• Sonuç bulunamadı

3. GEREÇ VE YÖNTEM

3.5. Verilerin Analizi

Para Válio (2002) a questão das bibliotecas escolares tem início na metade do século XIX, sendo este lugar pensado como coleção de livros. A ressignificação do objetivo da biblioteca começou no decorrer do século XIX, no qual, o ambiente passa a ser considerado um espaço escolar, que proporciona outros momentos de leitura, e deste modo colabora no processo de escolarização da leitura

Para comemorar de um modo prático os feriados nacionais e também como exercício de declamação fiz criar, em abril, uma associação denominada Club Infantil para que todos os alunos, notadamente os menos favorecidos pela sorte tomassem parte dizendo pequenos discursos, recitativos, monólogos, cançonetas etc. [...] Por iniciativa da Profª Judith Ferreira foi criada neste grupo escolar uma Biblioteca para professores com seções para as crianças. As circulares para esses fim, têm tido boa acolhida sendo já grande o número de revistas, livros e jornais enviados.34

Foram criados neste ano:

- Ensaio de poesias e cançonetas aos sábados; - Grêmio Literário;

- Palestras infantis;

- Biblioteca escolar infantil; - Seção de leituras morais infantis;

- Criação do O Livro das Idéias, sobre pedagogia e assuntos vagos para o ensino. Este livro será apresentado às pessoas que forem consideradas dignas de ser ouvidas em matéria de instrução primária, método, modo de ensino etc.35

As bibliotecas escolares foram previstas no Regimento Interno dos Grupos Escolares e das Escolas Isoladas do Estado de Minas Gerais, decreto de 1.969/1907. Entretanto não há registros destes espaços nas escolas isoladas, em relação aos grupos escolares conforme o artigo 1 do Regulamento que especificava para os mesmos, algumas condições, dentre elas informava que teria “um salão para museu e uma sala para a biblioteca, podendo estes ser instalados em único compartimento que fosse suficientemente espaçoso”.

Outras especificações referentes à biblioteca mencionavam a organização do espaço como a existência de um livro próprio para o registro dos materiais, aberto e encerrado pelo inspetor

34 Relatório de Helena Penna, diretora do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, 08/12/1914, APM – SI 3525. 35

escolar, onde deveriam “discriminadamente lançadas todas as peças de mobília, utensílios, livros, objetos etc., de modo a justificar a qualquer momento a existência exata dos mesmos”36. A biblioteca escolar seria utilizada, em princípio, “para uso exclusivo dos

professores e alunos”37, e deste modo o acervo comporia “especialmente de obras,

publicações e revistas de ensino e educação”38 que seriam “adquiridas por donativos e,

quando possível, com o auxílio da Caixa Escolar”.39

O regulamento, ainda estipulava que nenhum livro deveria “ser retirado para consulta fora do estabelecimento, sem recibo do professor, que o assinaria também para os seus alunos”40

.

De acordo com o Regulamento Geral da Instrução do Estado de 1907, as bibliotecas poderiam se fundar anexas aos Grupos Escolares ou às escolas singulares. Entretanto, levaram certo tempo para que as bibliotecas escolares fossem aparelhadas e funcionassem nas salas correspondentes a elas, permanecendo até os anos trinta o uso quase exclusivo das bibliotecas de sala.

Conforme Karina Klinke (2003) mesmo que as escolas recebessem doações de livros, revistas e periódicos para a composição dos acervos, antes dos anos vinte, a maior parte dos relatórios de diretores e inspeção, que a elas se referiam, dizia respeito à sua lenta organização:

A biblioteca tem recebido sempre valiosos donativos de revistas, livros, etc, funciona provisioriaemente no salão de entrada, onde fiz colocar duas grandes mesas e quatro armários adquiridos com as importância angariadas para esse fim. [...] Espero no correr do próximo anno, installal-a no magnífico salaão do andar térreo, onde já se acha installado, por ordem de V. Exc. O cinematographo para as lições de geographia e historia.41

A bibliotheca e o museu escolar não têm se desenvolvido como era de se esperar, attentas as vantagens dessas duas instituições num estabelecimento de ensino, devido a falta de forro no salão a esse fim destinado. Já possuem a primeira cerca de 700 volumes, quatro armários e duas grandes mesas para sua instalação. 42

Há uma lacuna sensível neste prédio: a falta de local apropriado para Museu e Biblioteca, visto como os cômodos, que poderiam para isso servir, estão sendo adaptados para as futuras oficinas, conforme exige a planta.43

36 Regimento Interno dos Grupos Escolares e Escolas Isoladas do Estado de Minas Gerais. Decreto nº 11.969/1907, Art. 45. 37 Ibidem 38 Ibidem 39 Ibidem 40 Ibidem, art. 55

41 Relatório de Helena Penna, diretora do Grupo Escolar Barão do Rio Branco da Capital, 12/12/1915, APM – SI

3596.

42 Idem, 30/11/1916, APM – SI 3650.

43 Relatório de Cicero Arpino Caldeia Brant, diretor do Grupo Escolar de Diamantina, 15/04/1908, APM - SI

Em outra situação, a Diretora do Grupo Escolar Affonso Penna informa que a biblioteca e o museu escolar “acham-se funcionando, embora, em falta do material mais necessário.”44

. E destaca que “foi grande e muito prejudicial a falta de material neste anno, tendo sido a causa de se retirar do grupo “Aff Penna” avultada somma de alunmos pobres”45

.

Os relatórios constituem fonte importante, pois como não existia uma seção dentro da instituição administrativa escolar que respondesse pelas questões relativas a implementação de bibliotecas escolares, os dados sobre estas estavam dispersos nos relatórios escritos pelos diretores e inspetores para a Inspetoria Geral do Ensino. Deste modo, oferecem uma quantidade extensa e variada de informações sobre as escolas primárias. (SOUZA, 2009)

Contudo deve se considerar que estes sujeitos escolares estavam atados a subordinação hierárquica e às expectativas quanto ao um bom desempenho em seus cargos, assim, entende- se que a maioria dos relatórios busque sempre enfatizar os trabalhos executados por esses profissionais nas escolas. Por isso, os relatórios representavam um meio de justificar as “ações empreendidas no interior das escolas, e, se tais ações não tinham alcançado algum sucesso, isso devia a falta de matérias ou à insubordinação de professore e alunos.” (SOUZA, 2009, p. 55)

Neste sentido, estes documentos demonstram tentativas de aplicação dos métodos e organização pretendida pelos Grupos Escolares. Em relação aos relatórios de diretoras, estes apresentavam, principalmente, reivindicações referentes ao espaço escolar: reformas, contratação de professores e solicitação de materiais didáticos. Como pôde ser evidenciado nas referências acima.

Benzer Belgeler