militância negra, intelectuais, para se posicionarem diante dos acontecimentos tornados notícias pela FSP. Assim, dialogava com setores da militância negra, investia na projeção da imagem de “jornal democrático” e lançava suas perspectivas e projetos de inserção global ao Brasil, particularmente, com o continente africano.
A perspectiva trazida por este conjunto de notícias era de que, tais casos, sempre “individuais”, “esporádicos” não deveriam colocar em xeque a “democracia racial brasileira”. Aliás, quem assim fizesse era apresentado como “avesso à civilização”, “ao progresso” e “desenvolvimento do país”.
Logo, políticas públicas voltadas para o combate a tais casos foram abarcadas como necessárias, para este jornal, de modo a ir, parcialmente, ao encontro das reivindicações de parcelas da militância negra, para o qual o tema viria, desde o início do século XX, com as primeiras agremiações do pós – abolição.
A FSP, ao incorporar o debate, deu-lhe significados específicos. Sua proposta estava voltada para a necessidade, sobretudo, de uma discussão, naquele momento, envolvendo, instituições governamentais e movimentos sociais, os quais pudessem servir de intermediários entre os interesses do estado (nacionais e internacionais) e da população negra.
Oracy Nogueira, em “Cor da pele e suspeição” trouxe, para a seção intitulada “Tendências e Debates”, a evidência do que chamavam como “preconceito de cor”, como prática restrita à ação de determinados grupos sociais, sobretudo, a “polícia”. E foi isto mesmo que declarou ter presenciado, em 1984 “numa manhã, entre 7 e 8 horas, na rua 7 de Abril, entre as ruas Xavier de Toledo e Conselheiro Crispiniano”:
Ao entrar na rua 7 de Abril, avistei uma perua Chevrolet da Polícia Militar, estacionada junto ao meio fio. Ao lado, na calçada, três soldados interpelavam três rapazes de cor, adolescentes – dois bem pretos e um mulato. Os três respondiam a perguntas dos soldados, provavelmente, sobre o que estavam fazendo, para onde iam, ao mesmo tempo, cada qual exibia um pacote de documentos (haja desburocratização, neste País).
[...]diminuindo o passo, fiquei na expectativa do desenrolar da cena imaginando o constrangimento, a humilhação e a indignação que, certamente, eles estariam sentindo.
Quando vi os guardas liberarem os três ‘suspeitos’, voltei ao meu passo normal. Os rapazes que, provavelmente, se dirigiam aos escritórios ou lojas em que trabalhavam e se tinham atrasado devido à inesperada interrupção, apressaram-se e me ultrapassaram. Ao passarem por mim e enquanto me pus a acompanhá-los, interessado em observar sua reação, ao invés de pronunciarem imprecações e gritos de protesto, como eu esperava, romperam em gostosas gargalhadas, ao mesmo tempo em que falavam uns com os outros, regozijantes e triunfantes, como se houvessem pespegado uma peça aos soldados: pois não estavam todos com os documentos em ordem?!187
A cena descrita trouxe à tona a ação da “Polícia Militar” na prática do preconceito “de cor” em relação aos “três rapazes”. Temos, então, a emergência, para a FSP, de três perspectivas díspares diante do racismo convivendo em um mesmo meio social: a dos policiais, dos rapazes e a do intelectual Oracy Nogueira.
Os primeiros seriam aqueles apegados aos valores “tradicionais”, expressos pelo apego à “burocratização”, elemento passível de crítica para o jornal. Oracy viu, por sua vez, a cena como “humilhante” para os jovens; estes, por sua vez, foram apontados como aqueles que não se importavam com o ocorrido, riram da atitude, de forma a surpreender Oracy, o que trouxe a perspectiva de que, o ato, uma manifestação do “atraso” da instituição policial, era, para eles, digna de riso, ultrapassada, e que em nada atrapalhara suas condições de vida, os quais continuaram o percurso, normalmente, tal como descreveu.
