• Sonuç bulunamadı

2. GÜÇ TRANSFORMATÖRLERİ VE TESTLERİ

2.3.7 Yağ Dielektrik Dayanım Testi

SÉCULO XIX.

A Vila de São Paulo de Piratininga localizou suas primeiras instalações depois da vila de João Ramalho - entre os arraiais de Caiubi e Tibiriçá e entre o canal de Piratininga e o ribeiro Anhangabaú em 25 de janeiro de 1554 e até a metade do século XIX, São Paulo ainda era uma cidade limitada pelos rios Anhangabaú e Tamanduateí.

Desde os tempos coloniais a água foi um vetor motriz da urbanização, além disto as águas dos rios Tietê – antigo Anhambi ou Anhembi, ou ainda Tieté; Rio Tamanduateí – antigo canal de Piratininga; Córrego do Anhangabaú – antigo ribeiro Anhangabaú, além de outros, garantiam à população pesca em abundância. A população se abastecia das águas dos rios Tamanduateí, Anhangabaú e de algumas fontes naturais – nascentes que contribuíam para a formação destes rios – localizadas nas encostas da cidade. No início do século XVI, Afonso Brás – arquiteto, trabalhou na cidade de São Paulo orientando a construção de casas à moda lusitana, assim como também a abertura dos primeiros poços 110; foi também neste século que São Paulo

surge como ponto de partida para o interior – rumo ao desconhecido, em busca de riquezas e expansão territorial – através da utilização dos rios como “hidrovias”.

Em 1711 São Paulo passa a ostentar a denominação de cidade, no entanto o abastecimento ainda era feito através de chafarizes de abastecimento provenientes das nascentes localizadas nas encostas dos rios e córregos que ladeavam a cidade. Devido às dificuldades de acesso para a população, foram os frades de São Francisco que puseram em prática os primeiros trabalhos de adução de águas por condutos ou por derivação, posto que já em 1744 dispunham de farto fornecimento de água potável canalizada tanto no claustro como na “cerca”111 do convento

franciscano. Devido à abundância de água, os frades propuseram à Câmara Municipal o encaminhamento da farta sobra de água para a construção de uma fonte pública, fora do convento - mediante um auxílio financeiro. O projeto era composto pela construção de uma fonte de pedra com duas saídas de água dentro da cerca para uso privado da comunidade franciscana e de um conduto que despejasse fora do convento as sobras de água,

110

SABESP: 2003, pág. 12.

111

O termo “cerca” neste caso refere-se ao cercado existente no entorno do convento Franciscano, correspondendo aproximadamente ao atual largo São Francisco. Foi esta “cerca” que anos mais tarde é derrubada e a fonte que se encontrava no pátio interno é destinada ao uso público. GASPAR: 1970, pág. 21 et. seq.

encaminhando-as “para uma fonte pública de pedra de cantaria, que deveria comportar dois jatos com saída por torneira livre ou cano de bronze.”, sendo a fonte pública acima descrita o primeiro chafariz público de São Paulo.

Há relatos históricos idôneos, 112 que afirmam que o primeiro chafariz público de São Paulo

“na paragem chamada Unhangavahu, da parte de lá do ribeiro” – na subida da atual Rua Santo Amaro foi construído através da parceria entre os frades de São Francisco e o Governo do Município. Este chafariz manteve-se existente, apesar dos inúmeros reparos e dos diferentes nomes recebidos, até o terceiro quartel do século XIX. Seu desaparecimento é registrado pela imprensa da época em 1876. Também é do mesmo ano o registro da primeira estação de tratamento de esgotos na região da Ponte Pequena, demonstrando a execução de um sistema completo para o tratamento das águas, que entraria em vigor com a instalação da Companhia Cantareira de Água e Esgotos em 1877.

FIGURA 62

Usina de Tratamento de Esgoto na região da Ponte Pequena, junto ao rio Tietê, 1876 Fonte: SABESP: 2003, pág. 23.

