5. YÜZEY AKTĐF MADDELER VE ÖZELLĐKLERĐ
5.4. Yüzey Aktif Maddeler Kullanılarak Yapılan Çalışmalar
Existem muitas polêmicas no meio acadêmico sobre o emprego da metodologia qualitativa versus a quantitativa. Segundo Minayo (1994), até 1930 era defendida a superioridade das abordagens qualitativas sobre os estudos sociais fundamentados em dados estatísticos. Após esse período, com o desenvolvimento de inúmeros estudos quantitativos por algumas universidades americanas, as abordagens estatísticas dominaram: em termos de eficiência para tratar em número substancial de casos e, como consequência, foi concluído que se ambos os métodos levavam aos mesmos resultados, o mais dispendioso, complexo e menos prático poderia ser dispensado, passando o método qualitativo para um segundo plano.
A partir de 1960, foram retomados os movimentos em prol do método qualitativo. Uma das justificativas era de que o método quantitativo produzia resultados, porém desgarrados do
contexto, mostrando a pobreza da reflexão social e de detalhes que não podiam ser quantificados (MINAYO, 1994; 2000). Neste período também surgiram diversos estudos para o aprofundamento e revalorização das metodologias qualitativas, a fim de que os relatos produzidos na pesquisa não virassem um anedotário a ser compartilhado, mas sim de gerar e informar questões importantes para a sociedade quanto ao processo de doença e o doente em seu ambiente e realidade social (MINAYO, 1994; 2000).
De fato, Turato (2005) também concorda que o número de pesquisas qualitativas no campo da saúde é crescente. Porém, até pouco tempo atrás, muitos manuscritos foram rejeitados por revistas por não serem considerados científicos, pois os resultados pareciam apenas histórias curiosas contadas por pessoas sobre eventos de suas vidas, sem preocupações sistemáticas, como se fossem anedotas (TURATO, 2005).
Assim, muitos pesquisadores desenvolvem estudos quantitativos por acreditarem que estes possuem maior embasamento científico, mostrando resultados mais fidedignos para um mesmo caso. Contudo, a pesquisa qualitativa possui sua fundamentação teórica e métodos próprios para análise de dados. O fato é que para muitos profissionais, torna-se difícil se aprofundar no campo das ciências humanas com o intuito de realizar um estudo qualitativo com todo o rigor científico (TRIVIÑOS, 1987).
Na formação dos nutricionistas há um predomínio das ciências biológicas e, por outro lado, as ciências humanas não são devidamente valorizadas pelos estudantes, o que acaba por comprometer o preparo do aluno para assumir atividades educativas (BOOG, 1997).
Desta forma, encontram-se muitos trabalhos quantitativos no campo da saúde, porém não existe um método melhor que o outro. Os dados das pesquisas quantitativas e qualitativas são complementares. A escolha do método para o estudo depende dos objetivos do pesquisador, que, inclusive, pode chegar as mesmas conclusões sobre o estudo em ambos os métodos (TRIVIÑOS, 1987; MINAYO, 2000).
Ao longo dos anos, pesquisas sobre a compreensão do processo educacional, nas áreas de ciências humanas e sociais, sofreram diversas influências e evoluções. Segundo Lüdke e André (1986), por muito tempo elas seguiram os modelos de desenvolvimento das ciências físicas e naturais, como se o fenômeno educacional pudesse ser isolado e avaliado através de variáveis, para constatar a influência que cada uma delas poderia exercer sobre o fenômeno em questão. Porém, percebeu-se que, com esse tipo de abordagem analítica na área de educação, seria difícil
isolar as variáveis envolvidas e mais ainda indicar quais seriam as responsáveis por determinado efeito.
Triviños (1987) comenta que os investigadores quantitativos, muitas vezes, transformam a estatística num instrumento fundamental de sua busca, quando ela realmente deveria ser um elemento auxiliar do pesquisador e acabam por desperdiçar um material hipoteticamente importante que auxiliaria para o avanço de interpretações mais amplas.
Minayo (2000) acrescenta que os dados quantitativos e qualitativos não se opõem, ao contrário, eles se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia.
Assim, verifica-se o crescente número de trabalhos na área da saúde que utilizam a pesquisa qualitativa para tentar compreender melhor os fenômenos que não podem ser explicados através de pesquisas quantitativas.