Seriam, assim, os três posicionamentos reflexos de épocas distintas, para a FSP, as quais traziam diferentes posições quanto ao racismo. Oracy buscou o livro “O Feitor Ausente, Estudo sobre Escravidão Urbana no Rio de Janeiro, 1808 – 1821”, de Leila Mezan Algranti, para apontar o que classificou como atraso daquela manifestação. Este livro,
segundo seus argumentos, focou a polícia organizada e a vigilância da população negra. Oracy concluiu, então, a associação entre a continuidade da discriminação e do comportamento policial perante os séculos, como se a prática racista viesse, exclusivamente, dessa instituição.
Foi essa mesma instituição alvo de críticas pela FSP quando do Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil em “Passeata de negros é barrada pela polícia” 188, localizada na Primeira Página e desenvolvida na editoria de “Cidades”. O ocorrido teve como palco a cidade do Rio de Janeiro e a marcha, qualificada como “pacífica”, trouxe, novamente, a associação entre a ação policial e o apego aos valores classificados pela FSP como “arcaicos”, “tradicionalistas”189.
Logo, então, tanto para os casos de racismo no Brasil, quanto para os conflitos na África do Sul foram produzidas associações quase automáticas entre o “comportamento policial” e a prática racista, de modo a atribuir a esta instituição as pechas de grupo “avesso aos valores democráticos”, “arcaico”, a quem era culpado pela existência do racismo no meio social.
A “abertura política” trouxera, para as páginas deste jornal, a perspectiva de “novos tempos” e a crítica aos grupos e instituições diretamente vinculados ao regime militar brasileiro, e, neste caso, as críticas estavam voltadas à ação policial, sua ligação com supostos valores da época da ditadura militar e a suposta continuidade de uma prática que remetia ao século XIX, segundo interpretação da FSP.
O que não justificava, para Oracy, a prática racista era, sobretudo, o fato de que aqueles indivíduos “trabalhavam”, ou seja, mantinham um suposto “comportamento correto”, este, sim, o elemento capaz de invalidar a “suspeição”, conforme os argumentos levantados no texto, os quais trouxeram novas possibilidades de marginalização no meio social, porém, camufladas em roupagens, tais como “não ter um trabalho” ou “vestir-se adequadamente”. Não que Oracy defendesse tais posicionamentos, mas foi por meio de tais deles que a FSP deu repercussão as suas análises.
O apontamento de grupos específicos como aqueles responsáveis pela prática do racismo não deveria, assim, permitir a deslegitimação da “democracia racial brasileira”, para a FSP, e, tais casos, deveriam ser coibidos por meio de uma jurisdição específica, por diversas
188 PASSEATAS de negros é barrada pela polícia. Folha de São Paulo, São Paulo, 12 mai. 1988. Primeira Página, p.1.
189 NO RIO, marcha de negros é barrada pela polícia. Folha de São Paulo, São Paulo, 12 mai. 1988. Cidades, p. 14.
vezes defendidas neste jornal e a superação da ordem política do regime militar, por meio, sobretudo, da prática das eleições diretas.
Casos “fora do comum”, “extraordinários”, foram os mecanismos utilizados pela FSP para a caracterização do racismo no Brasil. A estranheza com que a FSP se colocava diante de tais práticas revelava a crença na “convivência harmoniosa entre grupos”, manifestada na maneira como compunha estas notícias em primeira página.
Este espaço foi, diariamente, preenchido por um conjunto de notas as quais buscavam chamar a atenção do leitor pela “excepcionalidade”, “estranheza”, mas como casos incapazes de subverterem a ordem estabelecida, extraordinários, porém, ordinários, pois impossibilitavam o abalo das estruturas. Foi essa perspectiva que permitiu a construção, em primeira página, de um caso de racismo ocorrido em um bar paulistano:
O repórter Fernando Pessoa Ferreira e a repórter fotográfica Avani Stein acompanharam na noite de sexta – feira a contabilista Helena Maria Coimbra, 30, e mais duas amigas ao “singlebar” (bar de solteiros) “Studio Night Club”, na alameda Eugênio de Lima, nos Jardins, onde Helena teria sido barrada no último dia 26, aparentemente pelo fato de ser negra. Elas foram barradas novamente. O proprietário da casa, Antônio Carlos Suplicy, 37, justificou dizendo que quem seleciona a freguesia são os próprios freqüentadores. E disse que sua secretária “também é... desculpem a expressão, escura. Ah, vocês deviam conhecer o namorado dela. É pavoroso! Se a gente cruzar com ele de noite treme de medo de ser assaltado” 190. “Um bar onde negros não entram” trouxe algo extraordinário, conforme percepção daqueles que o compuseram na primeira página, que foi a segregação racial (supostamente incomum no Brasil, como percepção da FSP), manifestações de comentários preconceituosos explícitos (algo também, percebido como fora do comum), o que hipoteticamente, não fazia parte do universo de questões nacionais e, por isso mesmo, capaz de chocar, tal como parece ter sido, tendo em vista a forma de composição do texto, a qual foi encerrada com os comentários racistas explícitos do dono do bar.
