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3.3.12. XRCC1 Kodon 399 geni polimorfizmiyle ilgili bulgular

2.2.1 — “O método da Economia Política”: do abstrato ao concreto

Em seu texto “O método da Economia Política” [Marx 1982b, pp. 14-19], que é a terceira parte da sua Introdução à Crítica da Economia Política redigida em 1857, Marx se refere à existência de dois caminhos, ou métodos1, para “[estudar] um dado país do ponto de vista da Economia Política”. O primeiro, “que foi historicamente seguido pela nascente economia”, começa “pelo real e pelo concreto”, “pelo todo vivo”; mas os economistas que o adotaram começavam de fato por uma “representação caótica do todo”, e eram depois

1

Marx usa os dois termos. Na verdade, o sentido grego original da palavra “método” é justamente o de “caminho”.

levados a “descobrir, por meio da análise, certo número de relações gerais abstratas que são determinantes, tais como a divisão do trabalho, o dinheiro, o valor etc.”. Tendo che- gado às determinações mais simples, ao cabo de uma viagem de ida, eram obrigados a fa- zer uma viagem de volta para retornar ao concreto, já então não mais como uma represen- tação caótica, mas como “uma rica totalidade de determinações e relações diversas” [In-

trodução à Crítica da Economia Política / 1857, p. 14]2.

O segundo método inicia a exposição pelo mais simples, e se apóia no trabalho dos que seguiram o primeiro:

Esses elementos isolados, uma vez mais ou menos fixados e abstraídos, dão origem aos sistemas econômicos que se elevam do simples, tal como trabalho, divisão do trabalho, ne- cessidade, valor de troca, até o Estado, a troca entre as nações e o mercado mundial [Idem, p. 14].

Segundo Marx, este último é “manifestamente o método cientificamente exato”. E agrega, para justificar esta afirmação:

O concreto é concreto porque é a síntese de muitas determinações, isto é, unidade do di- verso. Por isso o concreto aparece no pensamento como o processo da síntese, como resul- tado, não como ponto de partida, ainda que seja o ponto de partida efetivo e, portanto, o ponto de partida também da intuição e da representação. No primeiro método, a representa- ção plena volatiliza-se em determinações abstratas, no segundo, as determinações abstratas conduzem à reprodução do concreto por meio do pensamento. Por isso é que Hegel caiu na ilusão de conceber o real como resultado do pensamento que se sintetiza em si, se apro- funda em si, e se move por si mesmo; enquanto que o método que consiste em elevar-se do abstrato ao concreto não é senão a maneira de proceder do pensamento para se apropriar do concreto, para reproduzi-lo como concreto pensado.Mas não é de modo nenhum o pro- cesso da gênese do próprio concreto. (…)

(…) O todo, tal como aparece no cérebro, como um todo de pensamentos, é um produto do cérebro pensante que se apropria do mundo do único modo que lhe é possível, modo que difere do modo artístico, religioso e prático-mental de se apropriar dele [Introdução / 1957, pp. 14-5].

2

A densidade deste texto recomenda um exame cuidadoso. Deixemos de lado a questão de saber se Marx resumiu corretamente a concepção de Hegel sobre a relação entre o pensamento e a realidade, que não é fundamental nesse momento3. Registremos também apenas de passagem o sentido das referências à existência de outras formas de conheci- mento distintas da ciência (ou da filosofia). Marx diz que o concreto é o ponto de partida “também da intuição e da representação”, e algumas linhas adiante diz que o modo de pro- ceder do conhecimento científico difere do “modo artístico, religioso e prático mental”. Nestas referências, Marx mostra uma clara influência de Hegel; segue a divisão das formas de conhecimento, de apropriação do mundo pela consciência, exposta por Hegel na última parte da sua Enciclopédia das Ciências Filosóficas (na terceira seção da terceira parte, in- titulada “O Espírito Absoluto”) [Hegel 1970]. Aí, o conhecimento científico é englobado pelo conhecimento filosófico, que é o conhecimento conceitual; aparece como a terceira forma de conhecimento. As outras duas, a arte e a religião, apóiam-se na intuição e na re-

presentação. Marx menciona estas outras formas de conhecimento para distingui-las do

conhecimento científico, que é o seu tema.

