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Raquel Maria Rigotto Islene Ferreira Rosa

De acordo com a lei federal nº 7.802, de 11 de julho de 1989, regu- lamentada pelo decreto nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002, os agrotóxicos são

[...] produtos e componentes de processos físicos, químicos ou biológicos destinados ao uso nos setores de produção, arma- zenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pasta- gens, na produção de florestas nativas ou implantadas, e em outros ecossistemas e também ambientes urbanos, hídricos e industriais; cuja finalidade seja alterar a composição da flora e da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos con- siderados nocivos. São consi- derados, também, como agro- tóxicos, substâncias e produtos como desfolhantes, dessecan- tes, estimulantes e inibidores de crescimento. (Brasil, 2002) Desde a Antiguidade clássica, agri- cultores desenvolvem maneiras de lidar com insetos, plantas e outros seres vi- vos que se difundem nos cultivos, com- petindo pelo produto. Escritos de ro- manos e gregos mencionavam o uso de produtos como o arsênico e o enxofre nos primórdios da agricultura. A partir do século XVI, registra-se o emprego de substâncias orgânicas, como a nicoti- na e piretros extraídos de plantas, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

Entretanto, há cerca de sessenta anos, o uso de agrotóxicos vem se di- fundindo intensamente na agricultura, e também no tratamento de madeiras, na construção e na manutenção de es- tradas, nos domicílios e até nas cam- panhas de saúde pública de combate à malária, doença de Chagas, dengue etc. (Silva et al., 2005).

Essa escalada inicia-se na segunda metade do século XX, quando empre- endedores de países industrializados, por meio de um conjunto de técnicas, prometiam aumentar estrondosamente a produtividade agrícola e responder ao problema da fome nos países em desenvolvimento. E a chamada rEvolu- ção vErdE passa a se conformar como

modelo de produção racional voltado para a expansão das agroindústrias e baseado na utilização intensiva de se- mentes híbridas e de insumos químicos (fertilizantes e agrotóxicos), na mecani- zação da produção e no uso extensivo de tecnologia (Moreira, 2000). Findas as duas grandes guerras, a agroindús- tria foi o caminho encontrado pelas in- dústrias de armamentos para manter os grandes lucros: os materiais explosi- vos transformaram-se em adubos sinté- ticos e nitrogenados, os gases mortais, em agrotóxicos e os tanques de guerra, em tratores (Fideles, 2006).

No Brasil, o Plano Nacional de Desenvolvimento Agrícola (PNDA), lançado em 1975, incentivava e exigia o uso de agrotóxicos, oferecendo investi- mentos para financiar esses “insumos”

e também para ampliar a indústria de síntese e formulação no país, que pas- saria de 14 fábricas em 1974 para 73 em 1985 (Fideles, 2006).

Embora tenha havido aumento sig- nificativo da produtividade no campo, é importante salientar que não foi re- solvido o problema da fome, pois boa parte dos excedentes agrícolas gerados atualmente são commodities,1 e a fome

segue assolando cerca de 1 bilhão dos seres humanos subalimentados do planeta (United Nations Development Programme, 2004).

Nesse processo de modernização da agricultura conduzido pelos inte- resses de grandes corporações transna- cionais, configurou-se o agronEgócio

como sistema que articula o latifún- dio, as indústrias química, meta- lúrgica e de biotecnologia, o capital financeiro e o mercado (Fernandes e Welch, 2008), com fortes bases de apoio no aparato político-institucional e tam- bém no campo científico e tecnológico. Esse sistema ampliou a monocultura e aumentou a concentração de terras, de renda e de poder político dos grandes produtores. Elevou também a intensida- de do trabalho, a migração campo–cidade e o desemprego rural. Por sua vez, a apropriação dos frutos dessa produti- vidade reverteu no aumento dos lucros capitalistas para os grandes proprietá- rios rurais e as multinacionais envolvi- das (Porto e Milanez, 2009).

Frutos desse processo, atualmen- te existem no mundo cerca de vinte grandes indústrias fabricantes de agro- tóxicos, com um volume de vendas da ordem de 20 bilhões de dólares por ano e uma produção de 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos, dos quais 39% são herbicidas; 33%, inseticidas; 22%, fungicidas; e 6%, outros grupos

químicos. As principais companhias agroquímicas que controlam o mer- cado são Syngenta, Bayer, Monsanto, Basf, Dow AgroSciences, DuPont e Nufarm. Na América Latina, um im- portante e crescente mercado dentro do contexto mundial, o faturamento lí- quido na venda de agrotóxicos cresceu 18,6% de 2006 a 2007, e 36,2% de 2007 a 2008 (Sindicato Nacional da Indús- tria de Produtos para Defesa Agrícola, 2009). Desde 2008, o Brasil tornou-se o maior consumidor mundial de agro- tóxicos, movimentando 6,62 bilhões de dólares em 2008 para um consumo de 725,6 mil toneladas de agrotóxicos – o que representa 3,7 quilos de agrotóxi- cos por habitante. Em 2009, as vendas atingiram 789.974 toneladas (ibid.).

