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A- Misyon, Vizyon ve Temel Değerler 3

6- Yönetim ve İç Kontrol Sistemi

A obra do curitibano Napoleon Potyguara Lazzarotto (1924-1998) (mais conhecido como Poty) tem relação direta com sua vida, especialmente a infância vivida no bairro Capanema. Ao longo de sua trajetória artística Poty desenvolve um grande interesse pelas histórias em quadrinhos, disponíveis no Brasil na década de 30. Além

105 disso, o seu envolvimento com o cinema foi fundamental para ajudá-lo a construir a concepção de narrativa visual que impera nos seus desenhos.

A história em quadrinhos constitui-se no seu primeiro interesse pela relação texto e imagem, afinal esse artista sente-se influenciado pelas ilustrações de livros e revistas e mais ainda pelos desenhos das histórias em quadrinhos. Com apenas 14 anos de idade, publica sua primeira história neste gênero, denominada Haroldo, o homem relâmpago, no Diário da Tarde. Nunes (2015, p.77) salienta que “Poty já dominava a linguagem visual-verbal dos quadrinhos, empregando vários dos seus recursos para criar uma sequência narrativa.”

Em 1942, o artista plástico vai estudar desenho no Rio de Janeiro e impressiona- se com os desenhos artísticos que encontra na cidade. Podemos dizer que a partir daí Poty inicia o seu entendimento da noção de imagem como suporte da narrativa.

A produção do artista curitibano como ilustrador literário é muito vasta. Existe um número significativo de imagens peritextuais, isto é, capas de romances ilustrados por Poty. Segundo Carla Fernanda Fontana (2010) somam-se aproximadamente 71 títulos. Comumente, Poty seleciona partes do enredo para as capas dos romances que ilustra. Nunes denomina tal procedimento de uma espécie de “sub-trama”, pois, desta maneira, o ilustrador é capaz de desenhar “determinados momentos do enredo [...] A relativa divergência em relação à trama principal do romance é significativa, precisamente, por apontar não para a trama principal, mas para a sub-trama de ordem metafórica” (NUNES, 2015, p.91). Neste sentido, a obra de Poty sugere outras leituras possíveis para o literário, ressignificando a relação texto e imagem mais do que em uma perspectiva complementar. O próprio artista informa isso: “Uma ilustração – a minha, pelo menos – não pretende completar coisa alguma. É a minha ideia de como é aquilo. Honestamente, procuro traduzir um clima ou como entendi o livro” (A Propósito de Poty, o ilustrador, 1988 apud NUNES, 2015, p.69, grifo nosso). Neste sentido, a ilustração traduz aquilo que o novo intérprete da obra literária compreendeu do texto. Logo, a ilustração como reescrita do literário aponta também para uma atividade de recepção e interpretação do texto.

Desta forma, a 12ª edição de O Quinze, “Comemorativa do Jubileu de Esmeralda do Romance”, datada de 1970, apresenta quatro desenhos relevantes que remetem para o drama vivido pela família de Chico Bento na narrativa da escritora cearense. As ilustrações criadas pelo ilustrador Poty encontram-se no frontispício artístico, que

106 corresponde a episódios-chaves do texto verbal, consequentemente transpostos para o papel e que dão ênfase à importância da presença dos bichos miúdos no romance.

Desta maneira, parece que a ilustração ajuda a enfatizar um registro ficcional secundário do enredo, apresentando aspectos sensíveis dos personagens capturados pela leitura do ilustrador.

As doze ilustrações internas de Poty para a 15ª edição Comemorativa do Jubileu de Ouro do romance de José Américo de Almeida, datada de 1978, apresentam imagens gráficas que recuperam situações do enredo de A Bagaceira, bem como denotam características particulares dos protagonistas, o que evidencia o relevante conflito de família que acontece entre os personagens do pai e do filho. Para este trabalho, selecionamos apenas três ilustrações de Poty, da 43ª edição publicada pela Livraria Editora José Olympio. Este exemplar reproduz as mesmas imagens visuais da 15ª edição de A Bagaceira.

Compreendemos que Poty mantém participação relevante na obra de José Américo de Almeida, sobretudo porque ressignifica o texto do autor paraibano. Na verdade, todo ilustrador

[...] ajuda o escritor a contar uma história, através do seu meio particular de comunicação – a imagem gráfica. A ilustração assume o papel de elemento paratextual, nascido da narrativa e a ela coextensivo. Partindo do texto verbal, a ilustração cria, em união com a obra literária, um novo complexo significante que amplia e figura – ou transfigura − os sentidos do texto (NUNES, 2015, p.4).

Diante disso, é possível defendermos que a imagem visual, enquanto paratexto, mantém um diálogo interartístico com a obra literária. Neste caso, a narratividade da obra de Poty é uma característica predominante nos seus desenhos, pois

[...] estabelece variadas formas de relação e diálogo com o texto, privilegiando elementos os mais diversos e buscando assim não apenas traduzir o texto em termos visuais, mas proporcionar uma interpretação e um diálogo com relação ao texto literário, respeitando a especificidade de cada obra (NUNES, 2015, p.70).

O artista curitibano costumava utilizar elementos verbais em suas ilustrações, tais como legendas, frases reproduzidas dos romances que ilustrava, criando para a imagem uma relação explícita com o texto verbal. Logo, estes elementos “[...] concorrem para a criação de uma cena, e é precisamente através destes procedimentos de encenação que a obra de arte visual adquire uma dimensão narrativa, aproximando- se, desta forma, do registro ficcional” (NUNES, 2015, p. 81).

107 Na transferência do texto para a imagem, a ilustração de Poty apresenta elementos visuais que se relacionam ora diretamente, ora indiretamente com o literário, proporcionando outra perspectiva acerca da ilustração originada do texto. Neste sentido, seu trabalho amplia o texto e ajuda a ler as entrelinhas sugeridas pela imagem visual.

Benzer Belgeler