Passando às questões que dizem respeito diretamente ao método proposto por Marx, registremos, em primeiro lugar, sua filiação inequivocamente hegeliana. Para que isto fique claro, basta comparar a afirmação “o concreto é concreto porque é a síntese de muitas determinações, isto é, unidade do diverso” com o que Hegel diz na “Pequena Ló- gica”:

Mas o conceito enquanto é concreto — e mesmo toda determinidade em geral — é essenci- almente em si mesmo uma unidade de determinações diferentes [Hegel, 1970b, pp. 296-7].

Bernard Bourgeois, tradutor e responsável pelas notas desta edição da Pequena Ló-

gica, observa que este sentido de concreto como unidade do diverso corresponde à etimo-

logia da palavra:

Hegel entende por concreto (“konkret”), seguindo a etimologia latina (“concrecere”, cres-

cer junto), o que é constituído por uma unidade de determinações diferentes, o resultado do

processo, ele mesmo concreto, que inclui em sua identidade a diferença do movimento da

3 É uma questão complexa. Mesmo alguns autores marxistas, como Tony Smith, avaliam que Marx simplifi-

cou de modo excessivo a concepção de Hegel, que não era idealista em um sentido tão direto como as frases da Introdução / 1857 citadas acima deixam entender [Smith, 1990, Capítulos I e II, pp. 3-42].

diferenciação da identidade, e do movimento da identificação das diferenças [Bourgeois, Bernard, in Hegel 1970b, p. 125, nota 22].

Em segundo lugar, é preciso indicar que o contexto deixa claro que, na sua defesa deste método, Marx não está se referindo a um estudo qualquer de Economia Política, mas a uma exposição de um tipo de obra muito especial, um “tratado geral”, isto é, uma obra que começa com os fundamentos e não pressupõe nenhum conhecimento anterior da maté- ria. Esta exposição exige um estudo anterior — uma pesquisa. No posfácio da segunda edição de O Capital, lemos:

É, sem dúvida, necessário distinguir o método de exposição formalmente do método de pesquisa. A pesquisa tem de captar detalhadamente a matéria, analisar as suas várias for- mas de evolução e rastrear sue nexo interno. Só depois de concluído este trabalho é que se pode expor adequadamente o movimento real. Caso se consiga isto, e se chegue a espelhar idealmente a vida da matéria, talvez possa parecer ao observador estar diante de uma cons- trução a priori [O Capital I-I, p. 26; El Capital I-I, p. 19]4.

Como fica claro pelas citações acima, esta pesquisa pode se estender por gerações até que seja possível começar uma exposição com o método “cientificamente exato”. De fato, a pesquisa não se conclui jamais, uma vez que novas descobertas podem ser realiza- das, e a exposição científica aperfeiçoada. Ernest Mandel propõe a seguinte esquematiza- ção do método defendido por Marx:

1) Assimilação pormenorizada do material empírico e domínio desse material (aparências superficiais) em todo o seu detalhe historicamente relevante.

2) Divisão analítica deste material segundo seus elementos abstratos constituintes (progressão do concreto ao abstrato).

3) Exploração das conexões gerais decisivas entre esses elementos, que explicam as leis abstratas de movimento do material — a sua essência, em outras palavras.

4) Descoberta dos elos intermediários fundamentais, que efetuam a mediação entre a essência e a aparência superficial da matéria (progressão do abstrato ao concreto, ou a reprodução do concreto pensado como uma combinação de múltiplas determinações).

5) Verificação empírica prática da análise (2, 3, 4) no movimento em curso da história concreta.

4

6) Descoberta de dados novos, empiricamente relevantes, e de novas conexões — muitas vezes até mesmo de novas determinações elementares abstratas —, mediante a aplica- ção dos resultados do conhecimento, e da prática neles baseada, à infinita complexi- dade do real [Mandel 1985, pp. 9-10].

