13. DENKLİK İŞLEMLERİNİN USUL VE ESASLARI
3.4. Yüksek Lisans / Doktora Denkliği
Os estudos de Michael Apple, em Educação e poder (1989, p. 154), mostram que “as ideologias não são apenas conjuntos globais de interesses, coisas impostas por um grupo sobre outro. Elas são constituídas por nossas práticas e significados de senso comum.” Portanto, elas são encontradas no interior das atividades de rotina das escolas. Ele argumenta que se quisermos entender a ideologia em funcionamento nas escolas, devemos olhar para aspectos concretos da vida pedagógica, o que pode auxiliar, segundo o autor, na interpretação do papel da ideologia “na” educação.
Sendo assim, ele explicita que existe uma desqualificação do trabalho escolar pela direção que assume a prática em sala de aula, que, por sua vez, é ideológica. De acordo com a perspectiva teórica adotada, os atos são ideológicos e acompanhados pela palavra. Essa desqualificação passa pela fragmentação do trabalho educativo e pela quantidade e qualidade dos conteúdos objetivos veiculados. Muitas vezes, o que ocorre é um aligeiramento do conteúdo escolar que é veiculado nas escolas. Contra o aligeiramento do ensino destinando às camadas populares, Saviani (2008) se posiciona de maneira contundente:
[...] nós precisaríamos defender o aprimoramento exatamente do ensino destinado às camadas populares. Essa defesa implica a prioridade de conteúdo. Os conteúdos são fundamentais e sem conteúdos relevantes, conteúdos significativos, a aprendizagem deixa de existir, ela transforma-se num arremedo, ela transforma-se numa farsa (SAVIANI, 2008, p. 45).
Sendo assim, a questão do conteúdo veiculado nas escolas públicas está relacionada à questão levantada por Apple sobre o capital cultural. Além da questão relativa ao aligeiramento do conteúdo, o autor dá outro exemplo para fazer valer a sua ideia de desqualificação do trabalho escolar. Nesse exemplo, percebe-se que os métodos e técnicas passam a ter mais importância do que os conteúdos. Trata-se da utilização dos chamados pacotes de ensino, cuja utilização é cada vez mais frequente. São materiais padronizados, que incluem relações de objetivos, todos os conteúdos curriculares e materiais necessários, a especificação das atividades a serem realizadas pelos professores e as respostas apropriadas esperadas dos alunos, além de testes de diagnóstico e de rendimento, em coordenação com o sistema.
O material especifica todos os objetivos. Ele inclui tudo o que um professor “precisa” para ensinar, tem os passos pedagógicos que o professor deve tomar para alcançar esses objetivos já embutidos, e já tem também embutidos os mecanismos de avaliação. Ele não apenas pré-especifica quase tudo que um professor precisa saber, dizer e fazer, mas em geral fornece um esboço de quais seriam respostas apropriadas dos alunos a esses elementos. (APPLE, 1989, p. 159).
Apple (1989) chama o processo descrito acima de “processo de produção”, já que muito pouco é deixado ao azar. Frigotto (1995) aponta que com a desqualificação do trabalho escolar, por meio de procedimentos como esse, tem-se a supremacia de métodos e técnicas. O conteúdo escolar fica, dessa forma, deteriorado. Apesar do acesso à escola pública no Brasil ter aumentado nos últimos anos, o que se observa concretamente, o que se nega, são as condições objetivas que facultem uma escola de qualidade.
Apple (1989) amplia a discussão da desqualificação do trabalho escolar ao asseverar que a partir da utilização de materiais padronizados, os professores também estão sendo desqualificados. O autor afirma que
Habilidades que os professores e professoras costumavam precisar, que eram tidas essenciais para a arte de trabalhar com crianças – tais como o planejamento e a elaboração do currículo, o planejamento de estratégias curriculares e de ensino para grupos específicos, com base num conhecimento íntimo dessas pessoas – não são mais necessárias. Com o influxo em grande escala de materiais pré-empacotados, o planejamento é
separado da execução. O planejamento é feito ao nível da produção, tanto das regras para o uso do material, quanto do próprio material. A execução é levada a efeito pelo professor ou pela professora. Ao longo desse processo, aquelas que eram consideradas habilidades valiosas tornam-se gradualmente atrofiadas, porque são exigidas com menos frequência (APPLE, 1989, p. 161).
