I. BÖLÜM
4.7. Verilerin Çözümü ve Yorumlanması
O cinema é a imagem viva dos acontecimentos. Ouvir ou lêr um fato é bastante diferente do que “vê-lo”, em todos os seus detalhes. A realidade é sempre mais imaginativa do que a ficção.
Folha do Norte143 Desde o início de 1939 os cinemas informavam sobre a movimentação bélica no continente europeu. Junto aos periódicos locais e o rádio, as salas de projeção serviram como veículo de informação sobre a Segunda Guerra Mundial, tanto através dos cinejornais como dos filmes longa metragens que falavam sobre o conflito. Para a população citadina a “realidade” da guerra repassada através das películas comovia e influenciava (tentaram influenciar) o público dos cinemas brasileiros.
O anúncio do cinema Iracema, de janeiro de 1944, focalizava esse espaço como interativo para adquirir conhecimento sobre os fatos ocorridos no mundo e, principalmente, mostrava nas telas imagens da “realidade” filmadas nos próprios campos de batalha. O seu título “Não ouça, nem leia! Veja com os seus próprios
olhos...”144 destacava o que durante o segundo conflito se configurou como
instrumento de informação importante para a população de Belém, que freqüentava as salas de projeção apreensiva para saber passo a passo o desenrolar da guerra.
Nesse momento, a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial já era iminente e suas tropas se preparavam para ir ao continente europeu lutar a favor da democracia contra os inimigos nazistas. Cada nova invasão, derrota, avanço, recuo ou bombardeio era esperado com entusiasmo por muitos, que buscavam nos diferentes meios de comunicação uma forma de informação sobre o assunto. Continua o anúncio:
...é por isso que as cidades cultas possuem cinemas especializados em mostrar flagrantes verídicos e que se passam nos países que não
143 Folha do Norte – Belém, 16 de janeiro de 1944, p. 04. “Não ouça, nem leia! Veja com os seus próprios
olhos...”.
conhecemos. Entre nós já temos um cinema que dedica um dia da semana – as segundas-feiras – a essa finalidade.145
Desse modo, às segundas-feiras o público já podia ter sessões especializadas em prestar informações sobre os acontecimentos mundiais e, nesse caso, o cinema Iracema prestaria enorme contribuição para a população da capital paraense transmitindo imagens do front de combate.
As imagens em movimento da guerra, segundo o anúncio, seriam bem mais assimiladas se comparadas às reportagens escritas dos periódicos ou ouvidas através dos rádios. Por isso as cidades “cultas” dispunham de um dia na semana para informar através das reportagens cinematográficas. Sendo assim, no mesmo dia, na página anterior, outro anúncio do mesmo cinema destacava “apostamos de
V. não sabe o que se passa no mundo. E isto pela simples razão de que V. é um homem ocupado que não tem tempo para lêr todas as notícias da guerra”.146
A euforia criada com a declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo em 1942 e as derrotas sofridas pelos exércitos da Alemanha, Itália e Japão pelos Aliados já havia amenizado o perigo de uma invasão nazista no ano de 1944. A rotina dos cidadãos da cidade de Belém voltava ao normal, porém a guerra não havia terminado e o inimigo ainda não estava rendido. Assim, havia suspense e euforia na oportunidade para acompanhar o desenrolar do confronto nas salas de projeção.
Retrocedendo até o ano de 1939 poder-se-ia dizer que a guerra estava longe, não, somente por envolver inicialmente apenas os países da Europa, mas porque não afetou inicialmente o cotidiano dos citadinos belenenses.147 A “neutralidade” brasileira colocava a nação em uma posição de espectador dos eventos mundiais e, como bons espectadores, nada melhor que uma tela branca em um salão escuro para tomar ciência do conflito.
Cytrynowicz (2000) afirma que ao trabalhar com o tema do cotidiano, durante a Segunda Guerra Mundial em São Paulo, deve-se compreender as intenções do
145 Ibid., p. 04.
146 Folha do Norte – Belém, 16 de janeiro de 1944, p. 03. “Você sabe o que está se passando no mundo?”. 147 A guerra começou com a ocupação da Polônia pelos exércitos nazistas em 1º de setembro de 1939.
