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3. UYDU GÜÇ SİSTEMİ

3.5 Volanlı Enerji Depolama Birimi

Santa-Roza (1993) dedica um ensaio ao fort-da, apontando-o como o paradigma da lógica simbólica. Esse sentido simbólico atribuído ao fort-da se justifica quando o pequeno menino prescinde da presença física de sua mãe, metaforizando-a em um objeto: o carretel – vale lembrar que, para Freud, o brincar infantil se diferencia da fantasia no momento em que se apóia em objetos reais.

Como já citamos, embora alguns autores afirmem a existência de um brincar para aquém do carretel, faz-se imprescindível compreender o fort-da, pois, como assinala

Santa-Roza (1997), este jogo não apenas expressa a atividade imaginativa, ele representa a possibilidade de a criança se separar do outro, marcando – e sendo marcada – pela diferenciação, mesmo que seja pela via da repetição.

Outra autora que se dedicou a pensar o processo de elaboração simbólica no fort- da foi Rabello (2004, p. 163-165), ao apontar que, é no momento em que a criança faz o objeto desaparecer, que ela se dá conta da sua conservação. Esta conservação, por sua vez, seria simultânea à perda:

Se a simbolização implica a possibilidade de tornar presente aquilo que está ausente, ela estabelece o campo de perda.

[...]

Freud articula na discussão desse jogo, renúncia. Ao dominar o objeto psiquicamente, pode renunciar a ele objetivamente, inibindo o escoamento livre e adiando a resposta até a presença do objeto. Para tal, é preciso suportar sua ausência sem senti-la como avassaladora, e a posição de passividade faz da ausência insuportável.

Em sua tese intitulada Dizeres de crianças: Jogos de repetições e modulações tonais entoando jogos subjetivos, Rabello (2004) trabalha as pulsões imperiosas na clínica, em especial na clínica com crianças que apresentam transtornos graves. E, como não poderia deixar de ser, a temática da compulsão à repetição está presente em suas explanações e em seus questionamentos.

Rabello (2004) afirma que o fort-da foi a única compulsão apontada por Freud em crianças pequenas, em um momento crucial para a constituição subjetiva. Para a autora, o fort-da se caracteriza como uma pulsão de natureza imperiosa, pois é característico das pulsões de morte.

A autora apresenta sua clínica, destacando a clínica com crianças diagnosticadas autistas ou psicóticas, e aponta várias versões do fort-da que podem ser lidas como incompletas. Rabello (2004) compreende o fort-da como um

[...] Jogar ‗objetos‘, jogar a si mesmo, suas palavras ou seu grito para serem resgatados pelo outro, e aí reside sua essência constitutiva. De início, esses

‗objetos‘ simplesmente caem sem destino algum: palavras, gritos, objetos e a própria criança. Jogar-se, fazendo-se objeto a ser resgatado. Ou melhor, jogar- se para ser resgatado como objeto. (RABELLO, 2004, p.160).

Rabello (2004), então, introduz uma questão fundamental para o processo de constituição subjetiva: a construção da possibilidade psíquica da perda e do esquecimento. Para a autora, será somente a construção dessas possibilidades que implicará na construção de seu próprio resgate.

É interessante pensar que todas essas possibilidades psíquicas referentes à perda e à separação somente assim são porque a criança experimentou, em algum momento primitivo, a continuidade de ser. E, para Rabello (2004, p. 164-165), isto implica em experimentar a própria dominação do outro. Este possibilidade de dominação

[...] revela a importância terapêutica do outro em se deixar escravizar, em parte, para permitir à criança a construção dessa posição de dominação frente ao outro. Como alguém capaz de dominar a ida e a vinda do outro e assim capaz de dominar a própria angústia.

[...]

Diria que é necessário que esse deixar se escravizar reserve sua parcela amorosa (...) assim como o faz uma mãe frente ao seu bebê, que goza ao perceber seu bebê, por vezes, poderoso para dominá-la e ao ambiente.

Estamos, portanto, diante de um jogo que possibilita à criança construir a sua própria singularidade. É importante ressaltar, no entanto, que a possibilidade de diferenciação vai sendo construída através de um processo complexo, configurando-se como uma espécie de jogo entre o bebê humano e seu cuidador, jogo este iniciado em um momento precoce da vida humana.

Se retornarmos ao texto sobre o instrumento IRDI, localizaremos, no sub-item sobre as experiências infantis precoces (sub-item 1.1), a alternância presença-ausência como uma das operações constituintes do sujeito que balizaram a leitura dos indicadores. Lembremos que tal operação implica na possibilidade de a mãe responder ao bebê não apenas com sua presença ou com sua ausência, mas com uma alternância.

Tal alternância sinaliza um intervalo para o bebê, no qual este poderá experimentar-se, produzindo algum tipo de resposta ao outro. No intervalo e não somente na ausência, pois o outro ainda é experienciado como continuação de si do bebê.

Ora, não seria o fort-da uma continuação desse jogo, quando a criança, então, possui um mínimo de marca e de memória da presença do outro para encenar a sofrida separação? Ocorre que, como muitas vezes presenciamos em situações traumáticas, a própria criança necessita repetir a cena para elaborar a separação.

Para Rabello (2004, p. 167), a importância de que se produza um intervalo – e, incluímos, uma alternância – é que este tempo em suspenso pede interpretação. Para a autora, trata-se de um tipo de jogo (entre mãe e criança) através do qual se constrói

[...] um espaço onde subjetivo possa emergir, onde não se trata nem do real, nem do alucinatório, mas do ficcional. A partir desse espaço, uma certa narrativa pode ser construída, como uma ficção, a ser revisada infinitamente em busca de sua melhor definição.

Observamos, portanto, que o jogo do fort-da vai-se configurando a partir de uma série de relações dialéticas: a atividade e a passividade, a repetição e a elaboração, a alienação e a separação, a perda e o domínio, o esquecimento e o resgate, o eu e o outro...

Neste jogo, faz-se presente tanto a experiência do princípio de prazer como o de realidade; o primeiro situado na própria experiência de dominação e, o outro, vivido através da capacidade de adiar as satisfações imediatas – inibição do escoamento livre (RABELLO, 2004). Esta última característica está relacionada à realização cultural da criança, que é renunciar à presença física da mãe, e isto implica dizer que o brincar seria como um espaço, ele próprio, de sublimação e de criação.

Benzer Belgeler