Não advogo contra a utilização de materiais padronizados, pois o problema reside no seu uso indiscriminado, sem planejamento prévio do professor e sem a análise das necessidades dos alunos. Acredito que é esse uso inapropriado que desqualifica o trabalho do professor e que traz sérias consequências para o tipo de aprendizagem que ocorre na sala de aula.
A política salarial, que sustenta o magistério em todos os níveis, é outra forma de desqualificação do trabalho dos professores. Tratando-se do estado de São Paulo, onde esta pesquisa foi realizada, Vladimir Safatle15, em artigo escrito para o jornal Folha de S. Paulo, publicado em 25 de outubro de 2010, revela que:
Se ouvíssemos os professores, descobriríamos que um dos maiores problemas do nosso sistema de ensino é o profundo desinteresse que o magistério desperta em nossos melhores alunos, isso principalmente nas carreiras de ensino fundamental e médio. Não é difícil descobrir a razão: os salários são patéticos e as condições de trabalho péssimas. A situação do estado de São Paulo é exemplar, nesse sentido. O Estado mais rico da Federação tem salários inferiores àqueles oferecidos no Acre, no Tocantins, em Rondônia, no Rio de Janeiro, em Mato Grosso, no Espírito Santo, entre outros. Mesmo em suas universidades, os salários são menores que aqueles oferecidos nas federais. É difícil encontrar uma justificativa para tanto. (SAFATLE, Você disse “educação”?, Folha de S. Paulo, 25 out. 2010,
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2510201025.htm.>. Acesso em 01 jul. 2011).
O fato acima descrito, relativo ao baixo salário dos professores do Estado de São Paulo, foi também discutido no artigo Fórmula simples da qualidade do ensino, publicado em 10 de maio de 2010, no jornal Folha de S. Paulo, escrito por Maria Izabel Azevedo Noronha16. A autora afirma que o estado de São Paulo ocupa o 14º lugar no ranking dos salários dos professores brasileiros. O salário-base do professor que ministra aulas nos cinco primeiros anos do ensino fundamental, com jornada de 24 horas semanais, é de apenas R$ 785,50, e do professor que ministra aulas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e no ensino médio, com jornada de 24 horas semanais, é de R$ 909,00. A autora ainda acrescenta que o magistério paulista acumulou uma perda salarial de 22% nos últimos dez anos.
15 Vladimir Safatle é professor do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo (USP). 16
Desse modo, pode-se afirmar que a proletarização do magistério é mais uma das formas de desqualificação do trabalho escolar. Frigotto (1993) traz à tona dados coletados entre os anos de 1976 a 1980 que indicam que os cursos de educação e as licenciaturas são, invariavelmente, tanto para o ensino público quanto para o privado, um locus no qual são relegados muitos daqueles a quem a seleção social do vestibular não faculta outras “escolhas”. Segundo o autor, um estudo feito em uma universidade privada do Rio de Janeiro, com 16 mil alunos, aponta que 60% dos que estão matriculados no curso de pedagogia não tinham como primeira opção esse curso. Em pesquisa recente, Sousa (2006) expõe que entre os professores de inglês da escola pública estadual entrevistados para sua pesquisa, nenhum afirmou um dia ter “sonhado” em ser professor.
Outro dado alarmante que demonstra a difícil realidade vivida pelos docentes da rede pública de ensino do estado de São Paulo é revelado no trabalho de Lapo e Bueno (2003). Segundo as autoras, ocorreu um aumento progressivo do número de professores que abandonam o magistério na rede pública estadual de São Paulo. De 1990 a 1995, houve um aumento da ordem de 300% nos pedidos de exoneração do magistério público estadual no Estado.