Na verdade, Mandel se concentrou nesta esquematização no método de pesquisa e nas suas conexões com o método de exposição, deixando num segundo plano as questões da exposição propriamente dita5. Com relação ao método de exposição, podemos identifi- car os seguintes elementos nas passagens citadas de Marx:

1) Toda exposição científica é uma “maneira de proceder do pensamento para se apropriar do concreto, para reproduzi-lo como concreto pensado”. Neste sen- tido, o concreto é seu “ponto de partida efetivo”, embora a exposição não co- mece por ele.

2) O concreto “aparece no pensamento como o processo da síntese, como resul- tado”, uma vez que ele “é concreto porque é a síntese de muitas determinações, isto é, unidade do diverso”. Neste contexto, o concreto é complexo.

3) A exposição deve começar com “determinações as mais simples”, com “as determinações abstratas”. No contexto do método proposto por Marx, simples e

abstrato são praticamente sinônimos. Neste sentido, abstrato e concreto são

termos relativos: mais simples, menos determinações — mais abstrato; mais complexo, mais determinações — mais concreto.

4) Após o começo pelo simples e abstrato, a exposição deve realizar um processo de síntese, acrescentar progressivamente novas “determinações”. Chegará por esta via ao todo, ao concreto, “mas desta vez não com uma representação caó- tica de um todo, porém como uma rica totalidade de determinações e relações diversas” [Introdução / 1957, p. 14].

5

Uma variante da mesma posição — mas que, de nenhuma maneira, coloca em segundo plano o método de exposição — é expressa por Tony Smith. Ele menciona um ponto de partida que é a experiência imediata num contexto histórico particular; depois um “estágio de apropriação” e um “estágio de reconstrução”, cor- respondentes, naturalmente, à pesquisa e à exposição [Smith 1990, pp. 4-6 e 33-35].

5) Este método é chamado de “o método que consiste em elevar-se do abstrato ao concreto”.

No texto sobre “O método da Economia Política”, Marx não explicita de modo completamente claro quais seriam as “determinações mais simples” das quais a exposição deveria partir. Na verdade, podemos até afirmar que toca no tema de modo um tanto incoe- rente. De um lado, sua discussão da ordem das categorias conclui dizendo que:

(…) O capital é a potência econômica da sociedade burguesa, que domina tudo. Deve constituir o ponto inicial e o ponto final e ser desenvolvido antes da propriedade da terra6. Depois de considerar particularmente um e outro, deve-se estudar sua relação recíproca.

Seria, pois, impraticável e errôneo colocar as categorias econômicas na ordem segundo a qual tiveram historicamente uma ação dominante. A ordem em que se sucedem se acha determinada, ao contrário, pelo relacionamento que têm umas com as outras na sociedade burguesa moderna, e que é precisamente o inverso do que parece ser uma relação natural, ou do que corresponde à série do desenvolvimento histórico. (…) Trata-se da sua hierar- quia no interior da moderna sociedade burguesa [Introdução / 1957, pp. 18-9].

Por outro lado, no final do texto, Marx enumera uma ordenação das “seções” que deveriam ser adotadas na sua obra econômica (que ele viria a chamar de Crítica da Eco-

nomia Política). Esta enumeração segue claramente uma progressão abstrato concreto,

ou simples complexo; podemos identificar aí níveis de abstração, etapas da exposição

teórica que se distinguem umas das outras pelo grau de abstração (ou de concreticidade) e de simplicidade (ou de complexidade) em que se colocam, começando pelo nível mais simples e abstrato e terminando com o mais complexo e concreto. Isto está de acordo, sem dúvida, com a concepção exposta sobre o método de exposição; mas não começa pelo ca-

pital.

A primeira “seção” trataria do seguinte:

1 — as determinações abstratas gerais, que convêm portanto mais ou menos a todas as formas de sociedade, mas consideradas no sentido acima discutido [Idem, p. 19].

6 Nos parágrafos anteriores, Marx havia discutido a hipótese de começar a exposição pela propriedade da

terra. A parte inicial desta frase foi citada no Capítulo 1, na subseção 1.5.4, para destacar que, na economia capitalista, o capital impõe sua marca a todas as relações econômicas.

Por “determinações abstratas gerais” Marx certamente entende aqui a discussão ge- ral da produção, do consumo, da distribuição e da troca, feita nas duas primeiras partes da própria Introdução à Crítica da Economia Política.

