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BÖLÜM II GEREÇ VE YÖNTEM GEREÇ VE YÖNTEM

2.4. Verilerin Analizi

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Curso de Direito Tributário, p. 15

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As normas jurídicas representam esquemas de ação que determinam como devem agir os sujeitos, isto é, como devem ser os seus comportamentos (que potencialmente produzam efeitos na esfera de subjetividade alheia) diante de certas situações. GREGORIO ROBLES explica:

“existen varios sistemas normativos que rigen las acciones humanas. Junto al Derecho, tenemos la moral, los usos sociales, las normas religiosas, e incluso las reglas de los juegos. Todos estos sistemas (u ordenamientos) tienen la característica común de estar compuestos de normas. (…) la norma a su vez constituye una modalidad de un género más amplio que llamaremos el género de las directivas. Dentro de las directivas caben múltiples modalidades: consejos, órdenes, advertencias, amenazas, admoniciones, ruegos, promesas… Directiva es toda expresión lingüística cuyo sentido (o función inmanente) es 'dirigir' la acción humana”89.

Dirigir a ação humana é, ao mesmo tempo, a finalidade, a função e também o sentido que o Direito, na condição de sistema social, possui.

As normas funcionam como um programa que processa fatos sociais, resultando em instrução jurídica: estabelecem regras e orientam as ações a serem tidas diante das circunstâncias que se lhes apresentam, regulando as diversas situações de interação social.90 Organizam, assim, as atuações no âmbito da sociedade e as relações entre os diversos indivíduos, podendo criar novos poderes de agir ou limitá-los.

As normas reduzem o âmbito das possibilidades que se apresentam ao agir humano, escolhendo uma - e normalmente apenas uma - dentre as variadas atuações possíveis. Com isso, protegem-se certos interesses e afastam-se os que lhe são contrários.

O dever-ser normativo não pode tudo regular. Apenas opera no campo delimitado pelo necessário e pelo impossível. As normas possuem um limite sintático (sua estrutura hipotético-condicional, como examinaremos) e também um limite semântico. Caso se referissem a condutas de antemão impossíveis ou necessárias, estaria instaurado um sem-sentido jurídico, ferindo-se o plano da semântica jurídica e, consequentemente, o da pragmática.

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Teoria del Derecho – Fundamentos de teoría comunicacional del Derecho, V. 1, p.177

90 Além disso, as normas também atribuem determinados efeitos a certos comportamentos sociais,

O Direito restringe uma parcela da liberdade dos indivíduos, estabelecendo padrões de comportamento socialmente desejados e decidindo quais, dentre os diversos interesses em confronto, devem prevalecer. No entanto, os indivíduos, ao mesmo tempo em que abandonam a parcela de liberdade que lhes é retirada, passam a viver tutelados pela estabilidade e segurança inerentes ao sistema jurídico, em que as “regras do jogo” são minimamente claras e conhecidas, e em que são tornadas previsíveis as conseqüências de seus comportamentos. Assim, se de um lado o Direito impõe limites ao agir humano, também o garante91.

Saliente-se que não são estabelecidas normas a respeito de todas as situações e comportamentos, mas apenas em relação às possíveis situações de conflito. A norma escolhe os fatos considerados relevantes para ensejar comportamentos juridicamente regulados, e determina os comportamentos a serem tidos diante de tais fatos. A programação normativa atua através de critérios de inclusão-exclusão, que indicam as informações/condutas juridicamente significativas.

As normas jurídicas disciplinam as condutas de acordo com os modais deônticos "permitido", "proibido" e "obrigado". Portanto, em face de determinados acontecimentos, certas condutas são permitidas, proibidas ou obrigadas pelas normas jurídicas. Sob esse prisma, as normas jurídicas são um esquema de interpretação e valoração das condutas, atribuindo-lhes um sentido específico: o da licitude ou ilicitude.

Os comportamentos, assim como os textos, também possuem significado e transmitem mensagens. Também podem, portanto, ser objeto de interpretação92. As normas permitem um tipo de leitura específico das condutas sociais. O Direito funciona com base no código lícito/ilícito. As normas jurídicas indicam, diante das diversas situações, quais os comportamentos aceitos ou não pelo sistema (e, conseqüentemente, reprimidos ou não pelo sistema). Em outras palavras, determinam as condutas lícitas (aceitas) e as ilícitas (não aceitas). A qualificação/classificação das condutas em lícitas / ilícitas é feita de acordo com o critério da sua consonância ou não com as normas jurídicas. Assim, a característica da licitude é atribuída às condutas em conformidade com as normas jurídicas.

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Existe sempre uma contraposição natural entre indivíduo e sociedade. O indivíduo não pode se sobrepor ao social, mas também não pode ser tolhido pela sociedade, que, em última instância, nada mais é que um conjunto de indivíduos. Destruir o elemento individual é também aniquilar o social. Assim, o ordenamento jurídico deve velar pelos interesses coletivos e, ao mesmo tempo, resguardar o indivíduo.

92 No Direito, pode existir divergência de interpretação tanto quanto ao sentido dos fatos como quanto

3.3.2.1 Os valores e as normas

Como mencionamos, diante da variedade de condutas possíveis, a norma jurídica determina qual o comportamento a ser adotado perante determinada situação. O comportamento assim determinado não é naturalmente necessário, tornando-se juridicamente obrigatório em decorrência de uma escolha. Mediante decisões é que se estabelecem as condutas permitidas, proibidas ou obrigadas pelo Direito. Essas decisões são orientadas por valores.