Inicialmente confrontaram-se diretamente as principais potências européias, de um lado Alemanha e Itália (Eixo) e de outro, Inglaterra e França (Aliados), tendo a União Soviética assinado em agosto de 1939 o tratado de Molotov-Ribbentrop com a Alemanha de não agressão. Configurou-se em um primeiro momento como uma guerra européia, posteriormente o conflito se expandiu para outras nações do mundo. VIGEVANI, op. cit., p. 15- 35.
governo brasileiro de criar um clima de guerra mobilizando a população sem que esta realmente esteja sofrendo qualquer tipo de ataque inimigo e para isso, o rádio e o cinema sem dúvida contribuiu significativamente para criar esse sentimento.
A guerra para o Brasil, para São Paulo, mesmo quando estava formalmente declarada a guerra entre Brasil, Alemanha, Japão e Itália, foi uma notícia contada pelo Rádio (como seria depois, essencialmente, imagens de cinema norte americano).148
O estado de guerra mobilizou as várias cidades do Brasil na luta contra o perigo nazi-fascista, sendo que, para esse autor, o perigo da invasão inimiga era muito mais notícia nos meios de comunicação do que a certeza de uma ofensiva. Percebe-se na análise da documentação que o cinema desde o primórdio do conflito foi utilizado como meio de divulgação das movimentações bélicas dos países envolvidos diretamente no conflito. No entanto, como a maioria dos filmes exibidos nas salas de projeção da cidade de Belém era de procedência norte-americana, pode-se afirmar que nos ideais propagados através das telas ecoavam a política de boa vizinhança pregada pelo governo dos Estados Unidos.
Como escreveu Cytrynowicz (2000) as imagens cinematográficas tornaram-se essenciais na veiculação das informações. Dessa forma, também se observa que, de acordo com os documentos, as mobilizações dos países beligerantes já eram divulgadas antes da declaração de guerra, em de setembro de 1939.
Não é mais segredo para ninguém, a famosa fortaleza conhecida por “linha Maginot”, que a França construiu para sua defesa na fronteira da Allemanha. Sucessivas vezes têm os jornaes se ocupado della, fornecendo dados minuciosos, que jamais chegaram a satisfazer a curiosidade do público, porque este não podia ver “ver” com os próprios olhos... Essa oportunidade chegou finalmente. A linha Maginot poderá ser vista por todos, amanhã nos cinemas Olympia e Iracema.149
No anúncio foi destacada a importância da imagem cinematográfica para noticiar os acontecimentos ocorridos em outros lugares. O anúncio dos cinemas
Olímpia e Iracema de 1939 já destacava as reportagens cinematográficas
148 CYTRYNOWICZ, op. cit., p. 47.
149 Folha do Norte – Belém 11 de maio de 1939, p. 02. “No cinema a famosa linha Maginot”. A Linha Maginot
foi criada a partir de 1930 pelo governo da França, que após a Primeira Guerra, preocupou-se em resguardar as fronteiras com a Alemanha e Itália. Sua conclusão ocorreu em 1936, sendo composta por um complexo de defesa com vias subterrâneas, obstáculos, bateria blindada escalonadas em profundidades, entre outros aparatos militares.
produzidas pelo Jornal da Fox que, além de mostrar imageticamente a fortaleza criada para conter um provável avanço da Alemanha nazista, também enfocava a idéia de “ver com os próprios olhos” como interessante, para “satisfazer a curiosidade do público” em relação aos fatos decorrentes da mobilização militar.
Os anúncios sobre a exibição de cinejornais foram muito freqüentes no decorrer do conflito. Serviam como complemento para a exibição dos longas- metragens, contudo ganhavam destaque devido ao conteúdo apresentado. Nesse momento, os argumentos referentes à mobilização militar começavam a aparecer nos anúncios das empresas proprietárias das salas de projeção. Com base nos periódicos locais, pode-se afirmar que os principais estúdios responsáveis pela distribuição desse gênero cinematográfico eram: Fox, Columbia Paramount e RKO. Dessas empresas a que mais exibia “programas da actualidade” era o Fox Jornal, da 20º Century Fox.
