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5. VOLANLI ENERJİ DEPOLAMA SİSTEMİNİN BENZETİMİ

5.4 Genetik Algoritmalar

5.4.7 Matlab ile Optimizasyon

Como já assinalado, a técnica através do brinquedo, construída por Melanie Klein, conquistou um estatuto de originalidade. Thomas (1995) problematizou esta técnica a partir daquilo que entende como uma oposição, e que Klein esclareceu da seguinte maneira:

Se os meios de expressão das crianças diferem dos dos adultos, também a situação analítica com uns e com outros. Mas ela se mantém, nos dois casos, essencialmente idêntica. As interpretações conseqüentes, a redução progressiva das resistências e o remontar da transferência a situações mais antigas constituem, tanto nas crianças quanto nos adultos, a situação analítica tal como deve ser. (KLEIN, 1926, apud THOMAS, 1995, p. 142)

Thomas (1995, p. 142), então, compreende a play-technique como uma contradição: ―[...] afirmar, ao mesmo tempo, que há um psiquismo específico da criança e que a condução dos pacientes pequenos é idêntica à dos pacientes adultos.‖ (p. 142) Mas, então, qual seria a especificidade do psiquismo das crianças? O autor responde:

―Não existe associação verbal‖, ou seja, a criança não pode fazer associações livres, um dos princípios fundamentais da técnica psicanalítica.

Ressaltemos que Klein se apropriou de alguns princípios da própria técnica freudiana de análise de adultos, adaptando-os a um método que permitisse a comunicação e a expressão do inconsciente infantil. Klein notou a impossibilidade da livre associação pela criança, e, através da observação dos próprios filhos, intuiu que o jogo ocupava este lugar da associação na criança.

Assim, a grande intuição de Klein foi a de que o jogo poderia ser considerado uma associação para a criança. Para a autora, o jogo carrega significados e também expressa dimensões do inconsciente que se manifestam como fantasias. (SEGAL, 1993)

Thomas (1995, p. 142) atribui ao brincar kleiniano um estatuto de ―compressão metafórica‖. Para Klein, o brincar é a via de expressão, por excelência, da fantasia inconsciente, a linguagem fundamental da criança, que, por sua vez, expressa esta fantasia de modo simbólico. E, para que um trabalho analítico se realize com a criança, não basta oferecer a ela um espaço lúdico, em termos de uma ludoterapia, mas realizar a interpretação sistemática dos elementos da brincadeira assim como da transferência.

Ora, para isto, como ressalta Thomas (1995), é necessário levar em conta vários parâmetros, os quais Melanie Klein expõe rigorosamente, tais como os encadeamentos que aparecerão com a interpretação, o material utilizado pela criança na sessão, a razão por que passam de uma brincadeira para outra, e os meios que escolhem para suas representações.

Todo esse conjunto de fatores, que muitas vezes parece confuso e desprovido de significação, afigura-se a nós lógico e repleto de sentido, e suas fontes e os pensamentos que lhe são subjacentes revelam-se a nós, quando o interpretamos exatamente como um sonho. (KLEIN, 1926, apud, THOMAS, 1995, p. 143)

A clínica kleiniana está permeada, como não poderia deixar de ser, por todas as formulações sobre as quais discorremos no item anterior. Klein nunca se furtou de

expor sua clínica detalhadamente, inclusive como modo de corroborar suas formulações teóricas, e, como assinalado, lançou sua curiosidade na direção dos eventos psíquicos primitivos, enfatizando o alto nível de tensão que carrega o aparelho psíquico do bebê e da criança pequena. E a técnica do brinquedo foi elaborada tendo como finalidade, fundamentalmente, o fortalecimento do ego infantil ante as angústias experienciadas pela criança, especialmente aquelas oriundas de seu conflito edípico e de seu superego rígido, e, muitas vezes, sádico.

Sobre os efeitos desse superego no psiquismo da criança, Melanie Klein (1996, p. 233) afirma que ―[...] Minha experiência mostra que na origem do conflito edipiano e no início de sua formação, o superego tem caráter tirânico, montado sobre o padrão dos estágios pré-genitais, que então se encontram em ascendência.‖

A autora também observou que

Os efeitos desse superego infantil sobre a criança são semelhantes aos que o superego exerce sobre o adulto. No entanto, eles são um fardo bem mais pesado para o ego infantil, mais fraco que o do adulto. Como nos ensina a análise de crianças, conseguimos fortalecer esse ego quando o procedimento analítico põe um freio nas exigências excessivas do superego. (KLEIN, 1996, p. 158)

É fundamental compreender a rigidez superegóica no contexto da análise infantil, pois, tal rigidez pode resultar, dentre outras questões, na introjeção de uma mãe e de um pai muito mais severos do que os pais reais. Esta severidade também é responsável pela própria inibição da brincadeira, que se apresenta, na citação abaixo, na impossibilidade do ―fazer-de-conta‖ ou do ―como se‖.

