1.3. Yağın Yaşlanmasında Katı İs Partiküllerinin Etkisi
1.3.3. Yağlama Performansına Olan Etkisi
O desenvolvimento comercial de Pesqueira foi o passo inicial e fundamental para a evolução da urbanização da cidade. A prosperidade do comércio diversificado e a geração de riqueza proveniente dessa atividade aceleraram e garantiram o crescimento da cidade e, mesmo quando o comércio começou a declinar no início do século XX, principalmente pelo avanço das linhas férreas rumo ao Sertão do Estado, como já referido, o capital gerado pela atividade comercial do município mostrava-se consolidado, o que permitiu a transferência de uma atividade econômica para outra: do comércio à indústria. Estava em andamento, então, uma nova fase para o progresso de Pesqueira, a industrial.
O período de intensa atividade comercial de Pesqueira, a partir de 1870, quando a cidade era um importante empório mercantil do interior do Estado, tornando-se um ponto de comercialização de mercadorias advindas do Litoral e do Sertão, possibilitou-lhe formar uma base econômica sólida para o conseqüente rumo da cidade:
“No contexto de uma ordem mercantil, como a que foi formada em Pesqueira, marcada pela existência de uma classe de comerciantes detentora de um excedente de capital comercial que suscita um empreendimento no qual se pudesse aproveitar o mercado local e uma mão-de-obra livre procedente do campo definiu, a nosso ver, as bases materiais da ideologia da livre iniciativa que conduziu aquela classe de comerciantes para a produção industrial” 72.
Graças à flexibilidade econômica do município, à inovadora atividade industrial e ao contexto econômico nacional favorável ao surgimento de novas indústrias no final do século XIX e início do XX, como mencionado no capítulo anterior, Pesqueira conseguiu evitar a perda de sua posição como importante município do Agreste pernambucano.
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72
Da mesma forma que se diz que Pesqueira foi uma cidade surgida ao acaso, em decorrência de sua boa localização, o que a tornou geograficamente um elo entre a Capital e o Sertão, gerando seu aglomerado humano e seu desenvolvimento mercantil, diz-se, também, que o surgimento da industrialização do município foi outro acontecimento fortuito.
E esta afirmativa não deixa de ser uma verdade, porque toda a industrialização do doce foi iniciada sem maiores pretensões por Dona Maria da Conceição Cavalcanti de Britto, conhecida como Dona Yayá, esposa do comerciante de miudezas e tecidos Carlos de Britto, que seria o fundador das indústrias Peixe.
Carlos de Britto e sua família, após meados do século XIX, mudaram-se de Recife para Pesqueira, certamente em busca de melhores oportunidades e levados pela propagada fama da cidade de ser um dos melhores lugares do Estado para o investimento em atividades comerciais. Lá instalaram seu comércio, que tinha uma boa diversidade de mercadorias entre tecidos e miudezas.
A atividade comercial do município era muito rentável e atraía negociantes de várias localidades do interior pernambucano e também de estados circunvizinhos, como da Paraíba e de Alagoas. Contudo, um fato ocorrido com o Coronel Delmiro Golveia, figura expressiva do meio empresarial nordestino, inovador comerciante e industrial, muito prejudicou o comércio de Pesqueira. Delmiro Golveia foi uma “espécie de Mauá de Pernambuco. Um homem incompreendido na época, ousado demais” 73.
Delmiro comercializava couro, algodão e gêneros alimentícios em Pernambuco, comprando esses produtos no interior e revendendo para outros centros comerciais do Estado, do Nordeste e também para exportação. O comércio de peles e couro de Pesqueira, por exemplo, dependia muito dele e no tempo em que residiu na cidade assim disse: “Sinceramente, foi Pesqueira que me ensinou a querer fazer coisas grandes” 74.
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73 BARROS, Souza. Op. Cit., p. 49. 74 GALINDO, Givanildo. Op. Cit., p. 127.
O Coronel Delmiro Golveia, no entanto, transferiu-se para Alagoas, para se tornar proprietário de uma fábrica de linhas, em parceria com os Lundgren. Antes de se tornarem industriais, os irmãos Lundgren eram também comerciantes de pele e compravam o produto no interior de Pernambuco para exportá-lo para a Europa, depois passaram para o ramo da indústria têxtil.
Com a transferência de Delmiro para o Estado de Alagoas, devido a divergências com o chefe político de Pernambuco, o Conselheiro Francisco de Assis Rosa e Silva 75, Pesqueira teve uma grande perda econômica, pois era um dos maiores centros
fornecedores de peles de boi e de bode do Estado e sem mais o intercâmbio comercial estabelecido por Delmiro Golveia, a comercialização de tais produtos provocou um grave abalo na economia do município.
