8. DENEY SONUÇLARI VE TARTIŞMA
8.4. SEM, EDX VE RIELTVELD ANALİZİ
Outra tendência apontada pela Folha é veicular notícias que apontem os transtornos mentais e de comportamento como algo tratável. Característica que se encontra presente tanto no título quanto no conteúdo dos textos.
Em “Técnica para tratar autista mais cedo traz benefícios” (BOTELHO, 2009c), a condição é explicitada logo no título da matéria sobre estudo da Universidade de Washington que visa a detecção precoce da psicose, de modo que os pesquisadores ouvidos pela repórter afirmam que iniciar o tratamento mais cedo traz melhores resultados. Essa condição também é encontrada em “Brasil testa maconha para tratar Parkinson” (SILVEIRA, 2009d), que divulga resultados promissores da técnica experimental que tem efeito ansiolítico contra a fobia social e é testado “para tratar males como doença de Parkinson, fobia social e sintomas psicóticos da esquizofrenia.”
A condição tratável é ressaltada em “Cirurgia para doenças mentais traz esperança e riscos” (CAREY, 2009a). No texto, o procedimento cirúrgico é o tratamento utilizado não apenas para tratar, mas no intuito de curar, o TOC e a depressão.
Ainda que o diagnóstico de alguns transtornos seja difícil como é o caso da esquizofrenia, da síndrome do pânico e da depressão, cuja pesquisa mostrou que “somente
47% dos casos são diagnosticados no atendimento primário e há falso diagnóstico em 20% dos casos” (SILVEIRA, 2009f), eles são também tratáveis e há exemplos de superação.
“Esquizofrenia sob controle” (COLLUCCI, 2009c) revela a história de José Alberto Orsi, que só foi diagnosticado com transtorno esquizoafetivo após 6 anos de sintomas, 4 surtos psicóticos e 6 internações em clínicas psiquiátricas no Brasil e nos EUA. O texto fala sobre o tratamento ao qual ele é submetido – uso de antipsicótico, antidepressivo e estabilizador de humor, além da terapia ocupacional – e que há 8 anos, após muitas crises e perdas de emprego, paralisação dos sonhos e também de neurônios (a esquizofrenia é uma doença degenerativa), ele mantém a doença sob controle e se reinseriu socialmente.
Perdas, dificuldades de diagnóstico e superação também marcam a história de Silvana Prado, portadora de síndrome do pânico há quase 20 anos. Antes de ela própria descobrir seu problema ao ler uma revista, foi diagnosticada e tratada para depressão. Ela aprendeu que a síndrome do pânico “pode ser controlada com exercícios de relaxamento e mudanças de comportamento, além dos remédios” (CUPANI, 2009). E em 6 meses já tinha o distúrbio sob controle e superado.
6.4.2.1 Dos medicamentos às terapias e meios naturais: os tratamentos
O caráter organicista e a visão dos transtornos enquanto doença manifesta-se também por meio de notícias que falam a respeito de medicamentos, a gotinha ou comprimido que, segundo Lefèvre (1991) foi eleito pela mídia como o símbolo da saúde.
As notícias que discorrem sobre eles caracterizam-se por focar em um medicamento ou tipo deles, sua atuação e possíveis efeitos colaterais no paciente. Ou seja, não se nota uma supervalorização da droga, que é vista muito mais como um mal necessário para o controle dos transtornos, do que uma fonte de bem-estar. Tanto que notícias como “Antipsicótico novo e antigo trazem mesmo risco cardíaco” (MANTOVANI, 2009a) e “Antipsicótico faz criança engordar 8 kg em 12 semanas” (COLLUCCI, 2009a) divulgam estudos publicados em periódicos de prestígio que alertam sobre seus efeitos colaterais. O primeiro texto traz uma comparação entre os antipsicóticos novos e antigos, vistos como menos eficazes e fontes de mais reações adversas. O estudo, por sua vez, levanta dúvidas sobre esse fato e afirma que elas são iguais. A pesquisa foi repercutida com três pesquisadores da USP e um da Sociedade Brasileira de Psiquiatria. Hélio Elkin afirma que os novos são mais tolerados pelos pacientes; Wagner Gattz diz que não é possível precisar qual é melhor; Táki Cordas revela que prefere prescrever os novos e Luiz Alberto Heten, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, explica que
os novos são muito mais caros, mas por não apresentarem no paciente o efeito de “Parkinson” (tremedeira) faz com que eles o tomem adequadamente, não interrompendo o tratamento. O texto traz uma discussão sem um veredicto final sobre qual seria o “menos pior”, de certo mesmo, só a necessidade de tomar remédios.