Junto ao programa de “Vive-se uma só vez”, há um “Fox Jornal” (a melhor reportagem cinematográfica) que nos leva ao interior da segura fortaleza subterrânea de ferro e cimento, mostrando-nos os vários departamentos, como depósito de munições, refeitórios, dormitórios, controle e manejo dos canhões que afloram à terra assestados para o possível inimigo que tente penetrar à “terra de ninguém”.150
O complemento parecia ter mais importância que a atração principal deste espetáculo, provavelmente devido ao conteúdo ter um caráter atual e relevante para o conhecimento público. A preparação para a guerra era assistida longe dos acontecimentos graças às lentes “objetivas” dos cinegrafistas e deve-se ressaltar que essa atividade perdurou até o final do conflito ganhando o apoio dos órgãos estatais dos países Aliados.
A condição de “neutralidade” brasileira permitiu às empresas produtoras a distribuição de filmes informativos sobre as ações militares. O poderio bélico era apresentado a partir dos equipamentos militares mais modernos “a realidade é,
muitas vezes, mais sensacional do que a ficção. Eis porque acreditamos que ‘SUBMARINO D-1’ é o maior drama que já foi feito para apresentar os methodos modernos da guerra submarina”.151 O papel informativo exercido pela produção cinematográfica não coube somente aos cinejornais, mas também aos filmes longas-
150 Folha do Norte – Belém, 11 de maio de 1939, p. 02.
metragens que atuaram de forma expressiva na tentativa da construção social de pensamentos e tendências no decorrer do conflito.
O anúncio dos cinemas Moderno e Independência sobre o filme Submarino D-
1 caracterizou a política desenvolvida nos anos iniciais do combate, com enredos
referentes aos acontecimentos da Segunda Guerra. Ou seja, os fatos de destaque do conflito – como uma invasão, resistência ou confrontos marítimos, terrestres e aéreos – eram apresentados nos anúncios das empresas exibidoras de Belém, de forma a não proporcionar explicitamente qualquer propaganda que viesse abalar a “neutralidade” brasileira. A película da Warner Bros por ser filmada no próprio submarino, e não em um estúdio, passava a idéia de que não se tratava de um filme de ficção, mostrando a própria realidade aos espectadores.
VEJAM – a flotilha de submersíveis dos Estados Unidos da América do Norte, atacando o inimigo, em meio do turbilhão e do estrepito das grandes manobras navaes.
VEJAM – os tripulantes que pareciam condenados a morrer, prisioneiros daquelle tumulo naufragado, salvos, finalmente, pelos “pulmões artificiaes” da moderna invenção.
VEJAM – a câmara de salvação submergindo até a profundidade de duzentos metros, para regressar a superfície do mar revolto, com os sobreviventes do submarino ferido.
VEJAM – os riscos e perigos e as trágicas aventuras dos que vivem no bojo desses barcos submersíveis e toda sorte de façanhas praticadas pelos endiabrados marinheiros do Tio Sam.
VEJAM – como os modernos submarinos defendem as costas de um paiz em caso de ataque naval.
VEJAM – enfim, o mais surprehendente e moderno que já se fez em films de extraordinárias proporções.152
As informações contidas no anúncio apresentam uma luta naval entre submarinos, de um lado, o poderio naval dos Estados Unidos e do outro um inimigo não apresentado nos anúncios. Tomando por base as idéias trabalhadas por Ferro (1992) a respeito da Segunda Guerra, poder-se-ia dizer que pela postura tomada pelo governo norte-americano em relação ao nazismo “o importante é que nos
Estados Unidos foram feitos vários filmes antifascistas bem antes do país entrar em guerra”.153 Para o autor, a propaganda antinazista desenvolvida pelo governo dos
Estados Unidos definiu o posicionamento da classe artística de Hollywood em relação aos regimes totalitários.
152 Folha do Norte – Belém, 23 de maio de 1939, p. 04.
153 FERRO, Marc. História da Segunda Guerra Mundial. Tradução: Mauro Lando e Isa Mara Lando. 2º ed. São
As demonstrações dos aparelhos militares pareciam servir como um aviso para uma possível defesa do espaço norte-americano. O envolvimento de cinegrafistas das forças armadas demonstrava a preocupação do governo com a propaganda através do cinema:
PAT O’BRIEN – GEORGE BRENT – WAYNE MORRIS (o heroe de ‘Talhado para Campeão’) e FRANK MAC HUGH à frente de um cast de valores, no qual estão incluídos technicos e officiaes da Marinha Norte Americana154.