Assim, agora são dois os principais fatores que explicam a queda comercial de Pesqueira: a saída de Delmiro Golveia de Pernambuco para Alagoas e, posteriormente, a partir de 1912, a ampliação das linhas férreas de Pesqueira para o Sertão do Estado, acarretando a diminuição das transações comerciais no município.
Com a transferência do Coronel Golveia, O município de Pesqueira começou um paulatino declínio mercantil e vários comerciantes foram afetados, inclusive o Capitão Carlos de Britto. Porém, enquanto o comércio passava por uma crise, Dona Yayá, sua esposa, nos idos de 1897, criativamente começou a utilizar um fruto abundante na região, a goiaba, para fabricar doces.
De início, sem o apóio do próprio marido, que certamente julgava esse empreendimento como apenas mais uma atividade doméstica e que não geraria mais do que alguns trocados de lucro, Dona Yayá começou o fabrico dos doces no fogão de sua residência. Passou a produzir tabletes de doces de goiaba e depois de banana, frutos extrativos em excesso na Serra de Ororubá, e que eram trazidos pelos caboclos para serem vendidos por preços irrisórios nas feiras livres da cidade.
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O primeiro nome dado por D. Yayá ao seu doce foi ‘Goiabada Buldogue’, possivelmente em homenagem ao seu cão, Tejo, dado ao casal pelo padre Antônio Teixeira e o ponto de cozimento ideal que gerou o sucesso inicial dos doces foi dado por D. Dina. Os primeiros doces eram vendidos em tabuleiros por meninos nas ruas, a dez réis 76.
Nascia, portanto, de forma totalmente artesanal, fabricado em fogo cru e tacho doméstico, a fábrica doceira Maria Britto, talvez uma das primeiras do gênero no Brasil 77.
Com os bons resultados da produção doceira, o fundador das Indústrias Peixe, Carlos de Britto, transformou a atividade de sua esposa numa pequena indústria artesanal, de fundo de quintal, que mais tarde se tornaria um grande negócio, modificando toda a situação econômica não só da cidade, mas de toda aquela região sob sua influência.
“Carlos Frederico Xavier de Britto (...) Saindo do Recife em 1882 (...) Chegou a Pesqueira (...) E ali instalou uma casa comercial (...) Também abriu um armazém para comprar peles no Sertão (...) Tempos depois, porém, derivou as suas atividades para uma pequena indústria, que seria mais tarde uma das mais poderosas do Brasil (...) E que em tachos de cobre, a fogo nu, a sua esposa (...) Dona Maria da Conceição Cavalcanti de Britto, iniciara o fabrico do doce de goiaba, numa simples atividade doméstica. Carlos de Britto, então se apercebeu do valor daquela iniciativa e assim, ao lado de Dona Yayá, lançou as bases da industrialização da goiaba (...) Rasgava-se um novo horizonte para a região (...) Ele iria revolucionar, com uma nova indústria, a paisagem agrestina. Seria um agente poderoso (...) Imprimindo uma nova fisionomia à ecologia daqueles meridianos agitando e dinamizando a terra e a gente (...) Vindo tentar a vida no interior (...) Não repetiu nem seguiu o caminho dos outros. Foi original na sua arrancada (...) Lançou mão de uma fruta singela e a transformou na alavanca de sua poderosa indústria (...) Carlos de Britto foi ao encontro da goiaba (...) Fundou a sua fábrica (...) A larga aceitação de seus produtos multiplicou as atividades de fabricação (...) Enchia-se de __________________________
76 GALINDO, Givanildo. Op. Cit., p. 122. 77
pacotes (...) E ia para o Sul presentear os amigos, difundir o produto (...) E de tal modo esse matuto falou sobre o doce e demonstrou as suas qualidades que o Brasil começou a olhar para a goiabada Peixe” 78.
Dois anos depois da criação da pequena fábrica de doces, os produtos eram todos vendidos não só na cidade como nos municípios circunvizinhos e a qualidade dos doces de D. Yayá já começa a se propagar na região. Em 1901, com a rápida expansão da produção doceira, Pesqueira já exportava doces para o Recife e outras cidades.
Em 1902, mesmo ainda com formato artesanal, a indústria já havia tido um aumento significativo em sua produção, havendo a necessidade de mais empregados e do acréscimo no número de tachos. Em conseqüência, houve uma divisão mais racional do trabalho. A indústria doceira crescia de tal forma, que foi preciso comprar novas máquinas e ampliar a comercialização. A fábrica logo passou para uma nova fase, mais moderna, substituindo os tachos a fogo cru pelos mecânicos, quando adquiriu as primeiras despolpadeiras e quebradores mecânicos, que agilizaram a produção da goiabada. Nesse período, Dona Yayá, instituidora da produção doceira, ainda se encontrava na direção de sua fábrica 79.
