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Veri Yoğunlaştırma ve R-ağacı

3 4’lü Ağaçlar

Algoritma 4.6 : QUADRATIC SPLIT

4.3 Veri Yoğunlaştırma ve R-ağacı

Além do princípio da continuidade da relação de emprego, outro ponto que merece destaque quanto à proteção da relação de emprego versa sobre a estabilidade. Este instituto sofreu um forte impacto com o surgimento do FGTS no ordenamento jurídico, que atacou à estabilidade decenal e as antigas indenizações por tempo de serviço. Maurício Godinho

23 GOULART, Rodrigo Fortunato. Salário Mínimo – art. 7°, inc. IV da Constituição Federal de 1988. In: Direito Constitucional do Trabalho Vinte Anos Depois: Constituição Federal de 1988. VILLATORE, Marco Antônio César e HASSON, Roland (Coord.). ALMEIDA, Ronald Silka de (Org.). Curitiba: Juruá, 2008, p. 208. 24 STEINMEIT. Wilson. A Vinculação dos Particulares a Direitos Fundamentais. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 245.

Delgado diferencia os conceitos de estabilidade no emprego de garantias do emprego ou estabilidades provisórias. Explica o autor que:

Estabilidade é a vantagem jurídica de caráter permanente deferida ao empregado em virtude de uma circunstância tipificada de caráter geral, de modo a assegurar a manutenção indefinida no tempo do vínculo empregatício, independente da vontade do empregador. [...]

Garantia de emprego, por sua vez, conforme já definido, é a vantagem jurídica de caráter transitório deferida ao empregado em virtude de uma circunstância contratual ou pessoal obreira de caráter especial, de modo a assegurar a manutenção do vínculo empregatício por um lapso temporal definido, independentemente da vontade do empregador. Tais garantias têm sido chamadas, também, de estabilidades temporárias ou estabilidades provisórias (expressões algo contraditórias, mas que se vêm consagrando).25

A estabilidade definitiva foi gradativamente perdendo espaço no ordenamento jurídico brasileiro, de maneira que hoje a estabilidade definitiva só existe na esfera pública através do disposto na Constituição Federal de 1988 em seu art. 41 e no art. 19 do ADCT. Só há que se falar em estabilidade decenal para àqueles que a adquiriram antes da atual Constituição.

Ainda sobre a estabilidade definitiva, teoricamente é possível o trabalhador adquirir estabilidade por ato unilateral e voluntário do empregador, por força da aplicação da norma mais favorável. Desta forma, é cabível analisar em que circunstâncias o benéfico foi concedido ao trabalhador.

Maurício Godinho Delgado apresenta duas situações onde é incabível a manutenção da estabilidade. A primeira versa sobre a invalidação de estabilidade concedida por entidade estatal criada nos moldes privatísticos, de acordo com o disposto no art. 173, § 1°, II, da Constituição Federal de 1988, pois existe a necessidade, de acordo com o disposto na Súmula 35526, da aprovação do Ministério que a subordina. O segundo aspecto trata da estabilidade concedida por entidades como sindicatos ou partidos políticos, situação que ensejaria à continuidade de trabalhadores que poderiam agir de forma contrária as mudanças democráticas que caracterizam estas instituições.27

25 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 8ª ed. São Paulo: LTr, 2009, p. 1144 e 1150. 26 Súmula 355: “O aviso DIREH n. 2, de 12 de dezembro de 1984, que concedia estabilidade aos empregados da CONAB, não tem eficácia, porque não aprovado pelo Ministério ao qual a empresa se subordina.”

Resta, Portanto, algumas situações de estabilidade previstas em lei, porém todas elas apresentam um lapso temporal de vigência, protegendo a relação apenas durante um curto espaço de tempo.

Sem maiores aprofundamentos é cabível citar alguns exemplos de estabilidade provisória. A Constituição alberga a estabilidade sindical dentro do rol de direitos sociais fundamentais, conforme inteligência do art. 8°, VIII; Também gozam de estabilidade relativa os titulares e suplentes da CIPA eleitos pelos trabalhadores; a gestante e o empregado acidentado, dentro outros casos previstos em lei.

O fato é que todas estas formas de estabilidade provisória só acontecem durante um curto espaço de tempo, ou seja, após o término da estabilidade o caminho do empregador se abre para a possibilidade de demissão. Desta forma, um candidato a presidência de um sindicado derrotado pode perder o emprego por uma retaliação do empregador em face de uma conduta que o contrarie. Tal fato pode ocorrer quando o candidato derrotado tinha como propostas, promessas de pressão para reajustes salariais ou de melhorias das condições laborais, por exemplo.