A partir de 1997, o governo fede- ral passou a conceder isenção de 60% no Imposto sobre Circulação de Mer- cadorias e Serviços (ICMS) para os agrotóxicos e isenção total do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além de dispensa de contribuição para o Programa de Integração Social/ Programa de Formação do Patrimô- nio do Servidor Público (PIS/Pasep) e para a Contribuição para o Financia- mento da Seguridade Social (Cofins). Como elemento das disputas por in- vestimentos do agronegócio mediante guerra fiscal, alguns estados – caso do Ceará, por exemplo – ampliaram es- sas isenções para 100%, beneficiando a indústria química e comprometendo o financiamento de políticas públicas como as de saúde ou meio ambiente (Teixeira, 2010).

Os agrotóxicos são utilizados em grande escala no setor agropecuário, especialmente nos sistemas de mo- nocultivo em grandes extensões. Em conjunto com a acelerada expansão da

área cultivada – 39% nas regiões Sul e Sudeste e 66% na região Centro-Oeste nos últimos três anos –, a soja foi responsável por cerca da metade do consumo de agrotóxicos no país em 2008, seguida das lavouras de milho e cana, essa última associada à produção de agrocombustíveis – supostamente “limpos” – para exportação (Sindica- to Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola, 2009).

Além do amplo uso de agrotó- xicos, ainda há uma ampla gama de produtos disponíveis, o que complexi- fica a exposição e a avaliação de seus impactos sobre o ambiente e a saúde. São inseticidas, fungicidas, herbicidas, raticidas, acaricidas, desfoliantes, ne- maticidas, molusquicidas e fumigantes. Atualmente, existem pelo menos 1.500 ingredientes ativos distribuídos em 15 mil diferentes formulações comerciais no mercado mundial (Brasil, 2004). No país, estão registrados 2.195 pro- dutos comerciais, elaborados com 434 ingredientes ativos (Brasil, 2010). E os investimentos para encontrar novas moléculas de ingredientes ativos con- tinuam crescendo: se antes dos anos 1990 a chance era de 1/5.000 molécu- las estudadas, atualmente são gastos em média dez anos para se combinar 150 mil componentes, com investimentos de US$ 256 milhões, até se chegar a um novo produto (Carvalho, 2010).

Como biocidas, os agrotóxicos in- terferem em mecanismos fisiológicos de sustentação da vida que são também comuns aos seres humanos e, portanto, estão associados a uma ampla gama de danos à saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os biocidas produzem, a cada ano, de 3 a 5 milhões de intoxicações agudas no mundo, es- pecialmente em países em desenvol-

vimento (Miranda, 2007). Numa série acumulada de 1989 a 2004 (Fundação Oswaldo Cruz, 2004), foram notifica- dos no Brasil 1.055.897 casos de in- toxicação humana por agrotóxicos e 6.632 óbitos pelo mesmo motivo. Em 2008, 32,7% das intoxicações no Brasil tiveram como principal agente tóxico envolvido os agrotóxicos de uso agrí- cola. Vale ressaltar que a OMS indica que, para cada caso notificado de in- toxicação por agrotóxicos, existem 50 casos não notificados (Marinho, 2010). Os agrotóxicos também podem causar diversos efeitos crônicos:

inseticidas organofosforados e car- •

bamatos: alterações cromossômicas; fungicidas fentalamidas e herbici- •

das fenoxiacéticos: malformações congênitas;

nematicidas dibromocloropropano •

etc.: infertilidade masculina; fungicidas ditiocarbamatos, herbici- •

das dinitrofenóis, pentaclorofenóis, fenoxiacéticos etc.: câncer;

organofosforados e organoclora- •

dos: neurotoxicidade;

alquilfenóis, glifosato, ácido diclo- •

rofenoxiacético, organoclorados (metolacloro, acetocloro, alacloro, clorpirifós, metoxicloro) e piretroi- des sintéticos: interferência endó- crina;

organoclorados, herbicidas dipiridi- •

los: doenças hepáticas;

inseticidas piretroides sintéticos, •

ditiocarbamatos e dipiridilos: doen- ças respiratórias;

organoclorados: doenças renais; •

organofosforados, carbamatos, di- •

tiocarbamatos e dioiridilos: doen- ças dermatológicas (Franco Neto, 1998;Koifman e Meyer, 2002; Peres, Moreira e Dubois, 2003; Mansour, 2004; Queiroz e Waissmann, 2006).