A partir de 1902, então, a fábrica entrava na fase manufatureira e “para resolver a crise de excesso de procura, montam em 1902 pequena instalação a gasolina para o preparo de latas e elevam o número de tachos e de forma a poderem, em 1904, dar começo a exportação para o Norte, principalmente sendo o Pará e o Amazonas os melhores clientes” 80.
A fabrica D. Maria Britto, assim, passava de artesanal à manufatureira e desse momento em diante começa a modificar, positivamente, a estrutura da cidade.
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78
SANTOS, Luiz Cristóvão dos. Carlos Frederico Xavier de Britto (O Bandeirante da Goiaba). Recife: 1953. in: CAVALCANTI, Célia Maria de Lira. Op. Cit. p. 45.
79 “Em 1902 (...) como a indústria continuava a crescer, foi necessário a compra de novas máquinas e a ampliação dos raios
de comercialização. Assim surgiu a Fábrica Peixe, que foi crescendo com a aquisição dos primeiros motores, das despolpadeiras, despolpando uma quantidade significativamente maior de goiaba do que quando essa tarefa era realizada manualmente, e, do quebrador mecânico, que macerava a semente do fruto, inserindo-o na produção da goiabada”. CAVALCANTI, Bartolomeu. Op. Cit., p. 46.
A repercussão dos bons resultados da indústria doceira acelerou a urbanização do município, atraindo pessoas dos mais variados lugares que iam a Pesqueira em busca de trabalho e, em 1906, surge mais um estabelecimento industrial, a Fábrica Rosa, dos irmãos Didier, com o capital advindo dos lucros gerados pela vultosa atividade comercial de Pesqueira nas últimas décadas do século XIX e com o propósito de suprir a grande demanda de doces que a Fábrica Peixe, já consolidada, não estava conseguindo satisfazer totalmente. No rastro desse sucesso de vendas das fábricas Peixe e Rosa, outras pequenas indústrias surgem, como a Tesouro e a Touro, que seguem a mesma linha produtiva.
Ainda em 1906, como exemplo de pioneirismo, é construída na cidade, pelo Coronel Antônio Didier, um dos fundadores da Fábrica Rosa, a primeira vila operária do interior pernambucano 81. Tonhé Didier, como gostava de ser chamado, era um homem de
visão e se assevera que também humanitário, então idealizou e criou uma vila operária, na periferia de Pesqueira, para os trabalhadores de sua fábrica. Logo em seguida, a Fábrica Peixe apreciou a idéia e igualmente construiu uma vila para seus funcionários, denominada de Vila Operária Maria de Britto.
O sucesso da produção e comercialização doceira já estava tão arraigado, que as fábricas começaram a investir em melhorias, como a compra de novas máquinas e a especialização de alguns serviços. A Peixe já fazia, em 1906, todo o controle dos serviços relativos à exportação de doces e cada vez mais se especializava na mecanização de sua produção e na comercialização de seus produtos, conquistando novos mercados.
Com a chegada da estrada de ferro, em 1907, que facilitaria enormemente o transporte de mercadorias, houve um incremento da demanda de produtos. As fábricas doceiras chegaram a estender os trilhos até seus portões, através de bondes de tração animal, facilitando o envio da produção e o recebimento de alguns insumos para a sua fabricação. A chegada dos trilhos favoreceu tanto o comércio como a indústria do município.
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81 O Coronel Antônio Didier, conhecido por Tonhé, era considerado um gentleman, um homem de fino trato, íntegro,
possuidor de uma inteligência prática, amigo íntimo de Delmiro Golveia, que tinha Tonhé como orientador e consultor. Entre tantos outros feitos fundou, em 1906, a Vila Operária de Pesqueira, única no seu tempo no interior de Pernambuco. MACIEL, Frederico Bezerra. Op. Cit., p. 82.
Em 1908, com a industrialização acentuada na Europa, a Peixe importa da Inglaterra tachos aquecidos a vapor, o que modifica toda a forma de produção dos doces, aumentando a demanda de Insumos, a produtividade e também o número de operários, para os quais sempre eram abertas novas vagas de emprego. A Fábrica Rosa também investe em novos mecanismos de produção e passa a dispor, aos poucos, de turbinas a vapor, autoclaves, despolpadeiras, trituradores de frutas e máquinas de descascar goiabas 82.
Em 1909, como demonstrado na tabela abaixo, Pesqueira dominava o mercado de doces em Pernambuco e as duas fábricas, a Peixe, registrada como D. Maria Britto e a Rosa, como Antônio Didier & Irmão, juntas não tinham nem de longe um concorrente para disputar com seus produtos. Observa-se, ainda, que pelo número de operários e pelo valor da produção, as demais fábricas eram artesanais, enquanto as fábricas pesqueirenses já se firmavam como as principais indústrias doceiras do Estado.
TABELA XIII