Dentre os vários esforços empreendidos pelos países durante o conflito, destaca-se a utilização do cinema como espaço para a propaganda, sendo assim as salas de projeção serviram para vários fins, entre eles a divulgação de ideais políticos.
Ao escrever sobre a história social do cinema americano, Sklar (1975) afirma que durante a Segunda Guerra a atuação da indústria cinematográfica dos Estados Unidos diminuiu minimamente suas atividades relacionadas à produção de filmes, se comparado com o período de paz. Para o autor, a atuação de Hollywood diminuindo os custos para a elaboração de películas voltadas para o esforço de guerra, em conjunto com o governo norte-americano, favoreceu os estúdios, pois sua atuação não ficou comprometida como outros setores que paralisaram suas atividades em decorrência da guerra. Contudo, esse acordo firmado entre os estúdios e o governo foi combatido por alguns setores da sociedade norte-americana. Por conseguinte, insinuavam:
Que o oferecimento da indústria cinematográfica de produzir filmes para o governo sem lucro era motivado menos por patriotismo do que pelo desejo de impedir que as extraordinárias circunstâncias do tempo de guerra perturbassem o poder do monopólio dos maiores estúdios.
Se foi um gesto patriótico ou não, não cabe aqui discutir. O importante é entender como os estúdios não pararam de produzir filmes voltados para o esforço de guerra, fazendo-se sentir seus efeitos com o aumento progressivo da quantidade de películas concernentes à guerra, exibidas nas salas de projeção da cidade de Belém.
No decorrer de 1940 as notícias detalhavam os primeiros combates navais e aéreos e as invasões da Alemanha Nazista. Desse modo, a Inglaterra teve destaque nas reportagens cinematográficas, pois o front estava, inicialmente, no continente europeu, tendo como protagonistas principais os dois países.
Em abril de 1940, o anúncio do cinema Poeira anunciava uma reportagem cinematográfica do Fox Jornal com o título “A Tomada de Varsóvia” retratando o conflito em toda a diversidade dos acontecimentos.
O Sítio da Cidade – Scenas authenticas do bombardeio – As destruições e incêndios causados pelas explosões das granadas – A rendição de Varsóvia – Dantzig, vencida recebe a primeira visita de Hitler – A Guerra na Linha Maginot – A defesa no canal de Panamá e outras notícias concernentes ao conflito. Film de absoluta sensação.155
No anúncio, os registros cinematográficos demonstram as cenas do avanço nazista na Europa com a conquista das cidades de Varsóvia e Dantzig e uma visita de Hitler. Contudo, a “imparcialidade” das reportagens estava sob a tutela do Estado Brasileiro que proibia qualquer manifestação explícita através dos filmes, que pudessem difamar a imagem de algum país com o qual tivesse relações diplomáticas. As outras reportagens faziam parte do contexto factual da guerra e da atitude das produtoras cinematográficas de Hollywood em relação às atividades dos Aliados e sua resistência em relação ao Estado Alemão.156
No ano de 1940 os cinesjornais tiveram destaque nas salas de projeção de Belém como veículo de informação do confronto. A maioria deles de origem norte- americana. Como ainda não haviam entrado na guerra apresentaram reportagens sobre diversos aspectos do conflito, sobretudo a luta entre a Inglaterra e Alemanha. Reportagens cinematográficas como “Combate entre aviões nazistas e um cruzador
inglez”,157 de 04 de julho de 1940, “Canhões de 24 kilometros de alcance na defesa