A segunda matéria foca apenas nos efeitos colaterais que os antipsicóticos (sem distinguir tipos) têm gerado em crianças e adolescentes. Dois estudos internacionais constataram que eles causam aumento de peso e elevam os níveis de colesterol, triglicérides e insulina, o que pode elevar o risco de doenças cardiovasculares. A pediatra da UFSP Isabela Guiliano diz que é indispensável selecionar bem os casos que precisam ser medicados, uma vez que atualmente se indicam mais antipsicóticos do que deveriam. Já o psiquiatra da Santa Casa do Rio de Janeiro, Fábio Barbirato afirma que os médicos precisam saber escolher os medicamentos, pois há drogas com menos efeitos coletareis, porém 40% mais caras. O texto tem o mérito de repercutir o estudo com outros profissionais, porém, falha por não ouvir pessoas que convivem com o problema e nem o outro lado, ou seja, as indústrias farmacêuticas.
Mas se essa matéria falha por não deixar as indústrias darem suas versões, a notícia “Novo droga aciona ‘botão antipático’ no cérebro” (BALAZINA, 2009) divulga um estudo patrocinado por um grande laboratório, o Novartis, minimizando esse dado importantíssimo que só é divulgado na última linha do texto, depois todos os potenciais benefícios da nova droga serem exaltados. Na matéria dá-se muito mais ênfase ao fato de o estudo europeu ter sido publicado na Science do que em quem patrocina ou participa das pesquisas. Afirma-se que um “novo componente poderá, no futuro, combater ataques de pânico e ansiedade sem os efeitos colaterais dos remédios mais usados hoje em dia.” Até o momento a pesquisa foi realizada com roedores e 71 voluntários e, ainda que o pesquisador responsável e um cientista brasileiro ouvido pelo diário falem sobre os bons prognósticos dos testes, o conflito de interesse, o fato de ser um estudo bancado por um grande laboratório foi encoberto.
Outro texto que merece destaque é “Exame do cérebro aponta melhor droga para tratar depressão” (BASSETE, 2009a), matéria que aborda estudo da Universidade da Califórnia, publicado na Psychiatry Research, que indicou um possível biomarcador capaz de identificar após uma semana de tratamento se determinada droga antidepressiva é eficaz. Quase 50% dos pacientes não apresentam respostas satisfatórias aos medicamentos e os médicos só diagnosticam o fato após quatro ou seis semanas. Além do pesquisador responsável, cientistas brasileiros são ouvidos sobre técnica que apresenta 74% de exatidão nas previsões. Ricardo Moreno, da USP, diz que resultados são interessantes, mas a técnica é cara e requer novos
estudos em outros centros. Já Marcos Pacheco Ferraz, da Unifesp, afirma que se em 26% dos casos o resultado da técnica não é satisfatório, então ela estão longe de ser aplicada na prática clínica, uma vez que essa quantidade é muito relevante para ser desprezada.
