• Sonuç bulunamadı

3. BÖLÜM: VEFD PARTİSİNİN MISIR SİYASETİNDEKİ ROLÜ

2.2. PARTİ GENEL YAPISI

2.2.1. Vefd Yönetimi

É interessante perceber como os alunos verbalizam sua compreensão sobre o papel da TV e sua influência de maneira um tanto quanto conformista, revelando um conhecimento prévio limitado sobre as consequências de suas escolhas em obter informações, uma vez que suas relações com o macromundo social são mediadas de forma significativa pela televisão. Demonstram não saber que esse meio de comunicação social coloca uma agenda de temas, relações e condutas, carregada de uma intencionalidade que visa agregar os interesses que lhes convém. É no âmbito do simbólico/real que a disputa se institui, que a busca da hegemonia se dá. A tevê funciona com um número infindável de discursos que se cruzam, se complementam, e, nessa dinâmica, encontra-se o sujeito que lê/interpreta esses discursos.

Diante das argumentações apresentadas, o grande desafio é a interpretação do mundo em que vivemos, uma vez que as relações estão impregnadas da presença da mídia. Trata-se de um mundo construído pelos meios de comunicação, que selecionam o que

devemos conhecer, os temas a serem pautados para discussão e, mais que isso, o ponto de vista a partir do qual vamos compreender esses temas. Eles se constituem em educadores privilegiados, dividindo as funções antes destinadas à escola, e, ao que parece, têm obtido vantagem. Como vimos, os alunos se sentem devidamente informados, em uma demonstração de que a edição do mundo é realizada pela TV, um mundo que nos é trazido pelos relatos, que assim conhecemos e assim refletimos, mundo redesenhado, que passa por centenas de mediações, até que se manifeste na televisão. São exatamente essas mediações – instituições e pessoas – que selecionam o que vamos ver ouvir e ler, que fazem a montagem do mundo que conhecemos. Nas 17 respostas, os pontos de vista convergem, em um entendimento de que a TV é um meio de aprendizagem, uma apreensão confusa do que seja informação e conhecimento.

Entendemos que, conduzidos pela própria cultura das mídias, que obedece a interesses de diferentes tipos, os alunos expressam de forma espontânea, seus pontos de vista em relação à TV, contudo, percebemos um esvaziamento de conhecimento sobre a estruturação das mensagens que recebem diariamente, um desconhecimento da linguagem televisiva, da construção de sua significação, da realidade que é construída pela TV e que reconfigura-se no aluno em seu universo cultural. O problema maior que visualizamos é como esse mundo editado, presente em seus cotidianos, que penetra ardilosamente em suas

decisões e que, pela persuasão que o caracteriza, assume o lugar de “verdade” única.

Afinal, parecem ser eles os educadores primeiros, pelos quais passa a construção da cidadania. É esse o lugar em que temos que esclarecer qual cidadania nos interessa. Portanto, precisamos procurar entendê-los bem, saber ler criticamente os meios e, mais especificamente, a televisão, para conseguirmos perceber o mundo de forma consciente.

Parece-nos que a escola é chamada para, no bojo dessa realidade, apontar caminhos, sendo que um desses caminhos passa pela distinção entre informação, que se apresenta fragmentada, e o conhecimento, que representa a totalidade. Vemos uma disputa estabelecida entre a TV e a escola, por isso, é preciso criar cada vez mais motivos para que se encontrem e integrem seus propósitos e conhecimentos, buscando complementos uma na outra. Penetrar nos curiosos caminhos da produção da imagem, na construção das narrativas dramáticas da ficção, nos modos de elaboração das notícias de um telejornal, a nosso ver, adquire uma importância fundamental no aprendizado de lidar com esses artefatos da nossa cultura, assim como significa aprender a lidar com um jogo de forças diversas que, na televisão, encontram espaço privilegiado de expressão.

2.9.2. Consumindo TV

Dando continuidade à análise das argumentações dos alunos, o objetivo agora se amplia para não apenas avaliar o gosto predominante pela televisão, mas o tempo dedicado ao seu consumo. Entendemos por consumo da televisão os modos de ver tevê, como o tempo despendido a ela, programas prediletos, assistência individual e a apropriação simbólica de programas. O panorama de consumo da televisão diz respeito aos 17 alunos que responderam ao questionário. A principal atividade de lazer da maioria desses jovens é a televisão. O tempo diário de exposição à TV, para 12 alunos, varia de 3 horas a 5 horas. Apenas três alunos responderam que não têm muito tempo, um aluno revelou ter pouca disponibilidade e um disse que vai depender do tempo que dispõe. Os resultados encontrados vêm reforçar o poder dessa mídia na vida dos jovens estudantes. Isso mostra a importância que a televisão dispensa à produção de programas voltados para esse público, pois são distribuídos por todo o dia, em sua grade de programação, diferentes produtos de entretenimento. Esses achados, a nosso ver, são preocupantes, se confrontados com aqueles que mostram que os indivíduos e, principalmente, os jovens, despendem, cada vez mais tempo, diante da televisão.

A questão que verificamos nessa análise constata um tempo significativo dedicado à televisão. A linguagem da TV se estrutura na imagem que contém forte carga emocional, culto à personalidade e espetacularização. Para tanto, é importante que saibamos que não visualizamos as coisas na TV como são na realidade, portanto, é fundamental conhecer as estratégias de sua produção, saber que se trata apenas de uma seleção eletrônica de imagens coladas umas às outras, através do processo de edição, que podem representar, até certo ponto, mas também, desfigurar a realidade autêntica.

