2. GÜÇ TRANSFORMATÖRLERİ VE TESTLERİ
2.3.4 DC İzolasyon Testleri
NA PAISAGEM DA CIDADE DE SÃO PAULO
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AS CIDADES INVISÍVEIS - AS CIDADES DELGADAS 3
“Ignoro se Armila é dessa maneira por ser inacabada ou demolida, se por trás dela existe um feitiço ou um mero capricho. O fato é que não há paredes, nem telhados, nem pavimentos: não há nada que faça com que se pareça com uma cidade, exceto os encanamentos de água, que sobem verticalmente nos lugares em que deveria haver casas e ramificam-se onde deveria haver andares: uma floresta de tubos que terminam em torneiras, chuveiros, sifões, registros. A céu aberto, alvejam lavabos ou banheiras ou outras peças de mármore, como frutas tardias que permanecem penduradas nos galhos. Dirse-ia que os encanadores concluíram o seu trabalho e foram embora antes da chegada dos pedreiros; ou então as suas instalações, indestrutíveis, haviam resistido a uma catástrofe, terremoto ou corrosão de cupins.
Abandonada antes ou depois de ser habitada, não se pode dizer que Armila seja deserta. A qualquer hora do dia, levantando os olhos através dos encanamentos, não é raro entrever uma ou mais jovens mulheres, esbeltas, de estatura não elevada, estendidas ao sol dentro de banheiras, arqueadas debaixo dos chuveiros suspensos no vazio, fazendo abluções, ou que se enxugam, ou que se perfumam, ou que penteiam os longos cabelos diante do espelho. Ao sol, brilham os filetes de água despejados pelos chuveiros, os jatos das torneiras, os jorros, os borrifos, a espuma nas esponjas.
A explicação a que cheguei é a seguinte: os cursos de água canalizados nos encanamentos de Armila ainda permanecem sob o domínio de ninfas e náiades. Habituadas a percorrer as veias subterrâneas, encontram facilidade em avançar pelo novo reino aquático, irromper nas fontes, descobrir novos espelhos, novos jogos, novas maneiras de desfrutar a água. Pode ser que a invasão delas tenha afastado os homens, ou pode ser que Armila tenha sido construída pelos homens como oferta para cativar a benevolência das ninfas ofendidas pela violação das águas. Seja como for, agora parecem contentes, essas moças: cantam de manhã.”
(CALVINO: 1999, págs. 49 – 50)
Há muito mais nas linhas do texto: As Cidades Invisíveis - As Cidades Delgadas 3, e Ítalo Calvino105 do que se pode ler, pois se diversas e diferentes vezes tornarmos a lê-
lo, muitas vezes mais descobriremos as cidades invisíveis coexistindo com nossas cidades reais e surreais.
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CALVINO, Ítalo. (Santiago de las Vegas, 15 de outubro de 1923 — Siena, 19 de setembro de 1985) foi um dos mais importantes escritores italianos do século XX. Nascido em Cuba de pais italianos, sua família retornou à Itália logo após seu nascimento. Fonte disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Italo_Calvino> visitado em 18/02/2007.
A água aparece no jardim desde os tempos imemoriais. Desviada do Tigre, Eufrates e Nilo a água na Antigüidade cumpria uma função prática e também simbólica, pois ao mesmo tempo que proporcionava prazer estético, também garantia a manutenção da vida e assegurava a lavoura do plantio à colheita.
É necessário valer-se de tantos aspectos do conhecimento humano a fim de demonstrar a importância da água, que se corre o risco de parecer obtuso, posto que sua importância é evidente, no entanto há trabalhos que recorrem inclusive à arqueologia, sob o titulo de “arqueologia da água” 106, a fim de pesquisar e encontrar
nossas antigas redes de abastecimento e distribuição da cidade de São Paulo, dos séculos XVI ao XIX - pois o que era evidente em Armila, hoje tornou-se obscuro e perdido em meio às tramas urbanas e a história da cidade de São Paulo.
Há estudos que relacionam a moral, a ecologia e a pacificação desenvolvidos por Biaggio,107 pois nos diversos estágios da moral estabelecidos por Kohlberg108,
somente nos dois últimos e superiores o homem consegue compreender que sua existência é co-dependente ao equilíbrio da natureza. Desta forma, a valorização e o respeito ao meio ambiente passam a ser: o respeito e a valorização da própria vida. Talvez este momento possa ser classificado (no futuro) como mais um estágio do sentimento egoístico na história da evolução humana, no entanto pretende ser mais - pretende ser amplo e maior do que a conscientização de que há apenas uma delicada nave espacial denominada planeta Terra e ludicamente chamada de Gaia 109 que
apresenta suporte de vida para nossa espécie, pretende que se reconheça conscientemente que a humanidade faz parte da própria nave e, portanto, que se respeite a co-existência.
É importante revisar sinteticamente alguns dos momentos históricos, a fim de entender a lógica do desenvolvimento da cidade de São Paulo e de sua rede hídrica, que foi projetada, ampliada e por tantas vezes reformada para atender os inúmeros habitantes e indústrias atraídos por um processo de urbanização complexo e acelerado.
Há certa semelhança entre os vestígios deixados pelos diversos sistemas de abastecimento que estiveram em vigor na cidade de São Paulo e o cenário descrito para a cidade invisível de Armila. Traçando um paralelo entre as duas cidades, pode- se afirmar que profana e diariamente, tomamos o lugar das ninfas e náiades ao desfrutarmos dos benefícios da água encanada trazida através das redes de abastecimento.
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FONSECA & VILAR, fazem investigação arqueológica para resgatar a história da evolução tecnológica no abastecimento da cidade de São Paulo, dos séculos XVI ao XIX. FONSECA; VILLAR: 2005, 46-47.
107 BIAGGIO, Angela Maria Brasil. Foi professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto
de Filosofia e Ciências Humanas no Departamento de Psicologia. Concluiu seu pós-doutorado na University of Notre Dame, U.N.D., Estados Unidos e dedicou muito de sua carreira acadêmica ao estudo dos estágios da moral desenvolvidos por Kohlberg e seu rebatimento nos aspectos do desenvolvimento social. Faleceu em 2003. BIAGGIO: 2002, pág.03 e 144.
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KOHLBERG, Lawrence. Desenvolveu a teoria dos estágios da moral, a princípio com seis estágios e posteriormente incluiu o sétimo. Somente no sexto e sétimo estágios da moral Kohlberg acreditava que o homem desenvolveria a espiritualidade e a consciência ecológica. BIAGGIO: 2002, passim.
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