155 Folha do Norte – Belém, 14 de abril de 1940, p. 04.
156 O avanço vertiginoso dos exércitos nazistas, bem mais aparelhados militarmente, não encontrou grandes
resistências no continente europeu no decorrer dos anos de 1939, 40 e 41. Fora a ilha inglesa que mantinha resistência heróica a distância os outros países que se contrapuseram a Alemanha foram derrotados “para fins práticos, a guerra na Europa acabara. Mesmo que a Alemanha não pudesse invadir a Grã-Bretanha, devido ao duplo obstáculo do mar e da Real Força Aérea, não havia possibilidade de uma guerra em que os britânicos pudessem retornar ao continente europeu, quanto mais derrotar a Alemanha. Os meses de 1940-1, quando a Grã- Bretanha ficou sozinha, são um momento maravilhoso na história do povo britânico, ou pelo menos dos que tiveram a sorte de vivê-los, mas as possibilidades do país eram exíguas”. HOBSBAWM, op. cit., p.46
da costa britannica”,158 de 02 de agosto de 1940, que destacava “uma reportagem
rápida, mais incisiva, sobre o systhema de fortificações da costa inglesa, onde canhões de 24 kilometros de alcance esperava, há longo tempo, a promettida incursão nazista”159 e “Filme dum ataque aéreo a barcos de guerra inglezes que será
passado, hoje, no Iracema”,160 de 15 de novembro de 1940, produzido pelo Fox
Jornal “com vários aspectos da guerra, destacando-se: a invasão da Bélgica –
evacuação e incêndio de Nanasos, na Noruega, e vistas sensacionaes dum ataque aéreo allemão a barcos de guerra inglezes no Mar do Norte”161 foram citadas devido sua repercussão no jornal, com anúncios maiores ou artigos sobre o seu conteúdo.
Os anúncios dos cines-jornais faziam questão de ressaltar a autenticidade das reportagens de guerra. Para dar credibilidade aos fatos apresentados nas telas dos cinemas às imagens filmadas nos campos de batalhas era preciso imagens realistas para a construção da mentalidade social do público em relação ao front.
Os jornais de guerra perduraram até o final da Segunda Guerra Mundial, mas a partir de 1941 foram dividindo o espaço nas telas das salas de projeção da cidade como veículos de informação e grau de importância com as películas de longa metragem. Nos anos de 1939 e 1940 poucos foram os filmes referentes ao conflito que passaram nos cinemas da capital paraense. No entanto, desde o início os anúncios das películas produzidas por Hollywood ressaltaram como temas principais o drama patriótico, a apresentação do poderio bélico dos Estados Unidos e os ideais de liberdade.
Como já foi trabalhado o direcionamento político do governo dos Estados Unidos e de Hollywood, desde antes da Segunda Guerra, foi de repulsa aos ideais políticos do regime nazista alemão, deixando evidente na opinião pública do país o quanto era preciso combater o sistema político antidemocrático da Alemanha. Contudo, até o rompimento do Brasil com os países do Eixo a propaganda feita nos cinemas da cidade de Belém limitava-se à exaltação do sistema político norte- americano, seu estilo de vida e suas forças militares.
Em 1941, alguns anúncios quebraram esse circuito, descrevendo as “façanhas” do exército norte-americano na defesa de seu país. Como exemplo,
158 Folha do Norte – Belém, 02 de agosto de 1940, p. 04. 159 Ibid. p. 04.
160 Folha do Norte – Belém, 15 de novembro de 1940, p. 05. 161 Ibid. p. 05.
pode-se citar o filme “Patrulha Submarina”,162 da 20th Century Fox, exibido no
cinema Olímpia em maio do ano corrente.
UM DRAMA DA GUERRA MODERNA! COMBATES ESPETACULARES NAS ÁGUAS DO ATLANTICO! CAÇA AOS CORSARIOS GERMANICOS! Destruição de submarinos. As façanhas incríveis de uma ESQUADRILHA DE LANCHAS-TORPEDEIRAS AMERICANAS.163
As letras maiúsculas serviam para dar destaque aos anúncios, exaltando a capacidade do exército dos Estados Unidos de garantir a defesa do continente americano contra qualquer invasão nazista. Outro exemplo foi o anúncio do filme “A
Enfermeira Edith Cavell”,164 exibido em julho de 1941.
UMA PÁGINA DA HISTÓRIA QUE ABALOU O UNIVERSO! UMA MULHER CONTRA UM EXÉRCITO! – A R. K. O. RADIO, apresenta a mais completa atriz da Inglaterra personificando com naturalidade e perfeição a figura sublime e meiga de: A ENFERMEIRA Edith Cavell. A descrição dos acontecimentos que levaram os alemães a fuzilarem a famosa enfermeira britânica, em Bruxelas, durante a invasão da Bélgica, em 1915.165
Os temas históricos, principalmente os referentes à Primeira Guerra Mundial, foram muito utilizados na composição dos enredos cinematográficos e também os mais exibidos nos cinemas da cidade no segundo semestre de 1941. Serviram para propagar, implicitamente, as atrocidades cometidas pelos alemães. A figura feminina representava a sutileza do confronto com o perigo nazista, tendo como princípios o