O Takt Time representa a frequência com que se deve produzir uma peça ou produto, para atender à demanda dos clientes. Neste método, a definição do Takt Time está dentro da etapa do nivelamento, pois como veremos, o Takt Time para cada uma das Process Lanes de produtos intermediário dependerá de como a demanda para as unidades de montagem for nivelada.
A utilização do Takt Time como um elemento de controle do fluxo de materiais na produção de grandes equipamentos sob encomenda não é tão trivial quando comparada a processos mais repetitivos. Em primeiro lugar porque o Takt Time é muito grande em comparação com outras indústrias, podendo ser de semanas, meses e até passar de um ano. O Takt Time de alguns meses é muito longo e difícil de usar como um meio de dividir as tarefas para definir o ritmo de produção (LIKER e LAMB, 2001).
Outro ponto importante é a variação que o Takt Time pode ter, pois ele pode variar consideravelmente de um “Equipamento” para outro, dependendo de seu tamanho, complexidade e quantidade de produtos intermediários que compõem cada “Equipamento”.
Pensar sobre o Takt Time faz mais sentido quando o equipamento for entendido como um conjunto de partes menores, as unidades de montagem, que por sua vez, são compostas por partes ainda menores, os demais produtos intermediários. Portanto, o processo realizado para definir o Takt Time de cada Process Lane será:
1. Começar analisando a carteira de pedidos e o cronograma de montagem final (erection) de cada “Equipamento”, e identificar as unidades de montagem necessárias para a montagem desses “Equipamentos”. Essas unidades de montagem serão separadas em cada uma das Process Lanes da empresa, de acordo com as famílias de produtos definidas. Como vimos anteriormente, as unidades de montagem são os maiores produtos que são montados e entregues dentro da planta. Elas também podem ser, em muitos casos, vendidas individualmente, para alguma reforma ou como peça de reposição.
2. Elaborar um cronograma de entregas compassadas, um pipeline, para cada Process Lane, com as datas de entregas necessárias das unidades de montagem para atender aos cronogramas de montagem de todos os “Equipamentos”, estabelecendo o ritmo de entrega necessário (demanda) para cada uma das Process Lanes. Esse ritmo será o Takt Time da Process Lane. Para garantir o menor lead time de produção e montagem, esse pipeline deve prever que cada unidade de montagem seja produzida e montada individualmente, sem simultaneidade com outra unidade de montagem, mantendo dessa forma um fluxo unitário de projetos/unidade de montagem (one
project flow) em cada Process Lane. As montagens das unidades de montagem
deverão ser planejadas de forma compassada de acordo com esse Takt Time, sejam entregas individuais ou de forma sincronizada com montagem final dos “Equipamentos”.
3. Identificar o volume e o mix de produtos individuais que compõem cada unidade de montagem e quando cada um desses produtos precisam ser concluídos para a montagem dessas unidades de montagem. Separar tais produtos nas suas Process Lanes secundárias (caso exista essa subdivisão) e verificar o ritmo necessário de fabricação dos produtos intermediários para atender ao ritmo de montagem e entrega das unidades de montagem.
Esse nivelamento de montagem das unidades de montagem deve prever uma pequena antecipação das entregas em relação à data de entrega prometida o que corresponde a um pulmão de expedição, utilizado pela TOC para garantir as datas de entrega. No entanto, o nivelamento e o sequenciamento sem simultaneidade pode acarretar em alguma antecipação ainda maior das entregas em relação à data de entrega prometida (veja ilustração na figura 5.3). Tal antecipação, mesmo sendo contra o senso comum do Just-in-Time, deve ser mantida, pois, da mesma forma que um pulmão de inventário na indústria repetitiva, na forma de um supermercado de produtos acabados, os benefícios trazidos por uma programação nivelada, como minimização das sobrecargas e das flutuações nos volumes e variedade de produtos (Muri e Mura) superam os problemas causados por sua manutenção.
Figura 5.3 - Exemplo de Pipeline de Montagem e Entrega de uma Process Lane
5.7.1.1 Takt Time: Exemplo
Em um exemplo hipotético, para entregar um tipo de equipamento, a empresa dividiu sua fabricação em três linhas de produtos (X, Y, W), cada uma fabricando um tipo de unidade de montagem. Uma das linhas deve entregar 26 unidades de montagem ao longo do próximo ano para atender a montagem dos equipamentos vendidos pela empresa, portanto pode-se dizer que, grosso modo, o Takt Time dessa linha é de duas semanas e, portanto, o ritmo de montagem e entrega deve ser o de uma unidade de montagem a cada duas semanas.
Neste exemplo da figura 5.4, a linha de produto que monta e entrega uma unidade de montagem a cada duas semanas (Linha X), com Takt Time de duas semanas, cada unidade de montagem é composta por aproximadamente 15 produtos intermediários divididos em duas famílias de produtos (A e B), sendo 10 da família A e 5 da família B. Portanto para atender o ritmo de montagem da unidade de montagem o ritmo de fabricação da linha A será de produto por um dia, Takt Time de um dia, e de um produto a cada dois dias da linha B, para atender o Takt Time de dois dias.
Figura 5.4 - Exemplo de Divisão de uma Planta em Process Lanes com Definição do Takt Time para Unidades de
Montagem e Produtos Intermediários