Fernando Pessoa Ferreira já havia atuado no Diário Carioca, Correio da Manhã, Última Hora, revistas Manchete e Cruzeiro191 e foi ele o principal sujeito da composição da notícia junto à fotógrafa, Avani Stein, os quais teriam presenciado a cena, marcando, então, a posição do jornal perante a sociedade, a percepção de “veracidade”, assentada na presença do jornalista ou testemunha enquanto aquele que poderia dizer a “verdade” dado que estava lá, além de confirmarem que as moças estavam “bem vestidas”, e por isso, nada poderia impedi-
190 UM BAR onde negros não entram. Folha de São Paulo, São Paulo, 03 fev. 1985. Primeira página, p.1. 191 O NORDESTE. COM. Enciclopédia Nordeste: Fernando Pessoa Ferreira. Disponível em: http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Fernando+Pessoa+Ferreira<r=f& id_perso=1600. Acesso em 12 mar. 2013.
las de entrar. Diante da evidência do racismo, na portaria, das considerações do gerente, os jornalistas foram “investigar” e chegaram naquele que seria “o responsável”, quem estava atrás de tais posicionamentos, o que acabou por eximir as atitudes das outras pessoas e atribuir tal prática a um grupo social específico.
Segundo a reportagem, desenvolvida na editoria de assuntos “Geral”, Maria Coimbra de Oliveira, após ser impedida de entrar no bar, telefonou para a FSP e denunciou a atitude do porteiro que a barrou. Decidiram, então, voltar outro dia, dessa vez, acompanhada pelo repórter Ferreira, “alguns passos atrás” e a “fotógrafa Avani Stein”:
[...] Na noite de anteontem, sexta – feira, ela voltou ao ‘Studio Night Club’, desta vez acompanhada por duas amigas, também negras. Sônia Maria Pereira Santos, 34, secretária de um escritório de advocacia; e Esmeralda Rosa Prazeres, 32, contabilista. Alguns passos atrás das três estavam este repórter e a fotógrafa Avani Stein. O porteiro, José de Souza Almeida reconheceu Helena Maria: “Você outra vez?” – e fechou a porta do bar. “Por que eu não posso entrar?”, ela perguntou. “Naquele dia você não entrou”, disse ele. Helena Maria insistiu: “Naquele dia vocês disseram que era uma festa privada. Hoje também é uma festa privada?”. O porteiro, como resposta, disse que iria chamar o gerente. Esse diálogo foi gravado por Sônia Maria, em um pequeno gravador que ela levava na bolsa. Os jornalistas, então, foram presenciar a atitude, Fernando manteve-se a distância a fim de flagrar o ocorrido e Avani o fotografou192.
As moças se utilizaram da FSP para denunciar o ocorrido, o que marcou a proposta de atuação da FSP, naquele momento, de ir ao encontro das expectativas dos segmentos sociais enquanto proposta de marketing, de expectativa do jornal como aquele à disposição do leitor, a fim de atender suas reinvindicações, denúncias.
Diante dos repórteres, teria se sucedido, novamente, a discriminação. Agora, poderia ser legitimada, segundo a reportagem, pelos repórteres, gravador e fotografia, considerados “incontestáveis”, de acordo com tal método de produção jornalístico. Eles não apenas “flagraram” o ato, mas apontaram as evidências as quais, para eles, impediriam a manifestação do racismo, como também, buscaram um responsável, de modo a efetivar a perspectiva de racismo já assumida pelo jornal enquanto prática restrita a “uns” e “outros”.
