3. MATERYAL VE METOT
3.5. Verilerin Toplanması
Pedro Ivan Christoffoli
Durante o modo de produção feu- dal (conhecido como Idade Média), os feudos, como unidades fundamentais de produção do período, possuíam re- lativa autonomia quanto à produção dos principais itens de seu consumo. Alimentos, madeira, fibras e energia eram produzidos pelos camponeses e artesãos, moradores do próprio feudo, e apenas pequena parcela do consumo era oriunda de relações de troca e co- mércio entre feudos ou com as carava- nas de comerciantes. A unidade campo- nesa de produção ligada ao feudo, por sua vez, também buscava sua autono- mia em relação ao mercado, que então era pouco desenvolvido, absorvendo a força de trabalho familiar nas ativi- dades agrícolas e mantendo atividades artesanais nos períodos de inverno e intervalos dos labores agrícolas, visan- do suprir as necessidades de alimentos, ferramentas, vestimentas, moradia etc.
A agroindústria como atividade autônoma em relação à agricultura so- mente se desenvolve plenamente com a expansão do capitalismo a partir dos séculos XVIII e XIX. É com o desen- volvimento da indústria capitalista que, gradativamente, partes do processo produtivo agrícola foram se autono- mizando em relação aos agricultores e passaram a ser transferidas para vilas e cidades. As unidades familiares de produção, que até então exerciam to- das as operações inerentes à produção, ao processamento, ao armazenamen- to e à distribuição dos bens agrícolas e de alguns produtos manufaturados,
passam a depender crescentemente de relações com o mercado para suprir as suas necessidades (Marx, 1988; Davis e Goldberg, 1957).
Tal fato tem importância histórica, porque contribuiu para a inviabilização crescente das unidades camponesas de produção, visto que grande parte da força de trabalho era então empregada, nos tempos livres, na confecção de fer- ramentas, na armazenagem e no proces- samento dos produtos e na comerciali- zação em feiras livres ou vendas diretas. Como os produtos feitos pela indústria eram mais baratos e de qualidade e pa- dronização superiores (ferramentas de trabalho e roupas, por exemplo), os agricultores deixaram de produzi-los em suas casas ou nas vilas rurais, o que resultou na formação de excedentes insustentáveis de força de trabalho nas unidades camponesas. Essa foi a origem inicial do êxodo rural e da desestrutura- ção camponesa ainda na fase inicial do capitalismo industrial.
A atividade agroindustrial pode ser analisada de vários ângulos, entre eles os aspectos de organização técni- ca (aspectos internos de organização e funcionamento produtivos) e os aspec- tos socioeconômicos e as relações de poder estabelecidas com seu entorno e com o conjunto da cadeia produtiva. Analisaremos principalmente o segun- do bloco de questões.
Do ponto de vista técnico, na agro- indústria são organizados processos visando à transformação e à conser- vação dos produtos agrícolas para sua
posterior utilização e consumo. Para isso, são utilizados insumos e pro- cessos que visam alterar as condições físico-químicas dos produtos agrícolas, a fim de aumentar suas possibilidades de uso e conservação. Com a evolução das tecnologias de produto e processo e a constituição de mercados urbanos em escala internacional, cada vez mais os produtos agrícolas são processados industrialmente, alterando-se signifi- cativamente sua composição e formas de apresentação. Os mercados são for- mados crescentemente por produtos industrializados, processados e modifi- cados artificialmente, reduzindo-se os espaços para produtos in natura, mais característicos das produções campo- nesas (ainda que periodicamente sur- jam movimentos sociais e de consumi- dores reagindo a essas tendências).
A cadeia agroalimentar se refere, portanto, a um conjunto de produto- res e empresas que estão envolvidos na produção agrícola e na sua transforma- ção. Sua estrutura é caracterizada por um subsetor a montante (que fornece os bens de produção), pelo subsetor agrícola e por um subsetor que trans- forma e distribui os produtos agrícolas e alimentares (Malassis, 1973). Enquan- to atividade econômica, a agroindústria tem importância crescente em termos de retenção do valor gerado na cadeia produtiva. Os segmentos de forneci- mento de máquinas e insumos para a agricultura, e, principalmente, o seg- mento interno à “porteira”, estão gra- dativamente perdendo peso comparati- vamente com o segmento posterior, de industrialização e comercialização dos produtos agrícolas.
