3. BÖLÜM: VEFD PARTİSİNİN MISIR SİYASETİNDEKİ ROLÜ
2.1.1. Milner Komisyonu
O ato de leitura, de interpretação, é, sem dúvida, a primeira mediação a atuar no processo de recepção da microssérie Hoje é dia de Maria. O desenvolvimento teórico de leitura está ligado à compreensão do texto que, por sua vez, compõe-se de um conjunto de signos que se articulam a fim de proporcionar um sentido.
No nosso projeto de pesquisa, tentamos perceber os modos de leitura de um mesmo texto com alunos do 3º ano do ensino médio, privilegiando o sentido que lhe é atribuído. Buscamos entender como um texto televisivo, que comporta uma significação estética, produz efeito junto aos receptores, e de que forma eles conseguem conferir-lhe novos sentidos. A leitura é uma dimensão explorada analiticamente para mostrar se existe e como ocorre essa prática no contexto escolar e de que maneira ela poderá auxiliar na formação crítica do aluno, ampliando sua visão de mundo.
A televisão atingiu uma evolução tecnológica altamente sofisticada e se transformou em uma das linguagens de expressão visual mais significativa da cultura contemporânea. Considerada como uma das principais invenções científico-culturais, caracteriza-se pelo registro, projeção e ampliação de um conjunto de sons e imagens em movimento, servindo, tanto para entretenimento quanto para a difusão de ideias, emoções, expressões mais elaboradas, e, por isso, sua produção conquistou um espaço significativo. Como linguagem de interesse premente de expressiva versatilidade, compreende, além de
um corpo de conhecimento notável, mecanismos de interface com outras linguagens, dialogando com várias expressões artísticas.
A televisão, mais do que um objeto estético com especificidades próprias, constitui uma linguagem de formação. Com frequência, entretanto, é vista de forma superficial e subjetiva, descaracterizando seu potencial como linguagem de conhecimento. Consideramos, portanto, que precisamos desenvolver competências para ler as narrativas televisivas. Todo programa requer compreensão como efetivo do pensamento e da reflexão e pode ser utilizado como recurso didático para uma formação mais profunda, reflexiva e crítica.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s – funcionam como um elemento catalisador de ações na busca de uma melhoria da qualidade da educação brasileira. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional, socializando discussões, pesquisas, subsidiando a participação de professores brasileiros na produção pedagógica atual. Dessa forma, as considerações apresentadas neste trabalho, restringem-se ao objetivo de pontuar uma questão central relativa ao ensino de leitura da imagem.
Nos PCN’s com diretrizes para o ensino médio de Língua Portuguesa (Brasil,
2000), ressalta-se que a leitura de textos escritos e sonoros são práticas que devem ser
priorizadas no trabalho com a língua materna. Percebemos que os PCN’s propõem a
utilização do ato de leitura apenas nesses tipos textuais, sem fazer nenhuma referência à leitura de textos audiovisuais, não admitindo, portanto, a condição que detém esses textos de repassadores de conhecimento. Verificamos um espaço vazio no que se refere à compreensão do que se convencionou chamar de leitura da imagem.
Nesse sentido, notamos que os PCN’s, limitando a leitura a esses textos no ensino
da língua materna, não contribui para o efetivo pensar e repensar crítico das várias atividades sociais nas quais estamos inseridos. Desse modo, entendemos que a escola precisa oferecer aos sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem, condições de ampliação de seus conhecimentos sobre as diferentes linguagens existentes.
Ver um programa de televisão compreende olhares diferenciados, em um processo integrado que parte da perspectiva de que é tão importante sua apreciação quanto sua leitura. Tal procedimento, entretanto, requer um mínimo de informações acerca de aspectos variados sobre a sua linguagem e sobre os meios utilizados para sua análise. Realizar uma
leitura televisual denota desconstruí-la para reorganizá-la posteriormente, dando-lhe significados antes não percebidos.
Uma análise imagética requer a aproximação de um conjunto de conhecimentos abrangentes, destacam-se as necessidades de conhecimentos prévios sobre a linguagem televisiva, seus gêneros, sua história e meios de produção. Nosso objetivo, contudo, não é formar críticos de televisão com essa proposta, mas desenvolver uma metodologia que facilite a leitura de um programa televisivo.
Inserir, portanto, a leitura dentro de limites estratégicos, como prática pedagógica, não somente possibilita estabelecer relações entre conteúdos e conhecimentos particulares, mas, também, amplia o conhecimento da televisão como uma linguagem de arte. Mesmo não tendo um aproveitamento diversificado, não há uma metodologia pronta. Educar para uma leitura televisiva significa saber sensibilizar, formar o sujeito por meio da experimentação e envolvê-lo em todo o processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, a televisão ajusta-se como recurso didático, pois se trata de uma linguagem inventiva, uma narrativa composta de uma sucessão de espaço e tempo, circunscrita entre o início e o fim de sua projeção, que comporta conteúdos diversos.
Selecionar um programa de TV para ler pode ser justificado inicialmente pela temática. Na TV, muitos temas já foram abordados, desde os mais cotidianos, até mesmo os históricos, sociais, filosóficos, religiosos, culturais e psicológicos. Porém, não podemos esquecer que a televisão não é ingênua e, por isso, nosso olhar não deve ser ingênuo. Apreciar e ler um programa significa ler todos os seus elementos, tanto objetivos como subjetivos, e estabelecer e identificar temáticas, também, requer o exercício, a prática e a vivência com a linguagem televisual.
Em termos de referências teóricas, interessa-nos, particularmente, conhecer sobre literatura, pelos aportes de Jauss (1994); Leitura e Efeito Estético; com os trabalhos de Iser (1979; 1996); Machado (2000); sobre Televisão; e, Escola e Aprendizagem, com os estudos de Vygotsky (2007) e Bakhtin (1992).
O estudo da leitura da microssérie Hoje é dia de Maria com o grupo de 17 estudantes e a relação deles com esse texto, mostra como o conhecimento sobre a linguagem televisiva, as especificidades da produção e recepção na TV, favorecem o leitor a se tornar apto ao entendimento do texto. O objetivo metodológico proposto foi o de possibilitar meios para que a prática de leitura do texto televisual se realize com sucesso.