Não apenas a situação dos candidatos a dirigentes sindicais, mas todo um conjunto de trabalhadores poderiam estar protegidos através da ratificação pelo Brasil da Convenção n. 158 da OIT.

6.4.1 A Convenção 158 da OIT

A questionável denúncia da Convenção n. 158, da OIT, poderia ser bastante minimizada, caso o legislativo tivesse regulado o inciso primeiro do art. 7° da Constituição Federal. Tal inciso apresenta o seguinte conteúdo legal, in verbis:

Relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos da lei complementar, que preverá a indenização compensatória dentre outros direitos.

Apesar de estar há mais de 22 anos no primeiro inciso do art. 7°, nunca houve tempo suficiente para o legislativo brasileiro regular a matéria, restando uma lamentável inaplicabilidade do texto constitucional. Pode-se dizer, em linhas gerais, que o pagamento da multa do FGTS e o

seguro-desemprego, além do pagamento das demais verbas albergadas na Constituição e na CLT por parte do empregador, constituem a proteção que goza o obreiro. Portanto, pagando os direitos legais e uma multa pífia, pode o empregador gozar livremente do direito de despedir. O que fazer então quando acaba o seguro-desemprego?

Com a remuneração baixa e limitada do seguro-desemprego e diante da ausência de políticas públicas adequadas e eficazes de reinserção no mercado de trabalho, resta ao trabalhador ficar a deriva, relegado a própria sorte, sem o apoio necessário da empresa que o demitiu, nem do governo, que deveriam direcionar a vida do trabalhador demitido conjuntamente e, atendendo aos interesses e talentos do trabalhador, encaminhá-lo a cursos que possibilitassem, pelo menos, uma possível disputa igualitária por outro posto de trabalho.

Uma perspectiva positiva veio do plano internacional com o advento da OIT 15828. Esta convenção foi aprovada pela Conferência Internacional do Trabalho em 1982 e, no plano interno, o Decreto legislativo n° 68, de 16 de setembro de 1992 tratou de aprovar a convenção, ocorrendo à promulgação através do Decreto n° 1.855, de 10 de abril de 1996. Por último, o Decreto n° 2.100 de dezembro de 1996, tornou pública a denúncia da convenção, in

verbis, “visto haver sido denunciada por Nota do Governo brasileiro à Organização

Internacional do Trabalho, tendo sido a denúncia registrada, por esta última, a 20 de novembro de 1996”.

Toda esta situação de fragilidade da relação de trabalho, motivada pela não regulamentação do art. 7°, I e pela denúncia da convenção n° 158, da OIT, foi abordada por Grijalbo Fernandes Coutinho. O autor também afirma peremptoriamente que a denúncia ocorreu através de ato ilegal do Presidente da República. Eis as palavras do autor sobre estas questões:

28 Dois artigos albergados na convenção n° 158 da OIT merecem destaque, pois tratam diretamente da proteção da relação de emprego, principal foco deste diploma legal internacional, cabendo, portanto, a transcrição, in

verbis destes dois artigos:

Art 4° - Não se dará término à relação de trabalho de um trabalhador a menos que exista para isso uma causa justificada relacionada com sua capacidade ou seu comportamento ou baseada nas necessidades de funcionamento da empresa, estabelecimento ou serviço.

Art. 5° - Entre os motivos que não constituirão causa justificada para o término da relação de trabalho constam os seguintes:

a) a filiação a um sindicato ou a participação em atividades sindicais fora das horas de trabalho ou, com o consentimento de empregador, durante as horas de trabalho;

b) ser candidato a representante dos trabalhadores ou atuar ou ter atuado nessa qualidade;

c) apresentar uma queixa ou participar de um procedimento estabelecido contra um empregador por supostas violações de leis ou regulamentos, ou recorrer perante as autoridades administrativas competentes;

d) a raça, a cor, o sexo, o estado civil, as responsabilidades familiares, a gravidez, a religião, as opiniões políticas, a ascendência nacional ou a origem social;

Numa economia de alta rotatividade de mão de obra como fator de redução de seu custo e de enfraquecimento da organização sindical, torna-se imprescindível assegurar aos trabalhadores proteção contra a dispensa imotivada, seja pela regulamentação do art. 7°, inciso I, da Constituição Federal, seja pela ratificação da Convenção n. 158, da OIT.