A esse fenômeno alguns autores denominam processo de industrialização da
agricultura, processo que, no caso bra-
sileiro, foi coordenado politicamente pelo Estado e ocorreu após o final da Segunda Guerra Mundial, quando a apropriação do valor gerado pelo tra- balho na agricultura e na agroindústria passou a ser condição necessária para a acumulação capitalista de parcela da indústria de bens de capital (Müller, 1981). Com isso, constituiu-se uma interdependência intersetorial na agri- cultura que acabou por se refletir na es- trutura e na dinâmica do setor agrícola (transformações técnico-econômicas), e também na sua estrutura social. A utilização do termo industrialização da agricultura significa que houve uma artificialização crescente do modelo produtivo na agricultura. Houve certa autonomização relativa da produção agrícola em relação às limitações natu- rais (reprodução da fertilidade da terra, diminuição do tempo de produção gra- ças ao emprego de conhecimentos de engenharia genética, por exemplo) e à destreza do trabalho humano (empre- go de máquinas, implementos, herbici- das, por exemplo) (ibid.).
A expansão dos serviços financei- ros para a agricultura, iniciada com a implantação do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) nos anos 1960, provocou alterações profundas nas re- lações de produção da agricultura. A crescente dependência de financiamen- to externo, com a consequente apro- priação, já a partir dos anos 1960, do valor gerado na agricultura pelo setor financeiro, conduziu à gradativa finan- ceirização dos serviços e dos critérios de rentabilidade adotados pelo setor (Delgado, 1985).
O complexo agroindustrial (CAI) é conceituado como “o conjunto de processos técnico-econômicos e so- ciopolíticos, que envolvem a produção
agrícola, o beneficiamento e sua trans- formação, a produção de bens indus- triais para a agricultura e os serviços financeiros correspondentes” (Müller, 1982, p. 48). No Brasil, os CAIs so- mente são implantados após a indus- trialização da agricultura e sua crescen- te subordinação ao capital industrial. Em sua maioria, as empresas multina- cionais voltadas para o fornecimento de máquinas e insumos foram atraídas pelo Estado brasileiro com o intuito de reduzir importações e criar um parque industrial nacional voltado para a agri- cultura. A fim de viabilizar economica- mente essas empresas, o Estado brasilei- ro também buscou constituir mercados para esses produtos, incentivando o seu consumo pelos agricultores, mediante a imposição, pelos sistemas estatais de ex- tensão rural, dos pacotes tecnológicos da chamada Revolução Verde, adquiridos por meio do crédito rural subsidiado (Erthal, 2006; Fonseca, 1985). Com a va- lorização das terras ocorrida no período 1960-1980 e a redução de empregos de- corrente da mecanização da agricultura, mais de 30 milhões de camponeses foram expulsos para as cidades, criando-se as ba- ses da atual situação de esvaziamento do campo e de “territorialização do capital” (Kageyama et al., 1987). Nesse período, também surgem os desertos verdes: gran- des extensões de terras cultivadas, mas com poucos camponeses nelas residindo ou trabalhando.
Do campesinato que resistiu no campo nesse período, importante par- cela passa a se subordinar diretamen- te à agroindústria fornecedora de matérias-primas e consumidora de in- sumos e máquinas, e grande parte for- ma o contingente de sem-terras e de agricultores semiproletarizados, um segmento empobrecido e marginali-
zado pelas políticas públicas, além de discriminado pela sociedade.
Nos anos 1990-2000, emerge uma nova agricultura, resultante das modi- ficações estruturais trazidas pela crise econômica e de financiamento para a agricultura, reflexo da crise da dívida externa nos anos 1980 e da abertu- ra neoliberal dos mercados nos anos 1990. O termo empregado para desig- nar o processo produtivo agroindus- trial nessa fase do capitalismo brasilei- ro foi o de agronegócio, tropicalização do termo agribusiness empregado nos Estados Unidos desde os anos 1950, e que engloba “a soma de todas as ope- rações envolvidas no processamento e distribuição de insumos agropecuários, as operações de produção na fazenda, e o armazenamento, processamento e a distribuição dos produtos agrícolas derivados”1 (Davis e Goldberg, 1957,
p. 2; nossa tradução).