É só a segunda “seção” que se refere ao capital. Seu conteúdo é indicado da se- guinte maneira:

2 — as categorias que constituem a articulação interna da sociedade burguesa e sobre as quais assentam as classes fundamentais. Capital, trabalho assalariado, propriedade fundiá- ria. Os seus relacionamentos recíprocos. Cidade e campo. As três grandes classes sociais. A troca entre estas. A circulação. O sistema de crédito (privado) [Idem, p. 19].

Ou seja, é esta segunda “seção” que começa pelo capital.

No entanto, nem Para a Crítica da Economia Política, publicada dois anos depois da redação da Introdução /1857, nem O Capital, começam pela primeira “seção” indicada; começam pela análise da mercadoria (que não havia sido mencionada — explicitamente7, ao menos — como começo nem na segunda “seção”). Tampouco o plano geral destas obras corresponde à enumeração mencionada acima.

As referências feitas por Marx ao método seguido em O Capital, no seu último es- crito sobre economia, as Notas Marginais ao Tratado de Economia Política de Adolph

Wagner8, também parecem indicar uma concepção diferente da enunciada na Introdução /

1857. Nestas notas, ao polemizar com a concepção de Wagner de que um tratado de eco-

nomia deve partir da análise de conceitos (que Wagner atribuíra também a ele próprio), Marx chama a atenção para o caráter concreto do ponto de partida de sua exposição.

Segundo o senhor Wagner, valor de uso e valor de troca devem derivar-se d’abord do con-

ceito de valor, e não como eu faço, de um concretum das mercadorias (…) [Notas sobre Wagner, p. 39].

Algumas páginas depois, Marx reforçou este argumento:

De prime abord, eu não parto de “conceitos”, e portanto tampouco do “conceito de valor”,

razão pela qual não tenho por que dividir de modo algum este “conceito”. De onde parto, é

7 Como veremos adiante, começar pela mercadoria é, de fato, começar pelo capital. 8

A partir daqui citadas como Notas sobre Wagner. As referências das páginas são da edição em espanhol das Ediciones Pasado y Presente.

da forma social mais simples em que toma corpo o produto do trabalho na sociedade atual, que é a “mercadoria”. (…) Como se vê, não divido o valor em valor de uso e valor de troca, como termos antitéticos em que se decomponha a abstração “valor”, senão digo que a

forma social concreta do produto do trabalho, a “mercadoria”, é de um lado valor de uso e

de outro “valor”, não valor de troca, pois este é uma simples forma de aparecer e não seu próprio conteúdo [Idem, pp. 48-9].

E um pouco mais adiante:

(…) [N]osso vir obscurus (…) nem sequer se deu conta de que meu método analítico, que não parte do homem, mas de um período social economicamente dado, não guarda nem a mais remota relação com esse método de entrelaçamento de conceitos que gostam de em- pregar os professores alemães (…) [Idem, p. 51].

Segundo Marx, portanto, a exposição começa por uma forma social concreta9. Além disso, a ênfase em que parte de “um período social economicamente dado” contrasta claramente com o conteúdo da primeira “seção”, apontada na Introdução / 1857 como iní- cio de sua obra econômica.

Temos, portanto, razões suficientes para colocar a questão: qual a relação entre o texto sobre o “método da Economia Política” e a obra posterior? O método de “elevar-se do abstrato ao concreto”, que é o tema central do texto de 1857, corresponde ao seguido por Marx na redação posterior de sua obra? Ou é outro o método de O Capital?

Antes de tentar responder a estas perguntas, é preciso examinar de uma forma mais ampla o significado do começo de O Capital. Ou seja, procurar avaliar qual é o objeto da Seção I do Livro I, e qual é o lugar que ocupa no conjunto da obra. Isto nos levará, como veremos, ao tema da relação entre essência e aparência, de modo que também esta questão terá de ser brevemente examinada. Em seguida, será necessário ainda avaliar as implica- ções das mudanças no plano geral da obra econômica de Marx até O Capital. Só depois estaremos em condições de retomar as perguntas do parágrafo anterior.