No Brasil, a classificação toxicoló- gica dos agrotóxicos está a cargo do Ministério da Saúde. Essa classificação está elaborada segundo a dose letal 50 – estabelecida de acordo com os miligramas de produto tóxico por quilo de peso necessários para levar a óbito 50% dos animais de teste. São essas as classes: I – extremamente tóxico; II – muito tóxico; III – tóxico; e IV – pou- co tóxico.

De forma análoga, os agrotóxicos são classificados de I a IV de acordo com o seu potencial de degradação ambiental, que leva em conta a bioa- cumulação, a persistência no solo, a toxicidade a diversos organismos e os potenciais mutagênico, teratogênico e carcinogênico.

As regiões de expansão dos mo- nocultivos do agronegócio têm apre- sentado também problemas graves de contaminação ambiental das águas sub- terrâneas, caso dos aquíferos Guarani e Jandaíra, nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte respectivamente (Ceará, 2009). Também tem sido en- contrada contaminação das águas su- perficiais de rios, lagoas, açudes e até mesmo das águas disponibilizadas pelos sistemas de abastecimento às comu- nidades, nas quais já foram encontra- dos até doze ingredientes ativos dife- rentes numa única amostra (Rigotto e Pessoa, 2010). Estudos conduzidos pela equipe do professor Wanderlei Pignati (2007), da Universidade Federal do Mato Grosso, encontraram, na região de monocultivo de soja, contaminação por agrotóxicos no leite materno e na água da chuva. De forma similar, ocor- re contaminação do solo, do ar e dos locais de vida e produção de comuni- dades vizinhas a grandes empreen- dimentos, especialmente quando é rea-

lizada pulverização aérea de agrotóxi- cos herbicidas ou fungicidas.

Há ainda contaminação de alimen- tos com resíduos de agrotóxicos. No Brasil, o Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), monitora a presença de 234 ingredientes ativos em vinte ali- mentos. Para o ano de 2009, os resulta- dos mostraram que 29% deles apresen- tavam resultados insatisfatórios, seja por estarem acima do limite máximo de resíduos permitido (> LMR), seja por apresentarem resíduos de agrotó- xicos não autorizados e não adequados para aquele cultivo (NA), seja por esses dois motivos associados.

Diante do uso intenso e difuso dos agrotóxicos no Brasil, é possível consi- derar que a maior parte da população está exposta a eles de alguma forma. O conceito de justiça ambiental auxilia a dar visibilidade às diferentes magni- tudes dessa exposição. Os trabalhado- res são certamente os que entram em contato mais direto, e por mais tempo, com esses produtos, seja nas empresas do agronegócio, seja na agricultura fa- miliar ou camponesa – onde a cultura da Revolução Verde também penetra e tenta se impor –, seja nas fábricas quí- micas onde são formulados, seja, ainda, nas campanhas de saúde pública onde são utilizados. Um segundo grupo se- riam as comunidades situadas em tor- no desses empreendimentos agrícolas ou industriais, onde comumente vivem as famílias dos trabalhadores, nas cha- madas “zonas de sacrifício”, em áreas rurais ou urbanas. Um terceiro grupo é formado pelos consumidores de ali- mentos contaminados; nele está incluí- da praticamente toda a população, de acordo com os dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos

em Alimentos (Para), da Anvisa, men- cionados acima (Brasil, 2010).

Do ponto de vista cultural, o campo hegemônico tem produzido e difundi- do o mito de que sem os agrotóxicos não é possível produzir – negando assim os 10 mil anos de desenvolvi- mento da agricultura que antecederam o boom atual dos venenos, iniciado há cerca de sessenta anos, e negando a ri- queza das experiências de agroecologia que florescem em diversos biomas, no Brasil e no mundo. Difundem também a ideia de que é possível o uso seguro dos agrotóxicos, ou seja, que podem ser estabelecidas regras para garantir a proteção das diferentes formas de vida expostas a esses biocidas.