O termo agronegócio designa, numa versão crítica, a articulação téc- nica, política e econômica dos elos representados pelos segmentos pro- dutivos de insumos para a agricultura, do mercado de trabalho e de produção agrícola, bem como as etapas de ar- mazenagem, processamento e distri- buição dos produtos agrícolas, agora articulados pelo capital financeiro em escala internacional, numa dinâmica de abertura de mercados e globaliza- ção neoliberal da economia. Portanto, é um conceito que reúne mais do que apenas os aspectos técnicos e de orga- nização da cadeia produtiva. Represen- ta as relações econômicas e políticas de coordenação do processo produtivo e também de disputa pela hegemonia em relação às políticas públicas relaciona- das ao setor. O conceito explicita que a fase atual de expansão capitalista da
agricultura subordina diretamente a exploração da natureza e da força de trabalho no campo à dinâmica deter- minada pela expansão do capital finan- ceiro em nível internacional. Significa também a recomposição das políticas públicas em vista dos interesses maio- res do capital financeiro internacional e das suas ramificações na agricultura (para aprofundamento desse conceito, ver agronEgócio).
As grandes agroindústrias brasi- leiras foram constituídas a partir do estímulo governamental ocorrido nos anos 1950, e impulsionada pela acu- mulação industrial e pelo processo de fusão de capitais nos vários ciclos de expansão/crise capitalista no campo nas décadas de 1970 a 2000. Dessa di- nâmica resultam, cada vez mais, gigan- tescos conglomerados produtivos que asseguram a apropriação do valor ge- rado na agricultura por meio de vários mecanismos, entre eles os contratos de integração.
O sistema de integração consiste no estabelecimento de contratos de forne- cimento entre indústria e agricultores no quais a empresa adianta capital (na forma de insumos e tecnologia) e assis- tência técnica, e os agricultores, em ge- ral pequenos, produzem em suas uni- dades matéria-prima que será coletada, transportada e processada pelas unida- des industriais. Os principais tipos de integração encontram-se na produção de fumo, na avicultura de corte, na sui- nocultura, na criação do bicho-da-seda e na produção de leite e, de forma cres- cente, de hortaliças (integrada a redes de supermercados). A integração en- volve cerca de meio milhão de famílias de pequenos agricultores nas mais di- versas regiões do Brasil, em especial no Centro-Sul. O contrato de integração
assegura à empresa industrial o forne- cimento de matéria-prima padroniza- da, a custos controlados, sem incorrer nos riscos diretos de produção e nas amarras e peso da legislação trabalhis- ta. E o produtor tem acesso assegurado a capital, tecnologia e, principalmente, mercados, além de uma renda relati- vamente estável, dependendo do pro- duto integrado. O sistema de integra- ção permitiu constituir fortes grupos agroindustriais no Brasil nas últimas décadas, ainda que em grande medida sejam hoje, em sua maioria, controla- dos pelo capital financeiro (fundos de pensão, bancos e empresas cotadas em bolsa de valores).
Como reação ao crescente poder das agroindústrias, agricultores e movi- mentos sociais do campo têm buscado estabelecer estratégias de resistência, visando à agregação de valor à produ- ção camponesa, por meio da criação de agroindústrias cooperativas e asso- ciativas, sob controle dos trabalhado- res. Essas agroindústrias associativas procuram estabelecer estratégias dife- renciadas em relação às agroindústrias capitalistas, seja no campo tecnológico, estimulando a agroecologia e a produ- ção em pequena escala, seja na forma de organização social da base e na luta por um novo modelo de desenvolvi- mento do meio rural, com políticas pú- blicas diferenciadas.
No entanto, muitas dessas indús- trias originadas dos movimentos so- ciais, em sua maioria de pequeno porte, terminam por sucumbir à concorrência com as demais agroindústrias capitalis- tas, entrando em crise após curto perío- do de existência, ou convertendo-se gradualmente em cópias quase fiéis das agroindústrias capitalistas, mui- tas vezes abandonando as propostas
alternativas do início da experiência. Isso se dá pelas pressões concorren- ciais, que as obrigam, na luta pela so- brevivência no mercado, a adaptações graduais na concepção do projeto e na forma organizacional adotada. Tal fato remete também a uma questão fundamental a ser discutida: a tendência, dentro do capitalismo, à concentração e à centralização de capitais, também pre- sente no segmento agroindustrial (Marx, 1988). Isso implica que, a despeito das iniciativas dos agricultores e de suas pe- quenas agroindústrias, poucas empresas sociais terão condições de sobreviver e gerar ganhos econômicos e sociais para a massa do campesinato dentro do capitalismo.