Segundo o jornalista Fernando, a “posição social” das moças barradas, o fato de terem uma “profissão”, estarem “empregadas”, uma era secretária, outra contabilista, segundo o desenvolvimento da argumentação, não permitiam que se justificasse a impossibilidade de entrada no bar. Estavam, conforme o repórter, “bem vestidas”, mesmo sob a alegação do porteiro de que fugiam aos “padrões da casa”, o que evidencia que este estabelecimento, ao
192 FERREIRA, Fernando P. Negras impedidas de entrar em bar por preconceito. Folha de São Paulo, São Paulo, 03 fev. 1985. Geral, p.20.
utilizar este termo, não se referia aos modos de vestir, mas sim ao fato de serem negras e apegavam-se a um valor tido pela FSP como “retrógrado”:
PADRÕES DA CASA. Apareceu o gerente, quando este repórter já se identificara ao porteiro. “Tudo bem, pode deixar entrar”, ordenou o porteiro. Explicamos que não queríamos entrar, queríamos apenas saber por que as moças haviam sido barradas. “Era uma festa privada”, repetiu ele. “E, hoje?”. Ele hesitou, dando a impressão de que tentava pensar numa resposta. “Ela não estava vestida de acordo com os padrões da casa”, declarou. “E hoje, também não está?”
Helena Maria estava com o mesmo discreto vestido branco com que saíra na noite de 26 de janeiro. Pedimos para falar com o proprietário do bar e instantes depois ele nos recebeu em seu escritório, no andar superior do sobrado onde funciona o “Studio Night Club”. Chama-se Antônio Carlos Suplicy, tem 37 anos, e disse já ter sido dono de várias outras casas noturnas antes de abrir o “Studio”, há cerca de um ano e meio. Afinal, por que as moças foram barradas?
“É duro fazer uma casa como esta, mas acabar com ela é muito fácil”, lamentou-se o proprietário. E admitiu o preconceito sem mais rodeios: “Não sou eu quem seleciona as pessoas que frequentam meu bar. Quem seleciona é o próprio público. Se eu permito a entrada de duas moças de cor, no mesmo dia dez pessoas vêm reclamar e começam a comentar que a casa está baixando de nível. Você sabe como é a burguesia paulistana” 193.
Esta notícia, ao criticar a discriminação pela cor da pele, reforçou o racismo valendo- se da perspectiva de que era possível abandonar uma determinada condição social ao “vestir – se bem”. Recorreu, assim, à educação como forma de criar a perspectiva de que a mudança era possível, por meio do sistema, uma forma de negação do racismo e que continua a perpetuar a dominação. A impossibilidade de serem barradas estava, segundo o jornalista, na forma como elas adotavam um modo específico de “vestir-se”, além de terem instrução e emprego.
O proprietário da casa, Antônio Carlos Suplicy admitiu o preconceito, algo, conforme percepção do jornal FSP, “incomum” e o atribuiu não a sua conduta pessoal, mas aos frequentadores do local, chamado por ele de “burguesia paulistana”. Era ele alguém que se definiu como de “família tradicional” e foi este o elemento utilizado pela FSP para explicar aquele ato:
Antônio Carlos Suplicy é paulistano ‘de quatrocentos anos’, conforme salientou. ‘Você não conhece a família Suplicy?’, acrescentou com ar de sincera surpresa”, foi até a calçada falar com as três moças. Desculpou-se: “Não há nada de pessoal nisso. Minha secretária, que é meu braço direito, também é... desculpem a expressão, escura. Ah, vocês deviam conhecer o namorado dela. É pavoroso! Se a gente cruzar com ele de noite treme de medo de ser assaltado!’194.
193 Ibid., p.20.
As práticas racistas constituem-se para além das declarações explícitas. Não é uma prática restrita a apenas alguns indivíduos ou grupos “avessos ao progresso”, como tentou mostrar este jornal, seja para o trato do racismo na África do Sul ou para o caso brasileiro. Há um racismo naturalizado, exercido cotidianamente, tais como por meio dos discursos deste setor da elite nacional representado pela FSP.