As notícias “Antipsicóticos: FDA avalia liberação de drogas para crianças” (ANTIPSICÓTICOS..., 2009) e “Memória: Remédio pode minimizar lembranças ruins” (MEMÓRIA..., 2009) abordam o uso de medicamentos para tratar, respectivamente, crianças com transtorno bipolar e esquizofrenia e pessoas com fobias ou distúrbios de ansiedade. Já em “Ecstasy é usado para tratar veteranos de guerra” (ECSTASY..., 2009), pesquisadores dos EUA estão usando a droga para tratar “veteranos de guerra que sofrem do distúrbio do estresse pós-traumático.”
Por outro lado, o artigo “Os novos dependentes” (BERMAN, 2009) é uma crítica do psicanalista Joel Berman à cultura do antidepressivo por meio da visão que transforma toda depressão em orgânica e tratável com medicamentos. Berman não é único a posicionar-se contrariamente a essa visão orgânica dos transtornos mentais e à cultura de que a solução está nos medicamentos. A cientista norte-americana Kelly Lambert, em entrevista à Folha, “Faxina contra o baixo-astral” (LEITE NETO, 2009) defende que não é possível afirmar que drogas tenham alguma influência direta em pessoas com depressão e que atividades simples, como limpar o chão, desde que tragam sensação de prazer e recompensa podem combatê-la. Outras notícias seguiram a mesma linha e apontaram outras “receitas e caminhos” para evitar e tratar os transtornos mentais.
“Injeção de ânimo” (BIDERMAN, 2009) traz dez sugestões para melhorar o humor e tratar casos de depressões leves e moderadas sem recorrer a medicamentos, entre eles estão exercícios físicos, meditação, acupuntura, erva de São João, etc. “Música vira receita médica contra doenças” (GUREWITSCH, 2009) fala sobre pesquisadores europeus que transformam músicas em remédio. No Brasil, a musicoterapia é empregada na “prevenção e recuperação de doenças mentais e problemas psicológicos, como depressão e estresse” (MERCIER, 2009). O sal de cozinha é a receita fornecida pela notícia “Antidepressivo natural” (ANTIDEPRESSIVO..., 2009), em “Tetris diminui sintomas de trauma” (TETRIS..., 2009), o jogo é usado para reduzir lembranças de quem sofre de estresse pós-traumático. E a iogaterapia ajuda no tratamento de fobias, hipertensão, diabetes, dores na coluna, estresse e abstinência do cigarro (CALDERARI, 2009). Essas são matérias que ao fornecer “receitas” para tratar ou evitar os transtornos mentais atuam como “manuais de autoajuda” fornecendo ao leitor prescrições sobre como agir para viver bem.
Além das soluções naturais e didáticas, há textos que apostam nos mais variados tipos de tratamentos para os distúrbios mentais. Crianças e adolescentes autistas participam de terapia experimental com cães no Instituto de Psiquiatria, da USP, a fim de melhorar seu relacionamento com as pessoas e a comunicação (BASSETE, 2009b). A psicoterapia interpessoal de grupo reduziu em 50% os sintomas como depressão e ansiedade e elevou em 80% a qualidade de vida de pacientes com estresse pós-traumático, segundo estudo da Unifesp. Quarenta pacientes que não estavam respondendo ao tratamento com medicamentos foram submetido a técnica que promete recuperá-los em 6 meses (TERAPIA..., 2009). Já a terapia cognitivo-comportamental pode melhorar sensivelmente sintomas de ansiedade generalizada em sexagenários. É o que diz estudo norte-americano com 134 voluntários publicado no Journal of de The American Medican Association (POUCAS..., 2009b) e mesmo realizada via internet, ela é “mais efetiva para tratar depressão do que uma simples consulta com o clínico geral desde que realizada em tempo real” (SILVEIRA, 2009c).
Portanto, quando o assunto é o tratamento dos transtornos mentais, ainda que sejam vistos predominantemente como mal necessário, os medicamentos por seus efeitos colaterais recebem críticas, que permitem discussões sobre a cultura do antidepressivo e abre espaço para a divulgação de técnica naturais ou terapias que podem auxiliá-los a fim de fornecer maior conforto e melhores condições para os portadores.