A nossa atenção deve ser redobrada, pois é nisso que reside a força manipuladora da imagem, uma força que a linguagem verbal não possui. A imagem impacta diretamente o sentimento, modela a imaginação e, através dela, o modo de sentir e reagir das pessoas. Mesmo conhecendo o poder de sedução da imagem, temos que despertar para a elaboração

crítica do “pensar”, “refletir”, porque, somente assim, estaremos preparados para

experimentar o processo receptivo televisual. Além disso, é importante que estejamos atentos para a questão da impessoalidade do mundo virtual das imagens. Assim sendo, não compartilhamos sentimentos, não trocamos ideias, apenas incutimos. Com isso, os

indivíduos tendem a centrar-se em si e ao que parece, vem provocando consequências na vida do homem.

Não que isso seja motivo a nos impedir de estar diante da TV, olhar suas imagens. Em outro sentido, o que necessitamos fazer é exercitar o olhar, não exatamente contemplador ou maravilhado, mas o olhar atento, aquele que se faz com propósito; devemos ultrapassar as chamadas evidências, ir além do que nos é dado a ver de imediato, justamente porque sempre olhamos de algum lugar, a partir de um ponto de vista. Por isso, é importante compreendermos que imagem e sentido não se separam. Sempre, de alguma forma, as imagens dizem alguma coisa. Nesse caso, é recomendável que estejamos alertas para os discursos que circulam na sociedade, em especial, nos meios de comunicação, pois, em condições específicas, podemos estar ou não na posição de sujeitos desse discurso e, para tanto, as estratégias de interpretação são fundamentais.

Estar diante da tela da TV, portanto, exige do espectador a busca de critérios mais precisos que possibilitem resultados mais densos em termos de compreensão das mensagens que assimilamos. Devemos tentar perceber a real condição da televisão de dialogar com o mundo em que estamos inseridos e avaliar sobre o quê e o modo como os

seus produtos “comunicam”, saber extrair deles o que lhe proporcionar conhecimento;

assim certamente, haverá profundas diferenças de qualidade entre esses produtos e, para tanto, é necessário distinguir as diferentes formas de narrativas para que não caiamos no perigoso relativismo de afirmar simplesmente que tudo é cultura ou que tudo se equivale. Pensamos, dessa forma, que o trabalho da educação se insere nessa tarefa de formação, que inclui desde um trabalho amplo para distinção entre programas comerciais, filmes veiculados pela TV e até um trabalho detalhado sobre a construção da linguagem, sobre a gama de informações reunidas nesses produtos, mergulhando, assim, na diversidade da produção audiovisual.

2.9.3. O Programa Preferido

Os mesmos critérios devem ser atribuídos à escolha de um programa, entendido, neste trabalho, como uma produção que nos permite avaliar a composição dos diferentes elementos que se articulam para sua estruturação. O aspecto a ser considerado é saber delimitar o tipo de produto que deve merecer nossa atenção, porque a TV, assim como

outras instâncias da sociedade, atua e conforma processos de reprodução ideológica. Não seria exagero afirmar que a cultura juvenil é uma cultura audiovisual, em função da empatia de seus ritmos, suas estéticas e linguagens. E, por isso, merece dos alunos cuidados no procedimento adotado para a escolha do melhor programa.

Considerando a importância dessa questão, abordamos os sujeitos acerca do programa televisual de sua preferência na TV aberta. Os registros capturados pelo questionário revelaram que, dentre os formatos televisivos que compõem a grade de programação das emissoras de televisão, 10 alunos optaram pelo formato telenovela e 15 escolheram as minisséries, que se destacaram como favoritas. De certa forma, essas preferências indicam que o capital cultural dos jovens/alunos, em parte, é transmitido pela TV e parece se definir pela distância na aquisição de bens simbólicos eruditos como teatro, cinema, literatura e artes plásticas.

Nesse sentido, parece existir uma oposição entre o campo da produção erudita e o da indústria cultural, cada qual buscando consagrar a cultura que está encarregada de reproduzir. No entanto, observamos que os meios de comunicação de massa ganham espaço e legitimidade social e, cada vez mais, os traços da cultura jovem estudantil se definem a partir do consumo dos bens simbólicos massivos.

O formato preferido pela maioria dos alunos é a microssérie, e os motivos apontados para tal escolha devem-se, principalmente, ao teor de informações que esses programas para eles contêm. É interessante salientar que, além da ênfase dada a esse aspecto, os alunos se expressam no questionário, de diferentes maneiras, para justificar seus pontos de vista. De modo geral, evidenciam a importância deste tipo de programa por ser interessante e atrativo. As respostas apresentam certa superficialidade, precariedade argumentativa, demonstrando desconhecimento quanto ao papel da literatura na TV. À

questão formulada, “por que você assiste minissérie?”, exige uma ação analítica deliberada

e, para que se torne compreensiva, o significado tem que ser explicado e detalhado. Podemos ver algumas elaborações acerca da questão:

Aluno 12: As minisséries oferecem informações polêmicas e isso é muito gostoso

Benzer Belgeler