Quadro 7: Análise da Metafunção Ideacional: Transitividade e da Metafunção Interpessoal: Avaliatividade [Capítulo II “Na sala de aula”]
Cap. II – Na sala de aula O professor de geografia perguntou:
- Como é o seu nome? (T) Identificador Relacional Identificado (A)
-Turíbio Carlos. (T) Identificador (A)
Discussão
Turíbio Carlos, no papel de fala de respondedor, apresenta-se à sala.
-Como?
- Turíbio Carlos. – [ele] levantou. E levantou também um pouco a voz: (T) Ator Material Verbal Circunstância [= falou mais alto]
(A) Julgamento(+) Apreciação (-)
Discussão
Turíbio Carlos é Ator, em processo Material, quando se levanta em respeito ao professor, avaliado com Julgamento(+). Percebe-se que, tímido, falou de maneira inaudível, o que atribui Apreciação (-) para a voz.
- Mas lá em casa eles me chamam de Tuca. (T) Circunstância Dizente Receptor Verbal Verbiagem (A) Julgamento(+)
Discussão
O menino começa a vencer a timidez e completa a sua fala. No papel projetado, Tuca é nomeado pelo apelido.
- Quem sabe aqui na escola você também fica sendo Tuca? (T) Circunstância Portador Relacional Atributo (A) Julgamento(+)
Discussão
O professor, diante do comportamento tímido do menino, adota um tom afetuoso Julgamento(+), e sugere que ele seja chamado pelo apelido como está acostumado. O autor do papel desempenhado é "você", o que contribui para o tom afetuoso geral. É o início da logogênese ou prosódia, a avaliação, no caso, positiva, que se espalha pelo enunciado.
E o Tuca arriscou: - Eu topo. (T) Dizente Verbal Ator Material
Discussão
Tuca, animado pelo tom convidativo do professor, usa uma gíria, o que de sua parte pode significar que ele avaliou positivamente a atitude do mestre.
O professor de geografia resolveu: - Então pronto. – E [o professor] escreveu na ficha: - Tuca.
(T) Dizente Verbal Circunstância Verbiagem (A) Julgamento (+)
Discussão
Em uma atitude simpática, o professor, como que adivinhando o desejo de Tuca - de poder fazer sua escolha - resolve a situação, registrando o apelido.
A turma riu: era a primeira vez que eles ouviam o Tuca falar: (T) Experienciador Mental Fenômeno
(A) Julgamento(-)
Discussão
A classe ri, não do Tuca, mas do insólito, uma modalização de frequência (HALLIDAY, 1994), que é ouvir sua voz.
ele não puxava conversa, não entrava em grupo nenhum, (T) Dizente Verbal Material Circunstância (A) Julgamento(-)
e na hora do recreio ficava sempre estudando.
(T) Circunstância Material (A) Julgamento(+)
Discussão
Do diálogo passa-se para a descrição de Tuca, sua personalidade de menino silencioso, isolado do restante da classe, que se refugia nos estudos. Por que ele é
assim? Dialogará o leitor, movido pelo processo da "compreensão responsiva ativa".
Foi só a turma rir que o Tuca se encolheu de novo: (T) Comportante Comportamental Circunstância (A) Afeto(-)
enterrou o cotovelo na carteira, botou a cara na mão, (T) Comportamental Comportamental (A) Afeto(-) Afeto(-)
grudou o olho no caderno aberto e Comportamental
Afeto(-)
ficou achando que a classe tinha rido era do nome dele. (T) Mental Comportamental
(A) Afeto(-) Julgamento(-)
Quando a aula acabou, do o mundo saiu pro recreio, mas o Tuca nem se mexeu. (T) Comportante Comportamental (A) Afeto(-)
Discussão
Continua a descrição de Tuca. Para ele a classe não é amistosa, pois ri do seu apelido, no seu Julgamento enviezado pela humilhação, quando ele poderia ter rido junto com os colegas. Os Processos Materiais ("enterrou", "botou", "grudou", "mexeu" , isto é, o que ele fez) são na realidade Processos Comportamentais, a soma de forte estado mental de desconforto (Afeto negativo), que o faz assim agir (Processo Material).
Os leitores, dizem Kitis e Milapides (1997), movidos por princípios humanos de caridade são sensíveis à fraqueza e à incapacidade do outro. A descrição de Tuca, indo ao encontro desses princípios, alojados no enquadre do leitor, inicia o estabelecimento da ideologia do apoio ao pobre em oposição ao rico.