As últimas afirmações nos permitiram compreender não somente a forma como a FSP buscava um “responsável” pelo ato, assim como buscou constituir o apartheid enquanto prática restrita da “minoria branca”, mas de que modo construiu a hipotética “excepcionalidade” do evento, quanto ao caso brasileiro, tendo em vista a explicitação das declarações de Antônio Carlos Suplicy. Os argumentos desenvolvidos justificaram o ato racista pelo fato de ser o dono do bar um “quatrocentão”, ligado às “antigas” acepções, tais como a pecha “burguesia paulista”, e que remetia a termos evocados em um passado colonial e escravista ou dominado por oligarquias, o qual o jornal se colocava contra, e apontava para a necessidade de superação e que, tal como buscava propalar a FSP, nada tinha a ver com o sistema capitalista.
Esta reportagem ganhou, nos dias seguintes, desdobramentos, nas seções “Tendências e Debates”, “Painel do Leitor”, editorial, de modo que, com este percurso, o jornal afirmava o evento como o que “chocava” o universo de valores nacionais e era preciso ser detido, debatido, mas por meio das seleções, cortes e perspectivas específicas.
A ida de Helena e sua irmã à delegacia foi noticiada pelo jornal. Este procurava uma “solução” para aquele caso e apontou quais medidas esperava que fossem tomadas naquela ocasião. Notificou que as moças teriam sido acompanhadas à delegacia por
[...] representantes de entidades negras e pelo deputado federal Eduardo Matarazzo Suplicy, 43, do PT, primo em terceiro grau de Antônio Carlos [...], José Venerando da Silveira, 34, membro da Subcomissão do Negro, da Comissão de Direitos Humanos da OAB; Genésio Arruda, 48, secretário executivo do Conselho da Comunidade Negra e Aloísio de Souza, membro do Coletivo de Advogados Negros de São Paulo e o vereador Luís Tenório de Lima, 61, do PMDB195.
A viabilidade das ações antirracistas, para o jornal, passava pela “denúncia” e “aplicação de uma lei”, atuação de grupos representativos, os quais pudessem promover o diálogo e intermédio entre governo e população negra e, neste caso, sobretudo, por meio da atuação do Conselho de Participação e Desenvolvimento da População Negra, ações dos partidos políticos.
Viabilizava-se, assim, um percurso antirracista, o qual passava pela adoção de um modo de vestir-se, comportar-se, investimento em educação. Caso, mesmo depois dessa “readequação” às estruturas, para a FSP, ocorressem as práticas de “preconceito de cor”, tal como no bar citado, elas deviam ser coibidas a partir da denúncia e uma legislação, como se estas práticas fossem, unicamente, um desvio da norma levada adiante por alguns indivíduos.
As propostas antirracistas ganharam, por diversas vezes, reiterações, de modo a constituir-se nos vários espaços do jornal, inclusive no Painel de Leitores. Dentre as centenas de cartas que chegam à redação há, por parte dos editores, um processo de seleção e, ainda, dos trechos a serem transcritos, os quais podem ter funções diversas e que se estendem da mera crença que o coloca como um suposto “espaço do leitor”. Criada, com o propósito inicial de trocas e intercâmbios constituiu-se como eficaz para a reafirmação de posicionamentos levados adiante pelo órgão.
Para o caso de discriminação acontecido no chamado “Night Club” por seu proprietário, Antônio Carlos Suplicy, foram selecionadas, pela FSP, as cartas de dois nomes que se intitulavam representantes de grupos voltados para a promoção da população negra e combate à discriminação: Ademir José da Silva de Campinas, o qual se intitulou na “qualidade de Conselheiro do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra” e Antônio Leite que assinou como coordenador do Movimento Negro Socialista Democrático do PDT da capital paulista, além de um leitor chamado Ronaldo Cagiano Barbosa de Brasília. Temos, então, as vozes de dois líderes de movimentos negros, um associado a um partido político e o outro governamental:
Na qualidade de conselheiro do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, Regional Campinas, venho parabenizar esse órgão de informação pela magnífica contribuição que vem prestando à Comunidade Negra registrando e denunciando o ato de racismo praticado no “singlebar” Studio Night Club por seu proprietário Antônio Carlos Suplicy. Nossos parabéns à Direção da Folha. Nossos parabéns ao jornalista responsável pela matéria. Somente com um jornalismo livre e comprometido com o bem informar poderemos contribuir de fato na formação desta Nova República, onde