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6.1 Genel sonuçlar

Aplicação das Entrevistas, Objetivos e Contexto:

Apresentação aos Encarcerados: O local do primeiro grupo

de entrevistas de apresentação ocorreu numa sala onde funcionava o ambulatório, que, durante as entrevistas estava desocupado. Nossa primeira apresentação a todos os entrevistados seguiu sempre um padrão comum como o que segue:

O pesquisador apresentava-se declarando ser psicólogo e estudante de um curso de pós-graduação na Universidade de São Paulo, dizia também que estava desenvolvendo uma dissertação de mestrado, e que esta envolvia uma pesquisa que carecia da necessidade de realização de algumas entrevistas com pessoas que estavam encarceradas, e que por isso, havia ido até aquela instituição buscando encontrar pessoas que se deixassem ser entrevistadas.

Em seguida dizia que as entrevistas seriam marcadas individualmente, que teriam duração média de uma a duas horas, e que nelas não precisariam revelar sua identidade se não quisessem, embora as

entrevistas tivessem que ser gravadas para que depois fosse possível transcrevê-las para estudá-las.

Depois, esclarecia que o objetivo específico da pesquisa era conhecer a influência do ambiente carcerário sobre a memória das pessoas encarceradas, e que queria conhecer o que as pessoas encarceradas lembravam da história de suas vidas naquela situação.

Por fim, dizia que a pesquisa em nada contribuiria ou comprometeria a estadia deles naquela instituição, alertava para o fato de que não pertencia a qualquer instituição ligada à justiça ou ao sistema prisional, nem estava ali para realizar qualquer espécie de avaliação psicológica para fins de laudos judiciais, e reforçava o teor meramente acadêmico do empreendimento.

Obs: Essa entrevista de apresentação precisou ser repetida, pois, na mesma semana em

que ela foi realizada pela primeira vez, ocorreu uma rebelião no presídio que só tornou possível a nossa volta até ele depois de cinco semanas, em função da necessidade de recuperação do que havia sido destruído.

Coleta de Dados Pessoais dos Encarcerados: Voltando ao

presídio após a rebelião, já não havia um local muito apropriado para a realização das entrevistas, em termos de conforto para o entrevistado e ausência de ruídos para uma gravação mais clara. Todo o local acessível à entrevista estava destruído e tivemos que fazer de tijolos de concreto, latas usadas, ou pedaços de madeira apoiados em pedaços de tijolos as nossas cadeiras. No ambiente de entrevista pisávamos em cascalhos que caíram do teto durante a rebelião, e até a última entrevista realizada, o ambiente sempre permaneceu nas mesmas condições.

Nessas entrevistas de coleta de dados pessoais realizamos o nosso terceiro contato com os encarcerados. Nela, coletamos dados pessoais ao mesmo tempo em que aquecíamos o nosso contato de confiança, para a realização da entrevista que realmente nos interessava. Compreendíamos que o aprofundamento gradual dos contatos e das

conversas fossem necessários, até porque, posteriormente as entrevistas seriam gravadas, o que certamente geraria alguma tensão nos entrevistados.

Pelo fato dessa entrevista de coleta de dados identificar os encarcerados, dizíamos que as questões que faríamos podiam não ser respondidas se assim desejassem, porém, nenhum entrevistado se negou a identificar-se, e portanto, todos responderam a um questionário cujo roteiro era o seguinte, mas cujas identificações reais foram trocadas na transcrição para zelar pelo sigilo do entrevistado:

Nome; Idade; Profissão; Estado Civil; Local de Nascimento; Data de Nascimento; Nome do Pai; Nome da Mãe; Nome da Companheira; Idade da Companheira; Profissão da Companheira; Nome/Idade/Sexo de Irmãos e Irmãs; Nome/Idade dos Avós Paternos e Maternos; Nome/Idade/Sexo de Filhos e Filhas; Grau de Escolaridade do Entrevistado/Pais/Avós Paternos e Maternos/Companheira/Filhos. Local de Nascimento dos Pais/Avós/Companheira; Em que Trabalhavam os Pais/Avós.

Narrativas Auto-Biográficas: Nessas entrevistas que duraram

em média entre uma e duas horas cada, pedíamos aos nossos entrevistados para que contassem a história de suas vidas, procurando lembrar tudo aquilo que pudessem, desde a mais longínqua recordação. Explicávamos essa extensão de nosso interesse, tirávamos dúvidas sobre essa extensão, e reafirmávamos que gostaríamos que contassem toda a estória de vida deles, e por fim, o pesquisador, de modo claro e pausado, fazia o seguinte pedido:

“Conte-me a história de sua vida, desde o seu nascimento até hoje, conte-me tudo o que lembrar, da infância, da adolescência, da vida adulta, conte-me tudo o que vier à sua cabeça, tudo é importante, conte-me os seus sonhos antigos, o que pensava do futuro em outros tempos, conte- me tudo o que lembrar, tudo é muito importante, não despreze nada”.

A partir desse pedido apenas estimulávamos a continuidade da narrativa, sem fazer qualquer outra pergunta ou pedido, que não aquelas

que se relacionassem à compreensão de pequenas falas às vezes incompreensíveis no interior do que estava sendo narrado.

Durante os silêncios da entrevista sempre esperávamos o retorno da fala pela iniciativa espontânea do próprio entrevistado, e se nesse retorno ele dissesse que não havia mais nada a falar, dizíamos novamente que tudo era muito importante, qualquer detalhe era importante, e pedíamos para que ele se entregasse novamente às recordações, sem controlá-las, e que apenas as expressasse como lhes viessem à cabeça.