O Rodrigo foi comprar um sanduíche e voltou pra acabar um trabalho. (T) Ator Material Meta
Nem prestou atenção no Tuca, debruçou no caderno e começou a escrever. (T) Mental Fenômeno
(A) Julgamento(-)
Discussão
O Tuca, sem amigos na classe, nem é percebido por Rodrigo. Note-se o contraste entre Rodrigo, que compra um lanche e volta para classe porque quer terminar uma tarefa, e Tuca, que lá está, não porque quer, mas porque não se sente enturmado com a classe. Por que é assim? Há aqui um pequeno suspense, que atiça a curiosidade do leitor.
O olho do Tuca foi indo pro sanduíche. Quando chegou lá quem diz que ia embora? (T) Ator Material Meta Material Circunstância Comportamental (A) Afeto(-) Avaliação Social(-)
Discussão
Tuca vê o sanduíche e não consegue tirar seus olhos dele. Ele está com fome. A prosódia da Avaliatividade, somando a sua timidez, seu retraimento, sua permanente sensação de humilhação, seu deslumbramento diante do lanche do colega, não deixa mais dúvidas: ele se sente excluído da sociedade escolar porque não tem as condições financeiras dos seus colegas.
O Rodrigo pegou o sanduíche, deu uma dentada e aí viu (T) Ator Material Meta Material Mental (A) Afeto(+)
que o olho do Tuca tinha também mordido. (T) Ator Material
(A) Afeto(-) Avaliação Social(-)
Discussão
Rodrigo percebe a fome de Tuca, momento em que a voz de Bojunga, por meio de uma metáfora, fisicaliza o desejo esfomeado do colega. Os olhos de Tuca
denunciam a carência (Afeto negativo), a insatisfação de não estar ele abocanhando o sanduíche. Já iniciou a descrição do contraste entre o rico e o pobre.
A boca do Rodrigo foi mastigando. O olho do Tuca mastigou junto. (T) Ator Material
(A) Avaliação Social(+) Avaliação Social(-)
A boca deu outra dentada; o olho mordeu também. (T) Ator Material Meta Ator Material Circunstância (A) Avaliação Social(+) Avaliação Social(-)
Discussão
A Avaliação Social(+) para Rodrigo, que pode se deliciar com o sanduíche, e de AvaliaçãoSocial(-) para Tuca, que só pode comer com os olhos. A metáfora reforça o contraste em que o conto se apoia para a construção da ideologia, ou seja, o sistema de crenças e de valores presente no enquadre mental do leitor, representada por outra metáfora, a do rico e do pobre. Com isso, o conto espera contar com a "'compreensão responsiva ativa" do leitor infantojuvenil, que, em geral, tende a apiedar-se do pobre.
A boca foi parando de mastigar; o olho do Tuca foi ver o que que tinha acontecido: (T) Ator Material Ator Material
(A) Apreciação(-)
deu de cara com o olho do Rodrigo: se assustou: (T) Material Meta Comportamental (A) Afeto(-)
voltou correndo pro caderno. (T) Material Circunstância (A) Afeto(-)
Discussão
Tuca está tão entretido com a cena do colega saboreando o sanduíche, que não teve tempo de desviar o olhar da cena, sendo assim pego de surpresa. E se refugia no caderno.
De repente o Rodrigo fez um ar meio distraído e estendeu o sanduíche: - Quer? (T) Comportamental Material Meta
(A) Afeto(-) Julgamento(+)
Discussão
Rodrigo, também surpreso, mas sem ter muita certeza do que acontecia ("um ar meio distraído") e nem da adequação da atitude a tomar, oferece o sanduíche ao Tuca. O Processo Comportamental “fez” (ou seja, a soma de dois Processos: Mental e Material), é aqui uma metáfora de Processo - um Processo substituindo outro: o que ele fez é o resultado de seu estado mental de surpresa (Processo Mental), e não decorrente de sua escolha (Processo Material). Diz Macken-Horarik (2003) que a maioria das narrativas escolares envolve uma instrucionalidade, não abertamente moralizante, por meio das quais a escola passa os valores e crenças existentes em uma cultura. É o que acontece aqui: a atitude de Rodrigo que estende as mãos para Tuca.