Segundo o conceito de Minayo (2001), a abordagem da pesquisa qualitativa:
[...] responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificada. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo nas relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (p. 21-22).
Chizzotti (2003) complementa que:
[...] a abordagem qualitativa parte do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito. O conhecimento não se reduz a um rol de dados isolados, conectados por uma teoria explicativa; o sujeito observador é parte integrante do processo de conhecimento e interpreta os fenômenos, atribuindo-lhes um significado. O objeto não é um dado inerte e neutro; está possuído de significados e relações que sujeitos concretos criam em suas ações. (p. 79).
Os pesquisadores qualitivistas estudam as coisas em seu ambiente natural e não buscam estudar o fenômeno em si, mas sim investigar as causas e efeitos particulares dentro do universo humano, o seu significado para a vida das pessoas e a discussão de caminhos alternativos para a solução do problema em questão (TURATO, 2005). O mesmo autor acrescenta que a partir do momento em que os indivíduos também têm a consciência do significado dos fenômenos, é possível organizar melhor as suas vidas, incluindo seus próprios cuidados com a saúde.
Lüdke e André (1986, p. 18) sintetizam o conceito de pesquisa qualitativa ao referirem que “[o estudo qualitativo] é o que se desenvolve numa situação natural, é rico em dados descritivos, tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada.”
Este conceito foi elaborado através das características de uma pesquisa qualitativa descritas por Bogdan e Biklen (1994) em que:
1 – A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento; 2 – Os dados coletados são predominantemente descritivos; 3 – A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto; 4 – O significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador e; 5 – A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo.
Deste modo, na pesquisa qualitativa é necessário o contato direto entre o pesquisador e o pesquisado no seu ambiente natural, a fim de alcançar uma compreensão global dos fenômenos. Os dados descritivos podem ser obtidos através de observações, entrevistas ou interações verbais e interpretados com o foco nos significados dos participantes com o intuito de esclarecer os processos e auxiliar os indivíduos.
De acordo com Minayo (2001), o objeto das Ciências Sociais é essencialmente qualitativo.
A realidade social é o próprio dinamismo da vida individual e coletiva com toda a riqueza de significados dela transbordante. Essa mesma realidade é mais rica que qualquer teoria, qualquer pensamento e qualquer discurso que possamos elaborar sobre ela. Portanto, os códigos das ciências que por sua natureza são sempre referidos e recortados são incapazes de a conter. As Ciências Sociais, no entanto, possuem instrumentos e teorias capazes de fazer uma aproximação da suntuosidade que é a vida dos seres humanos em sociedades, ainda que de forma incompleta, imperfeita e insatisfatória. Para isso, ela aborda o conjunto de expressões humanas constantes nas estruturas, nos processos, nos sujeitos, nos significados e nas representações. (p. 15).
Para finalizar, a mesma autora (MINAYO, 2000) ressalta que a pesquisa social não pode ser definida de forma estática ou estanque. Ela só pode ser conceituada historicamente e entendendo-se todas as contradições e conflitos que permeiam seu caminho.
Assim, a pesquisa qualitativa, por estar dentro do âmbito da pesquisa social, aborda um determinado fato que não pode ser visualizado isoladamente, mas dentro de um contexto mais amplo, inserido em um momento determinado e que recebe influências de situações anteriores.
Quanto ao modelo para execução da pesquisa, Chizzotti (2003) cita que o processo da pesquisa qualitativa não obedece a um modelo padronizado, pois existem diferentes possibilidades de programá-la e executá-la. Ressalta-se a capacidade e criatividade do pesquisador e dos pesquisados, que pode convergir para um conjunto de microdecisões sistematizadas com o objetivo de validar um conhecimento coletivamente criado, a fim de se eleger as estratégias de ação mais adequadas à solução dos problemas.
Triviños (1987) reafirma esta questão quando relata que o pesquisador, orientado pelo enfoque qualitativo, possui ampla liberdade teórico-metodológica para realizar o seu estudo. Porém, os limites de sua iniciativa particular estarão fixados pelas condições da exigência de um trabalho científico, que deve ter uma estrutura coerente, consistente, originalidade e nível de objetivação capazes de merecer a aprovação dos cientistas num processo intersubjetivo de apreciação.