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8. DENEY SONUÇLARI VE TARTIŞMA

8.1. YÜZEY PÜRÜZLÜLÜĞÜNÜN DENEYSEL OPTİMİZASYONU

Uma característica latente às notícias científicas é o uso de estatísticas para resumir os estudos e quantificar seus resultados. A quantificação da ciência é vista como sinônimo de credibilidade e se baseia no senso comum de que as porcentagens fornecem um conteúdo isento e objetivo e os “números não mentem jamais” (HONORATO et al., 2009).

Frequentes nas reportagens sobre ciência, elas estimam os danos provocados pelo aquecimento global, calculam etnias que formam o DNA de populações, avaliam respostas a medicamentos, preveem o risco de contrair doenças e se prestam às mais diversas situações. ‘Se você quer inspirar confiança, forneça muitas estatísticas’, teria dita o escritor inglês Lewis Carroll. ‘Não importa se elas estão certas, ou mesmo façam sentido, contanto que sejam muitas’.

O fornecimento de estatística foi quase um padrão nas notícias veiculadas pela Folha sobre os transtornos mentais. Elas aparecerem para quantificar resultados, fornecer números sobre os distúrbios e indicar fatores de risco. É isso que ocorre em “Autismo afeta uma a cada cem crianças nos EUA” (AUTISMO AFETA..., 2009), notícia focada apenas em divulgar estatísticas sobre o diagnóstico da doença mental.

Outras quatro matérias deram ênfase a estudos estatísticos que buscavam quantificar e apresentar panoramas dos transtornos no Brasil e no mundo. Do Iraque, dois estudos, constaram que a violência de guerras e do governo Saddam Hussein exacerbaram os distúrbios no país. Uma pesquisa com 4332 iraquianos mostrou que “17% sofrem de algum tipo de desordem mental” (VIOLÊNCIA..., 2009). Já “Depressão: Doença será a mais comum do mundo em 2030” (DEPRESSÃO DOENÇA..., 2009) traz estimativa da OMS e afirma que o distúrbio superará o câncer e a doença cardíaca e em 20 anos será a mais comum.

Um estudo nacional realizado pela USP entrevistou 5.037 residentes em 39 municípios da Grande São Paulo para chegar a conclusão apresentada no título da notícia: “45% da Grande São Paulo já manifestou transtorno mental” (SILVEIRA, 2009lb). Os dados foram contrastados com números do Ministério da Saúde e repercutidos com pesquisadores responsáveis e também de outras instituições, que tentaram explicar os prováveis fatores das estatísticas maiores que a média nacional. A sub “1 em cada 4 mulheres já teve depressão” (SILVEIRA, 2009a) comparou a incidência do transtorno em homens e mulheres, o percentual de incapacitação do distúrbio por sexo e o grau de ansiedade associada.

Além de quantificar os transtornos, as estatísticas são usadas para indicar fatores de risco e relações causais. É o que acontece em “Depressão eleva risco de morte em doente com câncer” (SILVEIRA, 2009g), estudo que afirma que pacientes com câncer deprimidos têm 40% mais chance de morrer, 30% das pessoas com câncer desenvolvem depressão em alguma fase da doença e somente apresentar sintomas depressivos já aumentam o risco de óbito em 25%. O trabalho não elucidou os mecanismos pelos quais a depressão contribuiria para o pior prognóstico do câncer e foi questionado por pesquisadores ouvidos na reportagem. Enquanto Célia Costa, do Hospital A.C. Camargo e Sara Bottino, do Instituto do Câncer tentavam encontrar fatores para essa relação, avaliando a falta de vontade em ser tratar e o abandono do tratamento como os mais prováveis. O médio Dráuzio Varella contestou o estudo e questionou: “Fica esquisito, porque, se você não consegue documentar que a depressão faz a doença progredir mais depressa, qual seria a relação causal entre a mortalidade e a depressão?”. Ainda que Varella desmitifique o estudo e os outros entrevistados também o questione, o título e o lead assertivos, que focam nos números e na relação causal de um estudo que nem a amostra ou a instituição responsável foram divulgadas, já são suficientes para propagar o pânico entre pessoas que estão sensibilizadas por ter a doença ou ter alguém próximo nessa situação.

Essa ditadura dos números, além de parecer dar credibilidade aos dados, é empregado frequentemente com o objetivo de popularizar a ciência, torná-la menos complexa e, por isso,

mais interessante ao público considerado leigo, que irá consumir a notícia científica na grande mídia (HILGARTNER, 1990). Mas, a popularização, ainda que necessária para informar e permitir que a sociedade sinta-se parte da ciência, esconde riscos como a distorção da ciência e o perigo de difundir estatísticas, cujos métodos para obtê-las tenham sido incorreto, negligenciados (HILGARTNER, 1990) ou nem mesmo divulgados.

Além de possíveis falhas de método, o uso de porcentagens traz outros perigos aos jornalistas, que encantado pelas estatísticas não se atentam para a discrepância existente entre números relativos (porcentual) e absolutos (a amostragem total). Desse modo, acabam divulgando matérias com base em grandes saltos ou quedas estatísticas, que às vezes não condizem com a realidade. Por isso, a AHCJ (2004) orienta os jornalistas de saúde a ter cuidado para não simplificar ou adulterar resultados, sempre quantificando a magnitude do benefício ou risco na história. Pois um aumento de 50% no risco relativo de, por exemplo, ter insônia na infância e ser diagnosticado com depressão na vida adulta, pode não significar muito se os números absolutos, o corpus da pesquisa for considerado insignificante como na matéria sobre os testes realizados no país com a maconha. Tanto o estudo destacado sobre o Parkinson, que afirma ter resultados promissores, como o outro citado sobre a fobia social, ainda que não citem estatísticas têm amostragens tão pequenas, de seis e dez pacientes, respectivamente, que não devem ser utilizados como indicadores da eficiência da substância.

Portanto, ainda que o senso comum da ciência e da estatística defenda as porcentagens como um conteúdo isento e objetivo é preciso tomar cuidado ao utilizá-las, para não veicular informações errôneas ou mesmo causar o pânico desnecessário ao divulgar estudos como o da relação entre câncer e depressão, cujos pesquisadores nacionais questionam, mas o título assertivo já é suficiente para provocá-lo. Luiz Felipe Pondé no artigo “A Porca” (2009) discorre sobre essa visão de ciência objetiva, baseada em estatísticas e no poder do cientista. Para ele, paranoias como a vivida pela sociedade em 2009 perante a Gripe H1N1 são provocadas exatamente pelos cientistas e a obsessão pelos números, uma vez que “esses indivíduos adoram exercer o poder sobre os outros, oferecendo como arma a força das estatísticas. (...) muitos que praticam a ciência o fazem gozando de poder e gerando paranoia.”