Isso é ainda mais certo no caso das microagroindústrias. Existe no meio rural uma situação em que as famílias camponesas organizam o trabalho de forma a executar a transformação das matérias-primas ainda dentro da unida- de de produção, numa espécie de res- gate da antiga tradição camponesa da indústria rural. Esse tipo moderno de
agroindústria familiar rural é uma forma
de organização em que a família rural produz, processa e/ou transforma par- te de sua produção agrícola e/ou pe- cuária, visando, sobretudo, assegurar a realização da produção de valor de troca, que se realiza na comercialização (Mior, 2005). Ainda que sua intenção seja louvável, tal alternativa represen- ta parcela muito pequena da produção nacional agroindustrial que tende, pe- los motivos anteriormente menciona- dos, a ser absorvida pela concorrência ou continuar marginal e localizada, sem expressão econômica relevante2 (na
maioria dos casos, essas microagroin- dústrias estão à margem da legalidade e não conseguem cumprir os padrões sanitários mínimos).
Apesar dessas dificuldades, o de- bate sobre a propriedade dos meios de produção é uma questão central e que sempre deve ser posta pelo movimento camponês. Afinal, as estratégias tecno- lógicas e mercantis adotadas pelas agroindústrias determinam a possibili- dade de repartição dos excedentes eco- nômicos e, em grande medida, que tipo de matéria-prima será utilizada, qual o perfil dos agricultores fornecedores, além de aspectos tecnológicos funda- mentais para estratégias alternativas de desenvolvimento rural.
Ademais da questão de quem de- têm a propriedade sobre os meios de produção, a localização física das agroindústrias tem tido importância crescente no debate sobre as estraté- gias para o desenvolvimento do meio rural. A agroindústria, uma vez locali- zada fisicamente no meio rural e con- trolada pelos próprios agricultores, constitui atividade que permite incre- mentar e reter parcelas do valor gerado na produção das economias campone- sas, por meio da localização no meio rural de ações como seleção, lavagem, classificação, conservação, transforma- ção, embalagem, e armazenamento da produção (Boucher e Riveros, 1995, apud Wesz Junior., Trentin e Filippi, 2006). A geração de postos de traba- lho no meio rural é, portanto, questão estratégica para um desenvolvimento rural “com gente” (em contraposição aos “desertos verdes”) e com qualidade de vida.
No entanto, é comum que as agro- indústrias se localizem nas sedes dos municípios e não na zona rural. Isso decorre das facilidades existentes, como meios de transporte, mercado de trabalho de profissionais especializados (trabalhadores qualificados necessários à manutenção e à gestão das agroindús-
trias) e facilidade de acesso a serviços e comunicação. A despeito disso, uma das bandeiras dos movimentos sociais rurais no Brasil tem sido a de, sempre que possível, localizar fisicamente as indústrias dentro ou próximo dos as- sentamentos e comunidades rurais, de modo que a riqueza gerada, inclusive os postos de trabalho criados, circule e se consolide nos assentamentos, benefi- ciando diretamente a população rural.
Mesmo diante dos limites e con- tradições trazidos pela implantação de agroindústrias rurais, autores e movi- mentos sociais em geral concordam que elas têm grande importância nas estratégias de desenvolvimento rural da perspectiva da inclusão social, con- tribuindo para: a) elevação da renda fa- miliar no meio rural; b) diversificação e fomento das economias locais; c) ade- quação da produção à estrutura fundi- ária existente (pequenas propriedades rurais diversificadas como fornecedo- ras da matéria-prima, visto que a estra- tégia de agregação de valor nas peque- nas agroindústrias é obtida por meio da diferenciação, e não do volume); d) valorização e preservação dos hábi- tos culturais locais; e) descentralização das fontes de renda (por causa do au- mento no número e da maior diversi- dade de agroindústrias no território); f) estímulo à proximidade social (orga- nização comunitária, venda em feiras livres ou redução de intermediários); g) ocupação e geração de renda no meio rural; h) redução do êxodo rural; i) estí- mulo ao cooperativismo e associativis- mo; j) valorização das especificidades locais; k) preservação do meio ambien- te e dos recursos naturais; e l) mudança nas relações de gênero e poder (Wesz Junior, Trentin e Filippi, 2006).