Esse mesmo modelo de entrevista foi repetido em outras duas entrevistas coletivas onde foram reunidos três pessoas em cada uma. Nelas, além de ser realizado o mesmo pedido anterior, mas desta vez ao grupo, pedia-se que, se a fala de um estimulasse uma recordação em outro, então, que esse outro manifesta-se o que lembrou, e assim indefinidamente. O resultado foi um diálogo bastante rico em ambas as entrevistas, todos sentiram-se bastante confortáveis em expor o que lembravam, e permaneciam sempre muito atentos ao que também ouviam dos companheiros.

No entanto, dada a extensão em que se tornou essa pesquisa, omitimos o resultado dessas entrevistas e sua análise, pois, não tivemos tempo de analisá-las adequadamente. Porém, de um modo geral pareceu-nos claro que em grupo a entrevista foi dotada de uma frequência maior de relatos ligados a paixões alegres, diferentemente das entrevistas individuais, mais frequentemente acompanhadas de relatos ligados a paixões tristes

Apoio à Compreensão do Ambiente Carcerário: Nessas

entrevistas tínhamos uma postura mais diretiva, procurando fazer com que o entrevistado focalizasse a sua atenção em torno das seguintes questões: Quais eram as dificuldades que o ambiente carcerário trazia para aqueles que desejassem recordar e comunicar suas histórias de vida? Que impressões tinham da natureza do prisioneiro? O que recordavam da vida política do país e qual o sentido da política para eles?

Tais perguntas eram dirigidas e esclarecidas uma única vez, e depois, apenas estimulávamos a continuidade da narrativa e esclarecíamos falas pouco compreensíveis.

Entrevistas com a Direção: A intenção dessa entrevista era

conhecer a estrutura do ambiente carcerário à partir da visão de seus administradores, e conhecermos também o que pensavam da identidade prisioneira, entrevistando o delegado de polícia titular e o diretor de disciplina.

Entrevistas com os Carcereiros: Com a mesma apresentação

padrão realizada em nosso primeiro encontro com os encarcerados, em seguida, iniciávamos o nosso contato com os carcereiros esclarecendo que nosso interesse em entrevistá-los devia-se ao fato de serem as pessoas que mais permaneciam em contato com os encarcerados, e que por isso, tal vivência poderia nos ajudar a compreender como é constituído tal ambiente. Além disso, indagamos sobre a realidade de sua vida profissional e pessoal, para que conhecêssemos de uma maneira mais global a vida daquele trabalhador, e os dilemas diários que vive. Perguntávamos também sobre o que pensavam ser os prisioneiros para identificarmos as suas interpretações.

Essas entrevistas também foram gravadas e transcritas, e tiveram um sentido diretivo, onde, feita uma pergunta esperávamos o esgotamento da resposta, clareávamos pontos obscuros de entendimento, e passávamos a outras questões.

Entrevista com o responsável pelo curso de formação de Carcereiros: Esta entrevista foi realizada no interior da Academia de

Polícia, com o objetivo de conhecermos como era a formação de um carcereiro, e como esse responsável pela formação dos carcereiros pensava ser um prisioneiro, pois, esperávamos com isso conhecer o paradigma interpretativo que é transmitido aos próprios carcereiros em formação. A

entrevista foi diretiva tal como a realizada com os carcereiros, e também foi gravada e transcrita.

Dados Gerais Sobre as Entrevistas:

Para este estudo foram realizadas 53 entrevistas, no interior de

21 visitas à instituição, e 01 visita à academia de polícia, efetuadas ao longo de 22 semanas, no período que vai de 16/06/97 a 03/11/97, e que foram assim distribuídas:

02 delegado de polícia titular.

02 diretor de disciplina.

02 responsável pela assistência judiciária.

08 encarcerados - primeira apresentação da pesquisa.

08 encarcerados - segunda apresentação da pesquisa.

08 encarcerados - coleta de dados pessoais.

08 encarcerados - entrevista tema.

08 encarcerados - entrevista auxiliar.

02 encarcerados - entrevista coletiva.

03 carcereiros.

Distribuição das Entrevistas/Semanas:

Semana E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 01* 0x1 0x1 0x1 02 1x1 03 2x4 04 xx xx xx xx xx xx xx xx xx xx 05 xx xx xx xx xx xx xx xx xx xx 06 xx xx xx xx xx xx xx xx xx xx 07 xx xx xx xx xx xx xx xx xx xx 08 xx xx xx xx xx xx xx xx xx xx 09* 0x1 0x1 0x1 10 2x4 11 2x4 12 2x2 13 2x2 14 xx xx xx xx xx xx xx xx xx xx 15 2x2 16 2x2 17 xx xx xx xx xx xx xx xx xx xx 18 xx xx xx xx xx xx xx xx xx xx 19 2x3** 20 1x2 21 1x1 22 1

Legenda das Entrevistas:

(ixj) = (números de visitas x número de entrevistas)/semana. E01 = Entrevista com o diretor da prisão.

E02 = Entrevista com o chefe de disciplina. E03 = Entrevista com preso auxiliar.

E05 = Entrevista para a coleta de dados pessoais. E06 = Entrevista tema.

E07 = Entrevista auxiliar. E08 = Entrevista coletiva.

E09 = Entrevista com carcereiros.

E10 = Entrevista com ast. cursos de formação da acad. de polícia.

xx = Intervalo entre rebeliões/fugas/outros.

* = Semana em que ouve uma só visita para todas as entrevistas.

** = Duas entrevistas realizadas simultaneamente com 3 pessoas.

As Entrevistas Resultaram em:

41 horas de entrevistas gravadas e inúmeros relatórios de descrição dos contextos em que foram realizadas. Com aproximadamente 1000 horas computadas entre entrevistas e transcrição de fitas.

Benzer Belgeler