Os valores representam uma preferência objetivada, isto é, a preferibilidade de um objeto para atender a uma necessidade humana qualquer (estética, prática, ética etc.). Também correspondem a uma atribuição de sentido (útil/inútil, feio/belo, justo/injusto) de acordo com o atendimento ou não da necessidade que se queria alcançar.93

As normas jurídicas têm dupla relação com o elemento valorativo. De um lado, constata-se que a partir do conjunto de valores gerais implicitamente aceitos por uma coletividade (normalmente plasmados na Constituição Federal) é que se constroem, mediante escolhas intencionais, as normas destinadas a regrar as condutas individuais que irão interagir, regulando-as de acordo com pautas axiológicas. Por isso mesmo é que as normas jurídicas refletem muitas das relações e costumes sociais já existentes94. Com efeito, é possível identificar instâncias objetivas de valoração, construídas intersubjetivamente. Tais valores, socialmente partilhados, formam áreas de consenso. As normas jurídicas muitas vezes limitam-se a reproduzir e formalizar tais consensos, objetivando esses valores.

Por outro lado, as normas construídas participam do processo de efetivação e positivação dos valores abstratamente previstos na Lei Maior. Representam um meio para se alcançar os diversos fins sociais. Nesse sentido, representam um programa, um projeto através do qual se reconstrói para o futuro a realidade social, estabelecendo novas formas de ação e de relação na sociedade.

Apesar de a norma jurídica estar relacionada a pautas valorativas, “o valor que informa a regra objetiva-se e esgota-se na própria regra”. A norma é formada por uma estrutura (dever-ser) e por um conteúdo dogmático (a prescrição dogmática, o que deve ser, o objeto do dever-ser). A valoração concretiza-se e expressa-se como

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Os objetos não têm valor, os sujeitos é que lhes atribuem valor quando se relacionam com eles.

94 De acordo com Marcelo Neves, a função primária do direito não seria buscar comportamentos

queridos pelo legislador, mas sim codificar normas sociais reconhecidas, generalizando expectativas normativas de comportamento. A Constitucionalização simbólica, p. 31 e 50.

conteúdo dogmático da norma. A esse respeito, LOURIVAL VILANOVA elucida que “o Direito não elimina os conteúdos finalísticos, mas os tipifica.”95Assim, embora a norma jurídica possa ser considerada como decorrente de um ato de valoração, à Ciência do Direito em sentido estrito interessa examinar não o aspecto axiológico do fenômeno jurídico, isto é, o valor em si, mas sim a estrutura de dever ser mediante a qual se o implementa. Portanto, para proceder à nossa análise, iremos descartar os elementos axiológicos e sociais, examinando a norma enquanto estrutura de dever ser despojada de referência a valores.

3.3.2.2 As normas e os esquemas de agir reiteráveis

A norma jurídica, enquanto esquema de ação que determina a conduta aceita pelo sistema diante de certa circunstância, é fruto de um processo de decisão. No entanto, é inviável que a todo momento a autoridade se manifeste a respeito da ação a ser tida diante da situação que se apresente. Criam-se, então, grandes modelos de atuação, a serem utilizados mais de uma vez.

As situações sociais consideradas juridicamente relevantes repetem-se ao longo do tempo, sendo que uma única e mesma decisão pode servir para solucionar mais de um episódio. As normas abstratas podem ser consideradas como um esquema geral de resolução de casos de acordo com determinados critérios (nela objetivados), a ser empregado diante de situações concretas individuais, como ocorre com as fórmulas matemáticas. Se uma norma determina que nas situações do tipo "A", deve-se adotar o comportamento "B", e se me encontro diante de uma situação do tipo "A", então sei que devo adotar o comportamento "B".

O Direito funciona não com base em ordens individuais, mas pautado pela generalidade. Apresenta soluções-padrão aplicáveis a mais de um caso, e passíveis de constante atualização. Em outras palavras, o sistema oferece respostas reiteráveis. Geralmente, cada norma regula não uma situação individual específica, mas classes de situação (exceto no caso de normas individuais e concretas, em que a classe é unitária). As palavras empregadas pela autoridade na formulação normativa referem- se a uma classe de fatos. Assim, a mesma norma geral e abstrata pode ser aplicada reiteradamente, dela derivando inúmeras normas individuais e concretas. Por isso é que as normas podem ser consideradas como fórmulas de utilização reiterada a serem aplicadas em mais de momento.

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Em vista dessa forma de estruturação das normas jurídicas, é possível determinar de antemão o comportamento a ser adotado diante de determinadas espécies de situação, não sendo necessário permanentemente recorrer a novas decisões da autoridade. Esse tipo de estruturação normativa estabiliza o sistema, tornando previsíveis o tratamento jurídico e os efeitos aplicáveis a cada uma das situações sociais. Possibilita, por outro lado, o funcionamento "automático" do Direito, exceto em casos de descumprimento da norma, situação (excepcional) em que se faz necessária a atuação da autoridade e a emissão de nova decisão/norma.