No entanto, para que essas agroin- dústrias resultem de fato em iniciativas
duráveis no tempo e sejam capazes de influenciar o desenvolvimento local em bases equitativas, é fundamental a sua inserção em estratégias de intercoope- ração, por meio da formação de redes e agrupamentos cooperativos articula- dos aos movimentos sociais que pos- sibilitem o enfrentamento, ao menos parcial, da concorrência capitalista e das tendências de centralização de ca- pitais (Christoffoli, 2010).
Ou seja, a forma de buscar construir estratégias de resistência aos grandes con- glomerados capitalistas agroindustriais estaria na constituição de redes de coope- rativas populares, geridas autonomamen- te em regime de autogestão e articuladas a grupos cooperativos empresariais, com padrão de eficiência comparável aos gru- pos capitalistas, de forma que a força combinada de uma organização política de base esteja acompanhada de padrões de eficiência técnica comparáveis aos capi- talistas e com dimensões e estruturas de coordenação socioeconômica compatí- veis com o estágio tecnológico e finan- ceiro atual. Para isso, é fundamental um movimento educativo de ampla enver- gadura na base camponesa, tendo em vista a sua escolarização e a sua efetiva incorporação à dinâmica autogestioná- ria, e o desenvolvimento de tecnologias e processos inovadores, pelo desenho e a implantação de estratégias de desen- volvimento inclusivas e capazes de dar conta dos desafios da sociedade para a agricultura, numa perspectiva ecologi- camente sustentável.
Portanto, a permanência de agroin- dústrias familiares em mercados ca- pitalistas cada vez mais competitivos dependerá de uma série de fatores, em especial de sua capacidade de interação com macrocomponentes de políticas públicas – mercados, gestão, tecnologia e infraestrutura –, de suas organização
e coesão internas e da possibilidade de criação ou de envolvimento em re- des de intercooperação com outras unidades semelhantes, para o desenvol- vimento de produtos diferenciados e a atuação em nichos de mercado ou, em casos excepcionais, com seu crescimen- to e aumento de escala a ponto de per- mitir o enfrentamento das tendências capitalistas de centralização de capitais (conforme Marx, 1988), tornando-se
uma grande agroindústria cooperativa, nesse caso.
Finalizando, vemos que a agroindús- tria rural tem importante contribuição a dar para o desenvolvimento do espa- ço rural, onde fatores organizacionais possibilitem a constituição de unidades integradas de produção–transforma- ção–comercialização em rede e com ca- pacidade competitiva de sobrevivência aos ditames do mercado capitalista.
notas
1 “[...] the sum total of all operations involved in the manufacture and distribution of farm
supplies; production operations on the farm; and the storage, processing and distribution of farm commodities and items made from them.”
2 Enquanto 97,2% das agroindustriais de pequeno e médio porte geram 43,9% do valor
adicionado, os outros 2,8%, correspondentes aos grandes sistemas e complexos agroindus- triais, geram 66,1% desse valor (Lourenzani e Silva, 2004, apud Nycha e Soares, 2007).
Para saber mais
AlEntEJano, P. Pluriatividade, uma noção válida para a análise da realidade agrá-
ria brasileira? In: TEdEsco, J. C. (org.). Agricultura familiar: realidades e perspecti-
vas. 2. ed. Passo Fundo: EDUPF, 1999. p. 147-173.
Batalha, M. O. Gestão agroindustrial. São Paulo: Atlas, 1997. V. 1.
ChristoFFoli, P. I. Constituição e gestão de iniciativas agroindustriais cooperativas em áreas
de assentamentos da Reforma Agrária. Laranjeiras do Sul: Ceagro, 2010.
davis, J.; goldBErg, R. A Concept of Agribusiness. Boston: Harvard University,
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DElgado, G. C. Capital financeiro e agricultura no Brasil. São Paulo: Ícone; Campinas:
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FonsEca, M. T. L. A extensão rural no Brasil: um projeto educativo para o capital.
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