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II. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

3.3. Veri Toplama Aracı

A análise de conteúdo tem sua origem no final do século XVIII, porém foram nos próximos cinquenta anos do século XX que ganhou mais espaço como proposta de análise, configurando suas características e diferentes abordagens.

Mesmo tendo sido uma fase de grande produtividade aquela em que esteve orientada pelo paradigma positivista, valorizando sobretudo a objetividade e a quantificação, esta metodologia de análise de dados está atingindo novas e mais desafiadoras possibilidades na

96 medida em que se integra cada vez mais na abordagem qualitativa de mensagens e informações. Neste sentido, ainda que eventualmente não com a denominação de análise de conteúdo, se insinua em trabalhos de natureza dialética, fenomenológica e etnográfica, além de outras. Como resumem bem, Eliana de Oliveira et. al. (2003, p.2):

A análise de conteúdo, instrumento de análise interpretativa, é uma das técnicas de pesquisa mais antigas – os primórdios de sua utilização remontam a 1787 nos Estados Unidos, e sua emergência como método de estudo aconteceu nas décadas de 20 e 30 do século passado com o desenvolvimento das Ciências Sociais, quando a ciência clássica estava em crise. Como se sabe, a atitude interpretativa faz parte do ser humano que deseja atingir o conhecimento. Desde a hermenêutica, a arte de interpretar os textos sagrados ou misteriosos, o homem praticava a interpretação como forma de colocar sua observação sobre um dado fenômeno.

Constituir-se como uma técnica de análise de dados em pesquisa, usada para descrever e interpretar o conteúdo de toda classe de documentos e textos, fez com que essa análise conduzisse a descrições sistemáticas, qualitativas ou quantitativas que ajudavam a reinterpretar as mensagens e a atingir uma compreensão de seus significados num nível que vai além de uma leitura comum.

Essa técnica faz parte de uma busca teórica e prática, com um significado especial no campo das investigações das ciências sociais e ganha espaço na área de pesquisa em educação (OLIVEIRA et. al., 2003). Constitui-se em bem mais do que uma simples técnica de análise de dados, representando uma abordagem metodológica com características e possibilidades próprias.

Na sua evolução, a análise de conteúdo tem oscilado entre o rigor da suposta objetividade dos números e a fecundidade sempre questionada da subjetividade, talvez por uma forte herança cartesiana e positivista de algumas áreas de conhecimento e pesquisa. Entretanto, ao longo do tempo, têm sido cada vez mais valorizadas as abordagens qualitativas, utilizando especialmente a indução e a intuição como estratégias para atingir níveis de compreensão mais aprofundados dos fenômenos que se propõe a investigar. Em qualquer de suas abordagens fornece informações complementares ao leitor crítico de uma mensagem, seja ele linguista, psicólogo, sociólogo, crítico literário educador, historiador ou de outra área do conhecimento.

97 Como método de investigação, a análise de conteúdo compreende procedimentos especiais para o processamento de dados científicos. O tratamento dos dados obtidos utilizou da análise de conteúdo proposta por Laurence Bardin (1977) e Maria Laura Franco (2008) sobre os depoimentos colhidos. Para Bardin (1977, p. 42), análise do conteúdo pode ser definida como sendo:

[...] conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas.

Buscar a análise de conteúdo, fez com que eu entendesse suas diferenças em relação à análise do discurso, já que não tem como foco principal, o sujeito que produz e as condições de produção do discurso. Porém era apenas uma questão de foco, pois “[...] pesquisas qualitativas têm se utilizado cada vez mais de análises textuais” (MORAES; GALIAZZI, 2007, p. 11), sendo uma escolha mais apropriada também para essa pesquisa.

O pressuposto foi ater-se ao texto, dialogando teoricamente, produzindo uma interpretação que pudesse auxiliar precisamente na compreensão de um contexto, de um determinado universo específico que estabelecesse práticas e relações sociais. Para Minayo; Deslandes; Gomes (2008, p. 79), não existe um enfoque exatamente quantitativo, pois não tem “[...] como finalidade contar opiniões ou pessoas”, sendo assim:

Seu foco é, principalmente, a exploração do conjunto de opiniões e representações sociais sobre o tema que pretende investigar. Esse estudo do material não precisa abranger a totalidade das falas e expressões dos interlocutores porque, em geral, a dimensão sociocultural das opiniões e representações de um grupo que tem as mesmas características costuma ter muitos pontos em comum ao mesmo tempo em que apresentam singularidades próprias da biografia de cada interlocutor.

Percorrendo essa característica, a utilização da análise de conteúdo pressupõe a delimitação de unidades de análise, dividida em unidades de registro e unidades de contexto. Franco (2008, p. 41) define a unidade de registro como sendo “[...] a menor parte do conteúdo, cuja ocorrência é registrada de acordo com as categorias levantadas”, e por unidade de contexto algo mais amplo, dentro das circunstâncias em que as unidades de registro foram produzidas. O que é também assinalado por Bardin (1977), ao enfatizar que:

98 A unidade de contexto serve de unidade de compreensão para codificar a unidade de registro e corresponde ao segmento de mensagem, cujas dimensões (superiores às unidades de registro) são ótimas para que se possa compreender a significação exata da unidade de registro. Isto pode, por exemplo, ser a frase para a palavra e o parágrafo para o tema. (BARDIN, 1977, p. 107)

O percurso para análise da problemática dessa pesquisa verticalizou-se sobre o tema como unidade de registro, que pode dar maiores esclarecimentos acerca dos significados expressos das falas dos participantes nas entrevistas semiestruturadas. Por isso, primeiro considerar uma pré-análise, num contato “flutuante” (FRANCO, 2008), depois na exploração do material produzido para selecionar as unidades de registro e contexto.

Momento esse que segundo Bardin (1977, p. 101) configura-se pela “[...] administração sistemática das decisões tomadas”, para enfim, dar o tratamento aos resultados obtidos e interpretados e dialogar com o objeto de estudo dessa pesquisa: os saberes docentes mobilizados pelo/as professore/as de história para construir a percepção sobre diversidade sexual na escola.

Foi dada considerável atenção a algumas características do corpus do texto, de análise qualitativa. Mas também não é apenas nessas repetições, que a primeira instância possa parecer quantitativa, mas ir além e perceber também as excepcionalidades e as ausências, construindo categorias de análise que nos permitissem interpretar os textos do material produzido a partir da interpelação junto aos sujeitos participantes.

Pensar na análise das entrevistas é considerar o que Duarte (2004, p. 216) nos apresenta sobre essa questão, principalmente em considerar a análise uma tarefa complicada, pois o momento da interpretação, construção de categorias precisa estar bem ancorada nos objetivos da pesquisa e na referência teórica, de maneira que a investigação consiga priorizar o enfoque desses objetivos.

Analisar entrevistas também é tarefa complicada e exige muito cuidado com a interpretação, a construção de categorias e, principalmente, com uma tendência bastante comum entre pesquisadores de debruçar-se sobre o material empírico procurando “extrair” dali elementos que confirmem suas hipóteses de trabalho e/ou os pressupostos de suas teorias de referência. Precisamos estar muito atentos à interferência de nossa subjetividade, ter consciência dela e assumi-la como parte do processo de investigação.

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3 CONSTRUINDO TRAJETÓRIAS PARA ANÁLISE: SABERES DO/AS

Benzer Belgeler