A população de São Paulo em 1877 era de aproximadamente 50 mil habitantes e, 113 o

abastecimento tornara-se um item de primeira necessidade. Foi então que alguns dos

112

GASPAR: op. cit, pág. 25. O autor acrescenta a importante informação de que esta fonte atravessou – com outras denominações – o primeiro, segundo e terceiro quartéis do século XIX em oposição ao exposto por Afonso A. de Freitas no Dicionário do Município de São Paulo, em que consta a informação de que esse chafariz desmantelou-se definitivamente já nos primeiros anos do século XIX.

113

capitalistas locais contrataram os serviços de engenheiros ingleses e em 25 de julho de 1877 organizou-se a primeira companhia de saneamento básico, a Companhia Cantareira de Água e Esgotos. Com a associação do governo à companhia em 1878, tornou-se esta uma verdadeira sociedade de economia mista.

A partir deste momento os chafarizes de abastecimento e os carros pipas foram sendo substituídos por ligações domiciliares de água, derivadas das primeiras adutoras, foi também em 1878 que foi fincada a pedra fundamental do reservatório da Consolação – primeira caixa de água de abastecimento para a cidade. O reservatório da Consolação abastecer-se-ia das águas dos ribeirões do Toucinho e Iguatemi e do córregos do Barro Branco e, em 1881 o reservatório já estava cheio.

Das conquistas da Companhia Cantareira de Água e Esgotos, pode-se ressaltar que em setembro de 1881 iniciaram-se a distribuição das águas e em março de 1882 já havia 113 prédios conectados à rede. Um ano após, em janeiro de 1883, foi entregue o primeiro distrito de esgotos de São Paulo, no bairro da Luz. No entanto, dez anos mais tarde, em 1893 - com o crescimento da cidade e o acelerado aumento do contingente populacional, agora superior a 65 mil habitantes - a Companhia Cantareira de Água e Esgotos foi motivo de manifestações de desagrado por parte de populares – referente ao abastecimento que oferecia, vendo-se o governo da província obrigado a tomar para si os encargos da companhia – pois até então havia apenas duas adutoras: Ipiranga e Cantareira.

FIGURA 63

Assentamento na Rua da Conceição – 1893. Fonte: SABESP: 2003, pág. 22.

A adutora do Ipiranga fornecia 3.000 litros/dia advindos de uma represa na Água Funda, servindo as zonas além Tamanduateí e a adutora da Cantareira também fornecia 3.000

litros/dia ao reservatório da Consolação. No entanto, este volume de adução não era suficiente e a Companhia Cantareira de Água e Esgotos já se demonstrava impossibilitada de concluir algumas obras em andamento e, desta forma, com o encampamento da Companhia Cantareira de Água e Esgotos pelo governo foi fundada a RAE, pois no fim do século XIX devido às cheias periódicas e ao agravamento das condições de saneamento de suas várzeas, concomitantemente a urbanização que pretendia estender-se sobre as áreas de várzea, o rio Tietê foi o principal mote de projetos de retificação.

Já em 1883, o “Barão de Guajará”114 propôs a retificação conjunta dos rios Tietê e

Tamanduateí. Estes estudos foram refeitos em 1887115 sob a orientação do engenheiro Bianchi

Bertoldi, resultando no primeiro projeto de retificação do Tietê, denominado “Projeto do Visconde de Parnahyba”, presidente da província de São Paulo até 19/11/1887.116

Dez anos após o primeiro projeto, em 1893, foi criada a RAE – Repartição de Águas e Esgotos, que teve como primeira medida sanitária a regularização do abastecimento de água em alguns bairros da cidade. No entanto, para a efetivação desta prioridade nos planos de saneamento básico era necessário que as edificações estivessem todas conectadas à rede de distribuição de água. Em alguns bairros, entretanto, esta tarefa não se demonstrou fácil, posto que a Companhia Cantareira de Água e Esgotos instalou alguns chafarizes utilitários públicos, para o suprimento de água dos habitantes, onde a água era gratuita e, embora houvesse todos os inconvenientes do transporte da água, os riscos de contaminação durante o transporte e o difícil armazenamento, a população negava-se a conectar-se à rede distribuidora de água, pois seria necessário pagar pelo consumo.