Essa é a base conceitual de toda a legislação brasileira para a regu- lação dos agrotóxicos. Assim, a lei nº 7.802/1989 e o decreto nº 4.074/ 2002 atribuem aos ministérios da Agri- cultura, do Meio Ambiente e da Saúde a competência de “estabelecer diretri- zes e exigências objetivando minimizar os riscos apresentados por agrotóxicos, seus componentes e afins” (art. 2º, inci- so II). Entre elas estão a obrigatorieda- de do registro dos agrotóxicos, após (re) avaliação de sua eficiência agronômica, de sua toxicidade para a saúde e de sua periculosidade para o meio ambiente; o estabelecimento do limite máximo de resíduos aceitável em alimentos e do intervalo de segurança entre a aplicação do produto e sua colheita ou comercia- lização; a definição de parâmetros para rótulos e bulas; a fiscalização da produ- ção, importação e exportação; as ações de divulgação e esclarecimento sobre o uso correto e eficaz dos agrotóxicos; a destinação final de embalagens etc.

No que diz respeito aos trabalha- dores, a legislação do Ministério do

Trabalho e Emprego determina que os empregadores realizem avaliações dos riscos para a segurança e a saú- de e adotem medidas de prevenção e proteção, hierarquizadas em ordem de prioridade, ficando os equipamentos de proteção individual (EPIs) como última alternativa. A primeira me- dida prevista na NR 31 da portaria nº 3.214/1978 (Brasil, 1978) é a elimi- nação dos riscos, aplicável, no campo da higiene do trabalho, a todos os ris- cos, mas muito especialmente àqueles de maior gravidade, como seria o caso da maioria dos agrotóxicos; segue-se a essa medida o controle de riscos na fonte; a redução do risco ao mínimo pela introdução de medidas técnicas ou organizacionais e de práticas segu- ras, inclusive mediante a capacitação; a adoção de medidas de proteção pessoal, sem ônus para o trabalhador, de forma complementar ou caso ainda persistam temporariamente fatores de risco. Essa norma sublinha ainda o direito dos tra- balhadores à informação, ao determi- nar que se forneçam a eles instruções compreensíveis sobre os riscos e as medidas de proteção implantadas, os resultados dos exames médicos e com- plementares a que forem submetidos, os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho etc.

Entretanto, no contexto atual, é possível fazer valer o uso seguro dos agrotóxicos? Além do enorme volume de agrotóxicos consumidos no Brasil nos últimos anos, o problema estaria presente nos 5,2 milhões de estabe- lecimentos agropecuários espalhados por todo o país e que ocupam área correspondente a 36,75% do território nacional. O setor envolve 16.567.544 pessoas (incluindo produtores, seus familiares e empregados temporários

ou permanentes), que correspondem a quase 20% da população ocupada no país. Há que considerar ainda as condi- ções institucionais para o Estado fazer valer as leis e normas ante a extensão socioespacial do país, as deficiências das políticas públicas marcadas pelo neoliberalismo, a composição dos qua- dros de pessoal, a infraestrutura para execução das ações e a correlação de forças políticas.

Em resposta a esses desafios, enti- dades como a Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA) desenvolvem a Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos e Agrotóxicos; além disso, foi lançada, em abril de 2011, a Campanha Permanen- te contra os Agrotóxicos e pela Vida, à qual já aderiram mais de trinta entidades da sociedade civil brasileira, entre mo- vimentos sociais, entidades ambientalis- tas, estudantes, organizações ligadas à área da saúde e grupos de pesquisado- res. Ela tem como objetivos:

construir um processo de cons- 1)

cientização na sociedade sobre a

ameaça que representam os agrotó- xicos, denunciando assim todos os seus efeitos degradantes à saúde, ao meio ambiente etc.;

denunciar e responsabilizar as em- 2)

presas que produzem e comerciali- zam agrotóxicos;

pautar na sociedade a necessidade 3)

de mudança do atual modelo agrí- cola, que produz comida envene- nada;

fazer da campanha um espaço 4)

de construção de unidade entre ambientalistas, camponeses, tra- balhadores urbanos, estudantes, consumidores e todos aqueles que prezam pela produção de um ali- mento saudável que respeite ao meio ambiente;

explicitar a necessidade e o poten- 5)

cial que o Brasil tem de produzir alimentos diversificados e saudá- veis para todos, em pleno convívio com o meio ambiente e com base em princípios agroecológicos. (Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, 2011)

notas

1 Commodities são produtos de origem mineral ou vegetal, geralmente em estado bruto ou

com pouco beneficiamento, produzidos em massa e com características homogêneas, in- dependentemente da sua origem. Seu preço, normalmente, é definido pela demanda, e não pelo produtor. Alguns exemplos de commodities são soja, café, açúcar, ferro e alumínio.

Para saber mais

Brasil. Decreto nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002. Regulamenta a lei nº 7.802, de

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