O Tuca ficou sem saber o que que [ele] respondia: acabou fazendo que sim. (T) Experienciador Mental Dizente Verbal Material Meta (A) Afeto(-)
Pegou o sanduíche com as duas mãos. Olhou pro pão. Cravou os dentes. (T) Material Meta Circunstância Comportamental Alcance Material Meta (A) Apreciação(+) Afeto(+)
Discussão
O trecho mostra a atitude desajeitada de Tuca, diante da atitude de Rodrigo, entre surpreso e atencioso. Mas a fome é maior do que o momento de desconforto de toda a situação, parecendo até que um aceno - involuntário? - de cabeça antecipa- se a qualquer articulação verbal.
a vida de cada um deles, não tinham tido a oportunidade de se aproximarem. Tudo indica que essa situação desencadeie no leitor a curiosidade para continuar a leitura do conto.
- Pode comer ele todo – O Rodrigo falou. E foi só [ele] acabar de falar (T) Material Meta Dizente Verbal Dizente Verbal
(A) Julgamento(+)
que o sanduíche já tinha sumido [= o sanduíche foi devorado]. (T) Meta Material
(A) Afeto(+)
Discussão
O tom compreensivo de Rodrigo, dando a Tuca a permissão (Modulador "pode") de comer o que resta do sanduíche, recebe no sistema de valores do leitor, a Avaliatividade de Julgamento(+). A avaliação de pessoas e coisas e situações é um processo, sem dúvida, muito subjetivo e depende muito da posição de leitura,
como alerta Martin. Porém, se já temos - no caso de Tchau - a evidência de sua
boa aceitação, poder-se-ia afirmar que pelo menos o leitor infantojuvenil tende avaliar como positiva a atitude de quem dá aos pobres.
O Rodrigo saiu da classe sem dizer nada. Voltou com mais dois sanduíches. (T) Ator Material Circunstância Circunstância Material Circunstância (A)
Deu um pro Tuca. Se olharam. Comeram quietos. (T) Material Meta Beneficiário Comportamental Material Atributo (A) Julgamento(+)
E pela primeira vez o Tuca falou com um colega. (T) Circunstância Dizente Verbal Receptor
Discussão
Impressionado com a voracidade do colega, e ao mesmo condoído com a cena, Rodrigo traz mais dois sanduíches. O menino começa a perceber o significado de diferença social. E os leitores também: ponto positivo da questão da instrucionalidade "não abertamente moralizante" das narrativas escolares.
A fome de um e a bondade do outro são os fatores que iniciam a ligação entre Tuca e Rodrigo. Em silêncio, comungam juntos o significado daquele momento. E nesse clima confortável de alimento e de compreensão (Afeto+), Tuca consegue falar com um colega.
Nossa! nunca vi tanta manteiga e tanto queijo num pão só. (T) Mental Fenômeno Fenômeno Circunstância (A) Frequência Apreciação(+) Graduação(↑)
Discussão
O clima favorável do momento, faz Tuca falar de maneira espontânea, tal que suas palavras denunciam sua condição social. Novamente, agora na comparação de sanduíches, surge a metáfora do pobre e do rico, que reforça a ideologia presente nos leitores. Pelo menos idealmente, todos sabem que se deve estender a mão para os necessitados.
Começaram a conversar. Primeiro de idade: o Rodrigo tinha 11 anos e (T) Verbal Verbiagem Portador Relacional Atributo (A) Julgamento(+)
o Tuca já ia fazer 14! (T) Portador Relacional Atributo
(A) Modalização
O Rodrigo olhou espantado pra ele: (T) Comportante Comportamental Atributo Alcance (A) Julgamento(-) token
- É mesmo?! (T)
(A) Julgamento(-) token
- [eu] Não pareço não? (T) Portador Relacional (A) Afeto(-) token
Discussão
A diferença social estampa-se agora na diferença de idade. Para Rodrigo é surpreendente que um aluno de quatorze anos, portanto, três anos mais velho que ele, possa ainda estar estudando na mesma série. Assim, são várias as situações inusitadas que o menino começa a enfrentar e a tentar entender.
Talvez venha a entender que não e para todos que a chegada de certa idade signifique entrada na escola, nem que algumas reprovações, motivadas por falta de auxílio em casa, falta de material adequado, falta de exposição a situações variadas de aprendizagem, falta de tantas coisas, possam impedir de um aluno seguir o curso dos demais.
E, talvez, seja essa a lição que ele esteja começando a aprender. Tão importante quanto os ensinamento constantes da grade curricular. E, assim, também, os vários Rodrigos, leitores do conto.
