1.4. Vitamin D ve Biyolojik Etkileri
1.4.2. Vitamin D’nin Metabolizması ve Fonksiyonları
história global, é a remissão das diferenças à unidade e mesmidade, e se a história global e a história geral são rivais opostas, então a historicidade seria, para a história geral, o resgate da multiplicidade das diferenças relacionadas numa dispersão temporal40. Esta hipótese torna-se uma constatação com a afirmação de que a constituição das séries é a tarefa par excellence da história geral:
O problema que se apresenta – e que define a tarefa de uma história geral – é determinar que forma de relação pode ser legitimamente descrita entre (...) [as] diferentes séries; que sistema vertical podem formar, qual é, de umas às outras, o jogo das correlações e das dominâncias; de que efeito podem ser as defasagens, as temporalidades diferentes, as diversas permanências; em que conjuntos distintos certos elementos podem figurar simultaneamente; em resumo, não somente que séries, mas que “séries de séries” – ou, em outros termos, que “quadros” – é possível constituir. (AS, p. 11-2)
Portanto, a historicidade, neste seu primeiro aparecimento, é multiplicidade das diferenças relacionadas no espaço de uma dispersão temporal; e a diferença surge, respectivamente, como guerra e multiplicidade.
Segundo aparecimento da palavra “historicidade”: segunda apresentação via
negativa
O segundo aparecimento da palavra “historicidade” está situado no décimo-sexto parágrafo da “Introdução” de A arqueologia do saber. Seu contexto é a descrição da função conservadora que afirma a vivacidade, a continuidade e a abertura da história e denuncia o assassinato da mesma mediante a invasão de um discurso da diferença e da descontinuidade. Sua apresentação é via negativa porque a historicidade aparece vinculada à ação da função conservadora, mira da crítica (ver AS, p. 16-7).
(Breve esclarecimento topológico. A divisão oficial da “Introdução” de A arqueologia
do saber comporta quatro partes separadas entre si pelo sinal gráfico de um asterisco – além
disso, a terceira parte está dividida em dois blocos, separados entre si pela presença de um espaço branco visível (ver AS, p. 3-20). À leitura fiel a esta divisão canônica poderíamos associar a máxima proximidade ao texto – o que não exclui a criação de outras divisões
40 Deveríamos acrescentar uma quinta informação para a compreensão das características do discurso da
historicidade: a existência do espaço. Já que a história geral tem por tarefa “desdobrar o espaço de uma dispersão”, podemos reformular a ideia transvalorada de historicidade: multiplicidade das diferenças relacionadas no espaço de uma dispersão temporal.
conforme as distintas experiências interpretativas. Para o caso do segundo aparecimento da palavra “historicidade”, presente no final do primeiro bloco da terceira parte, a compreensão de seu contexto conforme a divisão oficial é fundamental: há uma relação de dependência que explica a necessidade de entendê-lo junto ao desenvolvimento de toda terceira parte (ver AS, p. 14-7). Já para o primeiro aparecimento da palavra “historicidade”, a necessidade da inserção no contexto conforme a divisão canônica não era crucial: afora a relação evidente entre a “terceira consequência” e sua causa, a “crítica do documento”, o tema da história geral versus a história global possuía autonomia explicativa.)
A função conservadora, que tem por finalidade garantir a soberania da consciência, apanágio de um pensamento antropológico, e que, por isso, defende o tema de uma história viva, contínua e aberta, denuncia o assassinato da história quando da utilização de um discurso das diferenças:
Denunciaremos, então, a história assassinada, cada vez que em uma análise histórica – e sobretudo se se trata do pensamento, das ideias ou dos conhecimentos – virmos serem utilizadas, de maneira demasiado manifesta, as categorias da descontinuidade e da diferença, as noções de limiar, de ruptura e de transformação, a descrição das séries e dos limites. (AS, p. 16)
A historicidade aparece exatamente junto a esta denúncia:
Denunciaremos [a função conservadora, que opõe a história viva, contínua e aberta – defesa da soberania da consciência, do sujeito – à estrutura – discurso das diferenças -, denunciará] um atentado contra os direitos imprescritíveis da história [vivacidade, continuidade e abertura] e contra o fundamento de toda historicidade possível [cada vez que forem utilizadas as categorias da descontinuidade e da diferença, as noções de limiar, de ruptura e de transformação, a descrição das séries e dos limites]. (AS, p. 16, grifo nosso)
Para a função conservadora, a historicidade é vivacidade, continuidade e abertura.
Precisamos destacar três características essenciais do discurso da historicidade. Primeiro, novamente a existência da guerra. Agora, porém, o confronto é de uma belicosidade extrema – basta notar a presença dos temas do assassinato e do atentado (contra direitos imprescritíveis)41 -: há onipresença da guerra entre função conservadora e discurso das diferenças através do recurso à exposição veementemente combativa – no fundo, é a batalha do discurso da metafísica para a destruição do discurso das diferenças. Segundo, a pertinência da diferença. A função conservadora denuncia o uso do discurso das diferenças para o entendimento da historicidade: a historicidade habitada pela diferença como multiplicidade. Terceiro, a recorrência do tempo. A disputa entre função conservadora e discurso das diferenças tem por foco central a questão do tempo para a compreensão da historicidade: para
41 No final do décimo-sexto parágrafo há uma metáfora topológica (fortaleza vigiada e desertada) como
a primeira, a história é continuidade, para a segunda, descontinuidade – e a descontinuidade é diferença, portanto a diferença é tempo.
Se a historicidade, no primeiro aparecimento, é unidade e mesmidade e, no segundo, vivacidade, continuidade e abertura, então podemos perceber a relação entre os dois aparecimentos mediante seu recíproco entendimento metafísico: a historicidade é continuidade do mesmo. De maneira análoga, se a historicidade era, no primeiro aparecimento, por uma transvaloração dos valores, dispersão e multiplicidade, e agora é, mediante nova transvaloração, descontinuidade das diferenças, então igualmente podemos ver a ligação entre os dois aparecimentos através de sua mútua recusa metafísica: a historicidade é descontinuidade do múltiplo (ou dispersão da diferença). E a diferença surge, neste segundo aparecimento da palavra “historicidade”, como, respectivamente, multiplicidade e tempo.