The Role of the Government in Regional Development: An Empirical Analysis on Turkey
3. Yöntem, Model ve Veri Set
Conforme discutimos anteriormente, o acesso à tecnologia permitiu que muitas empresas midiáticas adquirissem boas condições técnicas de distribuição. Se anteriormente a qualidade técnica era um diferencial competitivo, no mercado contemporâneo, influenciado pela cultura digital, o conteúdo se torna fundamentalmente importante.
Na prática, os conteúdos na televisão digital serão variados. Destacamos as aplicações e serviços que permitem interatividade, que surgem como um dos principais atrativos da televisão digital. Com base em Lugmayr, Niiranen e Kalli (2004) e Cannito (2010), especificaremos a seguir alguns dos serviços e aplicações mais comuns a serem disponibilizados:
x Guia de programação eletrônico (EPG): Serviço básico de televisão digital incluindo informação sobre a programação disponível de TV. Na TV analógica convencional, a informação EPG é realizada no âmbito dos serviços de teletexto. Na televisão digital, EPGs são diretamente baseados nas informações sobre o serviço realizado no fluxo de transmissão que descreve os serviços de TV disponíveis.
permitiam acesso à informação sobre programas, notícias e outros variados serviços simples baseados em texto. Na televisão digital, esse serviço pode incluir gráficos em alta revolução, melhores recursos de formatação e uma grande largura de banda disponível para transportar dados de teletexto. Em resumo, esse serviço pode trazer a capacidade básica da hipermídia para a televisão.
x Pay-per-View (PpV): O consumidor adquire o direito de ver uma vez uma peça particular de conteúdo de A/V digital. No sistema de televisão digital, o PpV necessita do uso do sistema de acesso condicional (CA) para manipular a autorização de visualização.
x Video por demanda (VoD): Permite ao consumidor ordenar e assistir a determinada peça de conteúdo A/V digital com disponibilidade instantânea. Requer o uso de canal de hand-bandwithin para transferir o conteúdo para o consumidor receptor.
x Educação: Serviços de educação em televisão digital poderão variar da programação educacional tradicional de TV a programação de serviços interativos de valor agregado, cada um operando em um contexto independente ou combinado com serviços de A/V.
x Shopping: Com um canal de retorno disponível, serviços compras online podem ser oferecidos na televisão, com conteúdo A/V sobre os produtos combinados com serviços de valor agregado permitindo sua compra direta. x Games: Games de computador simples podem ser facilmente implementados
como serviços de valor agregado na televisão digital.
x Serviços-padrão de Internet: interface que permita os serviços-padrão de internet como e-mail e navegação limitada na Web.
x Comunicação: serviços que atualmente são integrados a tecnologias móveis, como SMS e MMS poderão ser realizados na plataforma de televisão digital. O consumidor pode mandar e receber essas mensagens com um receptor digital de TV.
x Serviços comunitários: podem ajudar a criar comunidades na televisão digital com a introdução dos serviços de valor agregado construídos para grupos específicos de consumidores com interesses em comum. Geralmente combinam portal de informações e serviços de mensagem.
x Government: serviços governamentais já disponíveis na internet podem ser realizados também da televisão digital, como pagamento online de impostos e eleição online.
x Saúde: a TV poderia ser um terminal de aplicativos de telecare, isto é, troca de informação relacionadas ao acompanhamento de condições de saúde diversas através da televisão digital, utilizando o canal de retorno.
x Finanças e banco: simples gerenciamento de contas e serviços de corretagem, acesso a dados de conta bancária e possibilidade de várias transações financeiras similares ao banco via internet.
Muitos desses aplicativos favorecem a prestação de serviço público, o que está de acordo com os objetivos das emissoras públicas, como é o caso dos serviços de educação, serviços comunitários, serviços governamentais, saúde e finanças.
Além dos aplicativos, formatos e gêneros da televisão digital deverão contemplar a cultura participativa e dinâmica do público. No âmbito das narrativas, por exemplo, destacamos a possibilidade da construção de narrativas cada vez mais complexas, que utilizem mais de uma mídia e estimulem a participação do público na busca de informações complementares para o enriquecimento da experiência de assimilação dessa narrativa. Isso resume a narrativa transmidiática de Jenkins (2008), uma forte tendência para televisão digital.
Outra tendência para os conteúdos de televisão digital está na Web 2.0 (O’REILLY, 2005), cuja definição está baseada no princípio de Internet como plataforma colaborativa, se referindo a páginas da Web cuja importância se deve à participação do usuário.