2.2.2 — A Seção I

9

Na Seção I do Livro I de O Capital, Marx parte da mercadoria, como unidade de valor de uso e valor; da análise da forma do valor chega ao dinheiro; e as funções do di- nheiro são analisadas. Só na seção seguinte o capital será definido.

Em seu artigo “A lei do valor e a taxa de lucro”, escrito em 1895 para figurar como apêndice ao Livro III de O Capital [Engels 1976], Engels propôs uma interpretação para o significado desta seção e para seu lugar no livro que, como seria de se esperar, teve grande influência: Marx aí não estaria ainda tratando da economia capitalista, mas sim de uma “produção mercantil simples”10. Este tipo de sociedade teria existido “desde o começo do intercâmbio que transforma os produtos em mercadorias até o século XV de nossa era”, um lapso de tempo que pode ser calculado como tendo entre “cinco e sete milênios” [Engels 1976, p. 1137]. A lei do valor, entendida como a venda das mercadorias por preços que oscilam em torno de seus valores11, teria então vigência plena e direta. Já na economia capitalista, ela ainda tem vigência, mas de uma forma modificada, já que os preços (de mercado) das mercadorias passaram a oscilar em torno dos preços de produção12.

Esta posição de Engels é vulnerável por várias razões. Destas, talvez a que chame a atenção mais rapidamente seja o caráter duvidoso de sua descrição histórica. Embora se possa dizer que houve algum tipo de comércio e, neste sentido, de produção de mercado- rias por milhares de anos, em nenhuma sociedade antes da economia capitalista esta forma de produção foi predominante; a maior parte da produção era destinada ao consumo dos produtores ou de senhores, e não passava por nenhum tipo de mercado. Ainda que fosse possível chamar a parte que se destinava ao comércio de “produção mercantil simples” e dizer que os produtos se trocavam na proporção do tempo de trabalho necessário à sua

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Christopher Arthur [1996] dá numerosas indicações, inclusive, de como muitos autores se referiram a este texto de Engels como se fosse do próprio Marx.

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Como vimos no Capítulo 1, e veremos de modo mais completo no Capítulo 5, a “lei do valor” é bem mais complexa do que isto.

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O objetivo do artigo de Engels era defender a teoria do valor de Marx da crítica de que ela não teria vali- dade prática, já que, no capitalismo, como o próprio Marx havia reconhecido, as mercadorias se vendem na média segundo seus preços de produção. A questão da relação entre valores e preços de produção será abor- dada no Capítulo 4, e a do significado da lei do valor, no Capítulo 5. Tratamos aqui apenas da afirmação de que a Seção I do Livro I se refere a uma “produção mercantil simples”, distinta da economia capitalista.

produção13, a vantagem disto seria muito reduzida: não daria à lei do valor assim entendida mais que um estatuto muito parcial e subordinado.

Por esta razão Ronald Meek, no apêndice sobre o “método econômico de Karl Marx” que conclui seus Studies in the Labour Theory of Value [Meek 1973, pp. 299-318], modificou em parte o argumento de Engels. Justificando o emprego do que ele chama (se- guindo Engels também neste ponto) de “abordagem lógico-histórica”, ele diz o seguinte, em uma passagem que merece ser citada por extenso:

(…) [S]e alguém desejava analisar o capitalismo em termos de relações de produção, a melhor maneira de fazê-lo era imaginar o capitalismo subitamente se impondo sobre uma espécie de sociedade pré-capitalista generalizada, na qual não há ainda classes proprietárias de capital e da terra separadas. O que alguém deveria fazer, em outras palavras, seria co- meçar postulando uma sociedade na qual, embora se assumisse que a livre concorrência e a produção de mercadorias reinavam mais ou menos supremas, os trabalhadores ainda seriam proprietários de todo o produto do seu trabalho. Tendo investigado as leis que governam a produção, a troca e a distribuição em uma sociedade deste tipo, seria preciso então imagi- nar o capitalismo subitamente se impondo sobre esta sociedade. Qual diferença esta impo- sição faria para as leis econômicas que operavam antes da mudança, e por que? Se alguém

Benzer Belgeler