DENEYSEL SONUÇLAR VE TARTIŞMA
5.1 XRD ölçüm sonuçları;
Os Depoentes:
As pessoas que aceitaram produzir os depoimentos que
apoiaram a realização deste estudo, são oito homens com a idade muito próxima ou acima de 45 anos, oriundos das mais diversas regiões do pais, e que estão encarcerados numa instituição prisional localizada na cidade de Santo André, região do grande ABC paulista, cumprindo penas de detenção motivadas por causas diversas.
O critério de escolha dos Depoentes:
O principal critério de escolha dos entrevistados foi a idade, sempre superior a 45 anos ou muito próxima dela, idade considerada como a idade de um velho na cultura prisional, onde quase 95 % da população tem idade inferior a esta.
A escolha desse critério foi motivada pelas seguintes intenções: 1) esperávamos que com uma idade mais avançada, os depoentes pudessem tecer uma rede mais extensa de lembranças; 2) esperávamos que as narrativas pudessem estar mais libertas das muitas expectativas e projetos de futuro característicos da juventude, e libertas também das exigências e obrigações que a vida adulta atuante impõe, por exemplo, a preocupação em ganhar a vida, os problemas com as exigências sociais de trabalho e de status, os cuidados com a família, etc. Assim, desligadas desses fatores condicionantes dos ideais e das lidas diárias, esperávamos uma evocação auto-biográfica mais concentrada e atenta à matéria essencial
do passado, esperávamos uma evocação capaz de operar e dar sentido à síntese de uma vida inteira, seu significado, seus caminhos e descaminhos, sua aproximação ou distanciamento dos sonhos de outrora, etc.
Descobrimos no entanto que a vida na prisão desperta a esperança de realização de sonhos jamais alcançados ao longo da vida, e que batalhar pela vida, é uma ação sempre atual de quem nunca alcançou uma condição material de vida que possibilitasse o conforto para o devaneio.
O passado recordado fora da prisão é pode ser mais caracteriza pelo trabalho de auto-afirmação, de consideração sobre o sentido da vida, e de comparação entre as matérias da história e da cultura em tempos distintos, produzindo um contínuo; dentro da prisão é angústia, é sinal do declínio, é a idéia de que nada valeu a pena, o passado, como dizem sempre os nossos entrevistados, é melhor esquecer.
A Instituição:
A instituição prisional em questão é o DACAR-07,
Departamento de Assuntos Carcerários, ligada ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP), que é o órgão de execução da polícia civil, responsável pela administração dos cadeões públicos da capital e grande São Paulo.
O DACAR-07 foi inaugurado em 1994, juntamente com outros doze estabelecimentos idênticos, que serviriam como modelo padrão no interior de um novo modelo do sistema carcerário. Tal estabelecimento seria totalmente automatizado e computadorizado, no que diz respeito à segurança, ao controle e fornecimento de energia elétrica, água, portas automáticas e circuito interno de tv, porém, em outubro de 1995, por conta de uma rebelião que objetivava a retirada do telhado para que se pudesse tomar banhos de sol com mais frequência, toda a estrutura de automação do prédio foi destruída.
Originalmente o DACAR-07 e seus similares foram criados para a custódia de réus primários ou daqueles que estivessem em fase de trânsito, enquanto não fossem determinadas as suas sentenças definitivas, porém, com a superlotação das cadeias públicas e dos presídios do Estado, muitos sentenciados e já condenados ou reincidentes foram transferidos para o DACAR-07, de tal modo que, hoje, já não há mais tal seleção de pessoal e o estabelecimento recebe detentos em qualquer situação de condenação.
Com tudo isso, o DACAR-07 ainda oferece uma estrutura de melhor qualidade quando comparado a outras unidades prisionais. Ele possui 500 vagas ocupadas num total de 600 vagas disponíveis, o que significa que o DACAR-07 não oferece o problema comum de superlotação tão característico dos demais estabelecimentos.
Além disso, sua estrutura básica também oferece melhor qualidade de vida aos detentos, ele possui 75 celas onde podem habitar até oito pessoas, são celas que possuem banheiro, torneira, instalação elétrica e camas com colchões, semanalmente os detentos podem receber assistência médica, odontológica e de enfermagem por parte de plantonistas periódicos.
Contam ainda com o auxílio de um setor jurídico criado por um sentenciado, ex-estudante de direito, que, junto à direção da instituição conseguiu criar um setor de assistência judiciária, que se resume à sua boa vontade e aos seus conhecimentos sobre a estrutura do sistema e do direito, uma mesa, uma cadeira e uma máquina de escrever ocupando um canto de um corredor. Com essa micro estrutura ele auxilia os colegas nos seus pedidos de benefícios junto à vara de execuções, ao conselho penitenciário ou à coordenadoria dos estabelecimentos penitenciários. Porém, segundo esclarecimentos desse jovem, em geral, os pedidos não são aceitos ou demoram muito a serem considerados, o que causa estados de ansiedade e tensão entre aqueles que aguardam respostas aos seus pedidos, e revolta daqueles que não tem seus pedidos aceitos ou considerados em prazos justos, o resultado disso, muitas vezes, é a revolta e a adesão ou estimulo ao desencadeamento de rebeliões.
O DACAR-07 é administrado internamente por uma estrutura que consta de um delegado de polícia titular, ao qual está subordinado um diretor de disciplina responsável pela convivência entre funcionários e sentenciados. Há ainda os funcionários burocráticos e quatro plantões de carcereiros subordinados ao diretor de disciplina, carcereiros que são os responsáveis pelo contato direto com os sentenciados, realizando a guarda, transporte e comunicação com os mesmos.
Motivos Para a Escolha da Instituição:
Foram essas características privilegiadas do DACAR-07 que nos fizeram adotá-lo como local de pesquisa, pois, se para o Estado este é um estabelecimento modelo, e se suas instalações e organização parecem não serem causas de maiores transtornos aos seus habitantes, então, gostaríamos de verificar o que a experiência do encarceramento, em estado “puro”, poderia produzir na singularidade de um indivíduo submetido a ele.
Caracterização e Modos de Produção dos Dados:
Caracterizamos os dados que apoiam esse estudo como: (01) depoimentos dos encarcerados; (02) entrevistas de apoio à compreensão do ambiente carcerário; (03) dados gerais de apoio à pesquisa.
No primeiro caso temos os depoimentos dos encarcerados que se referem aos seguintes aspectos: (01) Narrativas auto-biográficas; (02) Identificação das dificuldades de recordar e comunicar sua histórias biográficas no interior da prisão; (03) Impressões sobre a figura prisioneira; (04) A percepção da vida política do país ao longo da vida;
(05) Depoimentos auto-biográficos numa situação de grupo.
No segundo caso temos as entrevistas de apoio à compreensão do ambiente carcerário, e que se referem aos seguintes aspectos: (01) Entrevistas de apresentação aos encarcerados; (02) Entrevistas para a
coleta de dados pessoais dos encarcerados; (03) Entrevistas com o delegado de polícia titular, o diretor de disciplina e o assistente judiciário; (04) Entrevistas com carcereiros; (05) Entrevista com o responsável pela coordenação dos cursos de formação da academia de polícia.
No terceiro caso temos os dados gerais de apoio à pesquisa que se referem a: (01) documentos anexos; (02) revisão de literatura pertinente à instituição prisional e a obras literárias que referem-se a biografias de encarcerados; (03) Bibliografia específica de nossos estudos etimológicos e historiográficos; (04) Obras de apoio ao estudo da memória.