WKT Çözümleme
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6.3 Bezier Eğrileri ile Dağılım Sonuçları Veri Kümesi Özellikleri :
As instituições legitimadas pelo Estado Democrático de Direito são a manifestação do poder estatal nos mais diversos segmentos. Não poderia ser diferente no que tange à proteção da relação de emprego. Desta forma, é muito mais difícil e arriscado para quem emprega, submeter trabalhadores a condições degradantes, quando é percebida de maneira eficaz a presença estatal, impondo a ordem, bem como corrigindo e punindo condutas lesivas a classe trabalhadora.
Nesse sentido, é sempre relevante ressaltar o papel fundamental do Ministério Público do Trabalho e do Poder Judiciário, mais especificamente da Justiça do Trabalho no combate as mais diversas formas de precarização, bem como atuando no restabelecimento de direitos freqüentemente violados pelos empresários. Tais instituições gozam de previsão legal albergada direitamente no texto da Constituição de 1988, conforme exposto nos dois tópicos seguintes.
6.6.1 O Ministério Público do Trabalho
O Ministério Público do Trabalho (MPT) integra o Ministério Público da União, conforme disposição do art. 128, I, a, da Constituição Federal de 1988. Porquanto, o MPT é instituição permanente e essencial à função jurisdicional do Estado, de acordo com o art. 127. Ainda no art. 127, § 1°, estão albergados os princípios institucionais do Ministério Público que são: unidade, indivisibilidade e independência funcional. Valentin Carrion explica estes temas através de um raciocínio que pode ser utilizado para o Ministério Público de uma maneira geral e, em particular, para o MPT, objeto deste tópico:
O Ministério Público é a instituição incumbida da defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, como quer a Constituição. A independência que a Carta Magna lhe concedeu leva a considerar supera a expressão que qualificou seus membros como “agentes diretos do Poder Executivo (CLT, art. 736), posto que a Constituição lhe concede autonomia funcional e administrativa (art. 127, §2°), além da unidade e indivisibilidade. Instituição uma e indivisível evidencia que seus membros fazem parte de uma só corporação e que podem
ser substituídos um por outro em suas funções, sem alteração subjetiva nos processos.39
O Ministério Público do Trabalho dispõe de poderosas ferramentas legais para defender interesses difusos e coletivos e individuais homogêneos. Dentre estas, cabe destacas os termos de ajuste de conduta e as ações civis públicas.
A título de ilustração, cabe registrar que recentemente a Justiça do Trabalho determinou a dissolução de um sindicato de empresas terceirizadas constituído irregularmente. Tal fato só foi possível em face da legitimidade do Ministério Público do Trabalho para impetração da ação civil pública, in casu, visando à proteção de trabalhadores empregados em empresas de terceirização. É cabível colacionar um trecho de notícia veiculada no site da PRT 21 que resume os pontos principais da decisão:
O Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região confirmou decisão da 7ª Vara do Trabalho de Natal, que determinou a dissolução do Sindicato dos Empregados em Condomínios e em Empresas Prestadoras de Serviços de Locação de Mão de Obra no RN – SINDCOM/RN. O TRT reconheceu que pessoas integrantes de articulado grupo familiar e empresarial criaram, de maneira fraudulenta, o sindicato de trabalhadores, que foi utilizado para favorecimento das empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra, geridas pelas mesmas pessoas e seus parentes, e que foram obtidos lucros e vantagens indevidas mediante a sonegação e a fraude de direitos laborais. Ressalta a decisão estar "claramente evidenciado que os recorrentes não só participaram da criação, mas também manipularam e utilizaram o SINDCOM para a prática de ilícitos, haja vista que há muito tempo mantinham relações e interesses pessoais e econômicos vinculados a várias empresas de prestação de serviços, inclusive mediante condutas fraudulentas". E, ainda consigna que "havia efetiva participação do referido Sindicato ao final dos contratos, subscrevendo acordos com as empresas, transacionando direitos dos ex-empregados e homologando as rescisões dos trabalhadores sem que os valores de face dos Termos de Rescisão fossem efetiva e integralmente quitados", sendo "evidente que as empresas integrantes do grupo que gerenciava o sindicato sempre tinham vantagens ilícitas expressivas por meio de sonegação e dispensa de direitos básicos e indisponíveis dos trabalhadores, contratuais e rescisórios".40
O termo de ajustamento de conduta é um dos instrumentos legais disponiveis no ordenamento jurídico, mais precisamente na Lei n° 7.347/85, que disciplina a ação civil
39 CARRION, Valentin. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. 34. ed. atual.. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 566.
40 Disponível em: <http://www.prt21.mpt.gov.br/imprensa-noticias.php?pagina=0¬icia=195>. Acesso em: 16 de julho de 2011.
pública. Antes de ingressar com uma ação civil pública cuja duração pode demorar anos até uma decisão final, é de bom alvitre que o Ministério Público busque ajustar a conduta do infrator, conduzindo-os para dentro dos parametros legais. Trata-se de medida que desafoga o judiciário e resolve com maior celeridade uma situação lesiva no plano metaindividual. Ademais, o descumprimento a assinatura do termo de ajustamento de conduta não exclui uma provável ação civil pública, em caso de seu descumprimento.
O caso destacado abaixo ilustra a atuação do parquet, no sentido de minimizar os danos da potencialmente precarizada atividade dos teleoperadores. Trata-se de um exemplo do uso do termo de ajustamento de conduta pelo Ministério Público do Trabalho, visando a adoção de medidas de saúde e segurança no setor de telemarketing, vendas e crediário As disposições do TAC tentam resgatar o mínimo de garantias legais que não eram respeitadas. No trecho abaixo, colacionado do site da PRT 21, é possível verificar a quantidade de bens jurídicos que precisaram ser tutelados extrajudicialmente, porquanto não eram respeitados.