- Bom... – e o Rodrigo olhou pro pão. O Tuca era tão (T) Comportante Comportamental Alcance Portador Relacional Graduação(↑) (A) Julgamento(+)
miúdo que ele até tinha pensado que os dois eram da mesma idade. (T) Atributo Experienciador Mental Portador Relacional Atributo (A) Apreciação(-) Avaliação(-)
E aí falaram de estudo. (T) Verbal Verbiagem
Discussão
Rodrigo disfarça sua surpresa, desviando o olhar, num Processo Comportamental (que materializa um estado mental). Mentalmente ele avalia negativamente o tamanho e a idade avançada não condizente com sua compleição física, e é por isso que desvia seu olhar para o pão. Passam a falar de estudo, que parece ser a única coisa em comum entre ambos.
Sabe que eu era o 1º da classe lá na minha escola? (T) Identificado Relacional Identificador Circunstância
(A) Julgamento(+)
Outra vez o Rodrigo se espantou: naqueles primeiros dias de aula (T) Circunstãncia Experienciador Mental Circunstância (A) Julgamento(-)
já tinha dado pra ver que o Tuca estava sempre por fora (= não entendia). (T) Mental Experienciador Fenômeno
(A) Julgamento(-)
- Foi por isso que eu ganhei a bolsa de estudo pr’aqui. (T) Beneficiário Material Meta Circunstância (A) Avaliação Social(+)
Discussão
A sucessão de surpresas parece interminável. Ao mesmo tempo, essa lista de fatos que marcam a vida de Tuca vai construindo o perfil do menino, por meio da logogênese, ou prosódia. Tuca vem de família pobre, está defasado em termos etários de sua série escolar, sua aparência física denota falta de alimentação condizente com sua idade, mas é esforçado dentro das possibilidades que a vida lhe oferece. Tanto é que ele está lado a lado com Rodrigo, vindo de outra camada social, graças a uma bolsa de estudos a que fez jus.
Tuca é merecedor dos aplausos do leitor. Alguém que faz do desafio a sua força para tentar sair da sua condição financeira atual, por meio dos estudos.
O Rodrigo só disse: humm. (T) Dizente Circunstância Verbal Verbiagem (A) Julgamento(+)
O Tuca meio que riu: (T) Ator Material (A) Afeto(-)
Discussão
Vemos aqui uma metáfora de Processo - um Processo usado em lugar de outro - em que o Processo Verbal ("disse") é desencadeado por um estado mental de Rodrigo, surpreendido por mais uma novidade. O mesmo acontece com Tuca, que "meio que riu", não ditado por sua vontade, mas mais pelo desconforto mental de ver a atitude de Rodrigo.
- “Escola de rico” feito a gente diz. – [ele] Suspirou: o sanduíche tinha acabado. (T) Verbiagem Comportamental
(A) Avaliação Social(+) Afeto(-)
Mas, sabe? eu não sei como é que vai ser. (T) Experienciador Mental Atributo Relacional (A) Afeto(-)
Discussão
Animado pelo clima de aceitação de Rodrigo, Tuca demonstra o quanto receia, levando em conta sua situação, estar em uma "escola de rico" e seus colegas, não poder acompanhar o nível educacional do resto da classe.
- O quê?
- Acho que eu não vou aguentar a barra: o estudo aqui é mais adiantado, (T) Ator Material Meta Portador Circunstância Graduação(↑) Atributo (A) Julgamento(-) Apreciação(+)
é diferente, sei lá, eu só sei
(T) Relacional Atributo Experienciador Circunstância Mental (A) Apreciação(-)
que não tá dando. E o pior é isso aqui (T) Fenômeno Identificado Relacional Identificador (A) Apreciação(-) preciação(-)
– olhou pro caderno e espichou um queixo desanimado: a tal da matemática. (T) Material Meta Comportamental Alcance Atributo
(A) Afeto(-) Apreciação(-)
Discussão
Tuca apresenta o papel de fala de respondedor (THOMPSOM; THETELA, 1995). Ele se abre com o Rodrigo, expondo suas admirações e suas aflições. Por que ele age assim? O leitor posicionará em relação ao interlocutor, movido pela ‘compreensão responsiva ativa’. Processo Material ‘espichou’, isto é, o que ele fez, é na realidade Processo Comportamental, a soma de forte estado mental de medo e desconforto (Afeto negativo), o que faz agir assim (Processo Material). Os leitores compartilharão da dificuldade enfrentada por Tuca, pois a matemática - escolha feita pela autora - tem o consenso geral de se tratar da matéria mais temida por grande maioria do alunado.