Trude, aos dois anos e um quarto, quando brincava de boneca (jogo de que não gostava muito), costumava afirmar que não era a mãe da boneca. A análise revelou que ela não ousava fingir que era a mãe porque a boneca em forma de bebê simbolizava, entre outras coisas, o irmãozinho que quisera tirar da mãe já durante a gravidez. Neste caso, a proibição do desejo infantil não vinha mais da mãe real, mas de uma mãe introjetada, cujo papel a menina representava diante de mim de diversas maneiras e que exercia sobre ela uma influência mais severa e cruel do que a mãe real. (KLEIN, 1996, p. 157)

A inibição da brincadeira também pode estar relacionada aos sentimentos de culpa decorrentes dos próprios sentimentos agressivos e destrutivos que fizeram com que a criança causasse ―danos fantasísticos‖ a determinadas pessoas.

É essencial permitir à criança dar expansão à sua agressividade; mas o que importa mais é compreender por que motivo, nesse momento particular, na situação de transferência, aparecem os impulsos destrutivos, e observar suas conseqüências na mente da criança. Os sentimentos de culpa podem seguir-se pouco depois da criança ter quebrado, por exemplo, uma pequena figura. Tal culpa surge não só pelo dano real produzido, mas pelo que o brinquedo representa no inconsciente da criança, por exemplo, um irmão ou irmã menores, ou um dos pais; a interpretação tem, portanto, de ocupar-se também desses níveis mais profundos. (KLEIN, 1980, p. 32)

Klein dará ao jogo o estatuto que na Psicanálise corrente era dado ao sonho. Isto porque, como ressalta Segal (1993), ambos têm ―raízes em comum‖: são modos de elaboração da fantasia inconsciente.

Para Klein, a interpretação do simbolismo da brincadeira, sustentada pela transferência, é a possibilidade que o analista tem de alcançar aquilo que ela chamava de ―camadas profundas do inconsciente‖ (KLEIN, 1996). A compreensão que o analista faz desses conteúdos inconscientes também é possível porque, no psiquismo infantil, ―[...] encontramos o Inconsciente em ação lado a lado com o Consciente – as tendências primitivas lado a lado com os desenvolvimentos mais complexos que conhecemos, como o superego.‖ (KLEIN, 1996, p. 160)

Ou seja, Klein é muito clara quando afirma que, na mente da criança, existe uma comunicação muito próxima entre os sistemas Inconsciente e Consciente, o que resulta na possibilidade de estabelecer uma ponte entre ambos. Para a autora, essa estreita relação entre os sistemas seria fundamental para que a interpretação do conteúdo da brincadeira – essencialmente as fantasias inconscientes – surta efeito no psiquismo da criança. E, assinalemos: esse efeito implica o sentimento de prazer que a criança experimenta por não precisar mais se esforçar para reprimir tais conteúdos. (KLEIN, 1996)

É interessante ressaltar, como marcamos no texto sobre o brincar freudiano, que essa questão da manifestação da fantasia inconsciente no brincar foi criticada por alguns autores, como Santa-Roza (1993). Na compreensão da autora, Klein ―(...) nos oferece uma tradução direta das imagens do jogo em elementos inconscientes.‖ (SANTA- ROZA, 1993, p. 78)

Eis um exemplo: um menino brincava com duas carroças que colidiam, de modo que as patas dos cavalos se chocavam. Em seguida, os cavalos vão dormir e o menino concluía que estavam mortos. Esta cena é interpretada por Klein como sendo a relação de duas pessoas – papai e mamãe – que batiam seus órgãos genitais. (SANTA-ROZA, 1993, p. 78)

O que Santa-Roza compreende é que Klein revela uma contradição em sua técnica de trabalho, pois, se de fato o brincar é regido pelos mecanismos do sonho, o conteúdo manifesto sempre se apresentará como uma deformação do conteúdo latente, e não como uma reprodução deste. Santa-Roza (1993), então, supõe que ou Klein não considera o resultado final do processo do sonho, ou, para ela, o brincar pode expressar de forma direta a realidade psíquica, o que, por sua vez, o distinguiria do sonho.

A crítica de Santa-Roza (1993) é fundamental para a prática psicanalítica com crianças, já que estimula uma reflexão sobre a própria qualidade da interpretação, especialmente quando o analista não constrói uma significação das produções da criança junto com a mesma.