Após a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta – TAC, as lojas Riachuelo na cidade de Natal/RN deverão adotar medidas de saúde e segurança, nos setores de vendas, crediário e Call Center (telemarketing).A empresa deverá elaborar relatório anual do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), com o apontamento das principais causas de faltas ao trabalho, especificando os setores de concentração e o número de Comunicações de Acidente de Trabalho – CAT emitidas, identificando, assim, as causas de adoecimento na empresa e elaborando programa de prevenção de Distúrbio Osteo-muscular Relacionado ao Trabalho – DORTS, perdas auditivas e doenças das cordas vocais.Exames médicos deverão ser realizados antes do prazo legal, na hipótese de manifestação de doença laboral, sendo tais exames, mesmo que complementares, custeados pela empresa.Os exames deverão ser realizados tendo-se em conta os riscos apresentados no setor de trabalho, não podendo se basear apenas na idade do trabalhador. Devido ao estresse sensorial a que são submetidos os trabalhadores de telemarketing, estes deverão atender a medidas apontadas por programa de prevenção de Perda Auditiva Induzida por Ruído Ocupacional – PAIRO.
O mesmo programa será responsável pela readaptação dos trabalhadores que retornarem às suas atividades, após doenças ou acidentes de trabalho. Todos os trabalhadores, sejam efetivos, temporários, terceirizados, aprendizes e estagiários, deverão ser contemplados nos programas de Segurança e Saúde do Trabalho – SST da empresa. Ambiente e aparelhos deverão ser adaptados. As medidas contidas no TAC também prevêem mudanças no prédio em que está atualmente situado o call Center, que será transferido para outro, a ser construído com observância das normas no anexo II da NR 17 do Ministério do Trabalho e Emprego.41
41 Disponível em: <http://www.prt21.mpt.gov.br/imprensa-noticias.php?pagina=0¬icia=198>. Acesso em: 11/08/2011.
Conforme ainda disposto no TAC do caso em tela, cabe ao empregador promover condições acusticas adequadas à comunicação, bem como diversas adaptações físicas visando a adaptação do ambiente de trabalho a legislação vigente, inclusive investir em mobiliário que resulte numa otimização dos fatores ergonômicos, com o fito de evitar futuros problemas de postura nos trabalhadores.42
Desta forma, o MPT desempenha papel primordial na proteção das relações de emprego, desenvolvendo ações de combate as mais diversas formas de precarização, caso do trabalho escravo, do trabalho infantil e na busca incessante de extirpar do ambiente de trabalho, condutas discriminatórias.
6.6.2 A Justiça do Trabalho
A Justiça do Trabalho está devidamente prevista no texto constitucional na inteligência dos arts. 111 ao 116. No art. 111 estão determinados os órgãos que compões a Justiça do Trabalho. A moderna estrutura da Justiça do Trabalho compõe-se então do Tribunal Superior do Trabalho, dos Tribunais Regionais do Trabalho e dos Juízes do Trabalho.
Diante da hipossuficiência do trabalhador nas relações de emprego, é fundamental a manutenção de um ramo especializado para a resolução deste tipo de lide. Mesmo criticando o
jus postulandi, como um fator prejudicial ao trabalhador, Manoel Jorge e Silva Neto adverte
que, “a Justiça do Trabalho é, de longe, o órgão jurisdicional mais solicitado pela população brasileira e o Tribunal Superior do Trabalho a instância superior que, dentre todas, é a que mais julga recursos”.43 O autor mostra-se peremptoriamente contrário a qualquer manifestação ou tentativa de absorção da Justiça do Trabalho pela Justiça Federal, fato que tem sido ventilado nos últimos anos. Por isso afirma que:
Sem tecer maiores considerações de mérito a respeito da proposição, mas sem deixar de reconhecer a flagrante inconveniência que nela se encerra, principalmente porque retira do trabalhador um órgão jurisdicional especializado para o julgamento de causas trabalhistas e, além disso, pelo que de emblemático se contém na idéia (um processo insidioso para a
42 Disponível em: <http://www.prt21.mpt.gov.br/imprensa-noticias.php?pagina=0¬icia=198>. Acesso em: 11/08/2011.
43 SILVA NETO, Manoel Jorge e. Proteção Constitucional dos Interesses Trabalhistas: Difusos, Coletivos e
destruição dos direitos sociais trabalhistas), o exame do art. 60, §4°, III dá a nota à inconstitucionalidade da medida.44
Cabe a Justiça do Trabalho no que tange as demandas individuais, restabelecer direitos violados, na grande maioria das vezes referentes a valores de natureza alimentar que são inadimplidos, trazendo prejuízo ao trabalhador, a sua família e a sociedade de uma maneira geral.
Por fim, é preciso que a Justiça do Trabalho mantenha firme a condição de independência, não se deixando influenciar pelos constantes ataques neoliberais cujo objetivo maior é o de incutir idéias flexibilizatórias das relações de trabalho, invariavelmente destinadas a reduzir direitos e a impor negociações que acarretam, em verdade, prejuízos e retrocessos a classe trabalhadora. O princípio da proteção e, sobretudo, o princípio da dignidade da pessoa humana com todo o poder conferido pela Constituição, devem estar sempre norteando os julgadores, para que sentenças, súmulas, orientações jurisprudenciais, enfim, todas as decisões do judiciário trabalhista, cumpram a verdadeira função de proteger o sujeito hipossuficiente na relação de emprego, o trabalhador.