- Você não fez o trabalho que a gente tem que fazer? (T) Ator Material Meta Ator Material (A) Modulação
- De que jeito? eu não saco nada disso. (T) Experienciador Mental Fenômeno (A) Afeto(-)
Discussão
Ficamos sabendo que há um trabalho que os alunos devem fazer por exigência do programa. Porém, com o conhecimento que adquiriu em sua escola anterior, Tuca não tem condições de realizar essa tarefa. Sozinho ele não conseguirá, deverá
pensar o leitor. E se junta à preocupação de Tuca.
O Rodrigo olhou pro relógio: (T) Ator Material Meta (A)
- Eu to quase acabando o meu. Quer que depois eu te dêuma explicação? (T) Ator Material Meta Ator Beneficiário Material (A) Julgamento(+)
Discussão
Rodrigo avalia a situação: está diante de um menino esforçado, mas marcado por um ensino deficiente de uma escola como tantas outras existem; a tarefa, tão fácil para ele, e tão impossível para o outro. Por que não o ajudar, se ele até já finalizou a sua? A lição que aí está é de que o conhecimento que uma pessoa adquire não deve ser motivo para a felicidade do outro, e não de diminuição ou de descriminação daquele que não a tem.
A cara do Tuca ficou tão contente que o Rodrigo até achou melhor fingir (T) Portador Relacional Atributo Comportante Comportamental (A) Afeto(+) / Graduação(↑) Julgamento(+)
que não tinha visto: virou pro caderno e começou a escrever. (T) Mental Material Meta Material
(A) Julgamento(+)
Discussão
A atitude de Rodrigo é um misto de piedade e de espanto contido em relação à situação que está vivenciando. Sim, são muitas as diferenças que separam os dois meninos e será necessário vencê-las para que um compreenda o outro. Um desafio também para o leitor.
Naquele dia só deu tempo de dar uma explicação curta pro Tuca. (T)Circunstância Material Meta Beneficiário
(A) Julgamento(+)
Mas no outro dia o Rodrigo usou a hora do recreio todinha pra explicar tudo melhor. (T) Circunstância Ator Material Meta Material Meta Meta
(A) Julgamento(+) Graduação↑
Discussão
Rodrigo se desdobra para ajudar Tuca a atingir o nível de conhecimento de matemática da classe, fato aprovado pela Atribuição de Julgamento(+) e por Processos Materiais, que mostram sua vontade de como Ator desse Processo.
Era a primeira vez que ele dava aula (=ensinar) pra alguém. E pelo jeito gostou: (T) Circunstância Ator Material Beneficiário Mental (A) Afeto(+)
nem viu o tempo passando. A campanhia tocou e ele até se assustou: (T) Mental Fenômeno Comportante Comportamental (A) Afeto(+)
- Já?! (T) Circunstância (A) Apreciação(+)
Discussão
Como resultado de sua boa ação, ele - talvez - esteja descobrindo sua vocação, pois nem viu o passar das horas nessa atividade. A profissão do magistério tem avaliação positiva no enquadre mental do povo. É uma missão.
E o Tuca falou: (T) Dizente Verbal (A) Julgamento(+)
- Puxa, cara, saquei tudo que você me ensinou; (T) Mental Fenômeno Ator Beneficiário Material
acho que você vai ter que ser professor. (T) Portador Relacional Atributo (A) Probabilidade Obrigação Julgamento(+)
Discussão
Tuca mostra que está à vontade com Rodrigo, pois não se intimida em falar no seu vocabulário do cotidiano. Esse fato mostra a importância e a força do afeto para fazer alguém mais animado e autoconfiante, o que colabora para facilitar a aprendizagem.
E no dia seguinte lá estava o Rodrigo outra vez explicando. (T) Circunstância Ator Circunstância Material (A) Afeto(+)
E o Tuca se animando: “Agora, sim, tô sacando!” (T) Experienciador Mental Circunstância Mental (A) Afeto(+) Apreciação(+)
Discussão
Tuca está feliz (Afeto positivo). A matemática, que lhe parecia impossível de ser entendida, agora, graças à ajuda do amigo fica mais fácil. A amizade é um sentimento - talvez o mais importante - que une duas pessoas. Esse fato coroa a série de fatores ideológicos positivos que vinha sendo apresentado e que, parece- nos, é o fator preponderante na atração que o livro exerce nos jovens.