A solução encontrada pela RAE – Repartição de Águas e Esgotos foi mandar derrubar os chafarizes utilitários existentes para que todos fossem obrigados à interligar-se a rede de distribuição de água. Esta medida foi recebida com enorme insatisfação por parte da

114

De acordo com informação disponível em<http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/u1139/index.html> visitado em 02/06/2007 e denominado “Projeto de Imagens de Publicações Oficiais Brasileiras do Center for Research Libraries e Latin American Microform Project” que disponibiliza documentos oficiais, em 1883 o presidente da província era o “Barão de Guajará” e não o “Barão de Guarajá”, como cita LEME: 1999, pág. 267.

115

LEME: 1999, pág. 267.

116

Como também comprova outro documento histórico disponível em <http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/u1139/index.html>, visitado em 31/05/2007.

população, principalmente a parcela mais carente, houve protestos e resistência e foi necessário recorrer à força policial para efetivar tais medidas, fato que ocorreu na derrubada do Chafariz do Rosário.117

FIGURA 64

Represa principal do Engordador, na serra da Cantareira (c. 1893) Fonte: São Paulo - 450 anos. São Paulo: Instituto Moreira Salles: 2004, pág. 83.

Em 1893 inaugurava-se a adutora Guaraú com 13.397 metros e tubos de 60cm para abastecimento do reservatório da Consolação. As ampliações do sistema de abastecimento ainda eram necessárias, pois a cidade não parava de expandir-se, sendo que em 1894 captavam-se as águas dos mananciais de Cassanunga, Campo Redondo e Engordador, reunia- se a água destes mananciais em uma caixa de junção Guapira e aduziam-se estas águas para um novo reservatório no antigo largo Treze de Maio – hoje praça Amadeu Amaral. No fim de 1894 o suprimento de água na cidade era de 27 mil litros/dia, mas a população saltou de aproximados 70 mil habitantes para 160 mil, sendo necessárias maiores ampliações no sistema de abastecimento da cidade de São Paulo.

Nos anos que se seguiram – entre 1895 e 1898 - foram executadas obras para adução de todos os recursos hídricos da Serra da Cantareira e foi construído um novo reservatório na Consolação com capacidade para 19 milhões de litros. Ainda em 1898, aproveitaram-se as sobras de água da ala esquerda da Cantareira – sistema do Engordador – e também do Tanque

117

Velho, no Ipiranga, em conjunto com a captação das águas do rio Tietê na altura do Belenzinho, recalcadas para a zona baixa do Brás, após passarem por galeria filtrante. Também em de 1898 a RAE foi separada da Superintendência de Obras Públicas, ficando sob a chefia do engenheiro Teodoro Sampaio118 – que trabalhava na RAE há três anos.

Em 1899 o sistema de abastecimento ainda não era satisfatório, mesmo após todas estas ampliações ainda havia bairros populosos que não eram abastecidos pelo sistema, tais como Perdizes, Água Branca, Lapa, Cerqueira César e Vila Mariana.

No ano seguinte, 1894, o eng. João Pereira Ferraz119, da comissão de saneamento do estado de

São Paulo apresenta um projeto para o rio Tietê, pois devido à ameaça de epidemias iniciaram-se as obras de retificação do rio que resultaram em um aumento da declividade e conseqüentemente da velocidade de escoamento das águas. Estas obras têm por base um projeto desenvolvido através da re-elaboração dos anteriores que se destaca por começar a sistematização das observações e medições do rio.

FIGURA 65

Ponte Grande – 1900. Fonte: O livro do Rio Tietê. OHTAKE : 1991, pág. 120.

Observa-se a cerca de arame farpado determinando a propriedade privada e alagada, retratando as preocupações em sanear as áreas inundáveis próximas ao rio Tietê.

118

LEME: 1999, págs. 451 e 452.

119

FIGURA 66

O rio Tietê no final do século XIX. Fonte: SABESP: 2003, pág. 25.

O potencial de transporte do rio no final do século XIX, pode ser observado na foto acima e, o potencial desportivo do rio, era aproveitado nos diversos clubes instalados às margens do rio Tietê. A paisagem às margens do rio era ampla, o que tornava possível observar ao longe a serra da Cantareira e, identificar as principais características da paisagem.

FIGURA 67

Clube de Regatas do Tietê (c. 1905)

Benzer Belgeler