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A Teoria das Representações Sociais, após 50 anos de sua formação, foi constituída de várias e diferentes contribuições, sendo incorporada pelas diferentes tendências pesquisadas, elaboradas por autores diversos e utilizadas praticamente por vários estudos e pesquisas sobre os mais diversos temas. Assim, a Teoria das Representações Sociais vem aprimorando e atualizando, em termos teóricos, conceituais e metodológicos, seus relacionamentos potenciais com outras abordagens do campo social.
A publicação do livro La Psychanalyse: son image et son public- etude sur la representation sociale de la Psychanalyse em 1961, Serge Moscovici alcançou grande repercussão, tornando-a, nos anos seguintes, um dos enfoques predominantes da Psicologia Social na Europa. Nela Moscovici procurou explicitar como a produção de conhecimentos plurais pode contribuir para reforçar a identidade dos grupos, influindo em suas práticas e reconstituindo seu pensamento. Uma das principais teses por ele advogadas é a de que é em função das representações e não necessariamente da realidade, que se movem os indivíduos e as coletividades.
A Teoria das Representações Sociais, proposta por Moscovici (2004), operacionalizou um conceito que permitiu que o pensamento social pudesse ser investigado, incorporando-se às noções de dinamismo e diversidade e também à de senso comum.
Sendo dinâmicas, as representações produzem comportamentos e influenciam relacionamentos, englobando ações que se modificam umas às outras. Não são meras reproduções, tampouco reações a estímulos exteriores determinados; antes, são sistemas que possuem uma lógica própria, uma linguagem particular e uma estrutura que tem como base tanto valores quanto conceitos. Não são simples opiniões a respeito de algo ou imagens de algum objeto. São verdadeiras teorias construídas coletivamente, destinando-se à interpretação e à construção da realidade (MOSCOVICI, 2003).
Em uma ênfase processual, definem-se representações sociais como uma forma de conhecimento socialmente elaborada e partilhada, tendo uma orientação prática e concorrendo para a construção de uma realidade comum a um conjunto social.
Denise Jodelet (2001), ao apresentar o espaço de estudo das RS, caracteriza a representação como uma forma de saber que pode estar articulada a um conjunto de elementos e relações. A autora resume esse processo a partir de três questões: “Quem sabe e de onde sabe?”; “O que e como sabe?”; “Sobre o que sabe e com que efeitos?”. (JODELET, 2001, p. 28).
Para se apreender esse saber das representações sociais, a autora propõe duas orientações: devem-se observar, nos processos, os elementos constituintes das representações, que são as informações, imagens, crenças, valores e opiniões
e, também, os elementos culturais e ideológicos, completados pelas atitudes, modelos normativos ou esquemas cognitivos.
Na ênfase processual do processo de formação das representações sociais da profissão do administrador, dentro de uma IES, passa pela incorporação e estabelecimento pelos estudantes, da imagem dessa profissão frente à sociedade, na absorção e transparência dos valores socioeconômicos e ambientais postos atualmente na sociedade, no aprendizado e troca de informações e saberes profissionais e pessoais, envoltos de elementos formais e informais da instituição e dos aspectos psicossociológicos de cada participante deste processo.
Acompanhando essa tendência processual da Teoria das Representações Sociais, Sandra Jovchelovitch (2003) teoriza todo saber como representacional. Busca entender a forma que o saber assume enquanto representação e aquilo que expressa enquanto sistema psicossocial firmemente radicado em um contexto social. Busca também entender, como a variabilidade das formas do saber se realiza em esferas públicas e como ela é tratada.
A autora coloca que a representação é uma construção ontológica, epistemológica, psicológica, social, cultural e histórica, gerada pelas mediações sociais, em suas mais variadas manifestações, seja nas comunicações formais e informais, processos de trabalho, ritos, mitos, símbolos ou padrões de comportamento. Ela se dá em todas essas mediações ao mesmo tempo, e cada uma só pode ser entendida em relação às outras, já que elas são simultâneas do sistema representacional. (JOVCHELOVITCH, 2003).
Assim também sobre a formação da profissão do administrador, as IES são espaços e ambientes em que se promovem a mediação e reprodução de representações sociais sobre o grupo de estudantes.
Entre as tendências citadas e que incorporam o bojo das Teorias das Representações Sociais, está a pesquisa de Jean Claude Abric que, em 1976, com um direcionamento mais estrutural da Teoria, publicou a Teoria do Núcleo Central, entendendo que nem todos os elementos que compõem uma representação têm a mesma importância, sendo alguns essenciais e outros secundários. As representações possuem, de acordo com essa teoria, uma hierarquia interna. Os elementos mais importantes são organizados no chamado núcleo central, que
confere à representação o seu significado, enquanto os de menor importância constituem o sistema periférico (ABRIC, 2002).
Na ênfase estrutural defendida por Abric (2002), que atribui importância aos componentes de uma representação social, ao pensarmos sobre a profissão do administrador de empresas, é possível dimensionar sobre elementos que são mais representativos e que estão arraigados nas representações sociais explícitas dos estudantes que fazem essa formação.
Abric (1998, p.31) coloca que, “o núcleo central tem duas funções essenciais na estruturação e no funcionamento das RS: uma função geradora, que cria, transforma e dá sentido às representações sociais, e uma função organizadora, que unifica e estabiliza a representação no sujeito.”
Há também em torno do núcleo central, os elementos periféricos que se constituem como a interface entre a realidade concreta e o sistema central. Para Abric (1998), estes elementos possibilitariam tornar as RS compreensíveis e transmissíveis, constituindo assim, um aspecto móvel e evolutivo das representações.