A Web 2.0 oferece ao usuário maior controle e flexibilidade de sua experiência na rede. A criação e distribuição de conteúdos dentro da cultura da Web 2.0 são caracterizadas pela comunicação aberta, controle descentralizado, liberdade para compartilhar e recombinar conteúdos, e também permite que os usuários disponibilizem nas plataformas midiáticas materiais originais criados por eles mesmos (O'REILLY, 2005; BRIGGS, 2007).
O conceito de Web 2.0 se aplica no conteúdo de televisão digital através da tendência de que o público participe da programação criando conteúdo próprio. Alguns programas televisivos já trabalham com conteúdos produzidos pelos telespectadores e estimulam a sua participação através da própria internet,
enquanto a tecnologia não permite a participação direta através da televisão.
Segundo Cannito (2010), o conteúdo é tão fundamental na era digital que abarca muito mais que o mundo digital, ou seja, as novas mídias que fazem parte dele. Esse conteúdo pode superar fronteiras e abarcar uma cultura que também atue em mídias tradicionais.
O autor ainda afirma que a criação conteúdos adequados para essa cultura dependerá da excelência dos criadores:
Serão os talentos criativos, o potencial especificamente humano, que determinarão o sucesso ou fracasso dos investimentos. Para se tornarem altamente competitivas, as empresas de televisão e comunicação deverão ter grande capital criativo. Apenas quem conseguir reunir os melhores talentos e criar o ambiente mais propício à criação e inovação alcançará sucesso (CANNITO, 2010, p. 252).
O sucesso da TV pública é de uma natureza diferente da TV comercial, pois para essa última, o sucesso se dá através da audiência que levará ao lucro por meio do financiamento publicitário. Para a TV pública, o sucesso ser medido também pela audiência, pois quanto mais pessoas assistirem, mais cidadãos poderão ser beneficiados pelo serviço público que ela presta. Porém, as estratégias para a conquista do público devem ser diferenciadas das já consolidadas no mercado: a audiência deve ser uma consequência da qualidade da sua programação, e não o objetivo principal a determinar os conteúdos produzidos.
Ainda em relação à conquista de público, destacamos que uma TV pública não deve se pautar pelos métodos já consolidados de medição de audiência, que ainda são direcionados para a “massa”, ou seja, um grande número de pessoas assistindo ao mesmo tempo o mesmo conteúdo. As tendências da cultura digital explicitadas neste estudo mostram que o público tende a ser cada vez mais ativo na busca por conteúdo, transitando por diferentes meios para buscar o que é de seu interesse. Com o aumento das opções tecnológicas para consumo midiático, a tendência é que o público se “espalhe” cada vez mais entre as mídias, utilizando-as de acordo com as necessidades e interesses do momento. Assim, podemos afirmar que o método que avalia o sucesso de um conteúdo tendo como base apenas a quantidade de pessoas que o assiste em determinado espaço de tempo é cada vez menos eficaz no contexto da cultura digital, já que outros valores passam a ter mais importância, como por exemplo, o quanto esse conteúdo é capaz de motivar o público a se envolver com ele, através de ferramentas tecnológicas que permitem
que ele participe mais ativamente do fluxo de informação, seja dando sua opinião, fazendo escolhas ou produzindo seus próprios conteúdos.
Assim, afirmamos que o sucesso dos conteúdos para televisão pública digital pode ser medido pela audiência, mas ela é apenas um dos fatores que o determina. Destacamos outros dois fatores:
x Adequação dos conteúdos ao ideal de prestação de serviço público: o sucesso será atingido na medida em que o conteúdo da TV pública contribua para a valorização cultural e social e para a formação crítica das pessoas. x Inserção do público na cultura digital: as novas tecnologias midiáticas
possibilitam ao público um novo tipo de liberdade em relação ao conteúdo. Através dessas tecnologias, os indivíduos tem a possibilidade de ter “voz” diante da informação que recebem, podendo opinar, fazer escolhas e também se apropriar dessa informação para produzir seus próprios conteúdos. Os conteúdos da TV pública atingirão sucesso no contexto digital na medida em que forem capazes de inserir seu público nessa nova cultura e de motivá-los a participar mais ativamente do fluxo de informação por meio das novas tecnologias, seja dando sua opinião sobre os conteúdos, analisando-os criticamente; seja contribuindo ativamente com a construção desses conteúdos; entre outras formas de participação.
2. A TV BRASIL