Ratificada a Convenção, a sua denúncia não poderia ser feita antes do prazo de 10 anos estabelecido pela própria Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na hipótese mais flexível, a admissão da denúncia demandava a observância do processo legislativo que redundou na sua aprovação, ou seja, o ato do presidente da República precisaria ser aprovado pelo Parlamento.29

Percebe-se que um dos aspectos polêmicos em torno da denúncia da convenção n° 158 reside no fato da não observância do prazo decenal por parte do governo brasileiro. Arion Sayão Romita entende que este argumento não pode ser levado em consideração para considerar ineficaz a denúncia do referido tratado, para isto alicerça sua interpretação na exposição de alguns técnicos da OIT, porém reconhece que este entendimento não é pacifico, pois entra em choque frontal com outros posicionamentos doutrinários expostos por Américo Plá Rodrigues e Arnaldo Süssekind. Eis o posicionamento do autor:

O prazo de dez anos previsto pelo art. 17, § 1°, da Convenção n° 158 para que o Estado possa denunciá-la conta-se não do início da vigência subjetiva, mas sim da data em que ela teve vigência no plano internacional (vigência objetiva). Já que a Convenção n° 158 entrou em vigor internacionalmente em 23 de novembro de 1985 (como se lê em um dos considerandos do Decreto n° 1.855), ela poderia ser denunciada a partir de igual dia do ano de 1995 (10 anos depois). A nota do governo brasileiro à OIT, comunicando a denúncia, foi registrada em 20 de novembro de 1996. Vê-se, portanto, que a exigência do decurso do prazo de 10 anos para que a convenção possa ser denunciada foi respeitada pelo governo brasileiro.

Não é pacífico o entendimento de que o decênio, no caso de denúncia da convenção internacional, deva ser contado da data da vigência no plano internacional (vigência objetiva).30

O Outro aspecto polêmico que se observa, versa sobre o fato do Presidente da República não ter consultado o Congresso Nacional para concretizar a denúncia. Mais uma vez Romita, tomando por base o costume do Poder Executivo em denunciar convenções internacionais unilateralmente, considera dispensável a consulta ao Legislativo. Desta forma,

29 COUTINHO, Grijalbo Fernandes. O Direito do Trabalho Flexibilizado por FHC e Lula. São Paulo: LTr, 2009, p. 87.

30 ROMITA, Arion Sayão. A Tentativa de Ressuscitar a Convenção n° 158 da OIT. In: MARTINS FILHO, Ives Gandra et al (orgs..). A Efetividade do Direito e do Processo do Trabalho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, p. 241-242.

o fato do Presidente da República não ter enviado o ato de denúncia ao Congresso, também não seria fator de macular o ato. Explica o autor:

Não se trata, na verdade, de “delegação de poderes”. A intervenção do Poder Legislativo é dispensada, em caso de denúncia da convenção internacional, não porque o Congresso nacional, na hipótese em tela, delegaria ao executivo a prática de ato de sua exclusiva competência. A intervenção do Poder Legislativo não é exigida porque a deliberação do Executivo, no sentido da denúncia, representa mera retratação do ato de submeter o texto da convenção internacional ao “referendo” do Congresso (CF, art. 84, VIII). Tudo se passa como se o Executivo jamais tivesse submetido o texto da convenção à aprovação do Congresso.31

Esse entendimento não é compartilhado por Arnaldo Süssekind. O autor parte do entendimento que a aprovação e a revogação de ato jurídico complexo devem constar dos mesmos procedimentos. Adverte o autor que existe uma diferença entre Estado e Governo, cabendo ao Estado uma possível denúncia e não ao Governo. Explica o autor que:

Se as normas da convenção ratificada se incorporam à legislação nacional, conforme tem decidido reiteradamente o colendo Supremo tribunal Federal, afigura-se-nos que a revogação das respectivas normas, em virtude de denúncia efetivada pelo Presidente da república sem a manifestação do Congresso Nacional, afronta o sistema constitucional brasileiro.32

O fato é que existem inúmeros posicionamentos doutrinários, porém a conseqüência prática da Convenção n° 158 da OIT, em verdade, nunca ocorreu, seja em função da denúncia, seja em função da liminar concedida em face da ADIn 1.480/DF que estabeleceu que a referida convenção não é auto-aplicável, até o final do julgamento.

O trabalhador brasileiro continua, portanto, sem a proteção mais ampla do art. 7°, I, por falta de Lei Complementar e, no âmbito internacional, a proteção da OIT n° 158 foi perdida em face da denúncia realizada unilateralmente pelo governo brasileiro.

Benzer Belgeler