Chegamos, então, à questão do simbolismo na brincadeira kleiniana. Sabemos que Klein se utilizava de uma quantidade variada de brinquedos, e vários desses objetos eram sempre escolhidos pela criança, sem sugestões do analista. Essa escolha não era aleatória, já que o objeto tinha uma significação

[...] o bloco de armar, a pequena figura, o carro, não só representam coisas que interessam à criança em si, senão que ao brincar com elas têm sempre uma variedade de significados simbólicos que estão igualmente vinculados às suas fantasias, desejos e experiências. (KLEIN, 1980, p. 44)

O simbolismo também habilita a criança a transferir fantasias, ansiedades e culpa para outros objetos e pessoas, ação esta que lhe causa grande alívio

[...] Peter, salientou a mim, quando interpretei seu dano ao boneco como representando ataques ao irmão, que ele não faria isso ao seu irmão real, apenas ao irmão de brinquedo. Minha interpretação, certamente, tornou evidente a ele que era realmente o irmão que ele desejava atacar; mas o exemplo mostra que somente por meios simbólicos ele era capaz de expressar suas tendências destrutivas na análise. (KLEIN, 1980, p. 45)

Parece claro que, para Klein, a expressão simbólica na brincadeira caracteriza a saúde psíquica, já que a capacidade de usar símbolos desenvolve a vida de fantasia ao ponto em que esta pode se relacionar com a realidade material. E esta possibilidade entra em concordância com a afirmação de Isaacs (1982, p.125): ―O mundo externo é, de fato, libidinizado em grande parte através do processo de formação de símbolos.‖

Na análise de crianças, esse uso dos símbolos pode ser observado através de vários mecanismos: a construção de personificações no brinquedo; a troca de papéis, que têm a função de separar diversas identificações; a elaboração de imagos com características fantásticas boas e más, que ocorre ―[...] nos estágios intermediários entre o superego ameaçador, dissociado da realidade, e as identificações que se aproximam mais do real.‖ (KLEIN, 1996, p. 233)

Como já apontamos, através de uma afirmação de Isaacs (1982), a compreensão de saúde psíquica implica experienciar essa mutualidade do que a autora chama de ―pensamento de realidade‖ e as fantasias inconscientes. E a adaptação à realidade, de certo, se configura como um dos objetivos da análise infantil para Klein:

A brincadeira da criança normal apresenta um equilíbrio melhor entre a fantasia e a realidade. [...] As crianças normais têm melhor domínio da realidade. Suas brincadeiras mostram que elas são mais capazes de influenciar a realidade e viver dentro dela em conformidade com suas fantasias. No entanto, mesmo quando não há possibilidade de alterar a situação em que se encontram, conseguem suportá-la melhor, pois a fantasia mais livre lhes oferece refúgio para onde fugir. (KLEIN, 1996, p. 236)

Klein ainda chamou atenção para o fato de que, nesta brincadeira da criança ―normal‖, podemos observar a repetição de experiências, inclusive de pormenores, de sua vida cotidiana. Para a autora, mesmo quando a criança leva essa repetição20 do cotidiano, ela (a criança) a realiza entrelaçando-a com suas fantasias.

Sobre essa relação entre a brincadeira, o cotidiano e a realidade, Segal (1993, p. 111) afirma: ―O brincar tanto é um modo de exploração da realidade quanto de domínio dela; é um modo de apreender o potencial do material com que se brinca e suas limitações, bem como as próprias capacidades e limitações da criança.

A citação acima coaduna com a afirmação de Klein de que a brincadeira da criança normal implica um equilíbrio entre a fantasia e a realidade. Contudo, ao mesmo tempo em que Segal (1993) propõe essa idéia, inclusive afirmando que a capacidade de brincar depende da capacidade de simbolização, também resgata a idéia kleiniana de que, na brincadeira, conteúdos psicóticos podem irromper, interrompendo toda a construção da criança.

Consideramos importante, portanto, concluir este item refletindo sobre a natureza do brincar. É interessante notar que, para Klein, a brincadeira normal é aquela que se distancia de qualquer tipo de satisfação alucinatória. A autora, mesmo privilegiando o aspecto expressivo da brincadeira, corrobora a idéia freudiana, desenvolvida no texto Escritores criativos e devaneios (1908), de que o brincar representa justamente esse lugar de fronteira e de ligação entre aquilo que é imaginado e aquilo que é ―tangível no mundo real‖.

Contudo, antecipamos que o autor que melhor desenvolveu a idéia do brincar como um espaço, inclusive na fronteira do que é imaginado e do que é ―tangível no mundo real‖, foi Donald Winnicott. Consideramos que este autor foi o teórico do

20Achamos mais interessante o termo ―representação‖ da vida cotidiana, já que, muitas vezes, a criança

brincar, e atribuiu ao fenômeno uma importância de processo fundamental na própria subjetivação, e não apenas de provedor de conteúdos a serem interpretados. Trabalharemos suas proposições sobre o brincar no item a seguir.

3.5 O brincar em Winnicott: a busca por um estatuto próprio, para além da

Benzer Belgeler